Um Mundo Melhor

Uns destes dias bateram-me à porta.

Era um grupo de pessoas de uma qualquer

Religião, da qual já não me lembro.

Fizeram-me uma pergunta na qual fiquei a

Pensar: “Será Possível um Mundo Melhor?”

Para eles era simples: Deus tinha que intervir.

Para mim também parece ser simples,

Mesmo muito simples.

É necessário que ninguém ligue a cores de pele,

Que as religiões se respeitem mutuamente,

Que não interesse o saldo bancário.

É necessário que cada um se respeite e respeite os outros.

Teremos que nos apoiar e, assim, criar um mundo melhor.

Então se me parece assim tão fácil,

Porque é que tudo continua na mesma?

Porque se continuam a matar?

Porque se sentem alguns superiores a todos os outros?

Vamos educar os nossos filhos no respeito e na tolerância.

Se continuarmos assim durante algumas gerações,

Talvez, então, tenhamos um mundo melhor.

Só quero ser feliz.

Quero acordar com um sorriso.

Olhar para o lado e receber outro de volta.

Quero amar e sentir que sou amada.

Quero ver os meus filhos sorrirem,

O meu marido chegar a casa e dizer:

“Como te correu o dia Amor?”

Responder-lhe que foi um bom dia,

Que correu tudo bem.

Servir o jantar e comer-mos em harmonia,

Contarem-se as novidades do dia,

As boas e as menos boas, trocar ideias, dar conselhos, …

Confraternizar durante o serão.

Na hora de deitar dizer:

“Boa noite, sonhos coloridos”

Fazer amor, eternamente apaixonados,

Depois, com os corpos esgotados,

Dormir com um sorriso de plena felicidade.

 

Fortunata Fialho em Sentidos ao Vento (Momentos)

 

Porto Covo

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Horizonte

Paro o carro e olho o horizonte.

Estou cansada e recosto-me no banco.

Fixo os olhos em tudo o que me cerca.

Os campos estão verdes, tudo parece renascer.

Parece que um pintor andou a brincar com Cores.

Cansado de tanto verde,

Pincelou-o aqui de amarelo,

Ali de lilás, acolá de vermelho,

Branco, roxo…

Brincou com os tons do próprio verde,

Acrescentou castanhos, cinzas,…

Criou a paisagem mais bela de que me lembro.

Olho para cima e só vejo azul.

Entretanto, como o pintor,

Começo a brincar com os azuis.

Acrescento algumas pinceladas brancas.

O céu torna-se mágico.

Nele posso ver tudo o que quiser.

Continuo a olhar e tento reter tudo.

Quando estiver triste

Vou recordar a paisagem,

 Vou sorrir de felicidade.

 

Fortunata Fialho em Sentidos ao Vento (Momentos)

 

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Évoramonte

Fogo.

Há fogo, as chamas crepitam,

O ar tem uma tonalidade irreal.

As chamas dançam, num bailado surreal.

Como é possível que tal beleza seja tão

Destruidora?

Como pode devorar campos, casas,

Saltar estradas, subir montanhas e inundar

Vales

Sem que ninguém o consiga parar?

Como é possível ser um assassino que ceifa

Vidas,

Humanas ou não.

Como pode algo medonho e assustador ser lindo e mágico?

Criar um espetáculo digno dos deuses?

Uma sinfonia de sons incríveis?

As pessoas fogem, gritam, choram

E ele continua sem dó nem piedade.

Será que o fogo é o verdadeiro assassino?

Será que não é a negligência de cada um que o

Cria?

Porque ateiam fogos, mãos criminosas?

Será por doença ou por pura maldade?

 

Fortunata Fialho em Sentidos ao vento (Momentos)

 

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E continua a arder…

E não pára de arder. Pobre do nosso Portugal.

Pobres das pessoas que ficam sem nada, que trabalharam uma vida e, de repente, tudo se transforma em nada, em fogo e cinzas.

Pobres de todos os animais apanhados no inferno das chamas.

Pobres dos nossos bombeiros que, de tão exaustos, caem desmaiados. Privados de descanso, mal alimentados, desidratados e, que mesmo assim, continuam a lutar. Heróis anónimos que dão tudo por um país que os esquece quando não precisa dos seus serviços. Parcos de meios, fazem milagres e, por vezes, dão até a vida.

