🎊 🎆Feliz Ano Novo. 🎉 🎇

Feliz Ano Novo

Por todo o lado ecoam fogos-de-artifício,

O novo ano já começou a instalar-se em diversos locais.

Aqui espera-se pacientemente pela hora zero.

A todos desejo um ano pleno de solidariedade,

Que as armas se calem, que ninguém precise de fugir,

Que todos tenham direito a ser felizes.

Que em nenhuns olhos espreite a tristeza,

Que se correrem lágrimas sejam de alegria.

Desejo que as gargalhadas de felicidade ecoem pelos ares.

Que nenhuma criança cresça sem pais e carinho,

E nos seus olhos brilhe a esperança no futuro.

Desejo que todos se tornem milionários de amor,

Sabedoria, solidariedade e criatividade.

Que se armem de canetas ou lápis coloridos,

Que reescrevam o futuro e o pintem de alegria.

Desejo um mundo pleno de cor e gotas de alegria.

 Que o negro só sirva para ver o brilho das estrelas.

Que o silêncio seja para ouvir os sons da natureza.

Que as diferenças se resolvam com abraços.

Que o novo ano seja o início de tudo o que de bom exista.

Feliz Ano Novo.

Fortunata Fialho

Desejos de Ano Novo. "Poesia Colorida"

Desejos de ano novo.

Um novo ano e muitas esperanças velhas.

Toda a hora zero de um novo ano a esperança volta.

Estreamos coisas novas e livramo-nos das tralhas velhas.

Bebemos champanhe e brindamos cheios de esperança.

Todos os dias dois a rotina volta e com ela a realidade.

Uns poucos segundos no ano … tão insuficientes… nada mudam.

Nós queremos sonhos e aparecem envoltos em pesadelos.

Queremos um mundo novo e pouco fazemos para o conseguir.

Que esta ano traga esperança envolta em atitudes,

Mudança envolta em sorrisos, atitudes envoltas em bondade.

Que as pessoas se vistam de compreensão e respeito.

Que as crianças possam ser, para sempre, felizes.

Que os idosos sejam acarinhado… amados.

Que todos tenham um teto e alimento.

Que os campos possam permanecer verdes e…

Que os animais não fujam do fogo.

Que se a madeira arda seja para nos aquecer.

Que o sol brilhe igualmente para todos.

Que nos rostos brilhem as estrelas e nos corações reine o amor.

Sobretudo… que nunca percamos a capacidade de sonhar.

Que para sempre o ano que entra seja melhor que o anterior.

Fortunata Fialho

Fogo de Artifício. "Poesia Colorida"

Fogo-de-artifício.

Meia-noite… não… hora zero do novo ano.

O fogo-de-artifício ecoa e ilumina os céus.

Por todo o lado se formulam desejos ao ritmo das badaladas.

Ao mesmo tempo, exorcizam-se os demónios com ruídos ensurdecedores.

Os céus cobrem-se de lágrimas luminosas,

Choram o ano que termina e iluminam o que nasce.

Gritos e gargalhadas ecoam pelas ruas.

Sob o efeito de champanhe ou espumantes baratos,

A ilusão de que nada pode correr mal sobe.

Ao menos hoje somos todos felizes.

Rompendo o escuro, luzes brilhantes, explodem incansavelmente.

Fogo maravilhosamente efémero explode em mil tons.

Olhos, iluminados brilham e as mentes sonham.

Fogo-de-artifício, fonte de euforia, absorve os nossos sentidos.

Olho o espetáculo luminoso ao longe e desejo…

… desejo um mundo perfeito de paz, amor e carinho.

Desejo que as balas se transformem em foguetes,

Que iluminem o rosto das nossas crianças,

Que façam brilhar eternamente os seus olhos,

Que apaguem… para sempre… toda a tristeza.

E… que a vida seja um eterno fogo-de-artifício.

Fortunata Fialho

Natal da minha infância.

Natal da minha infância

            Filha de pessoas sem posses mas ricas em amor cresci numa aldeia pequena muito acolhedora. Como em todas as aldeias alentejanas todos são como família. Ainda hoje os trato como a Ti’ Maria, Ti’ Zefa…. Ti’ Manel, Ti’ Jaquim… Se são todos do meu sangue, claro que não mas serão sempre os tios e tias de todos.

