Aventura…

Acordar é uma aventura, viver é a maior de todas.

Dormir é um mergulho no abismo.

Hoje… ao acordar o mundo estava negro

Ou seria o meu coração que o escurecia?

No meu rosto uma lágrima corria.

Sonhei com minha mãe e as duas riamos.

Os seus netos… todos crianças pequenas… brincavam.

O sol brilhava intensamente e éramos felizes.

De repente o sol desapareceu… vestiu-se de negro.

Procurei-a e não a encontrei… as crianças choravam.

Não percebi… na minha cabeça apenas três palavras:

A minha aventura terminou.

Cresceu… riu… passou fome… amou… deu-nos a vida.

Amou-nos e apoiou-nos e… no fim sofreu…

A sua aventura não teve um final feliz.

Esta noite subi ao sol e mergulhei no abismo,

Fui feliz por a ver a meu lado… sofri por ser só uma ilusão.

Viver é uma aventura, uma aventura com um só fim: morrer.

Quero viver e ser feliz mas por vezes a saudade aperta,

A alma dói e faz-nos sofrer.

O povo diz: O tempo tudo cura. Loucos… insanos…

O tempo passa e as feridas não saram… sangram…

Hoje estou triste e o sorriso surge pobre… sombrio.

 

Fortunata Fialho

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Minha avó Helena. 🌺 “Simplesmente… Histórias”

A minha avó Helena era muito especial. Pequena e curvada, assim me recordo dela, bem-humorada e muito malandreca.

Vivia acompanhada de uma das minhas tias que tinha permanecido solteira.

Lembro-me que era muito gulosa e que, às escondidas, nos dava torrões de açúcar amarelo dizendo que eram rebuçados. Por vezes fazia-nos papas de milho generosamente polvilhadas de açúcar amarelo, o que fazia a delícia dos netos.

Como sempre viveu com necessidades guardava as suas folhas de couve (notas de vinte escudos) religiosamente numa carteira que nunca largava. Um dia deixou cair uma moeda de cinco escudos para trás de uma arca enorme e, apesar de muito debilitada fisicamente, lá a conseguiu desviar e retirar a bendita moeda. Claro que depois ouviu uma grande reprimenda por parte da minha tia.

Por vezes dava uma notinha aos netos. Era para comprar uma lembrançazinha nas festas da terra. Para ela era uma fortuna e para os netos, uma alegria.

Quando eu era pequena a minha tia, que era toda dedicada à igreja, ensinava-me todas as orações que conhecia. As pessoas, para me ouvirem, pediam que as repetisse.

A minha tia gritava-me logo:

– A da avó não.

A minha avó tinha-me ensinado uma, bem malandreca, e era essa a que as pessoas queriam que eu repetisse. Desculpem a linguagem mas passo a transcrevê-la: “Aqui te benzo meu homem nu, com meu pestotira e meu olho do cu.”

Eu, como era lógico, era a primeira que declamava. Porque será que dizem que saio a ela? Não fisicamente, está-se a ver.

Quase todas as recordações que mantenho, desta minha avó, são de momentos especiais e de alguma forma divertidos.

Por vezes lamentava-se pelas agruras da vida mas, felizmente, conseguia manter um espírito alegre e um humor muito peculiar que a ajudava a superar, de uma forma mais fácil, todos os seus sofrimentos.

Infelizmente, também ela nos deixou precocemente.

Era tão bom que ela pudesse ter vivido para sempre e, de certo modo, ainda vive no meu coração e nas minhas lembranças.

 

 

Fortunata Fialho

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Mountain Bluebird (Brenda Kurttu of Naples, Idaho) — euzicasa

Photo of the day! Brenda Kerttu of Naples, Idaho says of this photo, “Anyone who knew my Grandma Bernice knew she loved birds and that her favorite was the mountain bluebird. When I was a kid, we would go check nest boxes to make sure they were clean and ready for new bluebird families. Now, […]

via Mountain Bluebird (Brenda Kurttu of Naples, Idaho) — euzicasa

Segurança… 😵

Estou segura. Estou segura de que a vida é insegura.

Na segurança dos dias vivo a incerteza dos acontecimentos.

Nos incertos acontecimentos a vida continua.

Segura nos meus sonhos… segura no meu mundo.

No silêncio da noite sonho… com as estrelas.

Na luz do Sol sonho… com o brilho dos teus olhos.

Insegura sobre o futuro… sigo em segurança,

No fim do caminho estás tu… seguramente?

Os dias passam, inseguros, inolvidáveis… irrecuperáveis.

As recordações acumulam-se na segurança da minha alma,

No fundo do meu coração mora a insegurança.

Quando me abraças és o meu porto seguro.

No teu abraço nada mais importa.

A segurança é o teu olhar profundo e um beijo… teu.

Segura do meu amor… volto para casa.

Procuro-te e não te encontro.

Segura do teu regresso… aguardo.

Estou segura de que vale a pena esperar-te.

Estou segura… sinto-me segura.

Segura de que nunca deixarei de ser sonhadora,

Segura de que quero ser eternamente criança,

Amar eterna e intensamente.

Eternamente segura da minha insegurança.

 

 

Fortunata Fialho

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😁 Inspiração😁 “Simplesmente… Histórias” 😇

Sentei-me ao computador com uma enorme vontade de escrever. Surpresa! Perdi a inspiração.

