Quero um abraço

Quero um abraço.

Quero um abraço quente e apertado.

Um abraço consolo, um abraço amizade,

Um abraço paixão, um abraço amor.

Quero todo o sentimento num abraço de paz,

Num abraço de respeito… aceitação.

Quero um abraço sem cor, um abraço sem credo,

Um abraço partilha de puro amor.

Quero um abraço que cure, um abraço que dure.

Quero a eternidade num abraço,

No teu abraço… no meu abraço…

Que em todos os lugares se ofereçam abraços,

Se partilhem e passem de corpo em corpo,

Que essa partilha só termine no fim dos tempos.

Um abraço é um bem inestimável,

Saber abraçar é uma arte.

Quem abraça é o maior artista…

Que planta bondade em todos os corações,

Carinho em todos os olhares,

Amor em todo o ser vivo.

Quero o meu abraço especial… precioso,

Aceita o meu abraço… guarda-o no teu coração.

Fortunata Fialho

“A soma dos nossos dias”

Os miúdos de uma das turmas levaram uma caixa de sapatos quase cheia de rebuçados para uma atividade de Educação Moral e Religiosa Católica e, como era óbvio, sobraram imensos. Para onde tinham de vir? Para a minha aula. O regulamento interno diz que é proibido comer nas salas de aula. Eu bem que queria que assim fosse. Tarefa inglória, assim que voltava as costas lá se distribuíam rebuçados e só se ouvia o desembrulhar dos chamativos e apetitosos doces. Venceram-me e eu acabei por pedir, ou melhor exigir que não aparecessem papéis no chão. Até eu acabei por ter de aceitar alguns. Claro que não os comi, tenho que dar o exemplo, mas bem que me apetecia um. Resisti orgulhosamente marcando a minha posição, não comeria na sala de aula.

Um copo.

escreversonhar

Um copo.

Um copo meio cheio repousa na mesa do café.

Uma mão trémula hesita em lhe pegar.

No rosto um sorriso doce e idiota aflora.

Os raios do sol incidem no líquido e iluminam o seu rosto.

O sol, aprisionado no copo, é seu e brilha como nunca.

Ninguém sabe mas ele é a pessoa mais feliz do mundo.

Possui o maior tesouro do mundo… vai ser pai.

A esposa telefonou e a novidade chegou… são gémeos!

Devia estar assustado… dois de uma só vez… felicidade a dobrar…

Pelo rosto rola uma lágrima e cai no líquido que estremece.

Desiste… está feliz demais para beber.

Deposita o dinheiro na mesa e sai.

Precisa de ar, rir como um idiota, dançar e talvez gritar.

Gritar ao mundo que é feliz, que o mundo lhe pertence.

Vai ser pai… vai ser pai…

E o copo? O copo continua meio cheio numa…

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Neste momento

Neste momento

Neste momento o silêncio abraça-me e eu sinto a sua terna carícia.

Os pensamentos surgem em cascata e não consigo parar,

Recordo vivências passadas tentando compensar tristezas do presente.

Na sombra desta árvore, protegida dos raios solares que me teimam tocar

Usando o espaço vazio entre as folhas presenteiam-me com subtis carícias,

A cascata de pensamentos formaram um rio de saudades.

Por entre os segundos que passam rolam coisas que o meu coração sente.

Infelizmente algumas boas recordações evaporam-se.

Preciso que as chuvas mas tragam de volta… urgentemente!

Felizmente o vento compreendeu o meu olhar e soprou.

Soprou felicidades do presente e sonhos realizados,

Envolveu os meus cabelos numa sensação de plenitude.

Recordo risos apaixonados, gargalhadas ingénuas,

Beijos ardentes, beijos babados… abraços apaixonados.

Neste momento o sorriso volta e os olhos brilham.

O vento sopra-me ao ouvido: Aproveita o presente,

Vive, ri, ama, sonha… orgasma de felicidade os teus dias.

O sol brilha, o vento acaricia, o futuro promete…

Levanto-me e caminho, sorriso ao sol, agradeço ao vento.

Olho o rio, antes de saudades, cheio de esperanças e sonhos,

Danço com a vida e faço amor com a vida.

Neste momento o mundo é o meu limite e a tristeza passado.

Neste momento eu sou mais eu e a felicidade em mim habita…

Fortunata Fialho

Um simples toque

Um simples toque.

Sentada num banco de jardim apreciava a paisagem. A calma e dourada planície era como um bálsamo, o dia tinha sido demasiado stressante e estava cansada.

Não o ouviu chegar… o silêncio era tão bom!

