Saudade. “Simplesmente… Histórias”

Saudade, palavra que só o nosso povo entende, sentimento tão nosso, dor que dói sem saber onde. Quem ainda não a sentiu não consegue compreender.

Sentido de perda total, desespero por não a conseguir superar.

Hoje acordei com tantas saudades. Saudades daqueles que amo e já não tenho comigo. Saudades do tempo já vivido. Saudades de tantos bons momentos. Tantas saudades…

Como posso sentir tanta saudade?

Porque não consigo superar este sentimento?

Queria conversar com minha mãe, colocar-lhe todas as minhas incertezas e ouvir a sua opinião. Contar-lhe todas as novidades e desafiá-la na sua ideia de educação.

Somos tão diferentes mas, ao mesmo tempo, tão iguais. Ambas daríamos a própria vida pelos nossos filhos. Ambas colocamos a família à frente de tudo. Ambas amamos incondicionalmente.

Nunca mais esqueço o dia em que tinha acabado de entrar, em minha casa, e perguntou por nós. Quando soube que eu e o meu filho estávamos a tomar banho juntos disse:

“- Isto aqui já é uma democracia!”

A sua indignação foi notória, não era esse o tipo de educação que ela achava correto.

Sempre me foi mais fácil falar com o meu pai, mas esse ainda tenho comigo, com a minha mãe, devido à sua visão muito particular, era mais difícil criar um diálogo.

Por incrível que pareça, possuía um humor bastante característico com uma subtileza incrível, que não passava despercebido e nos atingia de uma forma acutilante.

Tenho tantas saudades… as lágrimas percorrem o meu rosto.

 Limpo, apressadamente, as lágrimas.

Não posso continuar assim.

Vou fingir que falo com ela. Vou ouvir as suas respostas, no meu coração, e vou sentir a sua presença.

Tenho tantas saudades tuas, minha mãe!

Tenho saudades de tanta gente…

Queria ter comigo o irmão que perdi tão precocemente e que a vida me negou de forma tão cruel. Como pôde roubar-mo? Tinha tanto para lhe ensinar, tanto para brincarmos tanto para partilharmos., nunca pude correr nem brincar com ele. Crescermos juntos e juntos, percorrermos o sinuoso caminho que é a vida.

Como teria sido tão bom ter um irmão da minha idade.

 Porque será que o tive de perder antes ainda de o poder desfrutar?

Quero o meu irmão de volta.

Quero parte da vida que não vivi.

Os dois teríamos estragado, duplamente, a reguila da mais nova com mimos. Talvez tivesse sido pior, ou não. Talvez devesse ser assim.

Preciso dos meus avós para me estragarem com mimos, para me dizerem o quanto eu sou o seu orgulho, para dizerem todos aqueles elogios que só os avós sabem dar.

Preciso de tantos entes queridos que já não estão presentes…

Quero matar saudades dos bons momentos que vivi.

Quero reviver felicidades antigas não esquecendo as atuais.

Quero tanta coisa que não posso ter…

Quero… não, queria, pois o passado nunca voltará a ser presente.

O passado será sempre passado e deixará sempre esta saudade.

Tanta saudade, no meu peito.

Tanta saudade…

Fortunata Fialho

4 thoughts on “Saudade. “Simplesmente… Histórias”

  1. Bia Perez 9 de Maio de 2020 / 22:46

    Lindas palavras. A saudades também mora em mim. Doces lembranças 😘

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  2. Alberto Cuddel 10 de Maio de 2020 / 02:51

    Saudade esse sentir tão luso, tão intensamente doloroso, uma esperança que vive como uma tênue 🔥….

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