Velha caneta.

Velha caneta.

Numa gaveta escondida uma velha caneta está encarcerada.

Os anos passaram e o carcereiro morreu.

Na sua infância a sua tinta escreveu lindas frases de amor.

Desenhou tantas cartas plenas de promessas,

Confessou tantos desejos escondidos,

Transportou milhares de beijos desejados,

Impressos em cada folha de papel.

Ninguém sabe o que aconteceu… as cartas pararam.

Num momento de dor encarceraram a pobre caneta.

O tempo passou e a pobre esperou.

O carcereiro deixou herdeiros.

Alguém a gaveta abriu e no fundo a caneta encontrou.

Linda, de linhas clássicas, cheia de charme…

Para um bolso alguém a mudou.

No escuro da noite voltou a escrever.

Escreveu o mais lindo poema de amor.

Do seu aparo saíram palavras de saudade…

Palavras de saudade e de dor.

Recordações de um tempo de felicidade,

De um tempo de vida e amor.

No papel surgiu:

Meu querido pai, para sempre viverás em mim.

Guardo os tempos em me pegavas ao colo

Me acariciavas e abraçavas…

Me prometias o mundo e me davas as estrelas.

No teu colo a dor passava e a felicidade morava.

Meu pai, meu herói, meu mágico… meu mundo.

Meu confidente… meu ídolo.

No meu coração tu ainda vives,

Contigo eu desabafo e, não sei como,

Sempre me respondes e aconselhas.

Meu pai… mesmo morto em mim sempre viverás.

E a caneta nunca mais descansou…

Fortunata Fialho

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