Sonhos de criança.

Sonhos de criança

De olhos brilhantes espelhando o mundo, toda a criança sonha.

No seu mundo mágico não existem limites nem censura.

Sonha que os bracinhos são asas e os lençóis brancos as nuvens.

Voam por cima de algodão doce, pousam nas asas de uma cegonha.

Dançam como prima bailarinas no campo verdejante do seu tapete.

Em tapetes voadores visitam Aladino, roubando o génio e escondendo-o no regaço.

Pedem desejos de sonhos de fadas, cavalos alados, de doces e de ternura.

Sonhos de criança ingénua e pura, de coração aberto em eterna procura.

Sonha com sereias, guerreiros e super-heróis esgrimindo armas de pau.

Uma colheita de estrelas guardada numa caixinha…

 Tesouro precioso de pedrinhas brilhantes.

Em naves de papelão percorrem o universo em busca de extraterrestres.

Descobrem-nos na caixa de brinquedos, planeta distante ao alcance da mão.

Donos do mundo querem ser crescidos… gigantes sonhados de palmo e meio.

 Por fim cansados procuram os pais, sobem para o colo e adormecem…

Um abraço apertado, uma ternura imensa, um doce sorriso… o mundo na mão.

Fortunata Fialho

Meu avô Manuel.

escreversonhar

Dos dois avôs que tive só me lembro bem de um deles. Infelizmente perdi o outro quando ainda tinha seis anos.

Este meu avô tinha uma história muito particular.

Para começar as iniciais do seu nome eram, precisamente, três M(s).

Por agora vou chamar-lhe só o primeiro: Manuel.

Quando, muito jovem, o irmão foi chamado para a tropa e surgiu um grande problema: este irmão já não existia. A sua morte não ficou devidamente registada na Conservatória, segundo a família, por incompetência do funcionário da época.

Decorria nesse mesmo tempo a “Guerra de Catorze” e, para evitar a prisão, o pai tinha que tomar o seu lugar. O meu bisavô já era demasiado velho e, a conselho de um advogado, só havia uma hipótese, “matava-se” o meu avô “revivendo” assim o irmão.

Assim, o meu avô, repentinamente ganhou dois anos a mais e teve que partir para a guerra.

Não…

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100(cl) sentimentos destilados na alma!

O poeta e os outros poemas

100 (cl) sentimentos destilados na alma!

Sangue da alma escorrendo no rosto,
filhos em pranto por alimento materno
conjugação imperfeita, sonho proposto
interno sentir, sofrido manifesto externo.

Irrigado querer, antídoto, inflamada alma
lágrimas nunca choradas, dor, angústias
choro lágrimas a rir, aquando choro a calma
paixão no filho do homem, escorridas hóstias.

Lágrimas caídas, dentro, oculto lado errado
águas caídas, manso adeus meu ser infeliz
enxugadas no ermo querer erro perdoado.

-quentes, silenciosas… ardentes na dor
fonte na vida gerada, num ontem – feliz
olhos marejados de lágrimas, ainda Amor.

Alberto Cuddel®
29/11/2015

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Quem sou eu? “Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

Quem sou eu?

Quem consegue responder, com rigor, a uma pergunta destas?

Não sei.

Um dia sou uma pessoa alegre, crédula, romântica, otimista e feliz. No outro triste, taciturna, desconfiada e um pouco infeliz.

Atenção não sou bipolar nem sofro de qualquer distúrbio ou perturbação mental.

Poderão dizer que sou complicada, mas quem não é?

Não somos, no fundo, o espelho daquilo que nos rodeia?

Sofro quando alguém querido sofre, riu quando se riem. A tristeza torna-me infeliz e a alegria feliz.

Não é assim para todos nós?

Só um tolo consegue ser feliz a tempo inteiro. Não sou tola, simplesmente, sou humana.

Procuro obter alegria dos pequenos e bons momentos e aproveitar as coisas boas da vida. Amar incondicionalmente quem me ama e, por vezes, aqueles que dizem não me amar. Sim porque é difícil amar quem nos odeia.

