Escuridão.

A escuridão, nada tem de assustador.

Assustador é viver na escuridão,

Não ver o que nos envolve,

Desconhecer o que nos rodeia,

Não ter noção do que se passa.

Escuridão assustadora, é aquela de que não podemos fugir,

Que nos faz correr, sem nunca chegar ao fim.

Escuridão é desconhecer se teremos futuro.

Escuridão é não saber se os nossos filhos,

Poderão construir vidas próprias, serem independentes,

Terem filhos com futuros luminosos.

Escuridão é estarem a destruir o futuro por nós construído.

Escuridão é não poder garantir o futuro da nossa família.

Escuridão, esta, aterradora.

Por favor!

Iluminem a escuridão do ser humano.

Iluminem a minha escuridão!

 

Fortunata Fialho

 

capa-2953x2008
Inexperiência e coragem deram origem a esta primeira publicação. Disponível na Editora Bubok e na Amazon.

😈 Férias. 😍

As aulas terminam e mochilas voam pelos ares.

Corridas desenfreadas, gritos de alegria.

O sol está mais brilhante e a rua convida.

Brincar até cansar, vão ser os seus dias.

Dormir até tarde, brincar noite dentro.

Piqueniques com os amigos,

Corridas loucas pelos campos.

Rolar na erva e cheirar as flores,

Deitar-se no chão observar as nuvens,

Descobrir formas, brancas, leves… efémeras.

Mergulhar nos riachos, pescar o jantar.

Esquecer as horas, chegar tarde ao jantar e ouvir ralhar.

Roupas sujas descrevem o seu dia.

Á noite, cansados, sonham com os dias, o sol, o rio…

Dormem profundamente.

Meninos sem aulas, meninos do campo, meninos sadios.

O tempo passa e as férias serão sempre curtas.

Há que aproveitar e brincar não custa.

 

Fortunata Fialho

 

DSCN5903
Parte do espólio megalítico de Reguengos de Monsaraz _ Évora _ Portugal

 

Vento.

O vento ecoa lá fora num uivo doloroso e triste.

Transporta no seu regaço tramas e dores.

Embala os sonhos em doces melodias,

Cantado, melodiosas canções de embalar.

No quente do regaço materno crianças dormitam tranquilas.

Sonham com viagens e aventuras,

Sobem aos montes e saltam montanhas.

Embaladas pelas mães, levadas pelo som do vento voam.

Cavalgam dragões e sobem aos céus.

Um sorriso ilumina os seus rostos.

Príncipes, fadas e duendes dançam ao vento.

Na noite ventosa soam murmúrios de amantes,

Suspiros de prazer são levados para longe.

O amor propaga-se… viaja na ventania.

Povos escutam os segredos que o vento conta.

Irado o vento uiva, um incauto monte o travou.

Salta de ira e acalma-se na planície.

Perfuma-se nas flores, lava-se nos rios e mergulha nos mares.

Cansado de tanto correr acalma,

Tranquilamente adormece.

Agora é ele quem sonha com terras distantes,

Com viagens maravilhosas e com novas gentes.

Tranquilamente embala-se e…

Finalmente… silêncio.

 

Fortunata Fialho

 

DSCN4879
Festival Aério 2009 _ Évora _ Portugal

Tinta.

Contente um fio de tinta corre,

Pelo caminho o seu rasto conta histórias.

Já percorreu tantos caminhos,

Escreveu tantas cartas de amantes,

Guardou segredos e desejos inconfessáveis.

Marcou encontros, desencontros e até viagens.

Escreveu histórias, romances, tragédias…

Fez as delícias das crianças com os seus contos de fadas.

Pintou reinos encantados e coloriu sorrisos nos rostos.

Borrou, muitas vezes, a escrita mas continuou.

Aproveitou cada borrão e criou arte.

Preencheu telas de pintores e cadernos de crianças.

Pintou morais e foi voz da revolta.

Protestou em imagens transformando-as em palavras.

Cansado desenhou planícies,

Agitado desenhou montanhas,

Transpirado criou rios,

Chorando preencheu oceanos.

