Medo/Esperança

Ninguém pensou algum dia passar por isto.

Um inimigo tão pequenininho que ninguém vê.

Traiçoeiro, ardiloso, implacável e cruel,

Passeia pelo mundo sem respeitar fronteiras,

Navega oceanos e voa pelos ares.

Entra em nossas casas sem bater à porta.

Infecta… tortura…mata… O povo treme e finge não temer.

O medo e a esperança coabitam em cada ser.

Fecham-se as portas… lavam-se as mãos,

Evitam-se os beijos, recusam-se os abraços.

Distanciam-se os amigos… isolam-se em seus lares.

O tempo não passa, a casa sufoca-nos. A rua assusta-nos.

Pobres indivíduos que presos pelo medo clamam esperança.

“Todos vamos ficar bem.”

Mais gente doente, mais uma morte…

E as gentes envolvem-se em esperança,

Cobrem-se de preces… choram de dor…

Pobres idosos condenados à solidão…

Dos entes queridos só escutam as vozes.

Terrível proteção que a todos dói tanto!

O medo corrói e a esperança luta em cada coração.

Que a esperança nunca pereça e o medo nunca vença.

Que este maldito inimigo se torne uma lembrança,

Uma história triste perdida no tempo…

Fortunata Fialho

E porque já é Primavera…

O menino e a Borboleta.

Verdes campos, ondulando ao vento, salpicados de mil flores.

Uma criança brinca voando ao sabor do vento.

Encantado colhe uma flor. Que bem que ela cheira!

Perdido no aroma, embala um sonho.

Príncipe dos campos, empunha um ramo,

Espada dos sonhos feita de madeira… como brilha!

Uma borboleta, liberta do casulo, pousa no ramo.

Abre as asas… que colorido tamanho.

Realidade ou sonho? Pensa o menino.

Fada de mil cores dona dos campos em flor.

A borboleta voa… o menino ri…

Fada da felicidade é a sua borboleta.

Flores são o seu alimento, com néctar pleno de odores.

Verdes campos, milhares de borboletas…

Meninos bramindo sonhos, docemente encantados,

Correm, enfeitiçados… perseguindo borboletas,

Desenhos coloridos aos olhos inocentes,

Sonhos nascidos no caule de uma flor voam pelos campos.

Cansada, a mais bela das borboletas pousa…

O menino senta-se… de olhos brilhantes, observa.

Não ousa tocar-lhe, não a quer acordar…

Quieto, sonolento, adormece…

A borboleta é ele e voa sem parar.

Dança ao vento ao som do assobio da erva verde,

Que ondula e canta baixinho, num murmúrio doce.

Tantos meninos borboleta, tantas danças efémeras…

Tantos sonhos findados ao abrir dos olhos…

E o menino acorda, a borboleta fugiu…

O menino corre ao sabor do vento.

A borboleta refugia-se no meio de mil flores…

Todos no regaço dos verdes campos em flor.

Fortunata Fialho

Nunca… “Poesia Colorida”

Nunca…

Nunca é muito tempo… a eternidade é uma utopia.

Nada vive para sempre e o nunca é uma promessa vã.

Podem dizer que o nunca é demasiado longo.

Que nunca o nunca aconteça,

Que nunca o mal permaneça.

Que nunca deixemos de sonhar,

Que nunca deixemos de amar.

Que a vida nunca nos separe,

Que o amor nunca desapareça,

Pois eu nunca te quero perder, nunca…

Quero uma vida inteira a teu lado.

Encontrar conforto no teu ombro,

Ver a felicidade no teu olhar.

Partilhar o meu mundo… o teu mundo…

Num ato de êxtase partilhar nossos corpos.

Que ao acordarmos nos olhemos apaixonados. 

Nunca quero acordar sem ti… sem o teu abraço.

Sem o calor de um beijo partilhado.

Nunca direi nunca ao nosso amor,

Nunca acreditarei que este amor morreu.

Nunca quero deixar de sonhar, viver ou sorrir.

Nunca… nunca acreditarei no nunca.

Nunca as lágrimas deslizem pelos rostos,

Nunca a tristeza se torne habitual.

Nunca…

O nunca não existe…

Nunca, é tempo demais… uma utopia.

Fortunata Fialho

História do R. “Simplesmente… Histórias”

Realmente… quem se lembraria de uma coisas destas, e logo a mim que gosto de frases curtas.

                Revolvo o meu vocabulário e procuro. Rio e começo a escrever. Realmente não estava à espera de um desafio deste género.

                Relembro o meu tempo de infância e os trocadilhos de palavras que fazíamos. Realmente desistir não é opção.

                Resolvi contar uma história, a história do R.

