Uma nova poeta no palco nacional: Maria Cravo.

Prefácio

Antes de mais um grande obrigado pela honra da primazia na leitura de uma obra onde a arte da escrita se mistura com a pureza dos sentimentos.

Li e reli, todos os poemas na tentativa de me conseguir limitar na escolha de algumas passagens, de entre tantas, que me deixaram aquele arrepiozinho especial que só quem se encanta com algo pode explicar.

O seu encanto pelo mar e a calma que este lhe proporciona está bem visível nos seus textos. Que bom foi encontrar esta belíssima passagem:

“Abro os olhos e o mar cabe neste olhar.

Aquático, azul, frio, tão perto e distante,

Escorre em mim o sal dele e meu.”

            Novamente me vejo transportada a uma contemplação de um, não sei bem se um nascer ou pôr-do-sol, que se materializa como uma paisagem real:

“O horizonte tem agora a cor de fogo

E o mar flameja a ouro e prata.

Observo e deixo-me levar,

Passando a coragem pelo rosto.”

            Como se fosse minha, senti a dor da ausência que transpareceu nos seguintes versos:

“Que vazio infinito!

Diariamente e Sempre!

Ouço a tua ausência,

Sigo triste o teu olhar.

Dialogo contigo noite dentro,

E depois, vejo-te partir.”

            Com mestria faz transparecer a sensualidade de quem ama placidamente, saboreando cada momento.

“Enlevo-me na leveza dos teus pés,

Na música desenhada no teu corpo,

Na imaterialidade do momento.

Desejo perpetuar tanta beleza!”

            Subitamente senti-me envolta num amor e ternura em que, só quem continua amando quando a loucura da paixão inicial se apaga, tenta fazer de cada momento o rejuvenescer de um amor que deve resistir à passagem do tempo.

“Devagar, aproveitamos todas as migalhas.

Devagar, fruímos todos os instantes.

Devagar, penso em nós,

Sorrindo sempre.

Devagar, renovamos nossos votos.

Devagar, meu amor, devagar,

Porque nós somos eternos.”

            Quando, subitamente, me deparei com:

“Hoje, aqui, me assumi em soma

Do que fui, do que sou, do que ainda não.

E no espelhar da água inteira estou

Na simples conta de adição.”

Fiquei a pensar em tudo o que me fez crescer como pessoa, em tudo o que vivi e ainda viverei e a verdade é que somos a adição de experiências, a multiplicação da espécie, dividimos carinhos e atenção… Só não consegui encontrar a subtração a fazer-me crescer, subtrair é morrer.

            De alma cheia de amor e carinho retrata maravilhosamente o amor que uma mãe tem pelos seus filhos, um amor imenso que nunca se gasta e se multiplica por quantos filhos tenha.

“Ser mãe é ter colo, abraço, beijo.

Meu coração é sempre um berço,

E mesmo que desfeito, pulsará fora do peito.”

“Chegaste num beijo azul de mar!

Trazias ao peito o jeito de amar

E a calma solene da paz indizível.

Abraçaste-te em mim e ficaste.”

            Quando li o poema sobre o reencontro, quem sabe no além, com os entes queridos.

“Chegada a minha hora, entregar-lhe-ei a estrela que me deu

E juntos dormiremos álacres, porque não há mais para dizer.

Depois, alguém cantará uma canção, dirá um verso, uma oração

E essa será a nossa hora, e em esperança esperaremos.”

Uma lágrima deslizou no meu rosto e também desejei esse momento em que nunca mais voltarei a ter saudades daqueles que a morte me roubou.

            Muito mais tinha a dizer mas deixo o prazer de muitas mais descobertas aos leitores.

             Muitos parabéns, Maria Cravo, por esta obra que irá tocar o coração de todos os leitores e sim, pertences aqui como reflete a tua poesia.

