Natal sem sorrisos.

Natal sem sorrisos.

            Num país não muito distante, numa cidade ou aldeia como tantas outras, um grupo de crianças esperava ansiosamente pelo Natal. Os pais, numa azáfama contínua, preparavam diligentemente as festividades. Escolhia-se o pinheiro mais frondoso que lhes pudesse fornecer o ramo mais bonito para ser a sua árvore de Natal. Compravam-se enfeites,enfeitavam-se as casas, confecionavam-se doces especiais e planeavam-se os encontros em família. No ar viajavam aromas que faziam salivar de antecipação o palato de qualquer um.

As crianças espreitavam por todos os cantos das casas na busca desesperada por indícios dos seus presentes. Onde estariam escondidos? Só iriam levantar um pouquinho o papel para espreitar ou chocalhar a caixa e escutar na tentativa de adivinhar o que tinham dentro.

            Não muito longe, num qualquer gabinete, um governante do alto do seu pedestal decidia sobre o futuro de uma nação que podia muito bem ser a nossa. Seguro da sua segurança, longe do centro de qualquer conflito decidia começar as hostilidades com um outro país vizinho, declarou a guerra.

            Faltavam poucas horas para as festividades e olhinhos sonhadores perscrutavam as estrelas tentando vislumbrar o trenó do Pai Natal. Entre risos e brincadeiras inocentes um deles gritou:

            – Olha estrelas cadentes. Talvez sejam os olhos brilhantes das renas. É o Pai Natal com os presentes.

            Todos saltaram de contentamento gritando de alegria e, entre risadas e nervosismo, aguardaram.

            O barulho era estranho e ensurdecedor, as estrelas cadentes caíram, explodiram sobre as suas casas, sobre as suas cabeças… Nas ruas abriam-se crateras, as casas desapareciam envoltas em fogo, gritos de angústia ecoavam pelos ares. De olhares atónitos e incrédulos não percebiam o que se estava a passar.

Algumas das crianças desapareceram… pulverizaram-se. Outras fugiram de encontro… à morte. O sangue cobria as ruas e os seus pobres corpos, os seus familiares não os puderam proteger e, agora, nunca mais os poderiam confortar.

De início choraram depois, as lágrimas secaram, desapareceram levando consigo o brilho dos olhares, a inocência… a pureza. Nos rostinhos morreu o sorriso e um trejeito de dor instalou-se na carinha dos sobreviventes.

            O céu não lhes tinha dado as estrelas, o Natal não era para eles. Os presentes foram a orfandade, a solidão e o sofrimento. Os doces foram a fome e as feridas nos frágeis corpinhos e, sobretudo, na alma.

            Este é o Natal de tantas crianças por este mundo fora, um Natal oferecido por quem não tem piedade, por quem investe em armas e guerra, por quem lucra com a infelicidade alheia.

Pobres crianças, pobres de todos nós que não conseguimos ver a alegria nos rostos infantis.

Um Natal sem sorrisos não pode voltar a acontecer… Cabe a cada um de nós evitar que volte a acontecer.

Natal tem de ser paz, amor, carinho, risos cristalinos e o brilho das estrelas nos olhos de todas as crianças.

Fortunata Fialho

Mais uma participação. O texto apresentado faz parte desta colectânea. 
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Horizonte.

Olho pela janela e aprecio a paisagem.

Campos ainda verdejantes,

Manchados de castanho.

Árvores de folha caduca despem as suas vestes.

O sol brilha tornando a paisagem luminosa.

Ao longe, o grande lago,

Parece um pequeno oceano!

Grande lençol de água que a vista não alcança.

Bandos de aves cruzam os ares.

Voam por todo o lado, pousando nas árvores.

Voam folhas levadas pelo vento.

Levam os nossos sonhos a outras gentes.

Os campos mudam a sua roupagem.

O horizonte é o mesmo,

A paisagem diferente.

Continuo a contemplar…

A minha imaginação transforma a paisagem,

Num sonho de amor e calma.

Sinto-me tranquila e feliz.

Fortunata Fialho

Mais uma espreitadela no meu novo projeto.

Finalmente a semana chegou ao fim.

Como não vinha nada cansada e a minha criada não faz nada enquanto eu não chegar, peguei no avental coloquei-o e a minha empregada começou a limpeza da casa.

Empregada trabalhadora esta. Limpou a casa, meteu roupa a lavar e até fez o jantar. Como esta empregada trabalha bem quando meto o avental!

Mal cai no sofá, chegou o resto da família. Esfomeados e a perguntarem pelo jantar, nem deram conta de que o cansaço era mais que muito. Por vezes gostava que alguém se lembrasse de me ter mandado uma mensagem a dizer: Não precisas de fazer o jantar, eu levo. Ou então: Hoje vamos jantar fora.

Agora estou a cair de cansaço e de sono. Quero ver aquele filme que vai dar na televisão, de que tanto ouvi falar, mas não sei se me vou conseguir manter acordada. Escrever em ti está a ajudar, pelo menos ainda não adormeci e tu és uma óptima companhia.

