E como dança… "Poesia Colorida"

E como dança…

No fundo da minha alma as letras agitam-se… enlaçam-se…

Formam palavras… frases… parágrafos e… soltam-se.

Numa erupção épica explodem e… gritam.

Caem como cinzas doces, esvoaçantes e melódicas, envolvendo-nos.

Os seus gritos, melódicos e ritmados, apelam ao movimento.

Uma letra dança e outras agitam-se, subitamente abraçam-se, tornam-se palavras.

Palavras dançantes em frases melódicas e sentidas… sonhadas.

E dançam. Juntam-se às centenas… milhares e rimam… rodopiam.

Doces poemas… sons de alma… desejos contidos surgem.

Poesias dançantes ao som de sonhos e amores vividos ou… sonhados.

Nesta tela, os seus paços, imprimem e… imortalizam-se.

Que terno bailado! Que doce melodia! Minha poesia.

Penso… sinto… escrevo e as palavras dançam e criam vida.

E como dançam!

A minha poesia é o movimento da minha alma, a dança dos meus sonhos.

Em mim, o sonho toma a forma de palavras e… escrevo.

No espaço em branco as palavras surgem, movem-se e, sim, parecem dançar.

Os sentimentos fluem e, melodicamente, componho.

A dança das palavras que deslizam inebriam-me e eu…

Eu só escrevo a sua coreografia.

Fortunata Fialho

Sempre… "Poesia Colorida"

Sempre…

Sempre que pelo meu rosto rola uma lágrima,

Olho para o horizonte e sonho.

Sonho que sou uma borboleta esvoaçando ao sol.

Uma flor que cresceu livre e vistosa no meio do campo.

Um pássaro livre de gaiolas, esvoaçando e trinando.

O vento que acaricia o teu rosto.

O sol que parece incendiar o teu olhar.

Uma nuvem que brinca com o vento,

Transmutando-se sem hesitar.

Um rio que corre para abraçar o mar…

Sempre que a solidão te machucar… vem.

Um abraço bem forte e um amo-te,

Acariciarão os teus sentidos.

Sempre que por mim chames estarei presente.

Sempre que me quiseres irei.

Sempre que me amares corresponderei.

Sempre que a tristeza te toque serei a tua alegria.

Sempre que as palavras te faltem serei o teu silêncio.

Sempre que o teu corpo gele serei teu agasalho,

Sempre que te desnudes serei a tua pele.

Sempre que precisares estarei aqui.

Para sempre serei tua e tu serás meu.

Fortunata Fialho

😃Quem sou eu?😉”Simplesmente… Histórias” 😁

escreversonhar

Quem sou eu?

Quem consegue responder, com rigor, a uma pergunta destas?

Não sei.

Um dia sou uma pessoa alegre, crédula, romântica, otimista e feliz. No outro triste, taciturna, desconfiada e um pouco infeliz.

Atenção não sou bipolar nem sofro de qualquer distúrbio ou perturbação mental.

Poderão dizer que sou complicada, mas quem não é?

Não somos, no fundo, o espelho daquilo que nos rodeia?

Sofro quando alguém querido sofre, riu quando se riem. A tristeza torna-me infeliz e a alegria feliz.

Não é assim para todos nós?

Só um tolo consegue ser feliz a tempo inteiro. Não sou tola, simplesmente, sou humana.

Procuro obter alegria dos pequenos e bons momentos e aproveitar as coisas boas da vida. Amar incondicionalmente quem me ama e, por vezes, aqueles que dizem não me amar. Sim porque é difícil amar quem nos odeia.

Cuidado, sou orgulhosa e não esqueço facilmente a traição e…

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Ser poeta…

Ser poeta é escrever com a alma, desejar o infinito e amar incondicionalmente.

Nas asas da imaginação colocar o mais profundo do seu sentimento e voar.

Vencer todas as amarras, voar nas asas de um momento e nunca deixar de sonhar.

