E mais uma “Simplesmente… Histórias”.

Mais uma manhã como tantas outras, o sol brilhava e os pássaros trinavam

Os risos inocentes das crianças feriam-me a alma profunda e violentamente.

Ninguém tinha o direito a ser feliz enquanto o meu coração sangrava.

Estava a enlouquecer, lenta e dolorosamente, e nem me importava.

A porta e janelas permaneciam fechadas, a luz do sol não entrava.

Já não me reconhecia, o som do meu riso… que som tinha o meu riso?

Os meus olhos já não brilhavam, a vida fugia-lhes lentamente.

Outrora cada criança era uma alegria, o meu riso fluía com facilidade,

Os olhos brilhavam, em tudo percebia a beleza e poesia… era feliz.

O meu mundo ruíra e, com ele toda a minha razão de viver.

A dor corroía-me lentamente. Sentia-a nas entranhas.

Meu coração morreu com ele, a minha vida foi com ele.

Calem-se todos os risos, murchem todas as flores, sequem os rios.

Escureçam os céus, terminem os dias, apague-se o sol.

 

Não conseguia respirar… finalmente abri a janela e…

Meu Deus como o sol brilhava, como estavam lindos os campos.

Como tinham crescido estas crianças… não podia continuar a sofrer assim!

O mundo continuava a girar, e eu tinha que viver, de tentar ser feliz.

A vida tem de ser vivida, tinha de voltar a ser feliz… e havia que destronar a dor.

 

Fortunata Fialho

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