Escuridão.

escreversonhar

Escuridão

Escuridão, tanta escuridão…

Por mais que tentem não conseguem ver.

Olham ao redor e procuram luz… escondeu-se.

Escutam e procuram risos… silenciaram-se.

Com os corpos procuram calor humano… rareia.

O fumo dos fogos tapa o sol,

As crianças choram de medo,

Os corpos fogem cheios de desconfiança.

Pelos cantos ecoam sons de ódio,

Em cada lar cerram-se as portas e janelas,

Procuram proteção que não existe.

O sol brilha intensamente mas a escuridão impera.

Em cada coração encontrou guarida,

No medo encontrou a sua força.

Milagrosamente um coração rompeu-se,

Em vez de sangue irradia luz,

Como uma pandemia contamina outros como ele,

Tantos corações cheios de luz!

Que pandemia implacável… nada a detém.

As sombras, amedrontadas, recuam,

Os campos enchem-se de flores,

As ruas de crianças a brincar.

Gargalhadas ecoam pelos ares.

A coragem voltou… o amor venceu…

A esperança voltou para ficar.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

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Reflexo.

escreversonhar

Reflexo.

Na beira de um rio uma criança olha o seu reflexo.

De olhar iluminado pela surpresa, agita a água.

A água brinca com a sua imagem,

Desliza e foge levando o seu reflexo,

Lentamente devolve o reflexo do seu rosto.

Um raio solar ajuda na brincadeira,

Projeta-se na água calma e ilumina aquele rostinho.

A criança ri de contentamento e surpresa.

Como pode estar um espelho no meio do riacho?

Deve ser magia! Só pode ser magia.

Eleva o olhar e repara no reflexo do sol numa gota de orvalho.

Sob os seus olhos brilha o mais belo diamante,

Um diamante líquido e efémero que brilha como o seu olhar.

Salta e grita de felicidade, ri numa saudável loucura,

O mundo é seu e o sol brilha só para ele.

No reflexo dos seus olhos vive toda a felicidade.

No reflexo dos seus olhos mora o mundo.

O sol…

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Sempre… “Poesia Colorida”

escreversonhar

Sempre…

Sempre que pelo meu rosto rola uma lágrima,

Olho para o horizonte e sonho.

Sonho que sou uma borboleta esvoaçando ao sol.

Uma flor que cresceu livre e vistosa no meio do campo.

Um pássaro livre de gaiolas, esvoaçando e trinando.

O vento que acaricia o teu rosto.

O sol que parece incendiar o teu olhar.

Uma nuvem que brinca com o vento,

Transmutando-se sem hesitar.

Um rio que corre para abraçar o mar…

Sempre que a solidão te machucar… vem.

Um abraço bem forte e um amo-te,

Acariciarão os teus sentidos.

Sempre que por mim chames estarei presente.

Sempre que me quiseres irei.

Sempre que me amares corresponderei.

Sempre que a tristeza te toque serei a tua alegria.

Sempre que as palavras te faltem serei o teu silêncio.

Sempre que o teu corpo gele serei teu agasalho,

Sempre que te desnudes serei a tua pele.

Sempre que precisares…

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Meu avô Manuel.

Dos dois avôs que tive só me lembro bem de um deles. Infelizmente perdi o outro quando ainda tinha seis anos.

Este meu avô tinha uma história muito particular.

Para começar as iniciais do seu nome eram, precisamente, três M(s).

Por agora vou chamar-lhe só o primeiro: Manuel.

Quando, muito jovem, o irmão foi chamado para a tropa e surgiu um grande problema: este irmão já não existia. A sua morte não ficou devidamente registada na Conservatória, segundo a família, por incompetência do funcionário da época.

Decorria nesse mesmo tempo a “Guerra de Catorze” e, para evitar a prisão, o pai tinha que tomar o seu lugar. O meu bisavô já era demasiado velho e, a conselho de um advogado, só havia uma hipótese, “matava-se” o meu avô “revivendo” assim o irmão.

Assim, o meu avô, repentinamente ganhou dois anos a mais e teve que partir para a guerra.

Não sei por onde lutou. Sei no entanto que foi um dos sobreviventes. Sei também que sofreu com a guerra química e ficou um pouco afetado.

Não sei que volta deu a sua vida. Só sei que de primogénito de uma das famílias mais ricas da região acabou na miséria no Alentejo.

Segundo a família foi o álcool e os falsos amigos que contribuíram para isso. Como nós dizíamos estava preservado em aguardente (a sua bebida de eleição).

Só me lembro dele já bem velhinho e a fumar tabaco (de onça) Duque, enrolado em mortalhas de papel.

Nunca mais me esqueço do olhar de contentamento e orgulho quando lhe apresentei o meu namorado, era a primeira neta a dar-lhe semelhante honra.

Dependente dos filhos passava o tempo ora em casa de uns, ora em casa dos outros.

No tempo que passava connosco lembro-me dos meus pais esconderem as bebidas bem fechadas à chave.

Um dia descobriu uma garrafa de aguardente no frigorífico e foi bebendo, às escondidas, e substituindo por água o espaço vazio. Desapareceu de casa e foi o desespero total. Todos o procurámos pela cidade inteira e do avô nem sinal. Já se pensava o pior quando recebemos um telefonema da minha tia a dizer que estava em sua casa.

Só para fazerem uma ideia saiu de Évora seguindo a linha de caminho-de-ferro até Montoito e daí para as Aldeias de Montoito. Para que não restem dúvidas era nessa localidade que se sentia em casa pois aí passou a maior parte da sua vida.

