Casulo

Que lindo é ver uma mariposa a sair do seu casulo! Asas desabrochando, cores a revelarem-se numa elegância e beleza sem par. Inicia o primeiro voo como se o tivesse praticado, vezes sem conta, até ter atingido a perfeição. Desliza pelo ar em busca de toda a realização pessoal da efémera cópula que a vai tornar imortal, mesmo que seja em vários outros corpos, e morre depois de toda a sua efémera vida se ter tornado plena e imensa. Para ela só existe o tudo ou o nada, não sendo o nada uma opção.

Que gratificante a saída dos nossos filhos do casulo que é a nossa casa. Independentes, corajosos e decididos enfrentam os desafios do mundo adulto. Como as mariposas abrem as asas e voam, procurando o seu lugar na sociedade. Através deles, também nós seremos eternos. A nossa felicidade está em todos os seus sucessos e, a nossa angústia nos seus medos e fracassos. Curioso, o seu casulo será sempre os nossos braços onde se refugiam vezes sem conta. O meu casulo nunca se deteriorará e vai estar sempre pronto para enxugar as suas lágrimas e delirar com os seus risos.

Também eu mantenho o meu casulo, nele me refúgio, me isolo, me reconforto e dele retiro a força para enfrentar o futuro. No meu, ignoro o que me rodeia e fantasio um mundo maravilhoso onde o mal não impera e a felicidade é constante. Hoje estou encasulada nas páginas, brancas, que me convidam a preenche-las com as mais lindas palavras e fantasias sem par. Cerro fendas e escrevo, fecho a audição e abro o sentimento. Visualizo lindas paisagens, escutou o som do mar, ausente, ouço frisa refrescante das florestas e sonho.

Neste casulo em que me encontro busco o equilíbrio e procuro a felicidade. O meu mundo transforma-se e a minha sanidade mental recupera-se. A loucura da vida não entra e a calma assola-me.

Bem vistas as coisas quem não tem o seu casulo? Quem não se refugia em algo ou algum lugar? Uns refugiam-se na religião, outros na depressão, outros na droga ou em tantos outros casulos que em nada contribuem para o seu bem, para o seu equilíbrio.

Infelizmente existem tantas ofertas de refúgio que mais não fazem do que se aproveitarem das fragilidades daqueles que de alguma forma estão perdendo o equilíbrio emocional e com ele o discernimento para se defenderem.

De casulo em casulo a sociedade parece procurar as mais diversas soluções para tudo os que as rodeia, apesar de algumas serem bem duvidosas e muitas vezes bem perigosas. Felizmente que, paralelamente, alguns desses refúgios fazem avançar a ciência, a arte, a cultura e conseguem clarificar mentes.

Por tudo isto eu digo: criem os vossos casulos mas tenham muito cuidado com os que vos são oferecidos, podem ser demasiado perigosos e difíceis de romper.

 

Fortunata Fialho

em:estudo_capa_completa_simplesmente historias (2)

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