📜 💙 Sonho.💛 📜

escreversonhar

Fecho os olhos e… sonho com um mundo perfeito.

Um mundo sem guerras… um mundo de amor… um mundo criança…

O sol no sorriso de todos os rostos… o som de gargalhadas puras e cristalinas.

Em cada coração a pureza e entrega da ingenuidade da infância…

Um mundo verde de esperança… vermelho de alegria… azul de paz…

Onde não existe fome, frio, tristeza, dor… Tudo é perfeito…

No meu sonho os rios são limpos e as suas águas cristalinas…

Os campos verdes, as flores de um colorido vibrante…

O ar puro… leve… saudável… totalmente respirável.

Nenhum ser vivo tem medo… não tem motivos para tal.

O respeito é mútuo… a tolerância uma constante.

Sonho… que um dia o ser humano deixa de ter cor…

Que todos são iguais… que ninguém se considera superior…

Sonho que todos sonham e não existem pesadelos…

Que todos acordam felizes, tranquilos… apaixonados…

Apaixonados pela vida……

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Um copo.😤

Um copo meio cheio repousa na mesa do café.

Uma mão trémula hesita em lhe pegar.

No rosto um sorriso doce e idiota aflora.

Os raios do sol incidem no líquido e iluminam o seu rosto.

O sol, aprisionado no copo, é seu e brilha como nunca.

Ninguém sabe mas ele é a pessoa mais feliz do mundo.

Possui o maior tesouro do mundo… vai ser pai.

A esposa telefonou e a novidade chegou… são gémeos!

Devia estar assustado… dois de uma só vez… felicidade a dobrar…

Pelo rosto rola uma lágrima e cai no líquido que estremece.

Desiste… está feliz demais para beber.

Deposita o dinheiro na mesa e sai.

Precisa de ar, rir como um idiota, dançar e talvez gritar.

Gritar ao mundo que é feliz, que o mundo lhe pertence.

Vai ser pai… vai ser pai…

E o copo? O copo continua meio cheio numa mesa de café.

 

Fortunata Fialho.

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Uma luz brilhante.

Numa casa perdida no meio do campo

Uma criança lê um livro que se desfaz ao toque.

Com toda a ternura e delicadeza tenta que não se rasgue.

Tão precioso como um diamante,

Desenterrado num terreno esquecido,

O livro conta uma história de Natal.

Ainda agora começou a aprender a ler.

Diligente e sofregamente junta as letras,

Decifra as palavras e adivinha as frases.

Os seus olhinhos brilham como estrelas,

Um sorriso de felicidade enfeita o seu rosto.

Cansado adormece e o sonho embala-o.

Sonha que uma árvore cresce na cozinha.

Um Pinheiro pequeno e viçoso surgiu do nada,

Nos seus ramos as pequenas pinhas brilham.

Bem lá no cimo uma luz mais brilhante,

Essa pinha não tem pinhões… tem diamantes.

Diamantes puros e brilhantes como a mais linda estrela.

Levanta a sua mãozinha e tenta tocar-lhe.

Um ruido surge do nada e… acorda.

Corre em busca do seu sonho, da sua árvore.

Um pinheiro pequenino e pobremente decorado espera-o.

No seu cimo uma vela brilha, tímida e encantadora.

Um livro precioso… uma árvore de Natal…

Uma luz brilhante… um sonho tornado realidade…

O menino sorri… é feliz.

 

Fortunata Fialho

 

sonhar-com-crianca
Imagem retirada da internet.

Hoje alguém disse que já tinha iniciado as compras de natal…

Natal da minha infância.

Filha de pessoas sem posses mas ricas em amor cresci numa aldeia pequena muito acolhedora. Como em todas as aldeias alentejanas todos são como família. Ainda hoje os trato como a Ti’ Maria, Ti’ Zefa…. Ti’ Manel, Ti’ Jaquim… Se são todos do meu sangue, claro que não mas serão sempre os tios e tias de todos.

Entre todos os meus tios, primos e avós e os tios de todos nós a ligação era real. Quando alguém necessitava de ajuda todos acudiram. Também quando se tratava da vida alheia também todos tinham algo para dizer, coscuvilhice não faltava.

Não cresci no meio da abundância de bens mas sim numa indescritível abundância de afetos.

Os dias festivos eram muito importantes e nunca deixavam de ser festejados. No Carnaval eram as “filhotes” e os “bêbedos”, na Páscoa as “padinhas” de ervas doces e os “folhados”. No Natal era bastante diferente, além dos doces tradicionais o bacalhau e o peru não faltavam nas nossas mesas. Mesmo os pobres esforçavam-se para que estes alimentos não faltassem.

Na véspera de Natal cada um dos elementos da família colocava um sapato à chaminé. Os adultos adoravam colocar uma bota para provocar as crianças. Coitados dos nossos sapatos ou botinhas ao pé daqueles gigantes.

O “Menino Jesus” durante a noite deixava uns docinhos ou alguma roupa ou calçado de que estávamos necessitados, no nosso sapato (ou ao lado como é óbvio) e era muito frequente os dos adultos aparecerem vazios ou cheios de rama de nabo. Nós delirávamos com o castigo, que tinha sido dado aos adultos, pela sua ganância.

Eram uns Natais perfeitos, as famílias reuniam-se à lareira e o convívio perlongava-se pelo serão fora, a “Missa do Galo” era obrigatória e o frio ou chuva, não impedia a saída para a igreja. Quem não fosse iria ter “sermão cantado” do padre da terra e ninguém queria ouvir tal sermão.

Foram tempos difíceis mas repletos de boas recordações.

Com o tempo, o Natal perdeu a sua essência e passou a ser uma forma de fazer dinheiro ou de obter bens raramente mesmo necessários. Muitas prendas e muita comida e doces nas mesas mas a partilha desinteressada e valor das pequenas coisas cada vez é menor. Por vezes o mais importante é o valor e a quantidade de presentes e o amor e carinho ficam em segundo plano.

Mais vale meia dúzias de rebuçados cheios de amor do que o brinquedo último modelo dado por quem nunca nos acarinhou um ano inteiro.

Tenho saudades do Natal da minha infância, do amor partilhado, das prendinhas sem embrulhos vistosos, da ausência da árvore de Natal, mas com um enorme calor humano.

 

Fortunata Fialho

 

cecilia21
Imagem retirada da internet.

A cor da minha poesia.

Azul… sem dúvida a minha poesia é azul.

Azul como o céu, azul como o sonho, azul como o mar.

Azul… como o sentimento… como o amor.

Azul como o carinho do teu olhar.

Por vezes vermelha de dor, vermelha… como um vulcão.

De um vermelho tão intenso que cega e… onde me perco.

Vermelha… quando ardemos de paixão.

Hoje… amarela, brilhante, como o sol e os seus raios.

Laranja como esta fruta que me delicia.

Verde como os campos na primavera.

Verde como as, frondosas, copas das árvores.

Verde como a relva onde nos deitamos lado a lado.

Cor de mel como os teus olhos, profundos… intensos…

Dourada… prateada… como o brilho das estrelas.

Cintilante… esplendor dos nossos céus noturnos.

Cinzenta e negra como a dor de perder alguém.

Cinzenta como a tristeza… como a saudade.

Negra como um coração maldoso… insensível.

Eu quero uma poesia colorida… alegre… intensa.

Quero uma poesia arco-íris…

Decompor a luz branca e… escrever colorido.

Quero uma poesia plena de cor… plena de amor.

Afinal a minha poesia é… de todas as cores.

 

Fortunata Fialho

 

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Imagem da internet, penso que a sua origem é da Superinteressante.