Tranquilo passeou por livros, cadernos…

E até por guardanapos em bares.

A tinta deixou de se ver.

Quase invisível escreveu suspiros.

Numa folha em branco morreu…

Outras tintas dele renasceram e…

As suas viagens continuaram.

Firmes, criativas, sonhadoras…

Tudo em seu redor pintaram.

 

Fortunata Fialho

 

hqdefault
Imagem retirada de: PONTOS DE ERES | PONTOS DE CRIANÇAS NA UMBANDA _ YouTube

😐Dúvidas!

Alguém me disse que a minha escrita não era assim tão boa. Ouvir isto doeu, doeu muito.
Não tenho a pretensão de que sou uma grande escritora mas, bem cá no fundo, acho que não sou assim tão má. Quando escrevo não tenciono ser como ninguém, só preciso de ser eu própria e é isso que coloco naquilo que escrevo.

Quando escrevo deixo as palavras fluírem sem pensar muito, deixo que o sentimento mande e permito-me sonhar. Gosto de sonhar, se deixar de o fazer será um pouco como envelhecer e deixar que a morte me encontre mais depressa. Sonhando tenho a idade que quero e que sinto.

Os anos podem passar, e já passaram muitos, mas isso não vai impedir-me de voar quando me apetecer, nadar mesmo nadando pouco, correr mesmo quando o corpo se cansa, viver em mundos mágicos mesmo sendo irreais…

Talvez a minha escrita não seja tão boa assim mas eu sou feliz quando escrevo.

 

E vocês o que acham? E já agora porque escrevem também?

 

DSCN5345
Um gesto lindo.

 

📩 A escrita… 📩

Quando não nos sentimos na melhor forma a escrita é libertadora. Pode servir de escape para falar livremente de sentimentos sem magoar e sem nos magoarmos a nós próprios.

A escrita é uma fonte que lava a alma e que dá alegria a todos os que se deixam envolver por ela.

Na tristeza ela pode consolar-nos e tornar-nos alegres. Escrevendo podemos lavar a tristeza com gel de sonhos e chuva de desejos.

Escrevendo somos mais que nós próprios, somos o que parecemos acrescido do que desejamos e sonhamos. Somos o nosso próprio ser imaginário ao qual damos múltiplas vidas e tornamos real… palpável pelos sentidos de quem nos lê.

A escrita desenvolve os nossos próprios universos paralelos tornando-os mais que simples conjecturas… reais.

Pela escrita podemos viver várias vidas, ser imortais, intemporais e viajantes de infinitos mundos. Para tudo isto só necessitamos de sonhar e… escrever.

 

Fortunata Fialho

IMG_2861
Lançamento do meu livro “Simplesmente… Histórias” na Sala doa Leões-Câmara Municipal de Évora, na companhia da minha querida filha, Nádia Fialho e da minha grande amiga, Cláudia Pepe.

🌛 Penumbra da noite. 🌉

Na penumbra da noite impera o silêncio.

Nas sombras das ruas escondem-se criaturas,

Deambulando sem rumo numa dimensão só sua.

Como retiradas de um sonho, evitam a luz do sol.

Apressados, os humanos, fogem das sombras,

O medo tolda-lhes os sentidos.

A noite, incompreendida, parece aterradora.

Almas, vivas ou não, aproveitam a escuridão.

Amantes, escondidos do mundo, aproveitam a penumbra,

Longe da vista envolvem-se em tórrida luxúria.

Os ruídos intensos, quebram o silêncio.

Na calada da noite, sons irreais provocam o medo.

Escondidos pelos cantos, inebriam os sentidos.

O terror sente-se na pele,

Toques irreais toldam o discernimento.

Portas fecham-se isolando do medo.

Criaturas do dia anseiam por luz,

Temem a noite que não compreendem.

No negrume da noite nada parece real,

O tempo não passa e o medo não cessa.

A penumbra, lentamente, dissipa-se e a coragem volta.

As criaturas da noite enfrentam o sol, e…

Como por magia perdem o seu ar assustador.

 

Fortunata Fialho

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Cabo da Roca – final de tarde.