Sonhando.

escreversonhar

Na suave brisa deste vento que me acaricia, perco-me nos meus pensamentos. Sonhadora sem remédio, que sou, sonho. Sonho que estou num lugar maravilhoso onde só existe felicidade.

Olho as nuvens e vejo lindas figuras desfilando sob o meu olhar. Nuvens que se cruzam, se abraçam e se fundem numa doce explosão de algodão doce. Lindas criaturas efémeras que deslizam como bailarinas no mais encantador cenário.

Os raios solares pintam de cores intensas o azul intenso do céu. Estendem-se até mim aquecendo o meu corpo numa caricia que me percorre como uma promessa de paixão. No calor do seu abraço deixo-me levar e, imóvel, sinto a sensação cálida que me aconchega e me delicia.

Com o olhar percorro os campos e bebo das gotas de orvalho que, milagrosamente, sobreviveram ao calor. Doce frescura com sabor a verde que me mata a sede e me delicia a alma. Num bailado inebriante…

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Melancolia

Olho pela janela e, de repente, uma rajada de vento agita as árvores.

Algumas gotas de chuva caem, tímidas e quentes, levantando poeira.

Ao longe as árvores cobrem-se de mil tons amarelados,

O verde viçoso e brilhante esconde-se envergonhado.

As folhas entristecem e, numa tentativa vã de desespero, escurecem.

Onde outrora o verde era rei agora o amarelo outonal lidera.

O verde não se deixou derrotar e renasce em cada tronco de árvore,

Em cada pedrinha sombria e até no solo húmido.

Um viçoso musgo cobre de tons esverdeados os mais recônditos lugares.

A chuva cai cada vez com mais intensidade mas isso não importa.

O seu molhar ainda é ligeiramente quente e retemperador.

Afinal quem não gosta de caminhar à chuva,

Sentar-se num tronco de árvore e admirar as paisagens?

Sentir na pele o doce contacto da água, fresco e reconfortante?

Sentir o suave toque do musgo que se agiganta, cobrindo tudo em seu redor.

O vento acorda e fustiga o arvoredo soltando as pobres folhas cansadas.

Agora a chuva não é só água, é também chuva de folhas.

Ao longe avistam-se alguns troncos nus que se tentam cobrir de musgo.

Pudicamente, tentam esconder a sua nudez. Tarefa inglória…

É outono e os amarelos pintam as paisagens.

Numa infinidade de lindos tons cobrem tudo o que a vista pode alcançar.

O verde era mais belo? Não sei, o amarelo é deliciosamente tranquilo… encantador.

É outono, os troncos cobrem-se de musgo e o chão de folhas mortas.

Chove cada vez mais e o meu coração é inundado de melancolia…

Doce e terna melancolia que, mesmo assim, me faz feliz.

Fortunata Fialho

Natal da minha infância.

Natal da minha infância

            Filha de pessoas sem posses mas ricas em amor cresci numa aldeia pequena muito acolhedora. Como em todas as aldeias alentejanas todos são como família. Ainda hoje os trato como a Ti’ Maria, Ti’ Zefa…. Ti’ Manel, Ti’ Jaquim… Se são todos do meu sangue, claro que não mas serão sempre os tios e tias de todos.

            Entre todos os meus tios, primos e avós e os tios de todos nós a ligação era real. Quando alguém necessitava de ajuda todos acudiram. Também quando se tratava da vida alheia também todos tinham algo para dizer, coscuvilhice não faltava.

            Não cresci no meio da abundância de bens mas sim numa indescritível abundância de afetos.

            Os dias festivos eram muito importantes e nunca deixavam de ser festejados. No Carnaval eram as “filhozes”e os “bêbedos”, na Páscoa as “padinhas” de ervas doces e os “folhados”. No Natal era bastante diferente, além dos doces tradicionais o bacalhau e o peru não faltavam nas nossas mesas. Mesmo os pobres esforçavam-se para que estes alimentos não faltassem. 

            Na véspera de Natal cada um dos elementos da família colocava um sapato à chaminé. Os adultos adoravam colocar uma bota para provocar as crianças. Coitados dos nossos sapatos ou botinhas ao pé daqueles gigantes.

            O “Menino Jesus” durante a noite deixava uns docinhos ou alguma roupa ou calçado de que estávamos necessitados, no nosso sapato (ou ao lado como é óbvio) e era muito frequente os dos adultos aparecerem vazios ou cheios de rama de nabo. Nós delirávamos com o castigo, que tinha sido dado aos adultos, pela sua ganância.

