Avó Helena.

A minha avó Helena era muito especial. Pequena e curvada, assim me recordo dela, bem-humorada e muito malandreca.

Vivia acompanhada de uma das minhas tias que tinha permanecido solteira.

Lembro-me que era muito gulosa e que, às escondidas, nos dava torrões de açúcar amarelo dizendo que eram rebuçados. Por vezes fazia-nos papas de milho generosamente polvilhadas de açúcar amarelo, o que fazia a delícia dos netos.

Como sempre viveu com necessidades guardava as suas folhas de couve (notas de vinte escudos) religiosamente numa carteira que nunca largava. Um dia deixou cair uma moeda de cinco escudos para trás de uma arca enorme e, apesar de muito debilitada fisicamente, lá a conseguiu desviar e retirar a bendita moeda. Claro que depois ouviu uma grande reprimenda por parte da minha tia.

Por vezes dava uma notinha aos netos. Era para comprar uma lembrançazinha nas festas da terra. Para ela era uma fortuna e para os netos, uma alegria.

Quando eu era pequena a minha tia, que era toda dedicada à igreja, ensinava-me todas as orações que conhecia. As pessoas, para me ouvirem, pediam que as repetisse.

A minha tia gritava-me logo:

– A da avó não.

A minha avó tinha-me ensinado uma, bem malandreca, e era essa a que as pessoas queriam que eu repetisse…

 

Fortunata Fialho em “Simplesmente… Histórias”

 

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