Orgulhosa das minhas vitórias.

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Caminho.

Caminho pelas ruas sem destino marcado.

Caminho para libertar os pensamentos aprisionados.

A cada passo que dou voa um pedaço de sonho,

Um pensamento oculto toma forma e vive.

Vive nas asas da brisa e viaja para longe.

Atrás dele muitos mais se lhe juntam,

Formam ideias, derrubam fronteiras…

Caminho na calada da noite sem hora para voltar.

Nos lábios transporto um sorriso sonhador.

Na garganta palavras de amor e paz.

Fujo do medo, persigo a coragem.

Todos acreditam que ambiciono utopias,

Que será melhor voltar para trás.

Já tentei, virei-me… não vi de onde vinha.

Caminho sempre em frente tentando voltar.

Todos sabem o mundo é redondo…

Um dia hei-de chegar.

 Caminho porque não consigo ficar quieta.

Caminho porque persigo sonhos.

Caminho porque se parar morro.

Caminho porque a vida é um caminhar…

… sem paragens nem retorno.

Caminho soltando ideias como borboletas,

Desejos como rajadas de vento,

Fé e esperança em forma de oceano.

Caminho pelo trilho da vida,

Por vezes tropeço… equilibro-me e continuo.

Talvez um dia o mundo mude.

Então, talvez possa parar…

Fortunata Fialho

Estrela cadente. “Poesia Colorida”

Estrela cadente.

Noite estrelada e uma suave e fresca brisa noturna.

Um reconfortante momento de calma contemplação.

O brilho das estrelas parece saído de um sonho.

Contemplo cada uma delas como se fosse a única.

De rosto iluminado pelo seu reflexo, estou feliz.

O reboliço do dia de trabalho parece tão distante.

Subitamente, vinda do nada, surge uma estrela cadente,

Brilhante e apressada, rasga o negro da noite,

Inadvertidamente, ofusca a estrela mais brilhante.

Transporta tantos desejos formulados,

Precisa de os tornar reais.

Como? Ninguém sabe.

Os pedidos acumulam-se a cada segundo que passa.

Não hesito e formulo o meu antes que se esconda.

Desejo paz e felicidade para todo o ser vivo,

O fim da fome e o secar das lágrimas.

Peço que a gargalhada infantil nunca se apague,

Que se mantenha pela vida fora até ao fim do seus dias,

Que quando eles terminarem partam em paz e suavemente,

Que todas as criaturas nasçam perfeitas,

Que só existam bons pais, que o carinho seja infinito,

Que as discussões terminem com abraços…

Pobre estrela cadente. Como podes conceder tantos desejos? 

Fortunata Fialho

Escuridão.

Escuridão

Escuridão, tanta escuridão…

Por mais que tentem não conseguem ver.

Olham ao redor e procuram luz… escondeu-se.

Escutam e procuram risos… silenciaram-se.

Com os corpos procuram calor humano… rareia.

O fumo dos fogos tapa o sol,

As crianças choram de medo,

Os corpos fogem cheios de desconfiança.

Pelos cantos ecoam sons de ódio,

Em cada lar cerram-se as portas e janelas,

Procuram proteção que não existe.

O sol brilha intensamente mas a escuridão impera.

Em cada coração encontrou guarida,

No medo encontrou a sua força.

Milagrosamente um coração rompeu-se,

Em vez de sangue irradia luz,

Como uma pandemia contamina outros como ele,

Tantos corações cheios de luz!

Que pandemia implacável… nada a detém.

As sombras, amedrontadas, recuam,

Os campos enchem-se de flores,

As ruas de crianças a brincar.

Gargalhadas ecoam pelos ares.

A coragem voltou… o amor venceu…

A esperança voltou para ficar.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

Aula. “Sentidos ao Vento (Momentos)”

Aula

Espaço de aprendizagem.

Assim me ensinaram quando fui aluna.

Em casa educa-se, na escola aprende-se.

Hoje:

Escola é um espaço de convívio,

A forma de socializar,

Estar com os amigos e conversar.

Então quando e onde se aprende?

Como saber Matemática, Português, Inglês,…

Comodescobrir vocações?

Como vir a ser um bom profissional?

Sem conhecimentos?

Como teremos confiança em quem nos trata,

Nos ensina, nos constrói as infraestruturas?

Como será a nossa sociedade futura?

Quero que os meus alunos aprendam,

Sejam os melhores profissionais possível,

Sejam os génios de amanhã.

Pais ajudem-nos!

Estes são os vossos Filhos,

Os Homens de amanhã.

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Durante a minha primeira infância surgiram na minha casa dois animais. Um lindo gato e um cão.

