Tropeço.

Tropeço.

No regaço um monte de livros,

Amigos incondicionais num abraço.

Pelo corredor caminhei,

Assim às escadas cheguei.

Os pés esses não conseguia ver,

Os degraus, delicadamente tateei.

Um dos degraus falhei,

O corpo tombou, os livros voaram…

Pobres amigos, alguns se desfolharam.

Ingratos… não me ajudaram,

Na queda o corpo magoei.

Em cima deles aterrei,

Nas suas folhas soltas escorreguei,

Nas suas lombadas travei.

Não pensem que fiquei zangada,

Prontamente as lágrimas sequei,

 As roupas alinhei e, pacientemente…

Os livros abracei.

Pobres amigos, tortos desfolhados,

Tal como eu lesionados.

Nos braços os coloquei,

De fita-cola me armei e,

Delicadamente os curei.

Nos meus joelhos uns pensos,

Nos cotovelos umas ligaduras,

No corpo um balsamo.

No regaço um livro aberto.

Nesse mesmo momento comecei a ler…

Assim a dor pude esquecer.

Fortunata Fialho

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