Não podemos esquecer também os cidadãos que, de todas as formas, lutam para ajudar. Ajudam a apagar os fogos, providenciam alimentos, líquidos e tudo aquilo que podem para ajudar quando quem pode se perde em reuniões, parcerias, estudos… e tardam a abrir os cordões às bolsas para fornecer os meios de que se necessita para esta tremenda luta.

Obrigada a todos os militares ou militarizados que ajudam diariamente como podem.

Prendam os incendiários que, por problemas mentais ou simplesmente por falta de caráter, estão a incendiar por todo o lado. Não lhes dêem hipóteses de atearem mais fogos. Façam com que  reponham tudo o que destruíram.

E não pára de arder… que tristeza…

 

Fortunata Fialho

 

Imagem retirada da internet

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Amigas incondicionais.

Dizem que os animais não têm sentimentos. Mentira os animais também amam, sabem quando estamos tristes e acarinham-nos.

Um dos prazeres da vida é ver a alegria com que nos acolhem, o carinho com que nos tratam e o amor que nos dedicam.

Ter um animal é ter um amigo incondicional que não finge e é capaz de dar até a vida por nós.

Fortunata Fialho.

As minhas amigas caninasDSCN5385 (2)

Lágrimas.

Quando as crianças choram, choram bem alto para que todos possam ouvir. Quando um adulto chora, chora baixinho para que ninguém saiba.

Muitas vezes as palavras e atitudes magoam mais que uma dor física?

Quantas vezes  as pessoas que se amam são as  que menos se compreendem?

Porque teimam os adultos em descarregar nos outros as suas frustrações?

Porque será que pedir desculpa ou mostrar alguma compreensão se torna tão difícil?

Colocar-se no lugar dos outros e medir o alcance daquilo que se diz ou faz, seria um grande passo para evitar atitudes e gestos que magoam.

Há muita forma de se dizer a mesma coisa e, escolher as palavras e o tom em que são ditas, evitaria muita lágrima.

Calar e ouvir em silêncio não é concordar nem, tão pouco, cobardia. É uma forma de compreensão do que se passa com o outro ou uma tentativa vã de desculpar palavras irrefletidas.

Amar é compreender e desculpar, mas cuidado, pouco a pouco o amor pode sangrar e extinguir-se.

Não deixem que o amor morra, lutem para que ele cresça e nunca se acabe.

Fortunata Fialho

 

Imagem retirada da internet.Lagrimas

As Flores de Lótus

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Terminada, mais uma boa leitura,não resisti a escrever o que senti.

José Rodrigues dos Santos, é um escritor que me fascina pela forma fácil com que faz compreender o difícil. Uma escrita fluida e simples que nos transporta para as suas histórias.

Nesta obra, através de um suposto moribundo e de quatro personagens de diferentes nacionalidades, nos transporta a uma época em que grandes revoluções mudaram o mundo.

O nascimento do comunismo e do fascismo é retratado de forma original e mostrado na sua face mais negra. As atrocidades que alguns comentem em nome do povo, as barbaridades de alguns que apregoam ideais e fazem precisamente o mesmo, ou pior, do que aqueles que combatem, as lavagens cerebrais em que os pouco instruídos e muito explorados se deixam enredar, as manipulações dos aproveitadores, são aqui retratadas de uma forma simples.

Afinal os supostos heróis não são mais do que homens…

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As Flores de Lótus

Terminada, mais uma boa leitura,não resisti a escrever o que senti.

José Rodrigues dos Santos, é um escritor que me fascina pela forma fácil com que faz compreender o difícil. Uma escrita fluida e simples que nos transporta para as suas histórias.

Nesta obra, através de um suposto moribundo e de quatro personagens de diferentes nacionalidades, nos transporta a uma época em que grandes revoluções mudaram o mundo.

O nascimento do comunismo e do fascismo é retratado de forma original e mostrado na sua face mais negra. As atrocidades que alguns comentem em nome do povo, as barbaridades de alguns que apregoam ideais e fazem precisamente o mesmo, ou pior, do que aqueles que combatem, as lavagens cerebrais em que os pouco instruídos e muito explorados se deixam enredar, as manipulações dos aproveitadores, são aqui retratadas de uma forma simples.