            Entre todos os meus tios, primos e avós e os tios de todos nós a ligação era real. Quando alguém necessitava de ajuda todos acudiram. Também quando se tratava da vida alheia também todos tinham algo para dizer, coscuvilhice não faltava.

            Não cresci no meio da abundância de bens mas sim numa indescritível abundância de afetos.

            Os dias festivos eram muito importantes e nunca deixavam de ser festejados. No Carnaval eram as “filhotes” e os “bêbedos”, na Páscoa as “padinhas” de ervas doces e os “folhados”. No Natal era bastante diferente, além dos doces tradicionais o bacalhau e o peru não faltavam nas nossas mesas. Mesmo os pobres esforçavam-se para que estes alimentos não faltassem. 

            Na véspera de Natal cada um dos elementos da família colocava um sapato à chaminé. Os adultos adoravam colocar uma bota para provocar as crianças. Coitados dos nossos sapatos ou botinhas ao pé daqueles gigantes.

            O “Menino Jesus” durante a noite deixava uns docinhos ou alguma roupa ou calçado de que estávamos necessitados, no nosso sapato (ou ao lado como é óbvio) e era muito frequente os dos adultos aparecerem vazios ou cheios de rama de nabo. Nós delirávamos com o castigo, que tinha sido dado aos adultos, pela sua ganância.

            Eram uns Natais perfeitos, as famílias reuniam-se à lareira e o convívio perlongava-se pelo serão fora, a “Missa do Galo” era obrigatória e o frio ou chuva, não impedia a saída para a igreja. Quem não fosse iria ter “sermão cantado” do padre da terra e ninguém queria ouvir tal sermão.

            Foram tempos difíceis mas repletos de boas recordações.

Com o tempo, o Natal perdeu a sua essência e passou a ser uma forma de fazer dinheiro ou de obter bens raramente mesmo necessários. Muitas prendas e muita comida e doces nas mesas mas a partilha desinteressada e valor das pequenas coisas cada vez é menor. Por vezes o mais importante é o valor e a quantidade de presentes e o amor e carinho ficam em segundo plano.

Mais vale meia dúzias de rebuçados cheios de amor do que o brinquedo último modelo dado por quem nunca nos acarinhou um ano inteiro.

Tenho saudades do Natal da minha infância, do amor partilhado, das prendinhas sem embrulhos vistosos, da ausência da árvore de Natal, mas com um enorme calor humano. 

Fortunata Fialho

Um Natal Feliz.

Um Natal Feliz

                Entre o arvoredo um vento cortante assobiava sem sessar. Na noite anterior tinha chovido torrencialmente e o solo estava encharcado. O vento frio congelou cada poça de água, o orvalho brilhava em cada folha e adornava as flores sobreviventes. O silêncio, barulhento, da noite era assustador. No cimo da igreja um casal de corujas piava. Mau agouro dizia o povo.

                Entre o som dos insetos e o coaxar das rãs no pequeno riacho, um vulto deslocava-se a um ritmo lento e silencioso. Através das vidraças, algumas pessoas detetaram a sua presença. Vitimas das crenças populares, fecharam as portadas com medo da alma penada, ou mesmo o diabo, que andava à solta.

                      Longe da população, numa cabana pobre, um pequeno pinheiro pobre de ramos mas rico em luz, brilhava. Sobre as suas ramagens brilhavam as chamas dos cotos das velas que sobraram da iluminação do lar. Uma criança, sobriamente vestida com roupas singelas, mas carinhosamente costuradas por sua mãe com tecidos aproveitados das roupas que se iam deteriorando, pobre mas muito limpinho, esperava ansiosamente pelo Menino Jesus, ou quem sabe o Pai Natal, pois na sua imaginação ambos estavam de serviço nesta época festiva. Vencido pelo cansaço e pelo sono adormeceu encostado ao regaço de sua mãe que docemente lhe cantava uma canção de embalar.

Nos olhos de sua mão rolavam lágrimas, o seu homem estava longe e o dinheiro mal chegava para comer. Sonhava com as prendas que desejava dar ao petiz e que não podia comprar. Às escondidas tinha confecionado uma linda camisa, com o tecido da sua única saia de passeio, e adornada com os mais bonitos botões guardados na sua modesta caixa de costura. O seu querido filho não podia ficar sem uma lembrança nesse Natal.

A noite estava escura e a chuva tinha regressado, caindo em caudais dignos de respeito. O pobre telhado não lhe conseguia barrar a entrada devido à sua idade e falta de manutenção. Alguns recipientes recolhiam a água que corria das diversas goteiras.