Subitamente um toque, os seus dedos no seu pescoço rolavam suave e delicadamente. Uma suave caricia percorria o seu corpo. Fechou os olhos e uma onda de prazer avançou em si como as ondas, de um mar calmo, se espraiam pela areia. Todos os seus sentidos se concentraram naquele toque. O seu corpo tornou-se areia e aquele toque o seu mar, calmo e dócil, mas fresco e reconfortante.

Encostou a cabeça naquele peito quente e o bater daquele coração soou como acordes celestiais. Cerrou os olhos, queria sentir sem pensar. Como era boa aquela sensação! Como desejou que aquelas mãos descessem pelo seu corpo e a abraçassem terna e firmemente, que aqueles lábios percorressem o seu corpo e despertasse toda a volúpia escondida em si.

Já não era dona de si mesma, só queria ser dele, fazer parte dele. O seu corpo ansiava por aquele corpo que se vestia com a sua pele.

Nas imediações não se via viva-alma e o arvoredo escondia-os de quem passava… estavam completamente sós.

Lentamente os botões do seu casaco soltavam-se revelando parte de uns seios que revelavam a sua excitação através dos mamilos que se elevavam sob o cetim da sua blusa.

Queria pedir mais mas não conseguiu, uns lábios macios e quentes calaram o seu som, absorveram as suas súplicas. Respiração com respiração, língua com língua, nada mais existia, compreendiam-se sem necessitar falar.

Protegida dos olhares indiscretos no seu jardim particular, perdeu a noção da realidade.

Lentamente as suas roupas deslizaram para o chão misturando-se com as dele.

Quatro mãos num corpo só, tateavam cada poro desses corpos unos e nus. E aquele toque! Como era divinal e como a fazia vibrar de prazer.

            As carícias percorriam o seu corpo sem deixarem um pedacinho de pele por acariciar. Como que impulsionada por magia as suas mãos percorriam aquele corpo que a enlouquecia. No seu baixo-ventre uma onda de desejo pedia mais… o toque daquele membro viril enlouquecia-a.

            Sofregamente abraçou-o e beijou-o como que suplicando por mais… muito mais. Delicadamente, ele elevou-a e sentou-a no seu colo. Inevitavelmente os seus corpos uniram-se e os sentidos mandaram. Não conseguia pensar, só sentir aquele prazer e devolvê-lo com toda a intensidade do seu desejo.

            Ondulando ao sabor do prazer, primeiro como em águas calmas, depois num mar tempestuoso, os corpos perdiam-se de si próprios. As carícias sucediam-se de uma forma louca, animal e instintiva. Só o prazer importava, só eles existiam. O suor percorria os seus corpos. Um odor animal pleno de aromas emanados da paixão e do desejo fazia inveja ao perfume das mais aromáticas flores que os rodeavam.

            O ritmo aumentava e sons de prazer ecoavam pelo ar. Puros e sem maldade, simplesmente impulsionados por um amor verdadeiro e uma paixão incontrolável, donos do seu sentir deixavam-se levar, ou melhor, elevar ao infinito.

            Finalmente explodiram num orgasmo intenso, um orgasmo a dois. Incapazes de controlar os seus corpos sentiram todo aquele prazer imenso, prazer que nunca pensaram poder sentir.

            Esgotados e realizados continuaram abraçados trocando carícias, agora sem desejo mas sim com uma ternura imensa. Recusavam-se a voltar à realidade, queriam prolongar eternamente aqueles momentos.

            O arrefecer do suor dos seus corpos e a sensação de frio que os envolveu, recordou-lhes a ausência das suas roupas. Rindo como duas crianças vestiram-se e, abraçados, permaneceram naquele banco observando a paisagem e sentindo o conforto que só o amor pode dar.   

Fortunata Fialho

Rir “Simplesmente…Histórias”

escreversonhar

Rirmos juntas foi tão bom… rir de felicidade… rir de verdade.

Sim ri, e em casa todos ouviram e riram também. Rimos… que bom!

Quero rir sempre assim, hoje… amanhã… sempre… rir, sim só rir…

Quero secar meus olhos, fechar esta cascata, triste e sombria.

Tenho que sorrir, deixar o sol entrar, secar estas lágrimas de sangue.

Quero ser feliz, quero acalmar minha dor, quero… ser feliz.

Meu Deus como quero, como tento… já consigo rir por entre as lágrimas.

Como seria bem mais fácil se pudesse ser novamente criança.

Fortunata Fialho

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Raio de Luz

Raio de luz

Pelo meio de mil nuvens, negras e sombrias,

Um tímido raio de luz espreita.

Ao longe, a uma criança de olhar triste,

O raio de luz acaricia o rostinho.

Os olhinhos iluminam-se e o raio cresce.

As brincadeiras sucedem-se.

Feliz, o raio viaja e pelos campos rodopia… dança.

