Embalada por uma brisa.

Embalada por uma leve brisa de vento

Sonhei com o infinito.

Perdida nos meus modestos pensamentos,

Ao som do trinado dos pássaros,

De olhar perdido… ausente…

Olhando as nuvens que se formavam,

Tentei descobrir mundos ocultos.

Entre montanhas de alvo algodão,

Pinceladas por negros lagos,

Tentei encontrar povos desconhecidos.

Criaturas desconhecidas voando ao sabor do vento,

Vidas criadas por sonhos inocentes de crianças.

Criaturas eternamente inocentes… puras.

Habitantes de um mundo feito de sonhos

Onde a maldade foi erradicada eternamente.

Onde as discussões se resolvem com abraços,

Amargos de boca curados com doces,

As lágrimas foram substituídas por risos,

Os gritos por versos cantados.

As tempestades são chuvas de música,

Melodias encantadas… celestiais.

Os rios são puros e cristalinos e dão de beber a toda a gente.

A morte… a morte não existe…

Morrer é renascer num ciclo permanente.

Fortunata Fialho

Rir…

Rirmos juntas foi tão bom… rir de felicidade… rir de verdade.

Sim ri, e em casa todos ouviram e riram também. Rimos… que bom!

Quero rir sempre assim, hoje… amanhã… sempre… rir, sim só rir…

Quero secar meus olhos, fechar esta cascata, triste e sombria.

Tenho que sorrir, deixar o sol entrar, secar estas lágrimas de sangue.

Quero ser feliz, quero acalmar minha dor, quero… ser feliz.

Meu Deus como quero, como tento… já consigo rir por entre as lágrimas.

Como seria bem mais fácil se pudesse ser novamente criança.

Fortunata Fialho

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Quero ser nascente…

Quero ser uma nascente, surgir do nada e, de forma envergonhada, deslizar por entre as pedras. Docemente e de forma quase impercetível avançar, descobrir novos lugares e fazer novas descobertas. Encontrar novas amigas pelo caminho e, juntas, avançarmos.

 Juntas alargarmos e, sem que nos apercebamos, formarmos um regato.

Agora estamos a dar de beber a tantas plantas e animais. Com a nossa ajuda nascem, crescem ondulando ao vento ou correndo por esses campos.

O vento acaricia-nos e, o sol aquece-nos com os seus raios solares. O nosso suor evapora-se e sobe criando lindas nuvens brancas, parecem algodão doce. Garanto, aquelas escuras não foram nossas, devem ser obra de algum outro regato extremamente mal disposto.

O nosso riso ecoa por entre os campos e soa como uma sinfonia de acordes celestiais. Rir é tão bom! Aqui e além surgem pessoas que nos beijam matando, assim, a sua sede. O nosso corpo é composto da mais pura, límpida e fresca água.

Agora somos um pequeno rio e no nosso corpo surgem lindos peixes que dançam ao som do nosso riso. Como qualquer adolescente ansiamos por outros rios que nos completem e, aumentando a velocidade, continuamos à sua procura.

Por fim encontramos e num abraço transformamo-nos num delicado rio de águas cristalinas. Que bom é estar apaixonado e ser correspondido!

Enquanto avançamos juntamos novos amores, novas conquistas e o nosso corpo aumenta. Agora somos um belo rio que anseia por chegar ao mar. Largo e lindo, nada nos pode parar. Sonhamos que somos o centro das atenções.

No nosso seio moram tantos seres vivos, o nosso regaço pulula de vida.

Já matámos tanta sede, irrigámos tantos campos, protege-mos tantas fontes de vida, demos tanto de nós a este céu.

Agora percebemos que não existem regatos zangados, Existem sim, alguns mais calmos e acolhedores e outros mais traquinas e apreçados.

Fomos agredidos e poluídos ao longo do caminho. Quem terão sido os responsáveis? Deviam ser punidos e reeducados. Felizmente também houve quem corresse a ajudar-nos e a limpar toda aquela porcaria e a purificar os nossos corpos.

Avistamos o mar e os nossos braços alargam-se preparando-se para um grande e demorado abraço. No nosso abraço os nossos corpos unem-se e, engraçado, agora não sabemos se o nosso corpo é doce ou salgado.

Somos acolhidos com tanto carinho que nos perdemos na infinidade deste mar tão sonhado.

O nosso corpo torna-se salgado, majestoso e, capaz de carregar com o mundo. Somos um Golias grande e poderoso, usando as nossas ondas para expressar os nossos sentimentos. A nossa majestade revela-se nas nossas mudanças de humor. Somos fonte de vida mas também de morte. Somos criação e destruição. Somos tudo aquilo que desejámos mas também aquilo que temíamos. 

                Não sei se estou feliz ou assustada, afinal eu só queria ser uma nascente… quanto muito um regato.

Fortunata Fialho

💑💐Indiferença…💐💑

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Indiferença magoa. Dói tanto que faz o coração chorar.

Indiferença fere como a mais afiada das espadas.

Indiferente a chuva inunda a estrada.

E eu corro apressada… para te encontrar.

Preciso do teu olhar, do teu céu, da tua luz.

Indiferente… ris e … o meu mundo desaba.

Sorris e… o meu coração bate forte.

Indiferente ao frio que se sente nesta rua, ruborizo.

Indiferente ao perigo… caio nos teus braços.

Indiferente ao meu amor o tempo passa.

Indiferente o tempo avança e o amor enlaça.

Enlaçados os nossos corpos vibram… sobem ao paraíso.

Só teus lábios quero beijar. Só o teu corpo me apetece.

O nosso mundo é o amor e… o resto não interessa.

Fortunata Fialho

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