Afinal os supostos heróis não são mais do que homens comuns com algumas qualidades e muitos defeitos como todo o comum mortal.

Fico, assim, desejosa de iniciar a leitura do Pavilhão Purpura.

Fortunata Fialho.

O meu exemplar:

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E tudo arde!

Atualmente Portugal é um mar de chamas.Em todos os meios de comunicação só se ouve falar em incêndios. A tristeza e a consternação é imensa.

Seres humanos, heróis sem nome nem rosto, lutam por travar as chamas destrutivas que devoram tudo à sua volta.

Faltam meios, faltam mantimentos, falta o descanso e, mesmo assim, continuam a lutar até à exaustão.

Num país em que se enaltecem tantos heróis, se dão prémios por tudo e por nada esquecem-se os nossos combatentes dos fogos, bombeiros e cidadãos comuns, anónimos e de grande coragem lutam, no inferno na terra, para salvar o pouco que resta.

Muito obrigada a estes heróis sem nome que vão até ao limite dos limites, por vezes até dão a vida, e que sem um queixume lutam exaustos por todos nós.

É urgente dar condições a estes profissionais, tanto materiais como monetárias, para que possam continuar a sua missão: salvar o próximo.

Pensem bem, alguém merece mais do que eles?

Fortunata Fialho

Medo… tanto medo…

Medo… tanto medo…

Hoje, ao acender a televisão, novamente as notícias eram os atentados terroristas. Novamente dezenas de pessoas, mortas ou feridas, vítimas da estupidez e fanatismo de minorias que não conseguem distinguir ideais de barbaridades.

Em nome de uma causa, tirada não sei de que mente perversa, destroem, matam e aterrorizam todos aqueles que não concordam com as suas ideologias. Ideologias fruto de ódios irracionais e de manipulação de inocentes que, através de uma deseducação, são instruídos na mais reles e desprezível forma de ódio deste planeta.

Que é feito da tolerância e aceitação?

Cada vez mais, penso que a educação é a melhor arma para tentar colmatar esta tragédia. Se conseguirmos levar uma educação livre de ideologias, tanto religiosas como politicas, a todas as crianças do mundo, não será possível formarmos adultos capazes de refletir e tentarem manter-se longe de qualquer fanatismo e intolerância?

Não deveria interessar a ninguém qual o deus ou deuses que nos são apresentados na nossa formação. Devíamos conseguir filtrar os seus ensinamentos e aproveitar tudo, o que de bom têm para nos transmitir. Sim pois acredito que todas as religiões têm coisas fantásticas para nos ajudarem a formar como indivíduos equilibrados e, sobretudo, respeitosos e tolerantes.

Não sou propriamente religiosa mas, a minha cultura tem vivido, também ela, apoiada na sua própria religião. Tal como todos estou condicionada por ela mas, penso eu, posso livremente não acreditar em tudo e questionar a maior parte do seu conteúdo.

Não consigo deixar de pensar que a cada momento algo de terrível pode acontecer no nosso seio. Não consigo deixar de ter medo de perder pessoas que fazem parte da minha vida, de ficar sem alguém que amo sem os meus amigos, enfim… sem o meu mundo.

Cada vez mais tomo consciência que a nossa segurança é efémera e ilusória. Como podemos sentir-nos seguros se, cada vez mais próximo, acontece um atentado, um assassínio, uma violação… um crime de ódio? Afinal o que impede que ocorra à nossa porta ou, até mesmo, na nossa casa?

Vivemos no medo, irracional, que condiciona o nosso dia-a-dia. Passamos o tempo ansiando pela chegada dos nossos e sentir que estão seguros. Fartamo-nos de olhar por cima dos ombros e tentar perceber se quem nos rodeia vem por bem.

Quando poderemos voltar a planear uma viagem de sonho a qualquer lado do mundo sem temer as suas guerras internas ou os seus ódios mortais?

Medo… tanto medo a condicionar, cada vez mais a nossa vida.

Quando poderemos deixar de viver neste terror diário?

Quando poderemos ver crescer os nossos filhos em paz?

Por favor parem…

 

Fortunata Fialho.

 

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