Acreditar que a vida é encantadora e o amor… ai o amor… o melhor de tudo.

Não sei se sou poeta, só sei que adoro sonhar, transpor os limites físicos, acreditar…

Deixar que a minha alma se mantenha inocente e acreditar que os sonhos são reais.

Perder-me na beleza e eliminar toda a tristeza, viver a ilusão e manter a pureza.

Aqui, nestas linhas que escrevo, perco-me num mundo sem fronteiras e sonho…

Sonho que sou maior que o mundo, sonho que o meu poder é imenso.

Quero mudar tudo, quero abolir a dor e torná-la pura felicidade e… viva o amor.

Quero construir um mundo perfeito… nem que seja só nas asas das palavras.

Ser poeta é lutar, empunhar a palavra e mudar sentimentos feios… torná-los belos.

Que bom é escrever e deixar que as palavras fluam numa cascata de frases.

Cascata, de beleza impar, que mergulha num lago de textos, do qual evapora puro amor.

Que bom é escrever sem rumo e deixar que o coração fale mais alto que tudo.

Deixar que surja pura paixão, pura beleza, pura alegria neste fundo branco.

Ser poeta é, ser poema em si, é ser eterno através de simples palavras.

É chegar ao coração de quem lê. É fazer de quem lê poeta, também.

Ser poeta é… não sei. Só sei que escrever é… deliciosamente maravilhoso.

Fortunata Fialho

Muitos parabéns Mana. 🎂🎈💐

Nasceste.

Nasceste e contigo trouxeste alegria e felicidade.

Anos de espera terminaram e a felicidade aconteceu.

Um mano… ou uma mana era o que eu mais desejava.

A vida de filha única nunca me convenceu,

Precisava de ti, precisava de alguém a meu lado.

Tardaste mas não era tarde quando o milagre aconteceu.

Fui uma segunda mãe e tu a minha primeira filha.

Reguila e despachada iluminadas as nossas vidas,

Entre birras e gargalhadas cresceste feliz.

O nosso amor era incondicional,

O teu riso fácil e contagiante…

Cresceste e agora és mãe de um reguila como tu.

Os anos passam mas para mim serás sempre a minha reguila,

A pestinha que me alegrou e tornou mais rica,

Riqueza é amor, ternura, companheirismo… cumplicidade.

O tempo passou e continuei a enriquecer…

De carteira quase vazia mas rica de afetos e…

Tu és uma parte do meu tesouro.

Tesouro que guardo dentro do meu coração.

Muitos parabéns mana… que sempre sejas feliz.

Fortunata Fialho

Prefácio de "Poesia Colorida"

Prefácio

Antes de mais é uma honra e um privilegio ter sido convidado a ler esta obra em primeira mão, esta obra, em que mais do que pintar a poesia (Poesia Colorida) a autora Fortunata Fialho, professora de sua profissão, nos mostra como pintar a vida, a que vemos e que sentimos. Ler esta obra poética, mais que olhar o mundo pelo olhar do autor, é despir-se de emoções e ideias preconcebidas, é estar aberto a novos olhares, a novas cores, é estar disposto a contemplar a alvura da noite, pelo olhar de um cego. Ler poesia é saber pintar na alma com novos pinceis, outras paisagens.

Pensei varias vezes em seguir um padrão habitual, cronológico, mas como um livro de poesia não deve ser lido, mas ir-se lendo, permiti-me deambular pelas paisagens habilmente pintadas pela autora, e deixar-me surpreender pela beleza, pela analogia, pelas metáforas, e eis que me deparo com um poema que me transporta dali, numa clara associação de pensamentos dou por mim a lembrar São Francisco de Assis, tudo é tao perfeitamente simples quando amamos o que é natural, com a naturalidade de estar grato pelo dom da vida:

“Obrigado ao sol por nascer todos os dias,

Obrigado à noite que me aconchega.

