Crónica de um mexerico.😈😈

Crónica de um mexerico.

Sim, não tomei conhecimento por terceiros, eu estava lá quando tudo começou.

Era um final de dia em que o calor teimava em não amainar, subitamente a porta abriu-se e eles entraram. Estavam cobertos de suor mas pareciam pessoas honestas. Eram desconhecidos no bairro e procuravam alguém de quem não consegui ouvir o nome. O empregado pelos vistos também não conhecia essa pessoa pois a resposta foi curta e simples “Nunca conheci esse senhor, não deve ser desta zona”. O assunto parecia ter terminado ali, as pessoas agradeceram, olharam em redor e saíram.

No dia seguinte passei por um grupo de vizinhos que me olharam de forma estranha. Sem me importar segui caminho quando, subitamente, me tocaram no braço e perguntaram “É verdade que ontem uns sujeitos, de aspeto duvidoso, ameaçaram as pessoas no bar por não lhe terem dito onde morava a pessoa por quem perguntavam?”.

A minha surpresa foi total, de onde tinha vindo toda esta conversa?

Amavelmente desfiz o equívoco e expliquei o que realmente tinha presenciado e segui caminho, pensava eu que tudo tinha ficado esclarecido. No dia seguinte a campainha da porta tocou, um agente da autoridade identificou-se e pediu para eu lhe contar o que se tinha passado pois tinha recebido uma queixa de que uns indivíduos suspeitos andavam rondando o bairro e os moradores andavam assustados. Supostamente eram os mesmos que eu tinha visto no bar.

Era uma realidade, as pessoas tinham-se transformado em bandidos perseguidores altamente perigosos. Pobres criaturas que nunca mais tinham aparecido no bairro nem nas imediações.

Perante toda esta confusão provocada pelos mexericos de quem não tem mais nada a fazer, se me perguntarem se a língua do povo é perigosa para o coitado que for seu alvo, eu diria, sem hesitação, que sim.

Fortunata Fialho

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Criança poema.

Criança poema.

            Um choro, ténue e desesperado, soa num quarto qualquer. Poema de vida em construção. Um abrir de olhos que apreende um mundo novo cheio de luz.

            Chora pela perda da segurança do ventre de sua mãe e, quem sabe se da dor sentida durante o seu nascimento.

            Num mundo desconhecido, inicia o seu percurso. Só… não, com a ajuda dos que o amam, escolhe o seu caminho. Nascer foi o início de uma, esperemos, longa caminhada.

            Pode haver poema mais belo que o riso de uma criança? Cristalino, puro, inocente, contagia todos ao seu redor. Quem nunca riu ao escutar o riso solto de uma criança? Eu nunca resisto a fazer-lhe coro. Remédio infalível que cura toda a tristeza, bálsamo que torna a vida bem mais suave e feliz.

            Envolta em sonhos onde imperam príncipes e princesas, cavalos brancos, seres mágicos… desenvolve-se. Dona de poderes imensos voa como um pássaro, nada com as sereias e corre como o vento. No seu mundo o bem vence sempre o mal, os bons são fortes e invencíveis e os maus caiem como folhas secas ao sabor do vento.

            Neste mundo mágico de histórias de encantar, cresce… escrevendo múltiplas linhas, doces e puras, no livro em branco da sua vida.

            Como eu recordo o início de vida os meus dois poemas, dos seus olhinhos brilhantes, das suas perguntas ingénuas… e até das suas maldades sem malícia. Crianças poema nascidas do amor que cresceram a escutar histórias e acreditando serem reais.

            Deambulo pelos caminhos e cruzo-me com tantos poemas em construção. Pelo ar ecoam gargalhadas e correrias sem fim. Lutas fingidas e ternuras imensas. Livros em branco com poucas páginas preenchidas, crianças poema em início de vida.

Fortunata Fialho

Quando o sol beija a terra. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Quando o céu beija a terra.