Lamento, companheiro, mas vou fechar-te e volto a estar contigo, se puder, amanhã.

Não deixes que te abram, não reveles os meus desabafos. Não quero que divulgues os meus pensamentos e angústias. Não quero … não preciso… esquece é o sono a falar mais forte.

Está tanto frio!

Fortunata Fialho

Ler e Sonhar

escreversonhar

Ler um bom livro é transportarmo-nos para

Uma realidade alternativa,

É viver o sonho de outras pessoas,

É sonhar como elas mas, de forma diferente.

Quando leio sonho,

Sonho que percorro campos que nunca vi,

Que voo sem saber voar,

Que nado apesar de nadar pouco.

Quando leio posso ser aquela sereia,

Aquela árvore centenária que protege a floresta,

O rio que protege um mundo de fábulas,

A ponte que liga o real ao imaginário.

Recuso identificar-me com o mau da história

Mas gosto de me identificar com os traquinas.

Ler é partilhar e aprender,

É conhecer vidas nunca vividas,

Ler uma história a uma criança é voltar a ser criança.

Ler Camões é viver o passado.

Ler Jorge Amado é conhecer parte do Brasil.

Ler Júlio Dinis, Fernando Pessoa, Fernando Namora,

E tantos outros autores Portugueses,

Reviver tempos, crenças e usos dos nossos antepassados.

Ler autores atuais como José Rodrigues…

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Mar, tranquilo mar.

Nostálgico caminha sem rumo.

Pensativo deixa-se levar.

O barulho da cidade está cada vez mais longe.

Caminha envolto em tristes pensamentos.

Finalmente a quietude… o silêncio.

Uma gaivota soa ao longe.

Uma leve e fresca maresia acaricia o seu rosto.

Uma lágrima, salgada, sulca-lhe a face.

Seus olhos tristes, azuis como o mar, perderam o brilho.

Subitamente, seus pés pisam o areal.

Grãos finos abafam os seus passos.

Cansado repousa no Areal.

Ao longe o mar compadece-se,

Movimenta-se em suaves ondas…

Num concerto mágico acalma-lhe as mágoas.

Suavemente movimenta as conchas

Depositando-as a seus pés.

Uma criança acerca-se e, pegando num búzio, diz:

-Escuta o som do mar, é lindo e doce.

O seu sorriso, brilhante, irradia felicidade.

Ingénua, pura, ternurenta… que linda criança!

O mar salpica-lhe o corpo e uma mãozinha acaricia a sua.

No seu rosto, triste, desenha-se um sorriso…

O azul dos seus olhos adquire o brilho do mar…

A tristeza desfaz-se como a espuma das ondas…

A tranquilidade acaricia- lhe o coração…

Feliz… brinca na praia, apanha conchas,

Escuta os búzios, chapinha na água …

E… envolto em maresia… regressa feliz.

Fortunata Fialho

Um momento de tranquilidade.

Nunca…

Nunca é muito tempo… a eternidade é uma utopia.

Nada vive para sempre e o nunca é uma promessa vã.

Podem dizer que o nunca é demasiado longo

Mas eu nunca te quero perder, nunca…

Quero uma vida inteira a teu lado.

Encontrar conforto no teu ombro,

Ver a felicidade no teu olhar.

Nunca quero acordar sem ti… sem o teu abraço.

Nunca direi nunca ao nosso amor,

Nunca acreditarei que este amor morreu.

Nunca quero deixar de sonhar, viver ou sorrir.

Nunca… nunca acreditarei no nunca.

Fortunata Fialho

Praça do Geraldo, um lugar maravilhoso para se passear.

Até que a vida nos separe…

Até que a vida nos separe…

            Num país pequenino em que as distâncias se consideram longas, longe nos anos e nas localidades, nasceram duas pessoas com o destino em rota de colisão.

            Vinda de um meio desprotegido onde a finalidade das mulheres era constituir família, uma rapariguinha foi crescendo. Já mulherzinha apaixonou-se e, como qualquer apaixonado, amou sem restrições.Como se diz, o fruto proibido é o mais apetecido, numa altura de rígidos valores morais, acabou grávida e sozinha. O namorado assim que soube do bebé que aí vinha simplesmente abandonou-a.

Que grande escândalo, grávida e sem homem!

Numa terra distante um homem já feito resolveu partir fugindo a algumas dificuldades com que a vida teimou em presenteá-lo. Solteiro e sem compromisso conheceu esta jovem. Apaixonou-se, ou não… sei lá, resolveu casar e adotar como sua a criança que se estava a gerar.

Tudo parecia ter retomado o bom caminho. A rapariga deixou de ser falada pois já tinha pai para a sua criança e ele, tinha adquirido a estabilidade de ter uma esposa em casa para o ajudar.

Desengane-se, querido leitor, se pensa que tudo foram rosas. Talvez tenham sido, mas totalmente cobertas de espinhos. 

