Livre…

Livre, quero ser livre. Quem o não quer?

Afinal que é ser livre? Eu sinto- me livre quando observo o horizonte e posso dar livre curso aos meus pensamentos, quando olho as estrelas e sonho acordada, enfim quando posso ser eu mesma sem a condicionante liberdade dos outros.

Desiludam-se, a liberdade absoluta não existe no mundo real. Vivemos em sociedade e esta só nos deixa ter uma liberdade com regras, uma liberdade condicionada, uma semiliberdade. Mesmo assim existem alguns mais livres que os outros e, pior que tudo, muitos que querem retirar a liberdade dos outros.

Aceito que, num mundo justo e democrático, a liberdade tenha de obedecer a algumas regras, afinal vivemos em sociedade e temos a obrigação de fomentar uma sã convivência, plena de respeito mútuo.

Não me considero privada da minha liberdade, afinal posso escolher o meu caminho, tomar as minhas decisões, encontrar o meu próprio rumo e, e daí, talvez não. Quem me garante que tudo isto só depende de mim? Por vezes penso que nenhuma decisão é completamente nossa, outras vezes tenho a certeza disso. Deixo de fazer tantas coisas, que desejo tanto, para não magoar aqueles de que gosto e, mesmo assim, sinto que foi uma decisão certa. Mesmo assim, a sua não realização magoa profundamente e a tristeza torna-se quase insuportável.

Hoje não me estou a sentir nada livre, sinto que ainda quero fazer tantas coisas que sempre deixei para depois, agora porque os filhos são pequenos, logo porque o dinheiro é pouco. Tantas desculpas que dei a vida inteira e, assim, deixei de realizar tantas coisas de que gosto, tantos sonhos nunca realizados. Quando os miúdos crescerem vamos fazer, quando eles acabarem os estudos será mais fácil, desculpas e mais desculpas. Agora os miúdos cresceram, acabaram os estudos e estão a tornar-se independentes, as desculpas já não fazem sentido e continuo a não fazer aquilo de que sempre gostei e a adiar a realização dos sonhos. Agora percebo o velho ditado “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, o agora é sempre o momento certo, o depois nunca chega a acontecer.

Hoje sinto-me presa, presa de uma vida com tanto por realizar, presa por condicionantes de que eu própria também tenho tido culpa.

Felizmente há um sítio onde ainda sou livre, onde ninguém pode prender-me. A minha imaginação não aceita barreiras e voa, voa para onde eu sonho e, sem limites, vivo fantasias impensáveis, só minhas, sem críticas e sem censuras. Nos meus sonhos viajo, conheço novos lugares, vejo paisagens lindas, percorro novos caminhos e planeio momentos inesquecíveis com aqueles que amo.

Continuo a querer ser completamente livre de amarras, de condicionalismos, livre para sonhar, livre para viver e, sobretudo, livre para sonhar.

No meu íntimo serei sempre uma eterna sonhadora, pelo menos nos meus sonhos sou completamente livre.

 

Fortunata Fialho em:

estudo_capa_completa_simplesmente-historias-2

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s