            Eram uns Natais perfeitos, as famílias reuniam-se à lareira e o convívio prolongava-se pelo serão fora, a “Missa do Galo” era obrigatória e o frio ou chuva, não impedia a saída para a igreja. Quem não fosse iria ter “sermão cantado” do padre da terra e ninguém queria ouvir tal sermão.

            Foram tempos difíceis mas repletos de boas recordações.

            Com o tempo, o Natal perdeu a sua essência e passou a ser uma forma de fazer dinheiro ou de obter bens raramente mesmo necessários. Muitas prendas e muita comida e doces nas mesas mas a partilha desinteressada e valor das pequenas coisas cada vez é menor. Por vezes o mais importante é o valor e a quantidade de presentes e o amor e carinho ficam em segundo plano.

              Mais vale meia dúzia de rebuçados cheios de amor do que o brinquedo último modelo dado por quem nunca nos acarinhou um ano inteiro.

             Tenho saudades do Natal da minha infância, do amor partilhado, das prendinhas sem embrulhos vistosos, da ausência da árvore de Natal, mas com um enorme calor humano. 

FortunataFialho

Imagem retirada da net.

Natal sem sorrisos.

Natal sem sorrisos.

            Num país não muito distante, numa cidade ou aldeia como tantas outras, um grupo de crianças esperava ansiosamente pelo Natal. Os pais, numa azáfama contínua, preparavam diligentemente as festividades. Escolhia-se o pinheiro mais frondoso que lhes pudesse fornecer o ramo mais bonito para ser a sua árvore de Natal. Compravam-se enfeites,enfeitavam-se as casas, confecionavam-se doces especiais e planeavam-se os encontros em família. No ar viajavam aromas que faziam salivar de antecipação o palato de qualquer um.

As crianças espreitavam por todos os cantos das casas na busca desesperada por indícios dos seus presentes. Onde estariam escondidos? Só iriam levantar um pouquinho o papel para espreitar ou chocalhar a caixa e escutar na tentativa de adivinhar o que tinham dentro.

            Não muito longe, num qualquer gabinete, um governante do alto do seu pedestal decidia sobre o futuro de uma nação que podia muito bem ser a nossa. Seguro da sua segurança, longe do centro de qualquer conflito decidia começar as hostilidades com um outro país vizinho, declarou a guerra.

            Faltavam poucas horas para as festividades e olhinhos sonhadores perscrutavam as estrelas tentando vislumbrar o trenó do Pai Natal. Entre risos e brincadeiras inocentes um deles gritou:

            – Olha estrelas cadentes. Talvez sejam os olhos brilhantes das renas. É o Pai Natal com os presentes.

            Todos saltaram de contentamento gritando de alegria e, entre risadas e nervosismo, aguardaram.

            O barulho era estranho e ensurdecedor, as estrelas cadentes caíram, explodiram sobre as suas casas, sobre as suas cabeças… Nas ruas abriam-se crateras, as casas desapareciam envoltas em fogo, gritos de angústia ecoavam pelos ares. De olhares atónitos e incrédulos não percebiam o que se estava a passar.

Algumas das crianças desapareceram… pulverizaram-se. Outras fugiram de encontro… à morte. O sangue cobria as ruas e os seus pobres corpos, os seus familiares não os puderam proteger e, agora, nunca mais os poderiam confortar.

De início choraram depois, as lágrimas secaram, desapareceram levando consigo o brilho dos olhares, a inocência… a pureza. Nos rostinhos morreu o sorriso e um trejeito de dor instalou-se na carinha dos sobreviventes.

            O céu não lhes tinha dado as estrelas, o Natal não era para eles. Os presentes foram a orfandade, a solidão e o sofrimento. Os doces foram a fome e as feridas nos frágeis corpinhos e, sobretudo, na alma.

            Este é o Natal de tantas crianças por este mundo fora, um Natal oferecido por quem não tem piedade, por quem investe em armas e guerra, por quem lucra com a infelicidade alheia.

Pobres crianças, pobres de todos nós que não conseguimos ver a alegria nos rostos infantis.

Um Natal sem sorrisos não pode voltar a acontecer… Cabe a cada um de nós evitar que volte a acontecer.

Natal tem de ser paz, amor, carinho, risos cristalinos e o brilho das estrelas nos olhos de todas as crianças.

Fortunata Fialho

Mais uma participação. O texto apresentado faz parte desta colectânea. 

Horizonte.

Olho pela janela e aprecio a paisagem.

Campos ainda verdejantes,

Manchados de castanho.

Árvores de folha caduca despem as suas vestes.