O senhor que se tornou, ou tinha sido sempre, dependente da bebida, passava a vida embriagado. Não se metia em confusões com os seus conterrâneos, muito pelo contrário fugia sempre delas. Já quando chegava a casa a situação era completamente diferente. Ciumento como só um bêbedo consegue ser, e talvez porque o álcool lhe limitasse algum desempenho, acreditava plenamente que a mulher tinha amantes e que os filhos não eram dele. O facto é que a idoneidade da senhora era inquestionável, pessoa mais correta e respeitadora não havia nem haverá e de amantes nem uma ténue suspeita.

Entre pancada forte e feia na pobre mulher e com algumas ameaças de morte à mistura a vida ia avançando penosamente. Frequentemente a senhora tinha de fugir de casa e refugiar-se num acampamento de ciganos que existia na proximidade.

Neste acampamento existia muita solidariedade. Quem conhece as pessoas desta etnia sabe que entre eles a solidariedade é um dado adquirido. Sabe também que podem ser muito duros e inclementes em algumas situações. Já solidariedade para os não ciganos é algo que não é muito vulgar.

De notar que eu não partilho desta opinião. Por experiência própria sei que o podem ser bastante.

Um dia cai no meio da rua e nenhum transeunte se dignou sequer a perguntar se estava bem. Um casal de ciganos correu em minha ajuda, ajudou-me a erguer e até quis levar-me para o hospital. Sempre há gente boa em todo o lado!

Para esta senhora eles foram como família. Davam-lhe abrigo, comida e consolo. Diversas vezes até roupa porque frequentemente tinha de fugir a meio da noite só de camisa de dormir

Num tempo em que a separação era uma vergonha, a senhora lá voltava para casa com a família assim que as bebedeiras do marido lhe o permitiam. O medo era constante e o sofrimento incomensurável.

O dia a dia tornou-se cada vez mais penoso. O dinheiro esfumava-se em álcool e a comida rareava em casa. A pobre senhora, já com vários filhos pequenos, tentava obter o sustento para a família. Lavava roupa no rio, por vezes descongelando a sua superfície, para algumas pessoas da terra, e fazia alguns trabalhos que surgiam muito esporadicamente. Trabalhar para uma senhora era impossível pois não a aceitavam a tempo parcial e muito menos com o ranchinho de filhos atrás. Para piorar a situação o marido ainda lhe retirava o pouco dinheiro que obtinha para comprar bebida.

Homem alcoólico não encontra trabalho, não o procura e quando o procura todos lho recusam. Os poucos que o aceitam arrependem-se em seguida por não verem eficiência no seu desempenho, despedindo-os de seguida.

Seguindo o velho preceito de que o que Deus juntou ninguém pode separar, a pobre senhora lá foi aguentando os maus tratos tentando proteger-se e aos filhos.

Os anos foram passando e a situação só piorava. Dizem que o tempo tudo resolve. Falsa esperança, neste caso só piorava.

Um dia o coração não aguentou tanta provação e a pobre senhora faleceu.

Na igreja prometeu: “amar e respeitar até que a morte nos separe”, e cumpriu religiosamente a sua promessa.

Se fosse atualmente seria, sem dúvida até que a vida nos separe e o sofrimento dificilmente teria durado tanto tempo. Uma separação seria a forma mais lógica de resolver o problema. Antigamente ficava-se preso para a vida e só a morte podia terminar um casamento.

Não sei se foi por vontade de Deus mas o certo é que a morte finalmente separou-os. Um dia não acordou e o sofrimento terminou…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

🎁🍬 Sexo 🍬🎁

escreversonhar

Sexo

Sonho, sensações,

Sentimentos, saberes,

Sentidos alerta,

Somar caricias,

Subtrair o mundo lá fora,

Ser um só,

Sentir.

Entrega total,

Enlevo, Entrelaçar,

Entrar no divino,

Êxtase,

Entregar e possuir.

Xaile de afetos,

Onde nos enrolamos.

Ode ao amor,

Ondas de ternura,

Olhos que falam de amor,

Oh! Doçura das doçuras!

Fortunata Fialho

ff2

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Excerto de um novo projeto.

… Levantei-me tarde e soube tão bem.

A caminha estava de tal forma abraçada a nós que nos era impossível libertar do seu abraço. Abraço terno e quentinho do qual só se retira prazer, um prazer reconfortante que apela à ternura e aos afetos. Envoltos em tal abraço fomos ficando e aproveitando. Obrigada, querida caminha.

Inevitavelmente impôs-se a realidade e com ela o trabalho, um monte de testes para corrigir. Dediquei-me ao trabalho. Custou, mas por fim embrenhada nos papéis, nem dei pelo tempo passar. Consegui ver os testes de uma turma. Não foi nada mau para um dia de trabalho, até que foi bem produtivo.

Aulas finalmente preparadas e já a noite se tinha instalado. Bolas… mais um dia sem aproveitar o sol, por este caminho ainda me vou transformar num morcego…

Fortunata Fialho