Lembro.

Lembro

Lembro o tempo em que nos banhávamos juntos,

Em que os nossos corpos se incendiavam rebeldes,

Nos amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.

Fecho os olhos e consigo ver o teu corpo desnudo,

Sinto o suave acariciar das tuas mãos,

O doce calor dos teus lábios percorrendo o meu corpo.

Lembro as entregas totais aos nossos sentidos,

As frases banais cheias de sentido,

As promessas eternas que se esqueceram com o tempo,

Os olhares incendiados, esfomeados… sensuais.

Lembro a sensualidade do teu corpo,

O inebriante cheiro da tua pele,

A intensidade o teu desejo no meu desejo.

Lembro as noites tórridas e os dias apaixonados.

Lembro quando nos deitávamos amuados

E acordávamos abraçados.

Lembro os beijos doces, as carícias marotas,

Os corpos em desejo, a entrega total,

A explosão final e o abraço do repouso.

Fortunata Fialho

Paixão

 Estou louca… louca de desejo…

A água corre e desliza pelo teu corpo.

Lentamente retiro as minhas roupas.

Tu não vês… entro e, lentamente abraço o teu peito.

A água tépida acaricia-nos mas não acalma este ardor.

Bebo as gotas no teu corpo e mato a sede de ti,

Mordisco a tua orelha… e segredo…

Quero ser tua… quero que sejas meu.

Enrolo as minhas pernas nas tuas,

Lentamente acaricio cada pedacinho da tua pele.

Tu todo és mãos, boca e desejo,

Corpos incendiados pelo desejo… ardem.

Fogo que se alimenta os nossos fluidos.

Que tentamos extinguir com os nossos beijos.

Tentativa inglória…

Mega vulcão… em orgásmica explosão…

E a água lava o nosso suor e acalma…

Acalma o desejo e, numa caricia húmida,

Traz-nos de volta e num abraço

Segredo-te ao ouvido…

Obrigado.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

“Simplesmente… Histórias.” Contracapa.

Leitora assumida, como diz meu esposo, devoradora de livros. Escrever e ler proporciona-me felicidade, sonhos e viagens imaginárias. Quando escrevo ou leio sinto-me transportada a mundos diferentes, parece que esses mundos podem ser meus, mesmo que seja somente nos meus sonhos. A escrita e a leitura envolvem-me em magia. Com elas sou criança novamente, viajo no mundo da fantasia, vivo nos contos de fadas e, sobretudo, sonho acordada.

Um bom livro preenche a alma e acalma o coração.

Esta sou eu, com todos os defeitos e as qualidades de uma pessoa comum, no entanto eu sou… eu, única e real.

Fortunata Fialho

“Sentidos ao Vento (Momentos)”

Horizonte

Paro o carro e olho o horizonte.

Estou cansada e recosto-me no banco.

Fixo os olhos em tudo o que me cerca.

Os campos estão verdes, tudo parece renascer.

Parece que um pintor andou a brincar com Cores.

Cansado de tanto verde,

Pincelou-o aqui de amarelo,

Ali de lilás, acolá de vermelho,

Branco, roxo…

Brincou com os tons do próprio verde,

Acrescentou castanhos, cinzas,…

Criou a paisagem mais bela de que me lembro.

Olho para cima e só vejo azul.

Entretanto, como o pintor,

Começo a brincar com os azuis.

Acrescento algumas pinceladas brancas.

O céu torna-se mágico.

Nele posso ver tudo o que quiser.

Continuo a olhar e tento reter tudo.

Quando estiver triste

Vou recordar a paisagem,

 Vou sorrir de felicidade.

Fortunata Fialho

“”Quero um poema…””

O mundo é meu.

Tenho uma certeza… o mundo é meu.

Estou louca… sim estou louca, loucamente apaixonada.

Hoje acordei e o sol brilhava muito mais,

Os pássaros treinavam em plena alvorada.

As nuvens tinham brilho de prata e reflexos de diamante.

Não tenho muitos bens materiais mas… tenho o mundo.

Estou apaixonada e o mundo está nos teus braços,

Nos teus beijos… no teu corpo…

Não dormi mas sonhei… sonhei com o infinito…

E fui muito mais além… numa viagem interestelar.

Juntos subimos aos céus e conquistámos as estrelas.

Quem pode não acreditar? Somos amantes.

Somos donos do nosso mundo e… o mundo é nosso.

Vou gritar bem alto que o mundo é o nosso regaço.

Grito todo o amor do mundo… e o mundo é meu.