Obrigado ao vento que me acaricia,

Obrigado à água que me refresca.

Ao amor que me completa um obrigado apaixonado,”

Nesta obra a autora além de pintar paisagens como o seu Alentejo, Fortunata Fialho pinta essencialmente sentimentos, estados de alma, pinta as gentes, a dor e a terra:

“Onde cada porta se abre a quem vier por bem.

Terra de brandos costumes e corações imensos,

Onde com abraços, pão e vinho se acolhem as gentes.

Alentejo, terra linda, de gentes tranquilas e amáveis.”

Na sua poética muito centrada na observação do mundo, no sentir que se abre na translucidez da alma onde as cores se misturam com as palavras, onde a outrora faz da alva folha tela de sentires em cores do arco-íris, levando o leitor ao êxtase do sonho, ali diante dele, numa realidade nua, onde os astros me imiscuem no peito:

“Um mundo colorido com laivos de carinho,

Vermelho de luz, amarelo de sol,

Azul como a doçura líquida da água.

Verde como os campos renascidos,

Preto… coberto de estrelas,

Prateado como os reflexos da lua,

Ternurento como as mãos rosadas de uma criança.”

Passamos pelo tempo, com um amigo, este amigo que nos fala, ler um livro de poesia é travar uma íntima discussão connosco mesmos, é um monologo interior segundo a nossa vivencia e conhecimento, e nisso a autora também nos acorda para realidade, chama a nós a vida, os problemas reais que existem ali, bem ali diante de nós, como a discriminação, como a exploração, a violência domestica e suas consequências:

“O povo criticou, hostilizou e disse, “ Desenvergonhadas”

Elas fingiram não ouvir e continuaram.

Os homens assustaram-se e tentaram pará-las.

Então um disse, “ Ganharam o meu respeito”

E a ele outros se juntaram e novamente coabitaram.”

Nesta paleta de cores não conseguimos dissociar a poesia da realidade, dos sentimentos profundos, da arte de sentir, da essência da vida, e nisso a autora quebra tabus linguísticos, escrevendo com todas as cores a arte de amar e do prazer:

“Amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.”

É por tudo isto e por todas as cores que estou grato, que mormente agradeço o enorme privilégio de ter lido e continuar a ler esta obra poética, parabéns Fortunata Fialho, este não é mais um livro de poesia, mas sim uma tela onde com palavras simples pintaste a vida.

Alberto Cuddel

Carta de "amor"?

Querida, depois de tantos anos na escola a aprender a falar bem e a comportar-me, aconteceu apaixonar-me por ti. Parece impossível que o comum dos mortais tenha tal paixão e, logo eu, fui perder-me assim que os meus olhos em ti tropeçaram.

            Quando, durante aquele passeio pelo campo te encontrei, o mundo parou, que criatura linda! Que coisinha fofa! Que deleite para meus olhos! O mundo parou, o meu coração disparou e o peito quase rebentou. No meio de tantas irmãs a tua alvura sobressaía, o teu pelo brilhava tal prata brilhando sob a luz do sol. Que beleza tamanha e eu, petrificado e estupidificado, contemplava-te enquanto te entretinhas na tua refeição matinal.

            Naquele mesmo instante desejei que fosses minha, levar-te para casa e acariciar-te até as minhas mãos doerem. Perder-me no meio da tua lã, descansar a minha cabeça nessa doce almofada de que nunca te separas, descansar o meu corpo no teu corpo quentinho e, amar-te como nunca ninguém amou um ser como tu.

            Nunca mais te deixarei voltar a ser uma entre muitas, num rebanho obediente e sem vontade própria. Serás a única do meu rebanho onde reinarás sobre o meu mundo. Nunca mais, outro alguém, passará a mão pelo teu pelo, nunca mais beberão do teu leite, será todo meu e nele saciarei toda a minha fome e o meu desejo.