Cuidado, sou orgulhosa e não esqueço facilmente a traição e…

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Eu… mulher.

escreversonhar

Nasci num tempo em que a mulher era um ser secundário,

Sempre trabalhou tanto como qualquer homem,

No campo, ou noutro local qualquer, ganhando pouco…

Não deveria ter um emprego mais lucrativo que o esposo,

Todo o trabalho de casa era seu… partilhá-lo com o homem…

Impensável, era obrigação das mulheres os seres secundários.

Podem não acreditar mas ainda se criticava a depilação,

Mulher séria não se devia depilar, mostrar as pernas não era decente.

O marido mandava e a esposa obedecia… por vezes apanhava…

Não fazia mal pois entre marido e mulher ninguém metia a colher.

Cresci numa família tradicional… talvez não tanto…

Estudei… cresci… estudei mais… continuei a crescer.

Não fisicamente mas sim psicologicamente.

Quem me ama não se importa com o meu salário,

Ninguém tem direito a pensar que é superior…

Nem mesmo os homens… ou as mulheres.

Eu mulher não sou inferior a alguém…

Também não…

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Tempo

Tempo

O tempo não tem idade… não sabe onde nasceu.

O tempo é órfão e não sabe.

O tempo é Deus… é saudade…

É Fénix renascendo sempre que se fina.

É imortal… intemporal… eterno.

O tempo tarda… o tempo foge…

Espirito indomável… amante ciumento,

Possessivo, intenso… doce e terno.

Tempo dos amantes… terno e apaixonado,

Tempo dos inocentes… ingénuo e sonhador.

O tempo é criança traquina e apressado.

O tempo é velho… sábio e sensato.

O tempo é meu e não me pertence.

Traidor inclemente passa e não se detém.

Teimoso insensível, nunca volta atrás.

Lento e indolente, teima a tardar,

Rápido foge e não se deixa apanhar.

O tempo não tem tempo… que estranho!

Por vezes corre, outras é tão lento… que raiva!

Quero o meu tempo para te dar tempo,

Para isso preciso do tempo que o tempo não dá.

Tempo (in)justo, (in)clemente, padrasto… pai…

Acalma-te não te apreces, ainda tens muito tempo…

Sossega, descansa… passeia por aqui.

Tempo não me deixes… preciso de ti.

Fortunata Fialho

Amor Eterno

Amor Eterno

Era um sonho que ela tinha: amor eterno como nas histórias.

Ao abrigo da noite o sonho vinha, sonhava com o príncipe encantado.

Guerreiro feroz… amante doce e terno…

Cabelo moreno, olhos negros e lábios doces como o mel.

O tempo passou e ela cresceu. O príncipe encantado mudou…

O cavalo descansou e um carro o destronou.

De guerreiro passou a Bom Vivant, Playboy…

A adolescência não perdoa e as paixões são intensas.

Desgostos de amor, choros e lamentos…

E a menina tornou-se mulher… os príncipes rarearam.

Com o tempo desapareceram… tornaram-se vulgares…

Um dia, sem que o procura-se, algo aconteceu.

Um grande amigo começou a parecer diferente,

A sua companhia era o maior prazer do mundo.

Os sonhos voltaram mas ela não dormia.

Sem que se apercebesse o amor tinha acontecido.

E… entre beijos e abraços promessas foram feitas,

Vidas foram unidas e multiplicadas.

Em surdina uma promessa: Amar para sempre…

Amor eterno a dois partilhado!

Fortunata Fialho

Sonho acordada…

Sonho acordada…

Triste e melancólica olho o horizonte e, acordada, sonho.

Sonho que ao ligar o rádio as notícias são de esperança.

Que a televisão fomenta a cultura e o respeito.

No meu sonho os livros enfeitam as estantes de todas as casas,

Ao alcance de todas as mãos, independentemente da sua idade.

As crianças crescem a ouvir histórias de encantar.

