Pessoas… só pessoas.

Pessoas… só pessoas.

Amigos não têm cor mas são de todas as cores.

Um tem a pele tão clara que encandeia

E cabelos louros a raiar o branco.

Um outro é negro como a noite

Os seus olhos brilham como diamantes.

Noutro a pele tem uma tonalidade rosa

Delicada como as pétalas dessa flor.

Aquele, de olhos rasgados, e tez amarelada

Tem um sorriso que nos encanta.

Este é da cor do chocolate de leite

Sensível e delicioso como só ele.

Todos os meus amigo são coloridos mas não têm cor,

Para mim são somente pessoas…

Adoráveis e simplesmente as minhas pessoas.

Pelo mundo todos são iguais… pessoas.

Que seria do céu sem os arco-íris?

Que seria do mundo se fossemos todos da mesma cor?

Afinal como surgiriam belas pinturas

Sem uma paleta bem colorida?

Na realidade somos bastante coloridos,

Mas no fundo somos pessoas… só pessoas…

Simples e adoravelmente… pessoas.

Fortunata Fialho

Andorinhas

Andorinhas

Pelo cimo dos telhados voam andorinhas.

Os seus alegres trinados entram pelas janelas,

Com elas trouxeram a primavera, as suas flores

E os seus fragrantes odores.

Segundo o povo, pássaros de Nossa Senhora.

Ninguém ousa caça-las pois são celestiais.

Quando pousam nos nossos beirais,

Diz a crença popular que são os finados que nos vêm visitar.

Acreditando, ou não, ninguém ousa fazer-lhes mal.

Negras e lindas voam sem parar tornando tudo muito mais belo.

  Nos beirais, pequeninos seres piam aflitos,

A fome aperta e ainda não sabem voar.

Centenas de insetos os irão alimentar.

Novas andorinhas cheias de vida crescem…

E finalmente tentam voar.

Abandonam os ninhos sem possibilidade de voltar.

Frágeis e ainda indefesas lutam pela vida.

Chega o verão e o calor conforta-as e acaricia-as.

Os dias passam, o calor acalma e o frio aproxima-se.

Brevemente terão de partir numa longa viagem

Os nossos dias ficarão bem mais pobres…

Não faz mal, em breve a primavera voltarão a anunciar.  

Fortunata Fialho

Esse ventre esquelético que me pensou…

Um lindo poema de um poeta que muito admiro.

O poeta e os outros poemas

Esse ventre esquelético que me pensou…

nascem as nuvens rasas a oeste
nessa poeira continental que me invade
sou a cor do tempo que me fez
eu que fugi do homem e povoei o inóspito
eu que me fingi crente que inventei deuses
– que rasguei cânons pela promessa de lucro
quantas vezes idolatrei esse ventre esquelético que me pensou?
arte ilusória de brincar com o pensamento enganando as palavras…

de que me valem os pactos com o inimigo, se negoceio com deus
a paz com o diabo…

pudesse eu aniquilar-me no desejo de deixar de existir,
dar corpo à antimatéria que me corroí as entranhas.
pudesse eu imobilizar-me no desejo apenas de estar quieto,
até que o coração abrandando o ritmo, parasse nas batidas sincronizadas.

pusesse eu tornar-me folha em branco
onde coubessem todas as ideias do mundo,
para que o pensamento se desligasse

depois de tudo isto nasceria…

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Espero

Espero.

Neste local em que fomos felizes eu espero.

Espero que o tempo volte atrás e que venhas.

Que tragas nos lábios um sorriso sincero,

Nos olhos o brilho das estrelas,

No coração um amor puro e verdadeiro.

Quero esquecer que me deixaste por outro alguém,

As palavras que me feriram como punhais,

A tua frieza perante o meu desespero.

Disse que iria esquecer-te e outro amor encontrar.

Mentira, todos os dias fico neste banco

Deixando as horas passar aguardando.

Tentando ver-te surgir com pressa no andar,

De braços abertos para me envolverem

Num abraço promessa de amor.

O tempo passa o sol esconde-se e tu não bens.

Os dias sucedem-se e as noites são longas,

O coração sangra, mas a maldita esperança não morre.

Hoje não vou voltar, hoje vou de volta,

Talvez assim o esquecimento aconteça.

Hoje não vou… talvez assim te esqueça.  

Fortunata Fialho

Estrela cadente. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Estrela cadente.

Noite estrelada e uma suave e fresca brisa noturna.

Um reconfortante momento de calma contemplação.

O brilho das estrelas parece saído de um sonho.

Contemplo cada uma delas como se fosse a única.

De rosto iluminado pelo seu reflexo, estou feliz.

O reboliço do dia de trabalho parece tão distante.

Subitamente, vinda do nada, surge uma estrela cadente,

Brilhante e apressada, rasga o negro da noite,

Inadvertidamente, ofusca a estrela mais brilhante.

Transporta tantos desejos formulados,

Precisa de os tornar reais.

Como? Ninguém sabe.

Os pedidos acumulam-se a cada segundo que passa.

Não hesito e formulo o meu antes que se esconda.

