“Quero um poema…”

Embalada por uma leve brisa de vento poema…
Sonhei com o infinito.
Perdida nos meus modestos pensamentos,
Ao som do trinado dos pássaros,
De olhar perdido… ausente…
Olhando as nuvens que se formavam,
Tentei descobrir mundos ocultos.
Entre montanhas de alvo algodão,
Pinceladas por negros lagos,
Tentei encontrar povos desconhecidos.

(…)

Fortunata Fialho

Aventura.

Acordar é uma aventura, viver é a maior de todas.

Dormir é um mergulho no abismo.

Hoje… ao acordar o mundo estava negro

Ou seria o meu coração que o escurecia?

No meu rosto uma lágrima corria.

Sonhei com minha mãe e as duas riamos.

Os seus netos… todos crianças pequenas… brincavam.

O sol brilhava intensamente e éramos felizes.

De repente o sol desapareceu… vestiu-se de negro.

Procurei-a e não a encontrei… as crianças choravam.

Não percebi… na minha cabeça apenas três palavras:

A minha aventura terminou.

Cresceu… riu… passou fome… amou… deu-nos a vida.

Amou-nos e apoiou-nos e… no fim sofreu…

A sua aventura não teve um final feliz.

Esta noite subi ao sol e mergulhei no abismo,

Fui feliz por a ver a meu lado… sofri por ser só uma ilusão.

Viver é uma aventura, uma aventura com um só fim: morrer.

Quero viver e ser feliz mas por vezes a saudade aperta,

A alma dói e faz-nos sofrer.

O povo diz: O tempo tudo cura. Loucos… insanos…

O tempo passa e as feridas não saram… sangram…

Hoje estou triste e o sorriso surge pobre… sombrio.

Fortunata Fialho

Sinto…

escreversonhar

Sentir, quem não sente?

Pego na caneta e sinto uma vontade incontrolável, de escrever.

Viver vidas que não são minhas mas por mim vividas.

Descrever sonhos mesmo que sejam irreais.

Voar como um pássaro… sem levantar os pés do chão,

Cruzar o universo… de dentro do meu quarto,

Conhecer muitos planetas… sem sair da Terra.

Encontrar novas formas de vida… partilhar os meus sonhos sem um único som.

Viajar no tempo… só com um simples pestanejar.

Ser rainha… mesmo sem trono ou reino.

Ser plebeia sem passar fome… mesmo sem trabalhar.

Colher as estrelas como se fossem as flores do meu jardim.

Enfeitar as minhas noites com o brilho dos pirilampos.

Colher mil frutos diversos da árvore do meu quintal.

Cobrir o meu corpo com um manto de seda brilhante como o luar.

Amar sem pudor numa entrega total.

Sentir todo o prazer do mundo em ondas de felicidade sem…

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Reflexo.

Na beira de um rio uma criança olha o seu reflexo.

De olhar iluminado pela surpresa, agita a água.

A água brinca com a sua imagem,

Desliza e foge levando o seu reflexo,

Lentamente devolve o reflexo do seu rosto.

Um raio solar ajuda na brincadeira,

Projeta-se na água calma e ilumina aquele rostinho.

A criança ri de contentamento e surpresa.

Como pode estar um espelho no meio do riacho?

Deve ser magia! Só pode ser magia.

Eleva o olhar e repara no reflexo do sol numa gota de orvalho.

Sob os seus olhos brilha o mais belo diamante,

Um diamante líquido e efémero que brilha como o seu olhar.

Salta e grita de felicidade, ri numa saudável loucura,

O mundo é seu e o sol brilha só para ele.

No reflexo dos seus olhos vive toda a felicidade.

No reflexo dos seus olhos mora o mundo.

O sol reflete-se no riacho projetando raios,

Lindos raios coloridos que enfeitam as folhas,

As flores, os animais… os brinquedos.

Sim os brinquedos tinham tons de arco-íris.

Nunca tinham sido tão bonitos.

Cansado, olha os reflexos no riacho…

De sorriso no rosto adormece e sonha…

Sonha que viaja num raio de sol

Feito barco no riacho que corre.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

Carta de um não pai.

escreversonhar

Carta de um “Não Pai”

Lê até ao fim por favor.

Sei que fui um “Não Pai”.

Não partilhei o teu mundo.

Hoje tenho pena e vivo na dor,

Dor do que perdi …  dor por tudo.

Fugi … quis aventura.

Não criei amarras.

Estou velho, só e … vazio.

Não posso corrigir os meus erros.

Sonho… e sinto a tua dor.

Não me perdou … não me perdoes.

Pensei que vivia intensamente.

Criei … Criei nada, criei vazio.

Sinto-me oco, sinto que nada fiz.

Tudo o que importa perdi.

Perdi-te e não te encontro.

Perdi-me quando te abandonei.

Perdi-te e … não te mereço.

Daquele que te queria ter amado:

Teu: “Não Pai”

Fortunata Fialho

estudo_capa_completa_simplesmente historias (2)

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“Simplesmente Histórias…” foi assim o dia do seu lançamento.

Como calculava não consegui dormir nada de jeito. De manhã estava em pânico, até chorei e tudo, como é que me iria aguentar sem nenhuma orientação? Tudo me parecia assustador e impossível de resolver.

O meu sistema nervoso estava a entrar em rotura. Por fim fechei os olhos e pensei:

– Tens de parar, não podes voltar a traz, afinal todos os dias enfrentas diversas plateias e nem por isso te acobardas.

Não podia voltar as costas, tudo estava marcado e a única saída era seguir em frente. Respirei fundo e tentei olhar para o lado positivo. Afinal éramos três e entre nós haveríamos de resolver a situação.

De repente lembrei-me de que precisava de dinheiro trocado e passei, rapidamente pelo banco, e troquei algum.

Com o dinheiro no bolso voltei para casa. Pelo caminho tentei delinear uma estratégia. Já com uma ideia do que deveria ser feito, almocei, tomei um duche calmante e comecei a distribuir trabalho. O meu marido seria o tesoureiro. Ele olhou para mim e nem teve coragem de responder, o meu tom era tão decidido que ele aceitou.

Chegados ao locar juntámo-nos as três e decidimos a ordem das nossas intervenções. Felizmente tivemos a colaboração do Senhor Vereador e, com o coração nas mãos aguardámos pelos convidados. Parecia que ninguém vinha, o tempo passava e a sala quase vazia.

Meu Deus que fiasco!

De repente a sala começou a encher e amigos e familiares continuavam a chegar.

O meu rosto iluminou-se e o lançamento começou.

Discursos emocionados, lágrimas que colhiam as palavras, e corpos crédulos, tudo acabou por correr muito bem.

Entre felicitações, beijos e abraços, foram distribuídos autógrafos e muitos sorrisos. Que bom é termos amigos e uma família que nos acarinhar.

Curioso! A primeira pessoa a surgir foi um completo desconhecido, muito simpático por sinal. Quem diria?

De regresso a casa a tranquilidade voltou e finalmente pude respirar de alívio. Foi um dia em cheio e, neste momento, sinto que valeu a pena.

Estou de rastos mas… valeu a pena.

Fortunata Fialho