No seu rodopiar aquece os solos, fá-los brotar.

Lindas flores cobrem o seu palco, perfumando os seus passos.

As nuvens comovem-se e choram grossas lágrimas

Regam os campos e engrossam os riachos.

Brancos lenços de nuvens algodão secam-lhes as lágrimas.

Lentamente, afastam-se e surgem mais raios de luz.

Das casas, bandos de petizes correm para na rua brincar.

E os raios de luz juntam-se… engrossam… alargam-se.

A timidez acaba-se e as nuvens libertam o caminho,

Agora o sol brilha e nos olhos de cada criança

Reflete-se em diamantes de felicidade.

O raio da luz, agora, é um gigante luminoso

Portador do calor do sol… entregando alegria…

Aquecendo a terra… abraçando os nossos corpos…

Raio amante… ternurento… fonte de vida…

Fortunata Fialho

Inverno

Inverno

O vento assobia lá fora… bate em todas as janelas.

Placa todas as portas na vã tentativa de entrar.

Desesperado percorre todas as ruas.

Ninguém sabe se foge ou procura algo.

Eterno caminhante anuncia o inverno.

Persegue as folhas das árvores que se lhe adiantam,

Empurra grossas gotas de água projetando-as sobre as calçadas.

Nas suas rajadas voam prenúncios de frios.

Frios intensos que gelam os ossos.

Pessoas caminham apressadas,

Quentes casacos colam-se aos corpos.

Quentes cachecóis ondulam ao vento.

Exausto o vento adormece,

 Agora é brisa que enternece.

A geada, sorrateira, cobre os campos.

Um manto branco brilha sob as estrelas,

Lençol de diamantes cobrindo todos os cantos.

Um cheiro acre sente-se no ar,

Ténues neblinas contornam as casas.

Mil lareiras os lares aquecem.

Entre lágrimas de fogo e sombras incandescentes

Histórias de encantar ecoam nas salas,

Risos de crianças de olhos sonhadores

Enriquecem as noites, fruto de esperança…

Na ingenuidade da vida.

O inverno chega lenta e sorrateiramente,

Invade os dias convidando ao aconchego.

Logo, logo a primavera virá.

Pobre inverno… lentamente se irá.

Fortunata Fialho

Viva 2022

Viva 2022

Nesta noite fria, sem festas nem fogos de artifícios

Esperamos a chegada de um novo ano.

Esqueçamos todas as dores e tristezas e celebremos.

Que em cada casa se comemore o teu nascimento,

Que se façam brindes e se formulem desejos de paz e saúde.

Que a cada passa se formule um desejo de esperança.

Que nos olhos, se houver lágrimas, sejam de alegria.

Que cada um agradeça ao seu Deus pela sobrevivência,

Que peça força e resiliência.

Em cada lar se festeje a vida e a esperança no futuro.

Cada amanhecer seja um novo renascer e…

Traga com ele raios de luz para combatermos as sombras.

Brindemos aos novos dias, brindemos ao futuro.

Elevemos os copos e gritemos:

Este ano vamos ser felizes e saudáveis.

Temos tantos abraços guardados à espera de entregar,

Tantos beijos para distribuir.

Vem 2022, espero-te de braços abertos e um sorriso no rosto.

Traz na bagagem saúde, paz, alegria e amor.

Fortunata Fialho

🎊 Feliz 2022 🎆 🎇

Aproxima-se de mansinho

O novo ano aproxima-se de mansinho e com ele vem a esperança.

Dona Esperança resolveu que estava na hora de se mostrar,

Cansou-se de ver tanta dor e tristeza.

Aproveitou a chegada do ano novo e pediu boleia.

Encheu um grande malão de saúde e coragem

Energia e conhecimento… e vem para a luta.

Ano Novo e Esperança resolveram enterrar o Ano Velho.

Este não deixa grandes saudades

Nenhuma lágrima por ele será chorada.

Ano Novo vem depressa, traz a Esperança e força no acelerador.

Estamos ansiosos, parecemos crianças inocentes

Acreditamos… ou melhor, temos esperança…

Não a Esperança trazes tu.

 Nós queremos acreditar que tens poderes mágicos

Que consegues fazer milagres e que nos devolverás a normalidade.

Como criança vou distribuir beijos e abraços,

Sorrisos e gargalhadas, como uma louca.

Vem depressa Ano Novo e não percas a Esperança.

Perdoa estes desejos de uma pobre desesperada,

Sei que não fazes milagres mas deixa-me sonhar.

Quero acreditar que durante a tua vida tudo vai melhorar.

Quero que venhas correndo, não de mansinho.

Vem depressa Ano Novo, estou cansada de te esperar.

Fortunata Fialho