Riso de criança

Hoje o meu dia foi fantástico. Família reunida e o riso inocente da neta.

Perante as gargalhadas cristalinas, de um bebé, não há adulto que resista a ficar feliz.

O amor incondicional e desinteressado de uma criança é  a primeira maravilha da universo.

 

Fortunata Fialho

 

 

Televisão

A caixinha que mudou o mundo.

Dizem! …

Que mudou, mudou mesmo.

Fez chegar a nossas casas notícias do mundo.

Pôs-nos em contacto com maravilhas nunca  sonhadas,

Lugares nunca imaginados.

Fez nascer em nós o desejo de viajar, conhecer o mundo,

Conhecer novos povos e novas culturas.

Por outro lado,

Fez perder a inocência das nossas culturas,

Destruiu a ingenuidade das nossas crianças.

Mostrou-nos o horror das guerras,

O ódio dos homens,

O racismo e o separatismo religioso.

Mesmo assim,

Mostrou-nos grandes feitos,

Homens e Mulheres excepcionais,

Pessoas, lutadoras, que ajudaram a melhorar o mundo.

E nós, sonhamos ser como elas… No entanto…

Promoveu programas que de cultos não têm nada.

Promoveu a ignorância, dando-lhe protagonismo,

Mostrou-nos programas estupidificantes

E faz crer que o baixo nível é aceitável.

Através dela acompanhámos o avanço da ciência,

Conhecemos inventos fantásticos,

Conhecemos seres vivos que nem sonhávamos existirem.

Vimos as maravilhas da história.

Deu-nos a conhecer o nosso passado e o nosso presente.

Abriu-nos as portas do futuro.

Apresentou-nos animais nunca imaginados.

Mostrou a vida existente nos nossos oceanos,

Nas nossas florestas, savanas e até no deserto.

É verdade…

Umas vezes para melhor, outras para pior,

A televisão mudou mesmo o mundo,

Principalmente o meu.

 

Fortunata Fialho em ”Sentidos ao Vento (Momentos)”

 

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Estrada

Ligo o carro e lá vou estrada fora… novamente.

Todos os dias a mesma coisa!

Nevoeiro, chuva ou sol pela frente.

Saio de casa e todos dormem.

O sol ainda nem sempre nasceu.

Saio de noite, volto de noite,

Pareço um morcego.

Como eu gostaria de ficar em casa,

Ler um bom livro,

Levantar-me a horas decentes,

Passear ao sol…

Enfim:

Ter férias de estrada

 

Fortunata Fialho em ”Sentidos ao Vento”

 

Vista aérea de Évora ( cortesia do filhote)

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Noite…

É noite, no céu brilham as estrelas, ao longe pia uma coruja e está um frio que parece cortar a pele.

É noite e, na quietude do meu lar, escrevo.

Pela noite desfilam sombras, escondem-se criaturas e, na penumbra deambulam aqueles que se ocultam da luz do sol.

Sons abafados rompem o silêncio. Os caçadores começam a sua rotina. Pela calada da noite avançam, sorrateiramente, cercando as presas investindo não lhes deixando saída.

É noite, faz frio e eu sonho. Sonho com um mundo oculto de todos, com um mundo mágico e surpreendente.

Nos meus sonhos existem deuses e demónios, santos e pecadores, sombras e luzes.

No meu mundo de sonho tudo é possível, o real e o imaginário fundem-se.

Neste meu mundo impera a justiça e a aceitação, todas as criaturas são iguais e, sobretudo, civilizadas.

No meu mundo todos coabitam sem rancores, sem lutas, sem fanatismos, sem ódio.

Anjos e demónios convivem no respeito e tolerância. Sim porque em todo o anjo habita um demónio e em todo o demónio existe um anjo.

Todos são seres, todos têm sentimentos, todos têm o seu lugar e todos colaboram.

É noite mas no meu mundo vive-se iluminado. A luz vem de dentro dos seus corações e ilumina a vida de todos. A sua luz é partilha, a sua luz é compreensão.