Desejo paz e felicidade para todo o ser vivo,

O fim da fome e o secar das lágrimas.

Peço que a gargalhada infantil nunca se apague,

Que se mantenha pela vida fora até ao fim do seus dias,

Que quando eles terminarem partam em paz e…

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“Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

Sentei-me ao computador com uma enorme vontade de escrever. Surpresa! Perdi a inspiração.

E agora? Que faço com esta vontade?

Olho em volta e nada me inspira.

Que monotonia está tudo na mesma.

Olho pela janela e o sol brilha. Há tanto tempo que andava desaparecido. Percorro o espaço exterior com os olhos.

Vejo lindas flores nos meus canteiros, todos os dias aparecem mais algumas.

O meu quintal resplandece de cor e de alegria. Os pássaros chilreiam nas árvores. Não consigo descobrir nenhum ninho, talvez ainda seja cedo.

Vistosas joaninhas passeiam-se sobre as flores comendo o piolho das plantas. Uma borboleta esvoaça em redor da minha janela. Deve de estar a exibir o seu belo colorido, e que colorido! Recuso-me a pensar que anda a depositar os seus ovos nas minhas plantas. As lagartas vão banquetear-se e eu vou ficar muito aborrecida.

No canil as cadelinhas estão estendidas a apanhar…

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Dia da mãe.

Dia da mãe.

Dia da mãe… dia de todas as mães presentes ou ausentes…

Sou mãe e… já não tenho mãe, sou uma mãe sem mãe.

Neste dia estou tão confusa… tão triste…

Felicíssima por ser mãe… tristíssima por já não ter mãe.

Sorriu de alegria quando os meus filhos me beijam,

Me felicitam, me abraçam e sorriem.

Nos olhos espreitam lágrimas que reprimo para ninguém ver.

Como eu queria voltar a beijar minha mãe,

Dizer-lhe o quanto preciso dela,

O quanto anseio ouvir a sua voz e sentir o seu carinho.

Mãe deveria ser eterna… imortal.

Colo de mãe é céu e felicidade, amor, afago e paraíso.

Sem ela sou naufrago em alto mar,

Criança perdida no deserto,

Solitária no meio da multidão.

Dia da mãe… o meu dia… o vosso dia…

Um dia igual a todos os dias da vida das mães.

Mãe é mãe todos os dias, todos os instantes.

Para todas as mães, hoje, amanhã, todos os dias

Feliz dia das mães.

Fortunata Fialho

Nuvens negras

Nuvens negras.

Olho o céu e não encontro o sol, nuvens negras não o deixam ver.

Ao longe ecoam trovões e raios traquinas iluminam os céus.

Uma gota de chuva, desenvergonhada, pousa no meu nariz.

Um som intenso e assustador faz-me estremecer,

Num ribombar intenso a trovoada aproxima-se assustando o petiz.

Assustado chora no colo de sua mãe que o acaricia.

Outra gota descarada pousa em meu rosto.

Logo outras se lhe juntam e refugio-me em casa.

Das negras nuvens surge uma cascata,

A chuva torrencial inunda os campos e entra pela janela.

As ruas são rios caudalosos que tudo arrastam.

Todos os deuses parecem estar loucos, soltando fúria,

Lançam raios e fazem rufar os tambores.

Ou será a terra em revolta que chora e se lamúria?

Chora as dores das chagas abertas e não cicatrizadas,

Grita o sofrimento das queimaduras profundas,

Agoniza sem consolo num colo que já não existe

Pedindo à humanidade que a socorra.

O céu veste-se de nuvens negras e chora.

Chora, de desespero e raiva, em torrentes de lágrimas.

Pobre terra agonizante… temos que a salvar…

Fortunata Fialho

Eu… mulher.

Nasci num tempo em que a mulher era um ser secundário,

Sempre trabalhou tanto como qualquer homem,

No campo, ou noutro local qualquer, ganhando pouco…

Não deveria ter um emprego mais lucrativo que o esposo,

Todo o trabalho de casa era seu… partilhá-lo com o homem…

Impensável, era obrigação das mulheres os seres secundários.

Podem não acreditar mas ainda se criticava a depilação,

Mulher séria não se devia depilar, mostrar as pernas não era decente.

O marido mandava e a esposa obedecia… por vezes apanhava…

Não fazia mal pois entre marido e mulher ninguém metia a colher.

Cresci numa família tradicional… talvez não tanto…

Estudei… cresci… estudei mais… continuei a crescer.

Não fisicamente mas sim psicologicamente.

Quem me ama não se importa com o meu salário,

Ninguém tem direito a pensar que é superior…

Nem mesmo os homens… ou as mulheres.

Eu mulher não sou inferior a alguém…

Também não sou superior a ninguém.

Não sou feminista… só quero ser gente…

Como toda a gente independentemente do sexo.

Não aceito que me imponham limites… sempre irei lutar.

Sou mulher e só a mulher sabe o que é criar vida,

Sentir um ser crescer dentro de nós… o homem não.

Então como é que qualquer homem se pode considerar superior?

Fortunata Fialho