Quando o céu beija a
terra os rios enchem-se de diamantes,

Os mares refletem a lua
em mantos bordados de luar.

Os campos ficam mais
verdes e as gotas de orvalho brilham como mil sóis.

O trinado dos pássaros
ecoa cantos de amor e paz.

As borboletas esvoaçam
enchendo de cores os céus,

As flores emanam odores
maravilhosos e os sentidos acordam deliciando-se.

Quando o céu beija a
terra o mundo fica mais colorido.

Arco-íris enfeitam os
ares projetando as suas cores,

Os olhos dos habitantes
brilham como pedras preciosas.

Os risos compõem
sinfonias e as gargalhadas ecoam-nas por toda a parte.

Quando o céu beija a
terra os amantes atingem o êxtase.

Os terramotos são de
orgasmos intensos,

Os maremotos carícias
descontroladas.

Por todo o lado ecoam
gemidos de prazer,

Palavras de amor e
desejo ecoam por cima dos telhados.

Quando o céu…

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História de uma noite.

                Um homem abre a carteira e subitamente uma embalagem de preservativos, não usada, cai. No seu rosto desenha-se um sorriso, na noite anterior não tinha sido necessária.

            Finalmente tinha saído com aquela criatura louca e exuberante que lhe despertava todas as sensações e o deixava louco de desejo. O grupo de amigos tinha-se dispersado e eles tinham ficado sós. Caminhando pela rua as suas mãos tinham-se unido e os seus corpos tocavam-se como que atraídos por um desejo não confessado.

            Um aguaceiro desabou sobre si e, encharcados, tinham-se refugiado no apartamento dela. Rindo ela indicou-lhe a casa de banho para que pudesse secar um pouco e tentou encaminhar-se para o quarto para mudar de roupa. Sem que pudessem evitar e porque os seus corpos não lhes obedeciam, permaneceram imóveis com os seus olhares fixos nos rostos que quase se tocavam. Os seus cabelos negros cobriam-lhe a testa e, afastando-os acariciou o seu rosto. Beijou, suave mas intensamente, aquela boca que tremia de desejo. As roupas deslizaram para o chão e os corpos uniram-se num só. Louco de desejo, sentou-a na mesa e tentou penetrá-la. Ela retraiu-se… que diabos!

             “É a minha primeira vez.”

            Não podia ser verdade!

            Uma ternura imensa invadiu-o e, pegando-lhe ao colo, levou-a para o quarto. Suavemente percorreu cada recanto da sua pele, com a sua boca, excitando todo o seu corpo. Suavemente acariciou o seu sexo e ela não se retraiu. Excitada e recetiva, ela deixou que a estimulasse e, quando a sentiu pronta, penetrou-a suavemente. Com movimentos lentos e carícias suaves fez todo o seu corpo vibrar de prazer. Finalmente o ritmo dos seus corpos aumentou explodindo num orgasmo imenso. Carícias lentas nos corpos cansados prolongaram aquele momento.

            Temendo acordar daquele sonho, envolveu-a num abraço e… adormeceram.

            Aquele preservativo continuou intacto.

Fortunata Fialho

Dança. “Quero um poema…”

escreversonhar

Dança

Como eu gostava de
saber dançar!

Rodopiar e deslizar na
pista ao doce embalar da música.

Viajar nos braços do
meu par, deslizando graciosamente.

Não sei dançar, meu
corpo não reage como a minha alma.

No entanto danço…
danço ao sabor das palavras,

Rodopio ao ritmo das
letras… descrevo palavras…

E em piruetas crio
versos… poemas… sonhos…

A escrita é a minha
música e as páginas em branco a minha pista.

No regaço das palavras
sou leve, graciosa e… danço.

Deslizo suavemente ao
sabor de uma rima,

Vibro com o som de uma
quadra,

Sou bailarina de um
poema.

Movimento-me nas
linhas de um texto,

Como bailarina em
pontas interpreto o bailado.

