Inspiração

Sentei-me ao computador com uma enorme vontade de escrever. Surpresa! Perdi a inspiração.

E agora? Que faço com esta vontade?

Olho em volta e nada me inspira.

Que monotonia está tudo na mesma.

Olho pela janela e o sol brilha. Há tanto tempo que andava desaparecido. Percorro o espaço exterior com os olhos.

Vejo lindas flores nos meus canteiros, todos os dias aparecem mais algumas.

O meu quintal resplandece de cor e de alegria. Os pássaros chilreiam nas árvores. Não consigo descobrir nenhum ninho, talvez ainda seja cedo.

Vistosas joaninhas passeiam-se sobre as flores comendo o piolho das plantas. Uma borboleta esvoaça em redor da minha janela. Deve de estar a exibir o seu belo colorido, e que colorido! Recuso-me a pensar que anda a depositar os seus ovos nas minhas plantas. As lagartas vão banquetear-se e eu vou ficar muito aborrecida.

No canil as cadelinhas estão estendidas a apanhar todo o sol que podem, nem me ligam. Eu bem me esforço mas elas ignoram-me.

Tantas abelhas no meu quintal! Será que não me vão picar? Talvez deva ter cuidado e deixá-las andar à vontade.

Levanto o olhar e surge um céu tão azul que encandeia. Nenhuma nuvem o mancha.

De vez em quando, passam alguns pássaros voando e chilreando.

Contínuo sem inspiração. Não sei por onde começar. Talvez seja melhor desistir, fechar o computador e esperar por melhor ocasião.

Vou esperar pela minha inspiração. Talvez ela se digne voltar.

Se voltar posso escrever mais uma história daquelas que tanto gosto tenho em contar.

 

Fortunata Fialho em: Simplesmente… histórias

 

 

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Sobrinho

Olhar velhaco,

Sorriso luminoso.

Riso autêntico e fácil.

Alegria da casa.

Birrinhas? Várias,

Mauzinho que baste.

Tio, Tia, “Badinha”,

O Nuno?

Voz velhaca,

Brincadeiras lindas,

Transformou o tio em criança!

Brincam os dois.

Carros que deslizam,

Gritos de alegria.

O sono não vence.

A brincadeira continua.

A mãe? Foi embora.

Fica com a tia.

Não, vou com a mamã.

Assim é o meu sobrinho.

 

Fortunata Fialho em Sentidos ao Vento (Momentos)
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Sim…

Sim à vida, sim ao amor, sim…

Sim ao sorriso de uma criança, sim ao brilho do seu olhar.

Sim à inocência dos seus sonhos, sim à sua doçura.

Sim ao amor que irradia o teu olhar,

Sim ao perder-me nos teus braços, sim ao teu cheiro.

Sim… fundir nossos corpos e sentir como um só.

Sim ao teu toque, sim ao orgasmo, sim ao sonho.

Sim ao nosso amor, sim à partilha, sim à vida.

 

Sim, quero amar-te como se hoje fosse o último dia,

Sim, amar-te como se fosse o primeiro dia de um novo amanhecer.

Sim ao ser tua para a eternidade, sim ao recomeço todos os dias.

Sim ao sorriso, sim ao êxtase, sim à redescoberta.

Sim ao sexo, sim ao carinho, sim ao teu toque.

Sim. Sim ao amor, sim a ti, sim a nós,

Sim a… para sempre.

 

Fortunata Fialho

 

Lindas, como sempre.

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Teu não pai

Lê até ao fim por favor.

 

Sei que fui um “Não Pai”.

Não partilhei o teu mundo.

Hoje tenho pena e vivo na dor,

Dor do que perdi …  dor por tudo.

 

Fugi … quis aventura.

Não criei amarras.

 

Estou velho, só e … vazio.

Não posso corrigir os meus erros.

Sonho… e sinto a tua dor.

Não me perdoo … não me perdoes.

 

Pensei que vivia intensamente.

Criei … Criei nada, criei vazio.

Sinto-me oco, sinto que nada fiz.

 

Tudo o que importa perdi.

Perdi-te e não te encontro

Perdi-me quando te abandonei.

Perdi-te e … não te mereço.

 

Daquele que te queria ter amado:

Teu: “Não Pai”

 

Fortunata Fialho.

 

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Évora

Évora, cidade museu, património mundial.

Cidade que adotei como minha.

