Obrigado. 😉 “Poesia Colorida”

Obrigado

Obrigado à vida que vivi.

Obrigada aos meus pais que me conceberam,

Obrigado por me terem educado como o fizeram.

Obrigado pelo carinho e amor que me deram.

Obrigado ao sol por nascer todos os dias,

Obrigado à noite que me aconchega.

Obrigado ao vento que me acaricia,

Obrigado à água que me refresca.

Ao amor que me completa um obrigado apaixonado,

Aos sorrisos dos meus filhos eu agradeço.

Obrigado por todos os beijos apaixonados,

Obrigado a todos os beijos babados.

Obrigado pela minha felicidade e pela minha paixão.

Obrigado pelas noites de paixão e pelos orgasmos a dois.

Obrigado pelos vossos abraços e pelos ombros amigos.

Obrigado por secagem as minhas lágrimas,

Obrigado pelas palavras de consolo.

Pelo brilho dos meus olhos agradeço às pessoas que me amam.

Por tudo o que de bom me aconteceu um grande obrigado.

A tudo que de ruim vivi, também agradeço,

Também isso me fez crescer como pessoa.

Obrigado… por tudo, obrigado.

Fortunata Fialho

Tenho pena. 🌈”Poesia Colorida”

Tenho pena

Tenho pena pelos erros que cometi mas não os quero apagar.

Foi a acertar mas também a errar que cresci.

Tenho pena das viagens que nunca fiz,

Dos livros que nunca li,

Das trocas de opiniões que nunca disse,

Das gargalhadas que nunca dei.

Tenho pena de ter calado tantas vezes o que sentia,

Podia ter mudado tantas coisas na minha vida.

Não tenho pena do quanto amei, só tenho pena de ter cedido demais.

Não lamento o quanto de mim dei aos meus filhos.

Voltaria a fazê-lo de novo sem olhar para trás.

Só lamento o que deixei de fazer por mim.

Dos sonhos que adiei e nunca confessei, dos desejos que nunca realizei…

Os anos passaram… os filhos cresceram… eu envelheci…

Mas os sonhos, ai os sonhos, nunca desapareceram.

Tenho pena de deixar morrer os meus sonhos,

Vou lutar por eles até as forças se esgotarem…

Ou o tempo… quem sabe?

Deixar de sonhar é… morrer e…

Eu quero viver.

Fortunata Fialho

Prefácio do meu novo livro. Obrigada Alberto Cuddel.

Prefácio

Antes de mais é uma honra e um privilegio ter sido convidado a ler esta obra em primeira mão, esta obra, em que mais do que pintar a poesia (Poesia Colorida) a autora Fortunata Fialho, professora de sua profissão, nos mostra como pintar a vida, a que vemos e que sentimos. Ler esta obra poética, mais que olhar o mundo pelo olhar do autor, é despir-se de emoções e ideias preconcebidas, é estar aberto a novos olhares, a novas cores, é estar disposto a contemplar a alvura da noite, pelo olhar de um cego. Ler poesia é saber pintar na alma com novos pinceis, outras paisagens.

Pensei varias vezes em seguir um padrão habitual, cronológico, mas como um livro de poesia não deve ser lido, mas ir-se lendo, permiti-me deambular pelas paisagens habilmente pintadas pela autora, e deixar-me surpreender pela beleza, pela analogia, pelas metáforas, e eis que me deparo com um poema que me transporta dali, numa clara associação de pensamentos dou por mim a lembrar São Francisco de Assis, tudo é tao perfeitamente simples quando amamos o que é natural, com a naturalidade de estar grato pelo dom da vida:

“Obrigado ao sol por nascer todos os dias,

Obrigado à noite que me aconchega.

Obrigado ao vento que me acaricia,

Obrigado à água que me refresca.

Ao amor que me completa um obrigado apaixonado,”

Nesta obra a autora além de pintar paisagens como o seu Alentejo, Fortunata Fialho pinta essencialmente sentimentos, estados de alma, pinta as gentes, a dor e a terra:

“Onde cada porta se abre a quem vier por bem.

Terra de brandos costumes e corações imensos,

Onde com abraços, pão e vinho se acolhem as gentes.

Alentejo, terra linda, de gentes tranquilas e amáveis.”

Na sua poética muito centrada na observação do mundo, no sentir que se abre na translucidez da alma onde as cores se misturam com as palavras, onde a outrora faz da alva folha tela de sentires em cores do arco-íris, levando o leitor ao êxtase do sonho, ali diante dele, numa realidade nua, onde os astros me imiscuem no peito:

“Um mundo colorido com laivos de carinho,

Vermelho de luz, amarelo de sol,

Azul como a doçura líquida da água.

