🔖Olhos tristes.🔖

Olhos tristes.

 

Sentada numa esplanada, olhando o infinito, pensamento distante…

Um olhar intenso de quem o desespero se tornou constante.

Olhos lindos sem brilho e com uma tristeza imensa.

Procura algo ou talvez alguém, uma sombra ou uma miragem,

Um amor perdido ou uma recordação dolorosa,

Talvez espere que o tempo mude e o vento lhe devolva a felicidade.

De copo na mão perscruta a estrada na esperança de um reencontro,

Na esperança de um recuo do tempo que perdido se encontra.

Está só, irremediavelmente só… o tempo não volta.

Pelo rosto corre uma lágrima… teimosa e insolente lágrima.

Aqueles olhos não podem chorar mais… perderam o brilho… secaram.

Que olhar tão triste e perdido! Talvez um beijo os ilumine!

Mas que boca eles desejam? Quem tem coragem de tentar?

Subitamente a tristeza se acalma e as estrelas neles parecem brilhar.

Pela rua descem crianças, riem e correm, parecem voar.

Voam para os seus braços e, num abraço apertado o rosto lhe vão beijar.

Àqueles olhos tristes, os netos os vieram iluminar.

Aos olhos cintilantes um sorriso radiante se veio juntar.

Pelo rosto deslizam lágrimas… benditas lágrimas de felicidade impar.

 

Fortunata Fialho

 

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Mais uma participação conjunta com grandes escritores.

😶 Quero 👀 “Simplesmente… Histórias”👄

escreversonhar

Quero … quero tanta coisa que nem eu própria sei o que quero.

Quero voar como uma borboleta, pairar como uma sementinha, sentir o doce toque do vento.

Quero viajar no tempo, mudar o curso deste rio, reflorestar o planeta…

Quero nascer de novo, emendar meus erros ou, quem sabe, cometê-los de novo.

Quero ser eterna ou morrer num momento de grande felicidade.

Quero entrar no teu pensamento, sentir o que tu sentes e dar-te tudo o que desejas.

Quero ser o teu maior amor, a tua maior felicidade a tua razão de viver.

Quero fazer amor contigo, subirmos aos céus, perder a noção dos corpos e só sentir.

Quero beber dos teus lábios, alimentar-me do teu amor e esquecer o mundo.

Quero acordar com o riso dos nossos filhos, a sua alegria inocente e o brilho do seu olhar.

Quero que, para sempre, sejam felizes, que nunca chorem e…

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Um simples toque. III

(…) Ondulando ao sabor do prazer, primeiro como em águas calmas, depois num mar tempestuoso, os corpos perdiam-se de si próprios. As carícias sucediam-se de uma forma louca, animal e instintiva. Só o prazer importava, só eles existiam. O suor percorria os seus corpos. Um odor animal pleno de aromas emanados da paixão e do desejo fazia inveja ao perfume das mais aromáticas flores que os rodeavam.

O ritmo aumentava e sons de prazer ecoavam pelo ar. Puros e sem maldade, simplesmente impulsionados por um amor verdadeiro e uma paixão incontrolável, donos do seu sentir deixavam-se levar, ou melhor, elevar ao infinito.

Finalmente explodiram num orgasmo intenso, um orgasmo a dois. Incapazes de controlar os seus corpos sentiram todo aquele prazer imenso, prazer que nunca pensaram poder sentir.

Esgotados e realizados continuaram abraçados trocando carícias, agora sem desejo mas sim com uma ternura imensa. Recusavam-se a voltar à realidade, queriam prolongar eternamente aqueles momentos.

O arrefecer do suor dos seus corpos e a sensação de frio que os envolveu, recordou-lhes a ausência das suas roupas. Rindo como duas crianças vestiram-se e, abraçados, permaneceram naquele banco observando a paisagem e sentindo o conforto que só o amor pode dar.

 

Fortunata Fialho

 

Soul-Mates
Imagem retirada da internet. 

Um simples toque II.

(…)

Queria pedir mais mas não conseguiu, uns lábios macios e quentes calaram o seu som, absorveram as suas súplicas. Respiração com respiração, língua com língua, nada mais existia, compreendiam-se sem necessitar falar.

