😶 Quero 👀 “Simplesmente… Histórias”👄

Quero … quero tanta coisa que nem eu própria sei o que quero.

 

Quero voar como uma borboleta, pairar como uma sementinha, sentir o doce toque do vento.

Quero viajar no tempo, mudar o curso deste rio, reflorestar o planeta…

Quero nascer de novo, emendar meus erros ou, quem sabe, cometê-los de novo.

Quero ser eterna ou morrer num momento de grande felicidade.

 

Quero entrar no teu pensamento, sentir o que tu sentes e dar-te tudo o que desejas.

Quero ser o teu maior amor, a tua maior felicidade a tua razão de viver.

Quero fazer amor contigo, subirmos aos céus, perder a noção dos corpos e só sentir.

Quero beber dos teus lábios, alimentar-me do teu amor e esquecer o mundo.

 

Quero acordar com o riso dos nossos filhos, a sua alegria inocente e o brilho do seu olhar.

Quero que, para sempre, sejam felizes, que nunca chorem e que só tenham razões para amar.

 

Quero acabar com a guerra. Quero que todo o ser humano só saiba amar.

Quero transformar todo o ódio em flores e as balas em doces manjares.

Quero que dos canhões saiam salvas, das metralhadoras rosas, que as espadas só cortem espinhos…

 

Quero ser luz e cor, doçura e ternura, paz e amor. Viver intensamente e sonhar.

Quero ser a princesa de um conto de fadas e viver num mundo de encantar.

Quero ser ideia, ser sonho, ser criação e ser renovação. Não quero ser ilusão.

Quero ser alma, quero ser desejo, quero ser começo… quero ser fim.

 

Quero… a todo o instante quero… não sei bem o quê… mas quero.

 

 

Fortunata Fialho

livros

👄💙 “Simplesmente… Histórias” 💙👄

Sete da manhã, abro a porta e, surpresa! Não se vê nada. Um nevoeiro incrível tomou conta de todo o espaço envolvente.

Entro no carro e parto. À minha volta tudo se encontra oculto. Não consigo distinguir em que lugar me encontro.

Será que ainda tenho que percorrer uma grande distância ou estou quase a chegar?

Continuo e, de vez em quando, consigo visualizar um ponto de referência.

Meu Deus, ainda tenho tanto que andar!

Na impossibilidade de saber se algum carro se aproxima reduzo a velocidade. Assusta-me a possibilidade de me deparar com algum louco a ultrapassar, mesmo sem qualquer visibilidade.

Que inconsciência! Há cada suicida!

Sinto-me a viajar numa outra dimensão, tudo o que me cerca é desconhecido e, completamente, surreal.

Conduzir no vazio é a sensação que me domina. Tudo aquilo que conheço desapareceu.

Que é feito das belas paisagens com que sou presenteada todas as manhãs? Nem os pássaros esvoaçam, nem as flores sorriem nos campos, nem o orvalho brilha como se fosse um diamante ornamentando os verdes campos.

Onde me encontro?

Que ponto do caminho é este onde o meu carro roda rumo ao lugar (des)conhecido, ao ponto de chegada de quase todos os meus dias?

Nevoeiro denso e assustador, mergulho no desconhecido, aventura e descoberta, apreensão e coragem.

Cá vou eu, destemidamente, apalpando terreno. Esporadicamente, surgem faróis vindos do nada, aparições do desconhecido, luzes irreais, testemunhos de que não me encontro só.

Continuo, finalmente chego, respiro fundo e espero que na volta o tempo esteja claro e a visibilidade seja total.

Louca! Esqueci-me de que a volta será de noite.

 

Fortunata Fialho

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Carta de um não pai.

Carta de um “Não Pai”

 

Lê até ao fim por favor.

 

Sei que fui um “Não Pai”.

Não partilhei o teu mundo.

Hoje tenho pena e vivo na dor,

Dor do que perdi …  dor por tudo.

 

Fugi … quis aventura.

Não criei amarras.

 

Estou velho, só e … vazio.

Não posso corrigir os meus erros.

Sonho… e sinto a tua dor.

Não me perdou … não me perdoes.

 

Pensei que vivia intensamente.

Criei … Criei nada, criei vazio.

Sinto-me oco, sinto que nada fiz.

 

Tudo o que importa perdi.

Perdi-te e não te encontro.

Perdi-me quando te abandonei.

Perdi-te e … não te mereço.

 

Daquele que te queria ter amado:

Teu: “Não Pai”

 

Fortunata Fialho

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😓”Simplesmente… Histórias”😐

– Mãe socorro. Tanto medo! Que barulho assustador! Tantas luzes… não consigo ver… dói tanto…. Pega na minha mão. Quando te sinto tenho menos medo. Pega-me ao colo e abraça-me forte, diz que vai passar. Faz calar todo este barulho… diz que é um pesadelo… ajuda-me a acordar.  Mãe dói tanto… porque são os homens tão maus?

