Felicidade (Netos… felicidade dos avós)

Felicidade

Felicidade é ver o brilho dos olhos de uma criança que é nossa,

Fruto dos frutos do nosso amor… dos nossos filhos.

Os rostinhos lindos e carinhosos de olhos brilhantes na descoberta…

Na descoberta de um mundo maravilhoso, cheio de ternura.

Cheio de novidades e carinhos de todos nós.

Um mês… cinco aninhos… não interessa.

Lourinha… moreninha… tanto faz.

São dois pedaços de mim que vou amar para sempre.

O meu mundo cada dia está mais rico

Uma riqueza que não se consegue calcular,

Uma riqueza do tamanho do universo que se expande a cada dia que passa.

Um coração cheio das mais esplendorosas riquezas jamais desejadas.

No coração de uma avó existem colos infinitos para acolher netos,

Cantos de dimensões astronómicas para albergar amores infinitos.

Netos… filhos não paridos mas igualmente amados,

Seres do nosso ser em vidas continuadas,

Imortalidade sempre transmitida em cada vida que se multiplica.

Vida imortal … possível eternamente… em corpos sempre diferentes.

Netos… frutos de uma árvore de frondosas folhas,

De troncos que se agigantam em abraços ternos e acolhedores,

De sombra protetora onde os sonhos são pássaros,

O futuro se agita com o vento e o amor cai

Em forma de folhas quentes e acolhedoras

Que criam tapetes suaves de sublime conforto.

Fortunata Fialho

E porque hoje é dia do abraço…

Quero um abraço.

Quero um abraço quente e apertado.

Um abraço consolo, um abraço amizade,

Um abraço paixão, um abraço amor.

Quero todo o sentimento num abraço de paz,

Num abraço de respeito… aceitação.

Quero um abraço sem cor, um abraço sem credo,

Um abraço partilha de puro amor.

Quero um abraço que cure, um abraço que dure.

Quero a eternidade num abraço,

No teu abraço… no meu abraço…

Que em todos os lugares se ofereçam abraços,

Se partilhem e passem de corpo em corpo,

Que essa partilha só termine no fim dos tempos.

Um abraço é um bem inestimável,

Saber abraçar é uma arte.

Quem abraça é o maior artista…

Que planta bondade em todos os corações,

Carinho em todos os olhares,

Amor em todo o ser vivo.

Quero o meu abraço especial… precioso,

Aceita o meu abraço… guarda-o no teu coração.

Fortunata Fialho

Filho.

Filho.

Quando os corpos se entregam o milagre acontece.

Quando o amor é imenso e não cabe em dois corações,

É necessário produzir mais alguns.

Entre beijos e abraços, outro amor em formação

No calor de dois corpos que se enlaçam… unos…

Quando os corpos se multiplicam o amor aumenta.

Um ser pequenino e frágil cresce dentro de nós.

Invisível, só os podemos sentir e acariciar.

O melhor pedaço de nós, um fruto do nosso amor.

Uma relação para toda a vida acontece.

Um primeiro olhar, um primeiro cheiro…um primeiro sorriso,

Uma primeira carícia… um primeiro som…

Um filho é o maior tesouro, o mais rico… o mais belo.

Um pequeno diamante em bruto que se desenvolve e se molda,

Uma joia rara que lapidamos diariamente.

Envolto em lágrimas, suor e muito amor cresce.

Nunca um amor foi tão puro e tão verdadeiro

Nunca um coração foi tão nosso, nunca um amor foi tão imenso.

Um filho é… o maior milagre do mundo.

Fortunata Fialho

Vesti-me de versos

Vesti-me de versos

Caminhando nua pela vida, vesti-me de versos e percorri caminhos.

Em cada percurso mudei de vestes… pelo caminho perdi algumas peças.

Nunca me senti realmente nua… sempre os versos cobriram meu corpo.

O vento soprou e os versos voaram revelando o meu corpo.

Com o poder do sonho cacei-os como se fossem borboletas,

Elaborei um vestido novo e abriguei-me dos olhares,

Colhi os versos que pendiam das árvores enquanto o vento gelava.

Teci um fantástico poema e com ele cobri meu corpo.

Que maravilhoso casaco, que palavras mais quentes…de carícias rimada.

Nasci nua e a minha mãe me cobriu de carícias, o meu pai de afetos.

Cresci feliz envolta em livros de histórias encantadas,

Vestida de poemas decorados de belas ilustrações.

Cresci e os poemas tornavam-se pequeninos…

Não fazia mal, os versos nunca me faltavam e as vestes aumentavam.