O nosso mundo é pequeno mas infinito.

A nossa cama é o oceano onde me afogo,

Um vulcão em erupção,

Uma pradaria onde nos amamos.

Não dormi mas não tenho sono… sou feliz.

Hoje só vejo brilho e luz, amor e paz…

Por tudo isto eu sou dona do mundo.

Sim… o mundo é meu.

Fortunata Fialho

Mais em “Quero um poema…”

Palavras e lágrimas

Quando o coração sangra as palavras choram…

Envoltas em lágrimas deslizam, pelo rosto, em cascata.

Sentimentos escrevem frases em revoltosos riachos.

Mudas e sentidas as palavras jorram,

Dores, envoltas em espuma, vaporizam-se.

Um caudal violento transporta mensagens de um amor ferido,

Um amor que está perdido e se afoga,

Um amor, apesar de tudo, ainda vivo.

Frases de socorro emergem das águas e… gritam.

Gritam por ajuda… gritam de desespero… gritam de angústia.

Um amor que tenta sobreviver… ameaçado de morte…

Apela, desesperado, por uma palavra amiga.

Colhe, no caudal de letras, um poema e sopra-o ao vento.

Mensagem enviada nas asas da esperança…

A uma alma confusa, envolta em sombras, com um raio de luz.

Talvez a encontre e ilumine… talvez a faça acordar…

Talvez o amor volte e o riacho acalme…

Talvez esta cascata mergulhe num lago de alegria e doçura,

E todas as palavras se juntem num doce poema de amor,

E da cascata deixem de cair lágrimas de dor e…

Se transforme numa explosão de frases de amor.

Talvez sequem as lágrimas e…

nos rostos… brilhem diamantes.

Fortunata Fialho

É triste

A vida pode ser um poema triste,

Um poema desilusão, um poema dor…

Um livro escrito, para alguém, em pura poesia,

Uma poesia feliz… poesia feita amor.

Páginas e mais páginas incentivo,

Paginas aceitação… páginas compreensão.

Escrito com alguma dor feita sorriso,

Tristeza escondida para alegria e amor.

Livro mal lido, livro incompreendido.

Livro retribuído com palavras em fundo escuro,

Livro reflexo de dor.

Livro poesia dura, poesia intolerância…

Livro amarras, livro incompreensão.

De páginas ásperas, agressivas… intolerantes.

Livro censura, livro desamor…

E o livro amor luta e anseia.

Anseia no outro ler amor.

E nas noites tristes deseja que ele deixe…

Deixe que os dois sejam poesia feliz com amor.

Fortunata Fialho

Imagem da internet, penso que a sua origem é da Superinteressante.

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia…

Escreve-me de todas as formas.

Escreve-me com beijos e rima-me com carícias.

Transforma os meus gemidos em poemas,

Envolve meus seios em quadras,

Transforma o meu ventre em sonetos.

Destrói os meus medos em sátiras,

Chove-me em gotas de rimas.

Transforma as minhas lágrimas em poemas de amor,

Os nossos orgasmos em vulcões de odes ao divino.

Os momentos mortos em poemas de paixão,

Os dias em epopeias versejadas,

Os segundos em viagens de poemas.

A vida em enciclopédias poéticas,

A dor em poema triste,

A felicidade em declarações poéticas.

Ama-me em ondas de poesia,

Segredo-me aos ouvidos poemas divinos.

Beija-me com palavras de amor.

Envolve-me em ti, minha poesia.

Torna-te o meu eterno poema apaixonado,

O meu poema eroticamente sonhado…

Deixa-me ser para sempre a tua poesia…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet

Lágrimas em “Quero um poema…”

Lágrimas

No seu rosto correm lágrimas

Como gotas de orvalho, deslizam imponentes.

Sobras de um mar que oculta a visão,

Nascidas da mágoa e da dor.

Neste rosto de criança correm ligeiras.

Caiu? Que perdeu? Não…

Apenas o seu mundo ruiu.

Criança órfã crescendo no medo.

Criança vitima, criança tristeza…

Criança sem sorriso, criança tristeza.

Vive sob um rio de lágrimas de leito cinzento.

Num oceano de dor e que não conhece o sol,

Nunca cheirou uma flor, nunca escutou um trinado.

Criança sem teto crescida no horror.

Criança poema negro… criança pesadelo.

No seu mundo não há sonhos de encantar.

Criança sem saber sonhar.

Criança lágrima, criança dor… criança guerra…

Criança que… deveria ser só amor.

Fortunata Fialho