Em “Simplesmente… Histórias”

Era o medo o que nos vinha acariciar naquele banco de jardim

As tuas palavras, cortantes como punhais, dilaceravam mortalmente:

‘’Recebi ordens, tenho de partir, embarco já amanhã.’’

As lágrimas queimavam-nos o rosto… as vozes silenciaram-se.

Olhámo-nos intensa e demoradamente… quem sabe se pela última vez.

Tantos voltavam envoltos em mortalhas, frios e inertes… corpos sem vida.

Que medo devastador… abraçámo-nos e, em silêncio caminhámos.

Era a nossa última noite, uma noite que teria de ser eterna, perfeita… inesquecível.

Nessa noite o mundo parou, as roupas caíram e os corpos fundiram-se.

Nunca os nossos sentidos foram tão intensos… nunca fomos tão plenos.

Cada segundo valia uma vida, cada carícia penetrava mais fundo.

Céus, como os nossos corpos encaixavam envoltos na mais sublime das paixões.

A tua pele era a minha pele, o teu suor o meu suor, a tua carne a minha carne.

A manhã chegou e encontrou-nos envoltos, um no outro, como um corpo só.

Olhámo-nos e chorando, sorrimos, tinhas que partir …

As forças faltavam-nos e o abraço continuava. O medo voltara numa carícia incandescente.

Queria ficar contigo marcado em mim até ao teu regresso… e… fiquei.

Ainda sinto o teu toque, o teu cheiro, os teus sussurros e… espero o teu regresso.

Hoje voltaste, a felicidade envolve-nos e o medo que nos acariciava morreu.

Fortunata Fialho

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