Nas noites quentes de verão cobri-me de poemas frescos,

Nas noites frias de inverno envolvi-me em poesia erótica,

Quente e envolvente como um amor tórrido e intenso.

Nos dias de primavera colhi flores e com elas versejei.

Vesti-me de poemas leves e perfumados, frescos e coloridos.

Banhei-me em versos revoltos num mar de palavras soltas.

Sequei-me no leito de rimas que o mar vinha beijar.

Vivi nas páginas de um livro, repousei na mais linda estante,

Adormeci e sonhei com um mundo poético e feliz.

Fortunata Fialho

Quero ser…

Quero ser…

Quero ser fogo e incendiar ao mínimo toque teu.

Quero ser chama que ilumina a noite escura e, se reflete no teu olhar.

Quero ser o reflexo de dois amantes abraçados.

Quero ser o brilho de um sorriso teu,

O desejo refletido no teu olhar,

A sucessão dos teus dias, lentos… tranquilos….

Caminhando em busca do infinito inalcançável.

Quero ser amor que cresce de forma exponencial,

Amor crescente… profundo… delicado…

Amor ardente.

Quero ser o mundo e acolher toda a gente.

Mar temperamental e apaixonado,

Riacho tranquilo e lutador, que se agiganta…

Cresce e corre em busca do mar que ama.

Quero ser uma simples gota de água que sobe aos céus

E cai alegremente sobre um campo verdejante.

Quer ser flor singela e bela crescendo

Num campo verde brilhante… húmido…

Enfeitado por um colar de diamantes de orvalho.

Quero ser gargalhada na boca de uma criança.

Pura, cristalina, inocente e plena de esperança.

Quero ser ingénua, sonhadora, pura e transparente.

Sonhar o impossível, lutar pelo futuro…

Agarrar a vida… afastar a morte.

Quero viver eternamente…

Nem que seja na lembrança das gentes.

Quero ser uma estrela brilhante…

Mesmo que perca o brilho em cada amanhecer.

Quero ser palavra que se transmite

No imaginário de algum livro em cada estante.

Fortunata Fialho

Quero paz.

Quero paz

Paz quero paz, preciso de paz…

Fecho os olhos e viajo em terra sonhada…

Percorro os campos floridos do meu Alentejo,

Passeio por cearas maduras… douradas.

Em meu redor, sons de tranquilidade ecoam,

O vento murmura-me ao ouvido… sonha.

E eu sonho… sonho se empunham flores…

Que se disparam beijos… que se bombardeiam abraços.

Os riachos correm cristalinos murmurando…

Sons de tranquilidade… salpicando amor.

Engrossam em respeito e partilha…

Formando mares de fraterna amizade.

Preciso de paz… encontro paz…

Em cada gargalhada, em cada sorriso, em cada olhar.

O mundo só assim pode mudar… sarar…

Quero paz… dou paz… mas não compro paz.

Paz não se compra… conquista-se… oferece-se.

Paz não se devia pedir… só deveria existir.

Devemos respirar paz, transpirar paz… partilhar paz…

Quero paz… todos queremos paz… todos merecem paz.

Que a minha paz seja a nossa paz e o mundo viva em paz.

Fortunata Fialho

À luz da poesia.

À luz da poesia.

À luz da poesia revelam-se sonhos e quimeras.

Como a chama de uma vela, sombras irreais criam magia.

Pelos olhos desfilam mundos fantásticos… (i)reais.

À luz da poesia não existe frio e o calor só acaricia.

Todas as sombras se enchem de luz e os corações brilham.

Brilham intensamente, irradiando inocência e esperança.

Iluminada por essa luz imensa sonho…

Sonho com mundos encantados, céus de mil cores,

Campos cobertos de diamantes gotas de orvalho.

Campos verdejantes até onde a vista alcança… e mais além.

Verdes salpicados de mil flores arco-íris… mágicas… fantásticas…

Riachos de águas frescas e cristalinas matam a sede.

Nas suas águas refrescam-se corpos envolvidos pela sua carícia húmida.

À luz da poesia os amantes são mais amantes,

A pele mas sensível, os beijos mais intensos.

E os orgasmos? Ai esses são puramente divinais.

À luz da poesia não tenho idade… nem fronteiras.

Sou pura e inocente como uma criança…

Sábia… vivida… feroz… protetora…

Doce e ardente como a paixão… despida de preconceitos e tabus.

Iluminada, as palavras soltam-se compondo belos poemas.

Textos poéticos de frases melódicas… doces… eternas…

À luz da poesia… algures… nasce mais um poeta,

Mensageiro de beleza… esperança e sonho.

Fortunata Fialho