Alentejo.

Alentejo… meu Alentejo!

Posso parecer suspeita mas acho que nasci no melhor lugar do mundo. Numa aldeia, entre gente afável e trabalhadora, passei a minha primeira infância. Cedo vim para a cidade mas mantive o contacto com a minha terra e as minhas gentes.

Passear nos campos é uma delícia, percorrer com os olhos as suas extensas planícies verdejantes e salpicadas das mais belas e coloridas flores campestres, alegra a alma e reconforta o coração. Descansar sobre a erva á beira de um dos muitos riachos de águas límpidas e cristalinas, convida ao sonho e inspira qualquer artista. Qual o escritor ou o pintor que não se sentiu inspirado pelas suas belas paisagens? Quantas canções foram, por si, inspiradas?

Por vezes sonho que estou a vivenciar os mais lindos espetáculos no esvoaçar dos pássaros, no seu trinado, no som da água que corre por entre as pedras, no coaxar das rãs, nos ruídos dos insetos… Que fantásticos concertos e bailados me são apresentados e, como me fazem feliz.

Ainda recordo os ranchos de trabalhadores, que mesmo trabalhando de sol a sol, cantam enquanto trabalham revelando o espírito tão característico das nossas gentes. Já se veem menos mas aqueles que ainda existem mantêm a mesma alegria e o mesmo vigor de outrora.

Trabalhador do campo, para mim, foi sempre sinónimo de alegria, honestidade e acolhimento. Aqui, à mesa e não só, há sempre lugar para mais um. Aumentam-se as sopas e o caldo e ninguém fica com fome. Em todas as casas, mesmo as muito pobres, há sempre um naco de pão e um cântaro de água fresca para matar a fome e sede a quem necessita.

Terra das paredes, de branco caiadas, brilhando no seu branco imaculado, onde a limpeza é uma constante e nunca falta o toque de alguns vasos de lindas flores.

Quando o cansaço e stress nos afetam, um passeio ou um piquenique no campo acalmam e reconfortam. Como eu gosto das longas caminhadas, de refrescar os pés na água dos riachos e de ler um bom livro acompanhada pelo, barulhento, silêncio que me envolve. Que bem que soa o silêncio destes verdes campos! Como é bom dormir embalada pelos sons noturnos!

Quantas pessoas se apaixonaram por este Alentejo imenso e por cá ficaram? Quantas vidas e quantas histórias fizeram parte da realidade e do imaginário destas simples gentes? Onde mais se usa e fala tão sentida e intensamente o nosso, tão querido, gerúndio? Gerúndio que se prenuncia longo e soa calmo, lento e intenso como tudo o que é bom e puro no Alentejo.

Uso o gerúndio, adoro o campo, perco-me a observar as longas planícies, adoro pão queijo e enchidos, chamo os idosos de Ti ou Tia, sim porque (por exemplo) Ti Joaquim não me é nada mas será sempre, respeitosamente, Ti Joaquim. Sou alentejana e com orgulho o digo a toda agente e, de alma e coração, convido: Venham todos conhecer o meu Alentejo, de certeza, não se arrependerão.

O Alentejo é lindo e… eu sou orgulhosamente alentejana.

 

Fortunata Fialho

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