Protegida dos olhares indiscretos no seu jardim particular, perdeu a noção da realidade.

Lentamente as suas roupas deslizaram para o chão misturando-se com as dele.

Quatro mãos num corpo só, tateavam cada poro desses corpos unos e nus. E aquele toque! Como era divinal e como a fazia vibrar de prazer.

As carícias percorriam o seu corpo sem deixarem um pedacinho de pele por acariciar. Como que impulsionada por magia as suas mãos percorriam aquele corpo que a enlouquecida. No seu baixo-ventre uma onda de desejo pedia mais… o toque daquele membro viril enlouquecia-a.

Sofregamente abraçou-o e beijou-o como que suplicando por mais… muito mais. Delicadamente, ele elevou-a e sentou-a no seu colo. Inevitavelmente os seus corpos uniram-se e os sentidos mandaram. Não consegui pensar, só sentir aquele prazer e devolvê-lo com toda a intensidade do seu desejo. (…)

 

Fortunata Fialho

 

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Imagem retirada da internet.

Um simples toque.

Sentada num banco de jardim apreciava a paisagem. A calma e dourada planície era como um bálsamo, o dia tinha sido demasiado stressante e estava cansada.

Não o ouviu chegar… o silêncio era tão bom! Subitamente um toque, os seus dedos no seu pescoço rolavam suave e delicadamente. Uma suave caricia percorria o seu corpo. Fechou os olhos e uma onda de prazer avançou em si como as ondas, de um mar calmo, se espraiam pela areia. Todos os seus sentidos se concentraram naquele toque. O seu corpo tornou-se areia e aquele toque o seu mar, calmo e dócil, mas fresco e reconfortante.

Encostou a cabeça naquele peito quente e o bater daquele coração soou como acordes celestiais. Cerrou os olhos, queria sentir sem pensar. Como era boa aquela sensação! Como desejou que aquelas mãos descessem pelo seu corpo e a abraçassem terna e firmemente, que aqueles lábios percorressem o seu corpo e despertasse toda a volúpia escondida em si.

Já não era dona de si mesma, só queria ser dele, fazer parte dele. O seu corpo ansiava por aquele corpo que se vestia com a sua pele.

Nas imediações não se via viva-alma e o arvoredo escondia-os de quem passava… estavam completamente sós.

Lentamente os botões do seu casaco soltavam-se revelando parte dos seus seios que revelavam a sua excitação através dos mamilos que se revelavam sob o cetim da sua blusa.        (…)

 

Fortunata Fialho

 

Milla088

 

 

O menino e a borboleta.

Verdes campos, ondulando ao vento, salpicados de mil flores.

Uma criança brinca voando ao sabor do vento.

Encantado colhe uma flor. Que bem que ela cheira!

Perdido no aroma, embala um sonho.

Príncipe dos campos, empunha um ramo,

Espada dos sonhos feita de madeira… como brilha!

Uma borboleta, liberta do casulo, pousa no ramo.

Abre as asas… que colorido tamanho.

Realidade ou sonho? Pensa o menino.

Fada de mil cores dona dos campos em flor.

A borboleta voa… o menino ri…

Fada da felicidade é a sua borboleta.

Flores são o seu alimento, com néctar pleno de odores.

Verdes campos, milhares de borboletas…

Meninos bramindo sonhos, docemente encantados,

Correm, enfeitiçados… perseguindo borboletas,

Desenhos coloridos aos olhos inocentes,

Sonhos nascidos no caule de uma flor voam pelos campos.

Cansada, a mais bela das borboletas pousa…

O menino senta-se… de olhos brilhantes, observa.

Não ousa tocar-lhe, não a quer acordar…

Quieto, sonolento, adormece…

A borboleta é ele e voa sem parar.

Dança ao vento ao som do assobio da erva verde,

Que ondula e canta baixinho, num murmúrio doce.

Tantos meninos borboleta, tantas danças efémeras…

Tantos sonhos findados ao abrir dos olhos…

E o menino acorda, a borboleta fugiu…

O menino corre ao sabor do vento.

A borboleta refugia-se no meio de mil flores…

Todos no regaço dos verdes campos em flor.