                Redonda cabeça, pernas esguias o R avança altivo e confiante. Recorda as suas andanças e segue, placidamente, o seu caminho. Raramente falha um compromisso e ama incondicionalmente todas as letras do alfabeto.

Reza para não se encontrar com o Z pois este rezingão estraga-lhe sempre o dia. Revisita o A que tanto ama, afinal foi a primeira letra que conheceu intimamente, nenhuma outra lhe voltou a despertar tanta paixão. Realmente as mães são sempre o nosso primeiro grande amor.

                Revive o seu tórrido romance com o B e pensa em como seria se tivesse dado certo. Raridades teriam sido os seus filhos, seriam as mais belas letras do alfabeto. Realmente, todos os pais sabem que os seus rebentos são os mais… tudo.

Respinga mas nunca ponhas em dúvida este facto.

                Revê o seu trabalho e enfrenta o patrão. Rabugento, este, tudo questiona e nunca parece satisfeito. Resolve não fazer caso e, confiante, termina um relatório.

                Regressa a casa e, pelo caminho rumina tudo o que de desagradável lhe aconteceu.

                Reencontra a esperança que o alimenta e sonha com o seu relacionamento duradouro e repleto de tórrido romance. Roda a chave na fechadura e, de dentro de casa, um odor inebriante envolve-o. Reduzidamente vestida, a sua esposa espera-o e, docemente beija-lhe o sorriso radiante. Realmente o L foi a melhor coisa que lhe podia ter acontecido.

                Realizado, amado e apaixonado vive uma vida de sonho.

Fortunata Fialho

Tempo

Tempo

O tempo não tem idade… não sabe onde nasceu.

O tempo é órfão e não sabe.

O tempo é Deus… é saudade…

É Fénix renascendo sempre que se fina.

É imortal… intemporal… eterno.

O tempo tarda… o tempo foge…

Espirito indomável… amante ciumento,

Possessivo, intenso… doce e terno.

Tempo dos amantes… terno e apaixonado,

Tempo dos inocentes… ingénuo e sonhador.

O tempo é criança traquina e apressado.

O tempo é velho… sábio e sensato.

O tempo é meu e não me pertence.

Traidor inclemente passa e não se detém.

Teimoso insensível, nunca volta atrás.

Lento e indolente, teima a tardar,

Rápido foge e não se deixa apanhar.

O tempo não tem tempo… que estranho!

Por vezes corre, outras é tão lento… que raiva!

Quero o meu tempo para te dar tempo,

Para isso preciso do tempo que o tempo não dá.

Tempo (in)justo, (in)clemente, padrasto… pai…

Acalma-te não te apreces, ainda tens muito tempo…

Sossega, descansa… passeia por aqui.

Tempo não me deixes… preciso de ti.

Fortunata Fialho

Simplesmente mais uma de “Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

O
sol brilha, uma deliciosa brisa percorre os campos. Saio e procuro descontrair.

Deitada na
relva observo o voo dos pássaros. Que bom seria voar!

Graciosamente
interpretam um inebriante bailado … que doce encanto para os meus sentidos.

Contemplando
tal beleza adormeço … ou não … talvez esteja acordada e não saiba.

Envolta em
raios solares sonho … sonho que voo e as minhas asas cortam o vento.

O calor
reconfortante dos raios solares, acariciam a minha pele e … danço.

Participo
no inebriante bailado e deixo-me levar ao sabor do vento.

Hum … que
delicia. Que plenitude de sensações, que doce encantamento.

Entre
chilreios as minhas asas movem-se, sou a estrela entre as estrelas.

Uma nuvem
cobre o sol … desce sobre mim. Engraçado … que bela nuvem!

A sua
presença acaricia, acalma e reconforta. Nela tudo é brilho e luz.

No meu
corpo, seminu, sinto uma onda de…

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Ontem… hoje… amanhã… “Poesia Colorida”

Ontem… Hoje… Amanhã…

Ontem estava triste, o mundo era padrasto ruim.

Ontem deambulei pelas ruas e… chorei.

Ontem estava perdida mas me encontrei.

Ontem cai nos teus braços e… sorri.

Ontem o teu corpo uniu-se ao meu e… sonhei.

Ontem amaste-me e eu… revivi.

Ontem dei-me sem limites, entreguei meu corpo e… ganhei.

Ontem os orgasmos eram fogo-de-artifício.

Ontem o mundo foi o nosso quarto e o céu os teus olhos.

Ontem a tristeza esfumou-se e o sol brilhou intensamente.

Ontem morri e contigo ressuscitei.

Ontem esqueci a tristeza e relembrei a felicidade.