O sol brilha tornando a paisagem luminosa.

Ao longe, o grande lago,

Parece um pequeno oceano!

Grande lençol de água que a vista não alcança.

Bandos de aves cruzam os ares.

Voam por todo o lado, pousando nas árvores.

Voam folhas levadas pelo vento.

Levam os nossos sonhos a outras gentes.

Os campos mudam a sua roupagem.

O horizonte é o mesmo,

A paisagem diferente.

Continuo a contemplar…

A minha imaginação transforma a paisagem,

Num sonho de amor e calma.

Sinto-me tranquila e feliz.

Fortunata Fialho

Mais uma espreitadela no meu novo projeto.

Finalmente a semana chegou ao fim.

Como não vinha nada cansada e a minha criada não faz nada enquanto eu não chegar, peguei no avental coloquei-o e a minha empregada começou a limpeza da casa.

Empregada trabalhadora esta. Limpou a casa, meteu roupa a lavar e até fez o jantar. Como esta empregada trabalha bem quando meto o avental!

Mal cai no sofá, chegou o resto da família. Esfomeados e a perguntarem pelo jantar, nem deram conta de que o cansaço era mais que muito. Por vezes gostava que alguém se lembrasse de me ter mandado uma mensagem a dizer: Não precisas de fazer o jantar, eu levo. Ou então: Hoje vamos jantar fora.

Agora estou a cair de cansaço e de sono. Quero ver aquele filme que vai dar na televisão, de que tanto ouvi falar, mas não sei se me vou conseguir manter acordada. Escrever em ti está a ajudar, pelo menos ainda não adormeci e tu és uma óptima companhia.

Lamento, companheiro, mas vou fechar-te e volto a estar contigo, se puder, amanhã.

Não deixes que te abram, não reveles os meus desabafos. Não quero que divulgues os meus pensamentos e angústias. Não quero … não preciso… esquece é o sono a falar mais forte.

Está tanto frio!

Fortunata Fialho

Ler e Sonhar

escreversonhar

Ler um bom livro é transportarmo-nos para

Uma realidade alternativa,

É viver o sonho de outras pessoas,

É sonhar como elas mas, de forma diferente.

Quando leio sonho,

Sonho que percorro campos que nunca vi,

Que voo sem saber voar,

Que nado apesar de nadar pouco.

Quando leio posso ser aquela sereia,

Aquela árvore centenária que protege a floresta,

O rio que protege um mundo de fábulas,

A ponte que liga o real ao imaginário.

Recuso identificar-me com o mau da história

Mas gosto de me identificar com os traquinas.

Ler é partilhar e aprender,

É conhecer vidas nunca vividas,

Ler uma história a uma criança é voltar a ser criança.

Ler Camões é viver o passado.

Ler Jorge Amado é conhecer parte do Brasil.

Ler Júlio Dinis, Fernando Pessoa, Fernando Namora,

E tantos outros autores Portugueses,

Reviver tempos, crenças e usos dos nossos antepassados.

Ler autores atuais como José Rodrigues…

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Mar, tranquilo mar.

Nostálgico caminha sem rumo.

Pensativo deixa-se levar.

O barulho da cidade está cada vez mais longe.

Caminha envolto em tristes pensamentos.

Finalmente a quietude… o silêncio.

Uma gaivota soa ao longe.

Uma leve e fresca maresia acaricia o seu rosto.

Uma lágrima, salgada, sulca-lhe a face.

Seus olhos tristes, azuis como o mar, perderam o brilho.

Subitamente, seus pés pisam o areal.

Grãos finos abafam os seus passos.

Cansado repousa no Areal.

Ao longe o mar compadece-se,

Movimenta-se em suaves ondas…

Num concerto mágico acalma-lhe as mágoas.

Suavemente movimenta as conchas

Depositando-as a seus pés.

Uma criança acerca-se e, pegando num búzio, diz:

-Escuta o som do mar, é lindo e doce.

O seu sorriso, brilhante, irradia felicidade.

Ingénua, pura, ternurenta… que linda criança!

O mar salpica-lhe o corpo e uma mãozinha acaricia a sua.

No seu rosto, triste, desenha-se um sorriso…

O azul dos seus olhos adquire o brilho do mar…

A tristeza desfaz-se como a espuma das ondas…

A tranquilidade acaricia- lhe o coração…

Feliz… brinca na praia, apanha conchas,

Escuta os búzios, chapinha na água …

E… envolto em maresia… regressa feliz.

Fortunata Fialho

Um momento de tranquilidade.