 

Fortunata Fialho

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Imagem retirada da internet.

 

💨 Sopro 💨

Num sopro, suave e quase inaudível, o vento conta segredos.

Numa carícia fala de amores clandestinos,

Transporta gemidos de prazer… gemidos de felicidade.

Sofregamente beija-nos o corpo e envolve-nos num terno abraço.

Num sopro aquece a alma e faz-nos sonhar.

Eleva-nos aos céus, transporta-nos ao Olímpo.

Num sopro confesso o quanto te amo.

Num sopro convido-te para a minha cama.

Partilhamos os corpos e, num sopro do tempo, enchem-nos de beijos.

Soprando carícias, perdemos a noção do tempo.

Num sopro violento os nossos corpos explodem de prazer.

Num pequeno sopro, nossos corpos se separam,

Nossos lábios se colam, nossos olhos se fecham…

Nas asas do sono descansamos… abraçados.

Ao sopro das nossas respirações acordamos.

Num sopro de tempo nascemos… vivemos… morremos…

 

 

Fortunata Fialho

 

sopro

😢😢E partiram…

Era um dia como tantos outros e o sol brilhava, quente e inclemente, sobre o asfalto. O carro, em alta velocidade, cortava o vento. Era urgente chegar, a sua esposa esperava um outro filho e o trabalho de parto tinha começado.

Chegou a tempo de pegar na sua mão e acalmar o seu receio com a sua tranquilidade habitual. Passado algum tempo, para eles uma eternidade, um choro ecoou no quarto. Milagrosamente todas as dores pareceram ter sido menores e, sem sombra de dúvida, valido a pena.

Uma frágil e maravilhosa criança respirava pela primeira vez. Um lindo menino tremia, não sabemos se de frio ou de medo, perante um mundo gigante e desconhecido. Os seus pais irradiavam felicidade, sem palavras, abraçavam-se ao mesmo tempo que contemplavam o novo bebé.

Subitamente uma pequena menininha irrompe no quarto e procura o seu irmãozinho na tentativa, ingénua, de lhe dar carinho como se fosse uma das suas bonecas. Por sorte alguém se apercebeu, evitou o ternurento rapto e, cuidadosamente, colocou no seu colo o frágil ser. Os seus olhinhos pareciam contemplar o próprio sonho e com a sua pequena boca cobriu-o de beijos. Tinha o seu irmãozinho no colo e sentia-se como se carregasse o maior tesouro do mundo. Finalmente tinha com quem brincar.

Sob os constantes cuidados dos pais cresciam felizes e muito amados.

Quanto ao novo bebé, um pequeno príncipe, fofo, ternurento e… lindo, era o orgulho dos seus pais e o encanto da sua irmã.

O grupo familiar estava composto da forma sonhada pelos seus pais. Um casalinho perfeito enchia de felicidade o seu lar. Apesar das dificuldades com que se debatiam no dia-a-dia, estes pais lutavam para que nada lhes faltasse, principalmente amor, alimento e conforto.

Tudo girava em função destas duas pequenas crianças. Uma comia, dormia e ria das tolices infantis de sua irmã. Outra cirandava em torno no seu mano pequenino como se fosse o centro do mundo.

Os dias passavam rapidamente entre risos e choros, carinho e cumplicidade.

A vida neste lar era como um conto de fadas onde reis e rainhas, príncipes e princesas viviam num mundo perfeito onde o pouco dinheiro não importava pois tinham tudo o que alguma vez puderam desejar, uma família perfeita.

Tragicamente, o reino perfeito, ficou envolto numa tempestade tenebrosamente negra. A sombra da morte pairava no ar e ninguém se apercebia. Fria e sorrateira esperava a hora de atacar.

Passados poucos meses, enquanto dormia no colo de sua mãe, o seu pequenino corpo arrefeceu… nunca mais acordou. Entre gritos de desespero e choros de quebrar qualquer coração, a tragédia instalou-se e o mundo perfeito desabou.