Ontem ouvi doces melodias envolta em perfumes intensos.

Ontem… que fantástico ontem!

Hoje estou feliz e o meu coração bate intensamente.

Hoje penso que o mundo é meu e que o meu mundo é lindo.

Hoje revejo-me em meus filhos e fico contente.

Hoje gosto da vida, do sol, do vento e do vosso riso.

Hoje amo o passado e estou apaixonada pelo futuro.

Hoje dispo-me de tristeza e cubro-te com beijos.

Hoje vibro de desejo e tremo com carícias.

Hoje sou mulher, luz, chuva e porto de abrigo.

Hoje colori a escuridão com as cores do arco-íris.

Hoje sou passado, futuro, colo e amor.

Hoje sou felicidade, leveza e brilho.

Hoje sou eu, tu, eles e… nós.

Hoje… sou… aquilo que quiser…

Hoje… vou viver.

Para sempre, para mim, será sempre hoje.

Amanhã o sol vai brilhar e eu vou sorrir.

Amanhã abraço o mundo e embalo-o nos meus braços.

Amanhã tu e eu seremos só nós.

Amanhã vou ser amante louca e cair, rendida, no teu regaço.

Amanhã, louca e desinibida, serei o teu céu e, tu o meu mar.

Mergulharei no teu corpo e explodirei em ondas de prazer,

Acariciarei o teu corpo e perder-me-ei no teu sal.

Beberei todas as tuas gotas e navegarei teu corpo.

Amanhã terei só orgasmos, serei só sentidos e,

Naufragarei nos teus braços.

Amanhã será só prazer… sentir… amar.

Amanhã serei… simplesmente… eu… nós…

Fortunata Fialho

Carta ao Diabo.

escreversonhar

Caro Diabo. Depois de tentar comunicar contigo e de nunca receber resposta, ouvi dizer que as novas tecnologias te cativam. Acreditei, claro, pois tomei conhecimento de todos os teus seguidores e do mal que andam a fazer sem que se tenham de identificar.

Venho, esperançado de que leias e respondas como manda a boa educação, se é que ainda tens alguma, claro.

Peço que deixes a humanidade em paz, já lhes criaste problemas que cheguem. Tens feito um trabalho, de grande qualidade reconheço, em infernizar os desgraçados. Tiras-lhes o pão da boca, o dinheiro do bolso, a saúde e, como se não bastasse ainda os assustas de morte com terroristas, assassinos, violadores e outros que tal, que ensinaste na perfeição.

Não te resta um pouquinho de humanidade? O tempo comigo não te deixou nem um pouco de compaixão?

O pior disto tudo é que eu não tenho mãos a medir…

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Feliz dia da Mulher.

Eu serei o que quiser.

Eu serei aquilo que eu quiser!

Sou mulher e não deixo que isso me prejudique.

Alguém ousou dizer na minha cara que o lugar da mulher é na cozinha.

Concordei e acrescentei na sala, no quarto, no jardim…

No trabalho, no carro, no ginásio, no avião…

O meu lugar é onde eu quiser, sou dona de mim.

Longe vai o tempo em que ser mulher era prisão.

Ter filhos e cuidar da família, era a única ambição.

A única ambição que lhe era permitida.

Fada do lar… mãe exemplar… mulher submissa.

Comer e calar… ouvir e engolir…

Eu não preciso de depender de ninguém.

Sei pensar por mim e quero evoluir.

Sou mulher trabalhadora, dona de casa, mãe… sonhadora.

Mulher lutadora que se recusa a cruzar os braços

O mundo também é meu e vou conquistá-lo.

Mulher que se recusa a envelhecer,

Uma mente jovem seja em que idade for.

Sou mulher e… serei o que eu quiser.

Fortunata Fialho

Coisas de criança

escreversonhar

Durante a minha infância, na minha aldeia, morei numa casa em que três portas se alinhavam.

Porta do quintal, que dava para a cozinha, porta da cozinha para a sala de jantar e a porta da rua.

A iluminação era feita através de candeeiros a petróleo os quais tornavam o ambiente um pouco irreal e propicio a divagações na minha cabecinha de criança.

Durante o serão reuníamo-nos na cozinha e não havia o hábito de se fecharem as portas, hábito que ainda mantenho atualmente.

Os meus brinquedos estavam arrumados na parte inferior da mesa da cozinha, nada se podia estragar. Ali estavam seguros e longe das mãos que as podiam estragar. Sim porque eu estimava muito todos os meus brinquedos.

Como todas as crianças adorava brincar imitando os adultos.

O serão passava e as brincadeiras continuavam.

Passeava por toda a cozinha mas, tinha um grande problema, quando cruzava a porta…

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