Sobrevivi, minha mãe deu a sua vida para me proteger. Abraçou-me e …meu Deus…o sangue foi mais dela do que meu. Sobrevivi mas… com ela morri um pouco também.

Olho para o meu filho e recordo tudo, o noticiário mostra o êxodo de tanta gente. Fogem de uma guerra, mais uma guerra ignóbil, tentam proteger os seus filhos. Muitos perdem a vida e nem sempre os filhos lhes sobrevivem. Olho o meu filho e prometo-lhe proteção. Será que posso cumprir? Tanto ódio e tanto terror! Será que não têm filhos também?

As imagens sucedem-se e ele dorme. Crianças afogadas e… o meu dorme profunda e serenamente. Pouso-lhe a mão na cabeça e acaricio os seus cabelos. No meu rosto as lágrimas fluem… como gostava de os proteger também.

Espreguiçou-se, vai acordar. Mudo de canal. Não necessita de ver tanto horror.

Olha para mim e sorri, salta da cama e pendura-se no meu pescoço.

– Estás triste papá? Olha vou buscar o sol para ti, ou preferes a lua. Ontem fiz um desenho dos três, tu eu e a mamã. Sabes escrevi uma história. Tu eras o rei e fazias fugir todos os maus, e davas doces aos bons. Eramos felizes e nunca ninguém chorava. Sabes eu chorei, cai e fiz um dodói, mas tu vieste e o dodói também fugiu, afinal ele era mau e não podia ficar. Sabes pai tu és o meu herói e contigo eu não tenho medo de nada.

 

Fortunata Fialho

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😃O melhor do mundo😊

Uns destes dias bateram-me à porta.

Era um grupo de pessoas de uma qualquer

Religião, da qual já não me lembro.

Fizeram-me uma pergunta na qual fiquei a

Pensar: “Será Possível um Mundo Melhor?”

Para eles era simples: Deus tinha que intervir.

Para mim também parece ser simples,

Mesmo muito simples.

É necessário que ninguém ligue a cores de pele,

Que as religiões se respeitem mutuamente,

Que não interesse o saldo bancário.

É necessário que cada um se respeite e respeite

Os outros.

Teremos que nos apoiar e, assim, criar um

Mundo melhor.

Então se me parece assim tão fácil,

Porque é que tudo continua na mesma?

Porque se continuam a matar?

Porque se sentem alguns superiores a todos os

Outros?

Vamos educar os nossos filhos no respeito e na

Tolerância.

Se continuarmos assim durante algumas

Gerações,

Talvez, então, tenhamos um mundo melhor.

Só quero ser feliz.

Quero acordar com um sorriso.

Olhar para o lado e receber outro de volta.

Quero amar e sentir que sou amada.

Quero ver os meus filhos sorrirem,

O meu marido chegar a casa e dizer:

“Como te correu o dia Amor?”

Responder-lhe que foi um bom dia,

Que correu tudo bem.

Servir o jantar e comer-mos em harmonia,

Contarem-se as novidades do dia,

As boas e as menos boas, trocar ideias, dar

Conselhos, …

Confraternizar durante o serão.

Na hora de deitar dizer:

“Boa noite, sonhos coloridos”

Fazer amor, eternamente apaixonados,

Depois, com os corpos esgotados,

Dormir com um sorriso de plena felicidade.

 

Fortunata Fialho

 

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🌊 Carta de um náufrago 🌊 😉”Simplesmente… Histórias”😉

Aqui, nesta ilha, até quase que sou feliz. Pensavas que isso era impossível?

As plantas são maravilhosas, os animais lindíssimos e a água límpida e pura.

Quando tenho fome é só colher, caçar e comer. Nunca tive fome. Mas…

Falta-me a tua companhia e o calor do teu corpo. Quero amar-te.

Falta-me sentir o doce sabor de um beijo, a terna sensação de uma carícia.

Quero perder-me no brilho do teu olhar e refugiar-me na segurança dos teus braços.

Tenho saudades do riso das crianças, do seu abraço ingénuo e do brilho dos seus olhos.

Lembro-me do brilho dos teus olhos quando dizias que me amavas.

Da vozinha dos nossos filhos quando chegava a casa. De todos aqueles brinquedos pelo chão.

Do teu cheiro nos nossos lençóis, do teu suor quando nos amávamos.

Olho para este mar imenso e sonho e sonho com um barquinho no horizonte.

Por esta ilha nunca passam barcos e eu que quero tanto partir.

O meu horizonte não muda, sempre tão azul e tão calmo.

Mundo paradisíaco desejado por muitos, prisão impiedosa sem grades.

Neste pequeno papel que o mar poupou escrevo este grito de Socorro.

Como to envio? As ondas acariciam a areia e eu não te posso acariciar.

Uma garrafa! Obrigado mar que me compreendes.

Leva esta mensagem, deposita-a em mãos abençoadas.

Mandem-me ajuda. Eu espero. Por favor não tardem.

Preciso de ajuda. Levem-me de volta, devolvam-me a quem amo.

 

Fortunata Fialho

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