E agora? Que faço com esta vontade?

Olho em volta e nada me inspira.

Que monotonia está tudo na mesma.

Olho pela janela e o sol brilha. Há tanto tempo que andava desaparecido. Percorro o espaço exterior com os olhos.

Vejo lindas flores nos meus canteiros, todos os dias aparecem mais algumas.

O meu quintal resplandece de cor e de alegria. Os pássaros chilreiam nas árvores. Não consigo descobrir nenhum ninho, talvez ainda seja cedo.

Vistosas joaninhas passeiam-se sobre as flores comendo o piolho das plantas. Uma borboleta esvoaça em redor da minha janela. Deve de estar a exibir o seu belo colorido, e que colorido! Recuso-me a pensar que anda a depositar os seus ovos nas minhas plantas. As lagartas vão banquetear-se e eu vou ficar muito aborrecida.

No canil as cadelinhas estão estendidas a apanhar todo o sol que podem, nem me ligam. Eu bem me esforço mas elas ignoram-me.

Tantas abelhas no meu quintal! Será que não me vão picar? Talvez deva ter cuidado e deixá-las andar à vontade.

Levanto o olhar e surge um céu tão azul que encandeia. Nenhuma nuvem o mancha.

De vez em quando, passam alguns pássaros voando e chilreando.

Contínuo sem inspiração. Não sei por onde começar. Talvez seja melhor desistir, fechar o computador e esperar por melhor ocasião.

Vou esperar pela minha inspiração. Talvez ela se digne voltar.

Se voltar posso escrever mais uma história daquelas que tanto gosto tenho em contar.

 

Fortunata Fialho

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Mude o mundo, Transforme-se.

1 N O W 1

“O início da liberdade é a percepção de que você não é “o pensador”. No momento em que você começa a assistir o pensador, um nível mais alto de consciência se torna ativado. Você então começa a perceber que há um vasto domínio da inteligência além do pensamento, que o pensamento é apenas um pequeno aspecto dessa inteligência. Você também percebe que todas as coisas que realmente importam – beleza, amor, criatividade, alegria, paz interior – surgem de além da mente. Você começa a despertar.” Eckhart Tolle

Talvez, você não possa mudar a natureza do mundo… mas pode mudar a sua natureza, o que acaba por mudar o mundo…

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Que raios! em “Simplesmente… Histórias”

Todos os vizinhos juntos, caso raro, mas aconteceu.

Por meio de conversas sem grande importância surgiu uma ideia mirabolante. ‘’Vamos assistir à concentração de carros’’.

Pegam nos seus veículos e, como estão a alguma distância uns dos outros, decidem encurtar a mesma. Carros a trabalharem e marcha atrás metida a loucura começa.

Como pode um grupo de homens feitos ter este tipo de comportamentos?

No meio da loucura e, em marcha acelerada, os carros recuam quase colados uns aos outros.

No meio da loucura e com medo, a namorada do meu sobrinho grita: ‘’Ai, ai… ai’’ mas rindo como uma criança!

De repente arrancam em grande velocidade. Em tão insólito cortejo a rua fica vazia, não sem que o meu esposo me faça adeus de dentro da carrinha.

Confusa e furiosa observo aquela loucura tentando absorver e compreender tamanho insólito. Observo a rua e não acredito no que vejo, o meu esposo nem se dignou dizer que se ia embora e, para minha surpresa, alinhou em toda aquela loucura… deve ter enlouquecido… só pode!

O telefone toca, o meu ou o dele, não consigo recordar-me.

– Que loucura foi essa? Como podes ter-te ido embora sem dizeres nada?

Do outro lado ele ri que nem um perdido e eu consigo visualizar o ambiente envolvente, devia ser uma video-chamada!

– Qualquer dia, abalo sem te dizer nada e, quando chegar, telefono a dizer: ‘’Estou aqui, vim passear’’, a ver se tu gostas.

O riso, do outro lado aumenta assim como a minha irritação. Pronta a dizer mais qualquer coisa acordo, olho para o lado e ele dorme profundamente.

Que raios… o que uma pessoa sonha!

 

Fortunata Fialho

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“Simplesmente… Histórias”

Rirmos juntas foi tão bom… rir de felicidade… rir de verdade.

Sim ri, e em casa todos ouviram e riram também. Rimos… que bom!

Quero rir sempre assim, hoje… amanhã… sempre… rir, sim só rir…

Quero secar meus olhos, fechar esta cascata, triste e sombria.

Tenho que sorrir, deixar o sol entrar, secar estas lágrimas de sangue.

Quero ser feliz, quero acalmar minha dor, quero… ser feliz.

Meu Deus como quero, como tento… já consigo rir por entre as lágrimas.

Como seria bem mais fácil se pudesse ser novamente criança.

 

Fortunata Fialho

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Poema do dia 18/02/2018

O poeta e os outros eu's

Poema do dia 18/02/2018

Meu amor são rosas
Versos rasgados como carne nos espinhos
Perfumes das noites que se acordam
Abraços prometidos e aninhados
Corações unidos num movimento natural…

São rosas amor, são rosas
Nas cores com que pintamos os dias,
Cozendo com espinhos as feridas
Banhos temperados de pétalas
Meu amor são rosas…

Alberto Cuddel
18/02/2018
23:00

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