Que ao adormecerem sonham com fadas, príncipes e princesas,

Com mundos de encantar onde só a felicidade entra.

Que não lhes escondem, ou manipulam, as histórias antigas.

Eles têm de saber que, mesmo nas suas histórias, o mal existe.

Que as princesas podem conviver com demónios, ogres, duendes…

O bem e o mal sempre caminharam lado a lado,

A luz e a sombra são inseparáveis,

O medo é saudável, fomenta a coragem que tudo pode superar.

Sonho que ninguém vive aterrado, que os erros do passado lhes serviram de lição.

Sonho que no mundo acabaram as guerras e as fronteiras.

Que o sangue não enfeita os solos e que os campos permanecem floridos.

No meu sonho o riso das crianças é puro e cristalino.

Sonho que não haverá mais órfãos, fome, doenças…

Sonho que ninguém fala em raças, que não existe o fanatismo,

Que todos somos iguais independentemente do sexo ou idade.

Sonho que o mundo é perfeito…Estou acordada e sonho.

Lentamente, encaro a realidade e uma lágrima percorre o meu rosto.

Triste mundo em que vivemos… a dor e sofrimento é uma constante.

O pesadelo acontece e… eu estou acordada e sonho…

Mar infinito.

Sobre o azul cristalino do mar pousa o meu olhar.

Sentada na areia húmida e fresca, contemplo o infinito.

Onde acaba o mar e começa o céu?

Não consigo distinguir, o azul é imenso… tranquilo.

Nas ondas brilham diamantes… um manto de encantar.

Envoltas em estrelas brilhantes as ondas sucedem-se,

Descrevem coreografias elaboradas ao ritmo da força do vento.

Umas acariciam docemente a areia, beijando cada um dos seus grãos,

Outras, num arrebate apaixonado, envolvem-nas num turbilhão.

Como amantes, envoltos num tórrido abraço, rolam pela praia.

O vento, ciumento, tenta afastar as ondas.

O areal repousa húmido e quente… espera pela onda que se acerca.

Num eterno romance o mar e o areal formam um só.

Subitamente, uma sensação de humidade desperta-me.

O mar parece dizer, entra, torna-te parte de mim.

Numa provocante caricia percorre o meu corpo,

Vibro, não sei se de prazer ou de frio, e deixo-me ficar.

Pelo meu corpo correm ondas de frescura,

Fecho os olhos e cada poro do meu corpo estremece de prazer.

Como amo este mar! Como me sinto feliz!

Envolta nas suas ondas sinto-me viva… plena.

Nos seus braços deixo a realidade e transportou-me ao Olimpo.

Como uma deusa não sou mais deste mundo.

Sou uma miragem, um sonho… divina.

O mar recua e abandona o meu corpo… desperto do sonho.

Contemplou o infinito azul… sorriu e… estou feliz…

Fortunata Fialho

Vesti-me de versos.

escreversonhar

Vesti-me de versos

Caminhando nua pela vida, vesti-me de versos e percorri caminhos.

Em cada percurso mudei de vestes… pelo caminho perdi algumas peças.

Nunca me senti realmente nua… sempre os versos cobriram meu corpo.

O vento soprou e os versos voaram revelando o meu corpo.

Com o poder do sonho cacei-os como se fossem borboletas,

Elaborei um vestido novo e abriguei-me dos olhares,

Colhi os versos que pendiam das árvores enquanto o vento gelava.

Teci um fantástico poema e com ele cobri meu corpo.

Que maravilhoso casaco, que palavras mais quentes…de carícias rimada.

Nasci nua e a minha mãe me cobriu de carícias, o meu pai de afetos.

Cresci feliz envolta em livros de histórias encantadas,

Vestida de poemas decorados de belas ilustrações.

Cresci e os poemas tornavam-se pequeninos…

Não fazia mal, os versos nunca me faltavam e as vestes aumentavam.

Nas noites quentes de verão cobri-me de poemas…

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