Devem estar a perguntar-se, porquê um lindo gato e um simples cão. O facto é que do cão não tenho qualquer recordação, deveria ser um belo animal mas, não me recordo da sua aparência nem o que lhe aconteceu.

Do gato não sei o nome que lhe puseram, só sei que passou a ser “Charoco” pois era o que eu lhe chamava. Filho de gata mansa, comum europeu como se diz hoje, e de um gato bravo que vivia nos campos circundantes, grande como só ele, cabeça achatada, listado de preto e cinzento era o meu grande amigo. Eu diria mais o meu grande protetor.

Como todos os gatos de aldeia, vivia connosco mas tinha total liberdade de entrada e saída de casa. Dormir, dormia na rua que era o local indicado. E andava por onde lhe apetecesse, tinha liberdade total.

Todas as manhãs, às sete horas, miava à janela do quarto dos meus pais e não se calava enquanto não a abrissem.

Entrava, colocava-se junto à minha cama e miava, só parava quando eu tirava a mãozinha para fora da cama. Passava o seu pelo pela minha mão. Deitava-se ao lado da cama e esperava que eu me levantasse.

Para onde eu ia ele acompanhava-me como faria um cachorro. Ninguém me podia tocar sem que os meus pais deixassem.

Tenho uma fotografia em que estou sentada no chão comendo uma tijela de romã e o meu Charoco deitado a meu lado, só se veem os quartos traseiros e a sua cauda, mas lá está o meu grande amigo.

Não tinha medo de nada, nem sequer dos cães mais ferozes. Contava a minha mãe que um dia se lançou a um cão, perito em matar gatos, e que o fez fugir com o rabo entre as pernas. Convém acrescentar que foi o cão que o atacou e não o contrário, ele só se defendeu. Não pensem que ele era um arruaceiro.

Eu cresci e ele continuava a ser o meu grande amigo.

Um dia vim viver para a cidade e o gato ficou com a minha avó e a minha tia. Os meus pais não quiseram prejudicar o animal trazendo-o para um sítio diferente e privá-lo da sua liberdade.

Sempre que voltava à aldeia lá estava ele à minha espera. Era uma alegria reencontrá-lo, acariciá-lo e brincar com ele. 

Eu cresci e ele foi envelhecendo.

A minha avó tinha alguns pombos. De repente começaram a aparecer alguns mortos e alguém começou a afirmar que era o meu gato.

Como já estava velho, com poucos dentes e mais frágil, pensaram que a dificuldade em caçar livremente o empurrou para a caça fácil de pombos presos, não que lhe faltasse alimento mas toda a gente sabe que os gatos são caçadores por natureza.

Não sei o que passou por aquelas cabeças, decidiram abater o animal.

O meu desgosto foi muito grande, tinham matado o meu gato e eu não queria acreditar.

Os pombos continuaram a aparecer mortos. Finalmente descobriu-se o verdadeiro culpado. Um seu filho, extremamente parecido com ele, era o vil caçador.

Mataram um inocente e eu perdi um grande amigo.

Ainda hoje o lembro com carinho e saudade.

Era o meu Charoco.

Fortunata Fialho

Sentir. “Quero um poema…”

Sentir.

Sentir, quem não sente?

Pego na caneta e sinto uma vontade incontrolável, de escrever.

Viver vidas que não são minhas mas por mim vividas.

Descrever sonhos mesmo que sejam irreais.

Voar como um pássaro… sem levantar os pés do chão,

Cruzar o universo… de dentro do meu quarto,

Conhecer muitos planetas… sem sair da Terra.

Encontrar novas formas de vida… partilhar os meus sonhos sem um único som.

Viajar no tempo… só com um simples pestanejar.

Ser rainha… mesmo sem trono ou reino.

Ser plebeia sem passar fome… mesmo sem trabalhar.

Colher as estrelas como se fossem as flores do meu jardim.

Enfeitar as minhas noites com o brilho dos pirilampos.

Colher mil frutos diversos da árvore do meu quintal.

Cobrir o meu corpo com um manto de seda brilhante como o luar.

Amar sem pudor numa entrega total.

Sentir todo o prazer do mundo em ondas de felicidade sem par.

Sentir tudo o que quiser mesmo sem lhe tocar.

Sim… sinto que através da minha caneta tudo aquilo com que sonho se pode realizar.

Fortunata Fialho

Sim deliro. “Poesia Colorida”

Sim deliro.

Hoje acusaram-me de estar a delirar. Chamaram-me louca delirante.

Sim sou louca, louca porque amo… porque escrevo amor e ternura.