No avançar da história
sou Prima-dona… primeira bailarina.

A minha música são as
palavras e os textos, o meu bailado.

Escrevo… interpreto…
sonho… danço.

Ao ritmo da escrita
sou uma deusa…

Musa inspiradora de um
maravilhoso bailado.

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Penso…

escreversonhar

Penso…

Penso… não quero mas penso.

Penso no que aconteceria se o mundo rodasse ao contrário.

Se primeiro tivéssemos que morrer e só depois nascer,

Cometeríamos os mesmos erros?

Depois de tudo aprendido e vivido, seríamos diferentes?

Depois de ver o resultado dos nossos erros,
cometê-los-íamos?

Será que o medo da morte se tornaria o medo do
nascimento?

Será que a felicidade suprema seria alcançar a infância?

Que bom seria acabar a vida no colinho dos pais!

Que todas as perdas se tornassem retornos,

Que os entes queridos para nós voltassem,

Que as más recordações se apagassem,

Se só os bons momentos nos esperassem.

Será que a certeza de que morreríamos juntos

Nos faria amarmo-nos mais cedo?

Que saber que nunca perderíamos os nossos filhos

Faria com que mais facilmente os concebêssemos?

Será que ao vermos o planeta a sofrer o tentaríamos proteger?

Será que a poluição nunca precisaria de…

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Para a minha neta Mariana no seu quarto aniversário.

Vó, tens uma “supesa”?

Voz carinhosa de curiosidade envolta,

Pergunta inocente de esperança vestida.

Olhos brilhantes, um doce sorriso iluminam.

Gargalhadas sonoras ecoam ternuras.

Falar baixo, missão impossível,

Chamar a atenção é o mais importante.

Caracóis cor de mel num rostinho lindo.

Beijinhos ternurentos num abraço apertado.

Birras inocentes, protestos não contidos,

Choros sonoros de contestação vestidos.

Amor infinito num corpo pequenino,

Doçura tão grande num simples olhar.

Ternura infinita no coração dos avós

Amor incondicional… igual ao dos filhos.

Filha na mesma… por mim não parida.

Pedaço de mim que só posso amar,

Mesmo zangada, mesmo num ralhar.

Ser docinho, que enche a alma,

Alegria dos meus dias e esperança no futuro.

Doce criatura desta que muito te ama.

Marianita da avó, que o futuro te sorria,

Que o amor seja uma constante da tua vida.

Muitos parabéns querida Mariana.

Fortunata Fialho

À luz da poesia.

À luz da poesia.

À luz da poesia revelam-se sonhos e quimeras.

Como a chama de uma vela, sombras irreais criam magia.

Pelos olhos desfilam mundos fantásticos… (i)reais.

À luz da poesia não existe frio e o calor só acaricia.

Todas as sombras se enchem de luz e os corações brilham.

Brilham intensamente, irradiando inocência e esperança.

Iluminada por essa luz imensa sonho…

Sonho com mundos encantados, céus de mil cores,

Campos cobertos de diamantes gotas de orvalho.

Campos verdejantes até onde a vista alcança… e mais além.

Verdes salpicados de mil flores arco-íris… mágicas… fantásticas…

Riachos de águas frescas e cristalinas matam a sede.

Nas suas águas refrescam-se corpos envolvidos pela sua carícia húmida.

À luz da poesia os amantes são mais amantes,

A pele mas sensível, os beijos mais intensos.

E os orgasmos? Ai esses são puramente divinais.

À luz da poesia não tenho idade… nem fronteiras.

Sou pura e inocente como uma criança…

Sábia… vivida… feroz… protetora…

Doce e ardente como a paixão… despida de preconceitos e tabus.

Iluminada, as palavras soltam-se compondo belos poemas.

Textos poéticos de frases melódicas… doces… eternas…

À luz da poesia… algures… nasce mais um poeta,

Mensageiro de beleza… esperança e sonho.

Fortunata Fialho