A morte levou-o sem que ninguém conseguisse sequer tentar evitar o sucedido. Não houve tempo para pedir ajuda médica, quando a pobre mãe se apercebeu já nada podia ser feito. Tranquilamente como adormeceu… morreu. Sem choro, sem sofrimento, sem sequer um gemido para pedir ajuda. Um simples fechar de olhos foi o fim de tudo…

Como foi possível esta tragédia, como puderam os deuses permitir que isto acontecesse?

Nenhuma criança deveria partir, os céus já têm anjos suficientes, têm uma vida inteira pela frente para ser vivida e que nunca lhes deveria ser tirada antes de tempo.

Partiu e no seu lugar deixou uma dor imensa e uma saudade eternamente dolorosa. Os dias tornaram-se muito mais tristes e a vida, desta pobre família, muito mais pobre. Os pais desejaram partir com ele e a sua irmãzinha, aterrada sem perceber o que se passava, parecia perdida num mar de confusão. Porque choravam todos? Porque não acordava o seu irmãozinho? Porquê?

Partiu e a vida avançou, os dias sucederam-se e a pequenina ajudava a superar a dor, ao menos ainda tinham uma filha para amar e proteger. Uma filha que desejou, todos os dias, não continuar sozinha. Queria tanto o seu irmão de volta ou, em ultimo caso, um novo irmão ou irmã, não se importava. Não queria de forma alguma ser filha única.

Numa família católica acredita-se que mais tarde todos se encontrarão no céu. Talvez seja verdade, acreditar que sim ajuda muito.

A vida não pára com o surgimento da morte, não pode parar, os sobreviventes a isso obrigam.

A pequenina cresceu e, já quase adolescente, ganhou uma nova irmã. Uma nova princesa juntou-se à família e com ela uma lufada de felicidade encheu o coração de todos.

Um bebé muito desejado, que foi “estragado” com mimos, cresceu saudável e reguila.

Novamente o sol brilhava. Brilhou durante longos anos e estes pais foram brindados com netos lindos e saudáveis. O mundo voltou a estar, quase, perfeito.

Subitamente o mundo voltou a desabar, ainda muito nova a senhora foi vitima da doença do século: cancro…

Uma luta titânica e inglória foi iniciada. Uma luta que não foi capaz de vencer apesar da ajuda incondicional daqueles que a amavam. Os dias passavam e as derrotas eram maiores que as vitórias. O fingimento instalou-se, as filhas e o marido, fingiam que tudo iria correr bem, apesar de verem a inevitabilidade do fim. Ela fingia que estava melhor e que iria ainda viver muitos anos. Era um fingimento de amor. Amavam-se muito e queriam, simplesmente, aliviar o sofrimento dos outros.

Um dia tudo acabou, a vida fugiu-lhe no meio de um enorme sofrimento. Ela não merecia, aliás, ninguém merece. Toda a vida lutou pela sua família e apesar de diversas perdas, algumas mais dolorosas que outras, sempre foi um pilar… um porto seguro para todos.

A dor voltou a instalar-se, mais uma partida sem volta. Um não teve possibilidade de ajuda e a outra não houve médico e tratamento que a salvasse.

A dor antiga não partiu, foi aumentando cada vez que mais alguém partia. Quando parecia que não podia ficar maior, aumentou de uma forma incomensurável.

Como se consegue sobreviver a tanto sofrimento?

Aquela menininha, agora mulher e mãe, precisa de acreditar que ambos, mãe e filho, estão juntos e felizes a olhar pelos que ainda não partiram e à espera do reencontro, lá onde os anjos habitam e todos são felizes e saudáveis. Só assim consegue sobreviver.

Pena que a sua fé não seja tanta que lhe dê a certeza de que é mesmo isso que acontecerá. Ela queria tanto acreditar… assim a dor da perda e a saudade, talvez fossem menores. No seu coração só tem uma certeza: já não os pode abraçar.

Como aconteceu com sua mãe, a vida tem de continuar. Tem, ainda, pessoas que a amam e a quem ama a precisar da sua força e proteção. Chora muitas vezes em silêncio e limpa rapidamente as lágrimas, sempre que alguém se aproxima. O seu coração e o seu cérebro gritam em uníssono:

– Partiram e nunca mais irão voltar…

 

Fortunata Fialho

 

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