Por todas as suas ruas transpira história.

Cidade antiga, calma e acolhedora.

Aqui sinto-me bem,

Posso passear pelas suas ruas e pensar,

Sem o ruído das grandes cidades.

Posso olhar os seus monumentos,

Sentir-me parte da sua história.

Quase que podemos ver gentes antigas,

Passeando com seus trajes,

Vivendo ao ritmo lento de outros tempos.

Évora, cidade onde o antigo e o moderno se unem,

Sem entrarem em conflito,

Sem parecerem desajustados.

Cidade despoluída, em constante evolução.

Cidade dos meus filhos.

Cidade onde estudei, casei e vivo.

Onde me sinto feliz e gosto de passear.

Nas suas ruelas vive-se e sonha-se,

Reflete-se e fazem-se planos,

Podemos transportar-nos para outra época,

Pensar como a vida era calma

Sem stresse,

Sem a loucura do dia-a-dia,

Sem a correria que caracteriza a vida

Contemporânea.

Cidade linda cheia de magia.

Cidade mãe que acolhe todos no seu regaço.

Évora… minha cidade.

 

Fortunata Fialho em Sentidos ao Vento (Momentos)

 

Imagem retirada da internet

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Carta a meus filhos.

Queridos filhos:

 

 

Quero que saibam que não há nada na vida dos pais que supere o nascimento de um filho. O milagre de uma vida nova por nós criada (milagre que nós conseguimos duas vezes). O êxtase da criação de seres tão perfeitos.

A nossa vida passa a depender da vossa. Tudo o que fazemos, a partir desse momento, é para o vosso bem-estar físico e mental.

A vossa infância foi o sonho de todos os pais. Lembro os sorrisos, os choros, as dores, os sustos e a magia com que descobriam a vida.

Todos os pais gostariam que os filhos nunca crescessem e nós não somos a exceção. No entanto, vocês crescem, e crescem sem que o possamos impedir. E vocês cresceram.

Hoje são adultos e aquilo que mais desejo é ter-vos dado a melhor educação possível. Espero ter-lhes incutido o sentido da justiça, da integridade, do respeito e da tolerância. Espero que tenha conseguido ensinar-vos a amar e a respeitar o próximo sem olharem a credos, raças nem saldos bancários. Não se esqueçam que, por vezes, dentro de um embrulho de sonho se encontra o mais dececionante presente.

Tudo o que desejo é, que sejam autónomos, leais e humanos.

Peço que nunca deixem que vos tratem como inferiores e vos humilhem.

Nunca esqueçam: para subir não precisamos de derrubar e pisar os outros.

O respeito conquista-se com o respeito e a dignidade. Façam sempre o vosso melhor sem se preocuparem com o que os outros possam pensar. Mantenham a vossa consciência tranquila, lembrem-se que vão passar a vida com ela. Respeitem para serem respeitados.

Se um dia tiverem filhos nunca se esqueçam que, a melhor educação se baseia nos bons exemplos, os filhos não são propriedade, que devem criar pessoas integras, bem formadas, reais e autónomas. Respeitem as suas individualidades e não os tentem moldar à vossa imagem. Ensinem-lhes a ser eles próprios mas a respeitarem tudo e todos os que os rodeiem.

Espero que os ensinem, como eu tanto tentei, a não olhar de forma preconceituosa para o que os rodeia. Sejam críticos e aprendam a aproveitar as coisas boas e simples que a vida lhes vai oferecer. Ajudem-nos a perseguir os seus sonhos. Amparem-nos quando precisarem. Ajudem-nos a erguerem-se se, de alguma forma, caírem. Sejam o seu ombro amigo e, nunca mas mesmo nunca, lhes virem as costas.

Se for necessário ralhem, castiguem mas, sobre tudo tentem conversar. Se um dia tiverem que dizer algo que os magoe, não hesitem, se for para o seu bem.

Façam o vosso melhor e um dia eles compreenderão.

Queridos filhos se errei não foi por mal, a intenção foi sempre a melhor, sempre quis o vosso bem.

Procurem não repetir os meus erros e aceitem os vossos pois, certamente, os cometerão.

 

Desta mãe que os ama acima de tudo e que estará sempre ao vosso lado:

 

Assinado:

Aquela que vos ama incondicionalmente:

Mãe

 

 

Fortunata Fialho.

 

Avô e netos, um momento delicioso.

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