Subitamente a porta abriu-se e um vulto negro entrou. Não era a alma penada nem tão pouco o diabo que o povo temia. Um gorro e uma capa escura, gastos pelo uso, cobriam um corpo cansado de tanto ter caminhado pelos caminhos.

O som da porta a abrir despertou a criança que, sem sombra de medo, enfeitou o seu rosto com o mais encantador sorriso jamais visto. Correndo saltou para os braços do recém-chegado e cobrindo-o de beijos gritou para sua mãe:

– O Menino Jesus escutou o meu pedido e trouxe o papá de volta. Estou tão feliz!

Um abraço forte envolveu o seu corpinho e, com a maior ternura, do bolso da capa puída retirou meia dúzia de bombons envoltos em papel colorido. Amassados e um pouco derretidos pelo calor do seu corpo, foram o melhor doce que alguém poderia desejar.

Esse ano o Natal foi o melhor e mais rico Natal do mundo e, esta família pobre mas unida foi feliz.  

 Fortunata Fialho

Natal sem sorrisos.

Natal sem sorrisos.

            Num país não muito distante, numa cidade ou aldeia como tantas outras, um grupo de crianças esperava ansiosamente pelo Natal. Os pais, numa azáfama contínua, preparavam diligentemente as festividades. Escolhia-se o pinheiro mais frondoso que lhes pudesse fornecer o ramo mais bonito para ser a sua árvore de Natal. Compravam-se enfeites, enfeitavam-se as casas, confecionavam-se doces especiais e planeavam-se os encontros em família. No ar viajavam aromas que faziam salivar de antecipação o palato de qualquer um.

As crianças espreitavam por todos os cantos das casas na busca desesperada por indícios dos seus presentes. Onde estariam escondidos? Só iriam levantar um pouquinho o papel para espreitar ou chocalhar a caixa e escutar na tentativa de adivinhar o que tinham dentro.

            Não muito longe, num qualquer gabinete, um governante do alto do seu pedestal decidia sobre o futuro de uma nação que podia muito bem ser a nossa. Seguro da sua segurança, longe do centro de qualquer conflito decidia começar as hostilidades com um outro país vizinho, declarou a guerra.

            Faltavam poucas horas para as festividades e olhinhos sonhadores perscrutavam as estrelas tentando vislumbrar o trenó do Pai Natal. Entre risos e brincadeiras inocentes um deles gritou:

            – Olha estrelas cadentes. Talvez sejam os olhos brilhantes das renas. É o Pai Natal com os presentes.

            Todos saltaram de contentamento gritando de alegria e, entre risadas e nervosismo, aguardaram.

            O barulho era estranho e ensurdecedor, as estrelas cadentes caíram, explodiram sobre as suas casas, sobre as suas cabeças… Nas ruas abriam-se crateras, as casas desapareciam envoltas em fogo, gritos de angústia ecoavam pelos ares. De olhares atónitos e incrédulos não percebiam o que se estava a passar.

Algumas das crianças desapareceram… pulverizaram-se. Outras fugiram de encontro… à morte. O sangue cobria as ruas e os seus pobres corpos, os seus familiares não os puderam proteger e, agora, nunca mais os poderiam confortar.

De início choraram depois, as lágrimas secaram, desapareceram levando consigo o brilho dos olhares, a inocência… a pureza. Nos rostinhos morreu o sorriso e um trejeito de dor instalou-se na carinha dos sobreviventes.

            O céu não lhes tinha dado as estrelas, o Natal não era para eles. Os presentes foram a orfandade, a solidão e o sofrimento. Os doces foram a fome e as feridas nos frágeis corpinhos e, sobretudo, na alma.

            Este é o Natal de tantas crianças por este mundo fora, um Natal oferecido por quem não tem piedade, por quem investe em armas e guerra, por quem lucra com a infelicidade alheia.

Pobres crianças, pobres de todos nós que não conseguimos ver a alegria nos rostos infantis.

Um Natal sem sorrisos não pode voltar a acontecer… Cabe a cada um de nós evitar que volte a acontecer.

Natal tem de ser paz, amor, carinho, risos cristalinos e o brilho das estrelas nos olhos de todas as crianças.

Fortunata Fialho

As estrelas brilham. "Quero um poema…"

As estrelas brilham

Olho pela janela e o brilho das estrelas convida ao sonho.