            Agora anseio todas as noites de insónias pois aprendi o quanto é delicioso contar carneiros. Agora conto ovelhas. Tu, tu, tu… e mais tu. O sono não vem e eu continuo deliciado no meu contar. Tu, tu e sempre tu.

             Que amor tamanho, que perdição, como pode tal coisa acontecer-me? Escrevo esta carta apaixonada e sei que nunca a poderás ler. Sinto-me ridiculamente apaixonado a escrever esta ridícula carta de amor. Ridículo e… ridiculamente apaixonado.

Fortunata Fialho

Quero um poema…

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

Mar, tranquilo mar.

Nostálgico caminha sem rumo.

Pensativo deixa-se levar.

O barulho da cidade está cada vez mais longe.

Caminha envolto em tristes pensamentos.

Finalmente a quietude… o silêncio.

Uma gaivota soa ao longe.

Uma leve e fresca maresia acaricia o seu rosto.

Uma lágrima, salgada, sulca-lhe a face.

Seus olhos tristes, azuis como o mar, perderam o brilho.

Subitamente, seus pés pisam o areal.

Grãos finos abafam os seus passos.

Cansado repousa no Areal.

Ao longe o mar compadece-se,

Movimenta-se em suaves ondas…

Num concerto mágico acalma-lhe as mágoas.

Suavemente movimenta as conchas

Depositando-as a seus pés.

Uma criança acerca-se e, pegando num búzio, diz:

-Escuta o som do mar, é lindo e doce.

O seu sorriso, brilhante, irradia felicidade.

Ingénua, pura, ternurenta… que linda criança!

O mar salpica-lhe o corpo e uma mãozinha acaricia a sua.

No seu rosto, triste, desenha-se um sorriso…

O azul dos seus olhos adquire o brilho do mar…

A tristeza desfaz-se como a espuma das ondas…

A tranquilidade acaricia- lhe o coração…

Feliz… brinca na praia, apanha conchas,

Escuta os búzios, chapinha na água …

E… envolto em maresia… regressa feliz.

Fortunata Fialho

O dia em que tudo ficou azul.

Podem não acreditar mas foi verdade, verdadinha.

Ontem choveu todo o dia e eu e a minha mana não pudemos brincar na rua.

Como nos apetecia ir brincar de esconde-esconde!

Quando a mamã nos mandou para a cama e nos deu um beijo de boas noites disse: sonhos azuis. Eu sorri e sonhei que brincava em castelos encantados sobre nuvens azuis.

Acordei cedo e quis ver se chovia, espreitei pela janela e o céu estava todo azulinho. Boa podemos brincar na rua!

Corri para o quarto da minha mana e acordei-a.

– Vamos brincar lá para fora.

Comemos à pressa e abrimos a porta.

Um pássaro azul pousou na nossa árvore. Estranho a árvore também era azul e estava cheiinha de laranjas azuis, iahc não deviam saber lá muito bem. Abelhas azuis pousavam nas flores azuis, engraçado ontem eram de muitas cores. Uma borboleta azul pousou no cabelo da mana.

A minha mana era morena mas agora o seu cabelo estava azul-marinho e o meu azul celeste. As nossas roupas… juro que quando estávamos a comer eram muito coloridas, agora eram todas azulinhas, confesso que estavam muito giras.

Espreitei pela janela e lá dentro tudo estava normal… estranho aqui até o orvalho era feito de gotinhas azuis muito brilhantes.

Durante todo o dia tudo esteve azul e nós brincámos que nem uns tontinhos fizemos bolos de lama azul, almocinhos azuis e sumos ainda mais azuis, até os meus carrinhos e as bonecas dela eram azul-turquesa.

Nessa noite dormimos muito bem e até os nossos sonhos foram azuis.

Quando acordámos corremos para a rua e estava tudo normal. Estranho, teria sonhado? Não o calendário da parede mostrava que era mesmo amanhã.

Será que quando contar na escola tenho de começar por era uma vez?

Fortunata Fialho