Fortunata Fialho

Sim… acredito

Sim… acredito

Sim, acredito que o mundo poderá ser bem melhor,

Que os rios, mares e oceanos podem ficar limpos,

Que os campos se cobrirão de verde, sem flores de plástico.

Sim acredito que as guerras irão acabar e a felicidade irá voltar.

Que os animais jamais se extinguirão.

Que as plantas sempre irão florescer ricamente perfumadas.

Sim acredito que o amor contagia.

Que os corações duros podem ser suavizados.

Que por todo o lado ecoarão gargalhadas,

Que os olhos brilharão como estrelas,

Que nos lábios permaneça um eterno sorriso.

Sim acredito que em cada criança só exista amor e felicidade,

Que nenhum idoso será abandonado,

Que todos viverão saudáveis até ao momento de partirem.

Sim acredito que o sonho será uma constante em cada um,

Que a noite não trará mais pesadelos, só sonhos.

Que os sonhos sejam belos e coloridos,

Plenos de amor e esperança.

Sim acredito… talvez ingenuamente… mas acredito…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

À luz da poesia.

À luz da poesia.

À luz da poesia revelam-se sonhos e quimeras.

Como a chama de uma vela, sombras irreais criam magia.

Pelos olhos desfilam mundos fantásticos… (i)reais.

À luz da poesia não existe frio e o calor só acaricia.

Todas as sombras se enchem de luz e os corações brilham.

Brilham intensamente, irradiando inocência e esperança.

Iluminada por essa luz imensa sonho…

Sonho com mundos encantados, céus de mil cores,

Campos cobertos de diamantes gotas de orvalho.

Campos verdejantes até onde a vista alcança… e mais além.

Verdes salpicados de mil flores arco-íris… mágicas… fantásticas…

Riachos de águas frescas e cristalinas matam a sede.

Nas suas águas refrescam-se corpos envolvidos pela sua carícia húmida.

À luz da poesia os amantes são mais amantes,

A pele mas sensível, os beijos mais intensos.

E os orgasmos? Ai esses são puramente divinais.

À luz da poesia não tenho idade… nem fronteiras.

Sou pura e inocente como uma criança…

Sábia… vivida… feroz… protetora…

Doce e ardente como a paixão… despida de preconceitos e tabus.

Iluminada, as palavras soltam-se compondo belos poemas.

Textos poéticos de frases melódicas… doces… eternas…

À luz da poesia… algures… nasce mais um poeta,

Mensageiro de beleza… esperança e sonho.

Fortunata Fialho

Nós. “Quero um poema”

Nós.

Num mundo como o nosso em que impera o Eu,

Em que só o Eu importa e se preserva a qualquer custo,

O outro não interessa… pode simplesmente esfumar-se.

Neste mundo egoísta esquecemos que somos uns Nós.

O mundo existe por nós… para nós…

Quando o sol brilha é para todos nós… quando se põe é para todos nós.

Quando chove, quando neva, quando faz calor, quando faz frio é para todos nós.

Com o Eu nada avança, com o Nós o mundo evolui vertiginosamente.

Unidos somos força viva, sozinhos… uma gota no oceano.

Nós fizemos coisas maravilhosas e cometemos atrocidades incríveis.

Nós somos o mundo… mudamos o mundo… cometemos erros e… corrigimo-los.

O Eu pensa que é o mais importante… o rei ou até Deus.

O Nós destrona-o e mostra-lhe o seu real valor…

Nós é quem realmente importa…

O Nós é pleno de poderes… melhor que qualquer herói.

Tem poderes infinitos… só temos de acreditar nele.

Eu, por mim, serei sempre um Nós…

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Olhos abertos, raio de luz por entre os estores. No embalo de um abraço assim o começa o meu dia. O calor do teu corpo acaricia o meu.

Fica mais um pouco, hoje não tens de trabalhar.

Recosto-me no teu peito e fecho os olhos.

Hum… que bom aconchegar-me no teu corpo!