Na minha loucura delirante falo de amor, paz e felicidade.

Sou louca porque sou feliz no teu abraço e me perco no teu beijo.

Nesta folha branca declaro o meu louco amor.

No delírio dos meus sonhos chamo pelo teu nome,

Peço-te mil beijos e sorriu de felicidade.

Delirando recordo todos os bons momentos,

Se quero continuá-los e reinventá-los… deliro.

Quando juntos nos amamos até aos orgasmos… deliramos.

Deliro quando sonho um mundo melhor… um mundo amor.

Deliro quando sonho que os homens são todos iguais,

Deliro quando teimo viver os meus sonhos.

No meu delírio sou feliz e o meu mundo é perfeito.

Será que só eu deliro? Ou será que é o mundo?

Não estarão todos delirantes quando mandam?

Quando usam e abusam do nosso planeta e das nossas gentes?

Será que estas mentes em nada brilhantes pensam ser impunes?

Eu sonho… eles deliram e matam os sonhos,

Escondem o sol sob nuvens de poluição,

Pintam as águas de sujidade e morte,

Matam a fauna e a flora e não sentem culpa.

Será que deliro quando desejo que seja só eu a delirar?

Que todos acordem e este pesadelo acabe…

Quero um planeta saudável, paz e compreensão.

Será que estou delirante? Então curem-me com carinho e esperança.

Fortunata Fialho

Soltem as amarras. “Poesia Colorida”

Soltem as amarras.

Soltem as amarras, libertem-se das prisões.

Mundo cruel que vos prende sem grades,

Seres frágeis, humilhados… desprovidos de vontade própria.

Quando perderam a vossa razão de lutar?

Como vos convenceram de que nada valem?

Como permitis que vistam vosso corpo de roxo?

O mundo também é vosso e lá fora há um mundo.

A liberdade é um direito de todo o ser humano.

Tu és um ser humano… tens direitos…

Tens deveres também…

Tens o dever de lutar e de te libertar.

Abre as janelas e respira… sente o aroma da liberdade.

Sai, foge sem olhar para trás…

Se, por acaso olhares, que seja para dizer até nunca.

Livra-te da tua prisão… solta as amarras…

Alimenta o teu ego e ri, grita, chora…

Promete que para sempre serás livre,

Promete procurar a felicidade, o amor… a autoestima…

Se te voltarem a tentar encarcerar grita por ajuda,

Luta com todas as armas que puderes…

Promete a ti próprio(a)… liberdade.

Solta-te para sempre das amarras e… vive livre.

Fortunata Fialho

História de uma noite.

Um homem abre a carteira e subitamente uma embalagem de preservativos, não usada, cai. No seu rosto desenha-se um sorriso, na noite anterior não tinha sido necessária.

            Finalmente tinha saído com aquela criatura louca e exuberante que lhe despertava todas as sensações e o deixava louco de desejo. O grupo de amigos tinha-se dispersado e eles tinham ficado sós. Caminhando pela rua as suas mãos tinham-se unido e os seus corpos tocavam-se como que atraídos por um desejo não confessado.

            Um aguaceiro desabou sobre si e, encharcados, tinham-se refugiado no apartamento dela. Rindo ela indicou-lhe a casa de banho para que pudesse secar um pouco e tentou encaminhar-se para o quarto para mudar de roupa. Sem que pudessem evitar e porque os seus corpos não lhes obedeciam, permaneceram imóveis com os seus olhares fixos nos rostos que quase se tocavam. Os seus cabelos negros cobriam-lhe a testa e, afastando-os acariciou o seu rosto. Beijou, suave mas intensamente, aquela boca que tremia de desejo. As roupas deslizaram para o chão e os corpos uniram-se num só. Louco de desejo, sentou-a na mesa e tentou penetrá-la. Ela retraiu-se… que diabos!

             “É a minha primeira vez.”

            Não podia ser verdade!

            Uma ternura imensa invadiu-o e, pegando-lhe ao colo, levou-a para o quarto. Suavemente percorreu cada recanto da sua pele, com a sua boca, excitando todo o seu corpo. Suavemente acariciou o seu sexo e ela não se retraiu. Excitada e recetiva, ela deixou que a estimulasse e, quando a sentiu pronta, penetrou-a suavemente. Com movimentos lentos e carícias suaves fez todo o seu corpo vibrar de prazer. Finalmente o ritmo dos seus corpos aumentou explodindo num orgasmo imenso. Carícias lentas nos corpos cansados prolongaram aquele momento.

            Temendo acordar daquele sonho, envolveu-a num abraço e… adormeceram.

            Aquele preservativo continuou intacto.

Fortunata Fialho