Temporal

Esta noite acordei ao som da chuva.

Chovia com uma violência incrível.

Parecia que o céu estava furioso,

Furioso com a humanidade,

Furioso com as nossas barbaridades.

Sempre gostei de ouvir o som da chuva,

Principalmente quando era pequena

E o meu teto era de telha vã.

Estar deitada ao som da chuva

Sentindo o calor dos cobertores,

A proteção das telhas.

Pensar:

– Que bom não ter de sair da cama.

E ficar à escuta da força da chuva e das suas

Variações.

Ouvir um concerto harmonioso em que não

Existe maestro e ninguém desafina.

Pensar que só tocavam para mim e que só eu

Podia ouvir.

Por fim adormecia e sonhava.

Esta noite, mais velha, pensava nos estragos,

Nas inundações e na possibilidade de não poder

Secar a roupa.

Que diferença de pensamentos!

Quero voltar a pensar como em criança.

 

Fortunata Fialho em:

capa-2953x2008

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