Verde como os campos renascidos,

Preto… coberto de estrelas,

Prateado como os reflexos da lua,

Ternurento como as mãos rosadas de uma criança.”

Passamos pelo tempo, com um amigo, este amigo que nos fala, ler um livro de poesia é travar uma íntima discussão connosco mesmos, é um monologo interior segundo a nossa vivencia e conhecimento, e nisso a autora também nos acorda para realidade, chama a nós a vida, os problemas reais que existem ali, bem ali diante de nós, como a discriminação, como a exploração, a violência domestica e suas consequências:

“O povo criticou, hostilizou e disse, “ Desenvergonhadas”

Elas fingiram não ouvir e continuaram.

Os homens assustaram-se e tentaram pará-las.

Então um disse, “ Ganharam o meu respeito”

E a ele outros se juntaram e novamente coabitaram.”

Nesta paleta de cores não conseguimos dissociar a poesia da realidade, dos sentimentos profundos, da arte de sentir, da essência da vida, e nisso a autora quebra tabus linguísticos, escrevendo com todas as cores a arte de amar e do prazer:

“Amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.”

É por tudo isto e por todas as cores que estou grato, que mormente agradeço o enorme privilégio de ter lido e continuar a ler esta obra poética, parabéns Fortunata Fialho, este não é mais um livro de poesia, mas sim uma tela onde com palavras simples pintaste a vida.

Alberto Cuddel

Tempo. “Poesia Colorida”

Tempo

O tempo não tem idade… não sabe onde nasceu.

O tempo é órfão e não sabe.

O tempo é Deus… é saudade…

É Fénix renascendo sempre que se fina.

É imortal… intemporal… eterno.

O tempo tarda… o tempo foge…

Espirito indomável… amante ciumento,

Possessivo, intenso… doce e terno.

Tempo dos amantes… terno e apaixonado,

Tempo dos inocentes… ingénuo e sonhador.

O tempo é criança traquina e apressado.

O tempo é velho… sábio e sensato.

O tempo é meu e não me pertence.

Traidor inclemente passa e não se detém.

Teimoso insensível, nunca volta atrás.

Lento e indolente, teima a tardar,

Rápido foge e não se deixa apanhar.

O tempo não tem tempo… que estranho!

Por vezes corre, outras é tão lento… que raiva!

Quero o meu tempo para te dar tempo,

Para isso preciso do tempo que o tempo não dá.

Tempo (in)justo, (in)clemente, padrasto… pai…

Acalma-te não te apreces, ainda tens muito tempo…

Sossega, descansa… passeia por aqui.

Tempo não me deixes… preciso de ti.

Fortunata Fialho

Gafanhoto, em “Sentidos ao vento (Momentos)”

Gafanhoto

Ontem, no meu quintal

Fixei-me num gafanhoto.

Estava empoleirado numa folha,

Quando eu olhava, ele rodava.

Eu mexia a cabeça para a direita,

Ele rodava para a esquerda.

Virava a cabeça para a esquerda,

Rodava para a direita.

Na sua ingenuidade de inseto

Pensava estar invisível ao meu olhar.

Continuamos no jogo das escondidas.

Eu sorria e estava encantada,

Ele, pelo contrário, devia estar saturado.

Fartou-se e saltou,

Eu saltei também.

Não é que o bicho saltou direito a mim!

Pregou-me um pequeno susto

E desapareceu do meu horizonte. 

Fortunata Fialho

Nós. 😉”Quero um poema…”

Nós.

Num mundo como o nosso em que impera o Eu,

Em que só o Eu importa e se preserva a qualquer custo,

O outro não interessa… pode simplesmente esfumar-se.

Neste mundo egoísta esquecemos que somos uns Nós.

O mundo existe por nós… para nós…

Quando o sol brilha é para todos nós… quando se põe é para todos nós.

Quando chove, quando neva, quando faz calor, quando faz frio é para todos nós.

Com o Eu nada avança, com o Nós o mundo evolui vertiginosamente.

Unidos somos força viva, sozinhos… uma gota no oceano.

Nós fizemos coisas maravilhosas e cometemos atrocidades incríveis.

Nós somos o mundo… mudamos o mundo… cometemos erros e… corrigimo-los.

O Eu pensa que é o mais importante… o rei ou até Deus.

O Nós destrona-o e mostra-lhe o seu real valor…

Nós é quem realmente importa…

O Nós é pleno de poderes… melhor que qualquer herói.

Tem poderes infinitos… só temos de acreditar nele.

Eu, por mim, serei sempre um Nós…

Fortunata Fialho