Nesta noite de iluminados teme-se o dia. No dia existe ódio, fanatismo, violência, maldade, racismo e tantos outros demónios exilados da minha noite.

A minha noite é pura, segura, aconchegante e maravilhosa. Aqui o que conta é a beleza interior, o aspeto é só uma capa que protege das intempéries. Na minha noite o respeito conquista-se, não se compra.

Quero permanecer aqui, não quero acordar.

Deixem-me continuar a sonhar. Deixem-me na minha noite.

É noite e vou dormir. Espero continuar o meu sonho e, amanhã quando acordar quero que o dia seja como a minha sonhada noite.

Melhor, quero que o dia de todos seja igual ao meu sonho.

Quero que para sempre os dias sejam assim ou, se isso não poder ser, que seja sempre noite, a minha noite.

É noite e eu sonho…

 

Fortunata Fialho  em ”simplesmente…Histórias”

Brevemente nas livrarias

 

Imagem retirada da internet

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Aproxima-se o Natal.

Aproxima-se o Natal.

Por todas as lojas se enchem prateleiras e prateleiras de brinquedos. Na comunicação social só se fala em presentes. Por todo o lado só se ouvem apelos ao consumismo.

Cada um tenta comprar o máximo possível para oferecer, se for caro melhor.

Compram-se tantas coisas desnecessárias.

Com tanta pessoa necessitada não seria mais correto direcionar o espírito natalício para a solidariedade?

Que é feito do verdadeiro espirito natalício?

Não sou grande religiosa, aliás ponho muita coisa em causa, mas numa coisa eu acredito, o Natal deve ser uma época de ajuda e solidariedade. Amar os outros e proporcionar-lhes momentos de partilha, conforto e sobretudo de paz. Isto sim deve ser o espírito da época.

Em vez de ensinarmos o consumismo desmedido, deveríamos ensinar a solidariedade, o respeito e a considerar que dar algo que faça falta é bem melhor que receber coisas que não são essenciais e das quais nem precisamos.

Porquê encher os quartos das crianças de brinquedos quando o mais importante é brincar com elas.

Quando eu era criança o dinheiro não abundava e os brinquedos eram poucos. Mesmo assim brinquei tanto.

Inventava brinquedos e criava outros.

Lembro-me tantas vezes dos carrinhos de linhas vazios que eram transformados em saltos altos, carrinhos, bancos e tantas outras coisas.

Tínhamos poucos brinquedos mas uma imaginação grandiosa.

Com trapos velhos faziam-se bonecas e as suas roupas e, como eram lindas as nossas bonequinhas.

Com latas e carrinhos de linhas criavam-se carros, comboios, aviões e tantas outras coisas maravilhosas.

Nas nossas brincadeiras éramos príncipes e princesas, polícias e ladrões, médicos…

Engraçado, nunca fomos astronautas, nem sabíamos que isso existia.

No Natal a emoção era grande, podíamos comer doces diferentes, brincar com a família e os amigos e no dia seguinte tínhamos sempre uma prendinha. A maioria das vezes era aquela peça de roupa que tanta falta nos fazia. Outras um par de sapatos que os outros estavam velhos. Por vezes uns simples rebuçadinhos.

Eram sempre prendas esperadas e não precisávamos de mais nada.

Como eram felizes e acolhedores os nossos natais. Convivia-se, brincava-se, partilhávamos o pouco que tínhamos e, esse pouco era sempre tanto.

Tenho saudades destes natais simples e verdadeiros onde as pessoas contavam muito mais do que os objetos.

Hoje podemos, quase sempre, dar um brinquedo às nossas crianças mas, precisarão de ser tantos e tão caros?

Será que não estamos a subverter o Natal e a transformar esta quadra em algo pura e simplesmente materialista?

 

Fortunata Fialho em ”Simplesmente… Histórias”

Brevemente nas livrarias

 

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