Fecho os olhos e deixo-me embalar pelo som da tua respiração. O contacto com o teu sexo incendia-me e na minha boca surge um gemido.

 Como pode um simples toque dar tanto prazer?

Perco-me no teu abraço. O tempo parou… o tempo passou a ser nós. Quero este tempo, só nosso… tão nosso… tão eterno…

Murmuras aos meus ouvidos… a tua respiração é ofegante e as tuas mãos um mundo de sensações. O meu corpo já não é meu, é todo teu… estou perdida em ti e não me quero encontrar.

Leva-me para o teu mundo, eterniza este momento. O meu corpo vibra e o raciocínio tolda-se. Não importa, nos teus braços sou sentido, sou sol, sou luz, sou… que me interessa o que sou… sou eu ou… sou tu, já não sei. Abraça-me com força, não me largues… o mundo não existe, só nós existimos, só nós interessados.

Prolonga este momento, deixa-me sentir-te em mim, sente-me em ti.

Já não sei o que faço e não me importo. Já deixei de racionalizar e passei a ser só instinto.

Não pares, ama-me, acaricia-me como se o amanhã não existisse. Esquece o mundo lá fora, deixa as horas passar, nada nos pode importunar.

O raio de luz intensifica-se e os nossos corpos estão exaustos, agora, é que sair da cama é quase impossível, abraça-me e embala-me no calor do teu corpo. Vamos dormir mais um pouco.

Hum… que calorzinho tão bom… fica mais um pouco.

Ainda é cedo…

Fortunata Fialho

Sons.

Sons

O sol começa a raiar, oculta a noite que se retirou para descansar.

Ao longe soam os chilreios dos bandos de pássaros que acordam.

Rasgando o ar, o vento faz as árvores cantar.

Os insetos, cansados de tanto murmurarem na noite, dormem.

Outros se levantam ecoando músicas românticas,

Em simultâneo com bailados ricamente coreografados.

As flores murmuram à brisa promessas de amor

Em envelopes feitos de puro perfume selados de margia.

Uivam os lobos, ladram os cães, balem as ovelhas,

Cacarejam as galinhas, piam os pássaros…

Nos lares ecoam gargalhadas cristalinas de crianças.

Pés apressados soam nas calçadas,

Tamborilam correrias nas ruas da cidade.

Conversas apressadas, bons dias apressados… beijos de despedida.

Por todo o lado ecoam sons, uns a medo sussurrando,

Outros gritantes, estridentes, exuberantes…

Sons campestres… sons citadinos… sons de vida.

Sons da minha infância, premonições de futuro.

Sons da alma, sons de sonho, sonhos de amor.

Sons… simplesmente sons…

Fortunata Fialho

É triste. “Poesia Colorida”

É triste

A vida pode ser um poema triste,

Um poema desilusão, um poema dor…

Um livro escrito, para alguém, em pura poesia,

Uma poesia feliz… poesia feita amor.

Páginas e mais páginas incentivo,

Paginas aceitação… páginas compreensão.

Escrito com alguma dor feita sorriso,

Tristeza escondida para alegria e amor.

Livro mal lido, livro incompreendido.

Livro retribuído com palavras em fundo escuro,

Livro reflexo de dor.

Livro poesia dura, poesia intolerância…

Livro amarras, livro incompreensão.

De páginas ásperas, agressivas… intolerantes.

Livro censura, livro desamor…

E o livro amor luta e anseia.

Anseia no outro ler amor.

E nas noites tristes deseja que ele deixe…

Deixe que os dois sejam poesia feliz… poesia amor.

Fortunata Fialho

Melancolia.

Olho pela janela e, de repente, uma rajada de vento agita as árvores.

Algumas gotas de chuva caem, tímidas e quentes, levantando poeira.

Ao longe as árvores cobrem-se de mil tons amarelados,

O verde viçoso e brilhante esconde-se envergonhado.

