Mais uma de entre muitas em “Simplesmente… Histórias”

Vida estupida… ou o estúpido sou eu? Como pude ser tão crédulo, tão ingénuo? Traído, sozinho, humilhado, derrotado… idiota… procurando conforto no conteúdo de um copo. No que foi que me tornei? Estou só, irremediavelmente só, um eterno não amado. Não confio nem quero voltar a confiar. Bolas… ninguém merece.

– Desculpe, pode encher novamente o copo?

Quero deixar de sentir, quero deixar de pensar.

– Ei, tu aí bola de pelo insignificante, quem te deixou subir? Que queres do meu colo?

Sai, pulguento duma figa!

– Não me olhes assim.

Não sais. Que olhar triste! Também te abandonaram?

– Ui, que cheiro! Há quanto tempo não tomas banho?

Lambes a minha mão com tanto carinho, aninhas-te no meu colo em busca de conforto e quem se sente reconfortado sou eu. Percebeste a minha tristeza pois parece ser igual à tua. Pobre abandonado, também tu és um não amado em busca de conforto.

– Procuras um amigo?

Parece que respondes sim! Que olhar terno e meigo! Ainda há pouco pensava em desistir, embriagar-me para esquecer, suicidar-me no fundo de um copo. Agora o teu olhar reconforta-me e nem essas malditas pulgas me incomodam. O teu olhar acaricia-me e o meu coração dói menos. Porque me escolheste? Pequeno anjo da guarda peludo, não te vou mandar embora. Juntos, vamos seguir em frente e tentar ser felizes mas, primeiro tenho que te dar um bom banho. Carinhoso e fedorento não pode ser. Ui como fedes!

– Vou chamar-te Esperança, Anjo da Guarda é um pouco estranho, não achas?

Que engraçado… triste e inconsolável, por causa de uma idiota ingrata, reconfortado por um amigo peludo surgido do nada. Afinal quem diria que a esperança voltaria para mim envolta em pelo e repleta de pulgas!

 

Fortunata Fialho

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A exposição “Memórias da Praia de São Torpes”, patente no Museu de Sines, revela pela primeira vez uma das mais importantes descobertas arqueológicas feitas em Sines nos últimos anos: uma inscrição islâmica, que se crê ser a pedra fundacional de uma rábita (mosteiro árabe), datada do ano de 1009. Até ao momento quase nada […]

via Um novo capítulo da História de Sines? — Notícias de Sines

Amigos?

– Como pudeste estar tanto tempo sem me procurar? Não sabes que fico preocupado quando não me contactas?

– Não vejo porque te deveria contactar. Não estás sempre entretido com essa, tua, nova namoradinha? Até pareces esquecer que existo.

– Fazem-me falta as longas discussões, sobre tudo e sobre nada, que mantínhamos noite fora. Entre nós basta um olhar e tudo passa a fazer mais sentido. Sabes, por vezes sinto que nos completamos. Os meus dias só fazem sentido com a tua companhia. Ontem senti a tua falta, parecia que me faltava algo, fiquei nervoso por não poder estar contigo. Quando voltas? Fazes-me tanta falta. Uma amizade como a nossa é difícil de conseguir, nem com a Ana me sinto tão bem. Volta depressa, está bem?

– Sabes que voltarei assim que termine o chato deste trabalho, tenho tanta coisa para te contar. Ontem sonhei contigo, passeávamos de mão dada e, ia jurar, que o nosso sorriso era mais luminoso e que os nossos olhos também sorriam. Não digas nada à Ana, não quero que tire conclusões erradas, ainda vai pensar que te quero roubar. Pode não compreender a nossa amizade. Tenho tantas saudades tuas, fazes-me tanta falta. Quando voltar vou abraçar-te e contar-te tudo o que me aconteceu. Olha ontem estive na conversa com um tipo quase tão giro como tu, mas a nossa conversa foi tão insípida, não me apetece nada repetir, era um perfeito idiota.

– Não digas nada mas com a Ana passa-se o mesmo. Acho que vou terminar tudo. Não me sinto nada realizado na sua companhia. Volta depressa, fazes-me falta.

– Por mim voltaria ontem. Tenho tanto que te contar. Um beijo. Tenho saudades. Os amigos não deviam estar longe. Quero estar contigo.

 

Fortunata Fialho

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Uma boa iniciativa.

Em “Partidas: aventuras de heróis distantes” o público ouve contos baseados em relatos de crianças refugiadas e imigrantes A Oficina Cultural Alfredo Volpi, instituição da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo gerenciada pela Poiesis, promove no mês de maio contações de histórias com o grupo Contos da Lua Vaga, que cria dramaturgias a […]

via Oficina Cultural Alfredo Volpi promove contações de histórias baseadas em relatos de refugiados — Livre Opinião – Ideias em Debate