Lá fora a noite envolve tudo em seu redor convidando os amantes.

Estou só! As horas passam e, finalmente a porta abre-se.

Sinto a tua presença e o meu rosto ilumina-se.

Continuo contemplando as estrelas e, ansiosamente espero.

 O dia terminou e agora nada mais importa, o hoje já se foi e o amanhã ainda tarda.

O agora é só nosso e nada mais importa. Vem… faz o tempo parar.

As tuas mãos tocam os meus ombros e, lentamente, a roupa desliza pelo meu corpo.

O frio da noite mistura-se com o calor do teu corpo e estremeço.

Já não sinto frio, o calor invade a minha pele e… é tão bom.

Fecho os olhos e… sinto. Sinto o suave toque da tua pele… a carícia do teu respirar.

Quero mover-me e não consigo, o meu corpo recusa qualquer movimento.

O corpo deixou de ser meu, ficou preso no teu toque e no meu desejo.

Lentamente rodo e envolvo-te num terno abraço.

Tudo cessa. Não… tudo gira como um carrossel de emoções.

Não sei se vivo ou… se sonho. Devo viver… pareço respirar.

O meu corpo físico desaparece, no seu lugar fica um mundo de sensações.

Todo o teu corpo… o nosso corpo vibra e a entrega é total.

Só sinto, não penso, sou como um rio revolto em busca do mar.

O calor dos teus lábios descobre os meus como uma corrente de emoções.

Docemente os nossos corpos unem-se, fundem-se, tornam-se um só.

Ondas de emoção agitam o oceano dos nossos corpos,

Explodem na nossa praia como um tsunami avassalador.

O quarto tornou-se mundo e o nosso mundo universo.

Nos teus braços… nos meus braços… nos nossos braços, surge o universo.

O nosso universo cresce, expande-se e… a vida acontece.

Já não consigo ver as estrelas… as estrelas somos nós e… brilhamos.

Lentamente o universo acalma-se e o mundo retoma a sua forma.

As ondas aquietam-se e os corpos repousam.

Envoltos nos nossos lençóis, abraçados repousamos.

Eu… sorriu e… contemplo o brilho das estrelas.

Fortunata Fialho

Lembro. "Poesia Colorida"

Lembro

Lembro o tempo em que nos banhávamos juntos,

Em que os nossos corpos se incendiavam rebeldes,

Nos amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.

Fecho os olhos e consigo ver o teu corpo desnudo,

Sinto o suave acariciar das tuas mãos,

O doce calor dos teus lábios percorrendo o meu corpo.

Lembro as entregas totais aos nossos sentidos,

As frases banais cheias de sentido,

As promessas eternas que se esqueceram com o tempo,

Os olhares incendiados, esfomeados… sensuais.

Lembro a sensualidade do teu corpo,

O inebriante cheiro da tua pele,

A intensidade o teu desejo no meu desejo.

Lembro as noites tórridas e os dias apaixonados.

Lembro quando nos deitávamos amuados

E acordávamos abraçados.

Lembro os beijos doces, as carícias marotas,

Os corpos em desejo, a entrega total,A explosão final e o abraço do repouso.

Fortunata Fialho

Obrigada filha pelo teu apoio.

Amor… "Poesia Colorida"

Amor…

Amor é vida, luz, sombra, entrega, êxtase…

Amor é compreensão, ternura… aceitação.

Amor é entrega, respeito e carinho.

Amor é paixão, fogo… ternura.

Eu amo, amo sem restrições, amo sem limites.

Amo adormecer e acordar a teu lado,

Amo o brilho dos teus olhos, cada curva do teu corpo,

Cada imperfeição da tua pele, cada ruga do teu rosto.

Amo o sorriso dos nossos filhos,

Vê-los crescer plenos e íntegros.

Amor… é estar contigo, sentir o teu calor, ouvir a tua voz.

Amor é o brilho de felicidade nos olhos de uma criança,

A felicidade dos nossos filhos quando nos acompanham.

Amor é lutar por um futuro melhor.

Amor é rever-nos no brilho do seu olhar.

Amor é amar para libertar.

Amar é derrubar barreiras só para estarmos juntos.

Amor é dormir nos teus braços e acordar ao teu lado.

Amor é ir dormir amuados e acordarmos abraçados.

Amor é aceitar os defeitos,

Amor é apoiar e acarinhar,Amar é… viver.

Fortunata Fialho