As folhas entristecem e, numa tentativa vã de desespero, escurecem.

Onde outrora o verde era rei agora o amarelo outonal lidera.

O verde não se deixou derrotar e renasce em cada tronco de árvore,

Em cada pedrinha sombria e até no solo húmido.

Um viçoso musgo cobre de tons esverdeados os mais recônditos lugares.

A chuva cai cada vez com mais intensidade mas isso não importa.

O seu molhar ainda é ligeiramente quente e retemperador.

Afinal quem não gosta de caminhar à chuva,

Sentar-se num tronco de árvore e admirar as paisagens?

Sentir na pele o doce contacto da água, fresco e reconfortante?

Sentir o suave toque do musgo que se agiganta, cobrindo tudo em seu redor.

O vento acorda e fustiga o arvoredo soltando as pobres folhas cansadas.

Agora a chuva não é só água, é também chuva de folhas.

Ao longe avistam-se alguns troncos nus que se tentam cobrir de musgo.

Pudicamente, tentam esconder a sua nudez. Tarefa inglória…

É outono e os amarelos pintam as paisagens.

Numa infinidade de lindos tons cobrem tudo o que a vista pode alcançar.

O verde era mais belo? Não sei, o amarelo é deliciosamente tranquilo… encantador.

É outono, os troncos cobrem-se de musgo e o chão de folhas mortas.

Chove cada vez mais e o meu coração é inundado de melancolia…

Doce e terna melancolia que, mesmo assim, me faz feliz.

Fortunata Fialho

Feliz aniversário filha

Face redondinha emoldurada por uma cabeleira escura.

Enlevo de outros olhinhos escuros que te aguardavam.

Luz que iluminou a vida dos seus pais.

Inocência espelhada n’uns olhinhos ávidos de descobertas,

Zelosa peguei-te ao colo, terna e apaixonada cobri-te de beijos.

A nossa vida ficou mais completa, dois tesouros no nosso ninho.

Nunca o nascer do sol foi tão intenso, nunca o sol brilhou tanto

Irradiando felicidade no rosto dos meus dois filhos.

Vidas por nós concebidas, envoltas em puro carinho,

Enchendo de encanto os nossos corações.

Risos e gargalhadas ecoavam pela casa em traquinas brincadeiras,

Sempre unidos e, mesmos nas pequenas brigas, inseparáveis.

Alegres, os dias passavam e vocês cresciam.

Relembro o teu primeiro choro, o teu primeiro sorriso

Impaciente, não vias a hora de crescer

O tempo continuava a passar lento e teimoso, mas tu sonhavas.

Finalmente o tempo passou, a criança que eras amadureceu

Imaginei o teu futuro, ajudei-te a crescer, apoiei-te.

Longe vão as corridas loucas e as gargalhadas cristalinas

Hoje és uma mulher e talvez um dia venhas a ser mãe.

Ama, luta, sê feliz e nunca te esqueças destes pais que te amam.

Fortunata Fialho

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escreversonhar

Qual a melhor forma de passar o tempo?

Como podemos viajar sem sair do lugar?

Quando o desejo de fugir da rotina é muito, nada melhor que uma visita à estante, lá estão viagens, romance, cultura… companhia. Um livro não nos decepciona tem sempre alguma coisa a contar ou ensinar.

Tenho viajado muito pouco mas, conheço tantos lugares. Viajo pelo mundo nas páginas de um bom livro, ou revista, de reportagens sobre qualquer lugar. Para onde vou a minha capacidade linguística não me incapacita, viajo em português. A comida não é problema, como com os olhos. Não dizem que os olhos também comem? Então acreditem é assim que me alimento nas minhas tranquilas viagens e ainda nunca adoeci.

Enquanto alguns se dedicam a saber da vida alheia, eu também o faço. Abro um livro com um bom romance e desfrutou das vidas nele, contidas. E como eu gosto de viver…

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