 Quando não tinha acesso a bebida não se metia nestas aventuras. Não havia aventuras mas falava dia e noite num tom de voz muito alto. Contava coisas que lhe aconteceram na guerra, factos históricos reais e peripécias de guerra.

Quando o tema não era guerra falava de geografia, história, sabia as linhas de caminho-de-ferro de cor e salteadas, os nomes dos rios de muitos países e tantas outras coisas.

De notar que era uma pessoa culta, possuía a quarta classe, o que na época era um privilégio muito especial só alcançável a muito poucos.

Com oitenta e muitos anos lia, sem óculos, todo o tipo de letra, por mais pequena que fosse. Tal como eu adorava ler. O seu cabelo ainda tinha mais fios negros que prateados, a sua agilidade ainda deixava alguns, muito mais novos, cheios de inveja.

Lembro-me que passava meses a guardar no bolso frutos secos e guloseimas para dar à neta (a minha irmã) que ainda era uma criancinha. Alguns chegavam estragados mas contava a intenção.

Nunca me lembro de o ver acamado nem com problemas de saúde graves, até o seu fígado tinha sobrevivido ao álcool que teve de processar durante toda a vida.

Lembro-me de ouvir dizer que sempre que começavam uma briga perto dele, mesmo bêbado, se afastava dizendo: “-Quem as fez que as desmanche”.

Segundo a família era capaz de despir a própria camisa para a dar a quem necessitasse. Com a esposa e os filhos existiram alguns problemas que, por agora e até não poder ferir sentimentos de pessoas que amo muito, vão continuar em segredo na família.

Com todos os seus defeitos e qualidades era o meu querido avô Manuel.

Um dia adoeceu e, passadas cerca de duas semanas, faleceu tranquilamente em casa de uma das filhas.

Hoje, passados tantos anos, ainda tenho saudades das nossas conversas e das suas peripécias. Era bom que vivesse para sempre mas, isso não pode acontecer.

Assim vamos perdendo os nossos entes queridos e relembrando para sempre, de preferência, as suas qualidades.

Ainda lembro a sua voz, o seu cheiro e os seus grandes monólogos.

Engraçado já não choro a sua perda mas lembro a sua presença como se ainda estivesse vivo. Meu avô Manuel …

Fortunata Fialho

Minha avó Helena.

A minha avó Helena era muito especial. Pequena e curvada, assim me recordo dela, bem-humorada e muito malandreca.

Vivia acompanhada de uma das minhas tias que tinha permanecido solteira.

Lembro-me que era muito gulosa e que, às escondidas, nos dava torrões de açúcar amarelo dizendo que eram rebuçados. Por vezes fazia-nos papas de milho generosamente polvilhadas de açúcar amarelo, o que fazia a delícia dos netos.

Como sempre viveu com necessidades guardava as suas folhas de couve (notas de vinte escudos) religiosamente numa carteira que nunca largava. Um dia deixou cair uma moeda de cinco escudos para trás de uma arca enorme e, apesar de muito debilitada fisicamente, lá a conseguiu desviar e retirar a bendita moeda. Claro que depois ouviu uma grande reprimenda por parte da minha tia.

Por vezes dava uma notinha aos netos. Era para comprar uma lembrançazinha nas festas da terra. Para ela era uma fortuna e para os netos, uma alegria.

Quando eu era pequena a minha tia, que era toda dedicada à igreja, ensinava-me todas as orações que conhecia. As pessoas, para me ouvirem, pediam que as repetisse.

A minha tia gritava-me logo:

– A da avó não.

A minha avó tinha-me ensinado uma, bem malandreca, e era essa a que as pessoas queriam que eu repetisse. Desculpem a linguagem mas passo a transcrevê-la: “Aqui te benzo meu homem nu, com meu pestotira e meu olho do cu.”

Eu, como era lógico, era a primeira que declamava. Porque será que dizem que saio a ela? Não fisicamente, está-se a ver.

Quase todas as recordações que mantenho, desta minha avó, são de momentos especiais e de alguma forma divertidos.

Por vezes lamentava-se pelas agruras da vida mas, felizmente, conseguia manter um espírito alegre e um humor muito peculiar que a ajudava a superar, de uma forma mais fácil, todos os seus sofrimentos.

Infelizmente, também ela nos deixou precocemente.

Era tão bom que ela pudesse ter vivido para sempre e, de certo modo, ainda vive no meu coração e nas minhas lembranças.

Fortunata Fialho

Fantasma do passado.

Fantasma do passado.

O tempo tomou conta do lugar retirando-lhe o brilho.

As pessoas esqueceram toda a sua glória,

As festas não voltaram ao seu seio.

Os seres vivos afastam-se e o vazio tomou conta do espaço.

As lembranças, teimosamente, ficaram.

Nas sombras um amor antigo impera,

Uma alma recusa-se a partir.

Espera por um amor que prometeu voltar…

Ninguém sabe porquê mas não voltou…

Na penumbra da noite volta e, olhando o vazio espera.

Perdeu a conta dos dias e só conhece a noite.

Uma noite eterna e ingrata…

Uma noite cínica e maldosa que o abraça…

Num abraço terrível de saudade e ausência.

E ele espera… espera… numa esperança eterna.

Já ninguém se lembra do seu drama,

Ninguém se lembra do seu nome…

Ele não se importa. Não perturba ninguém.

No lhe interessa quem passa…

Só o seu grande amor importa e… espera.

Pobre sombra sofredora, pobre alma ansiosa.

Fantasma do amor… fantasma de um passado esquecido.

Fantasma dor… fantasma amor…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

🔖Olhos tristes.🔖

escreversonhar

Olhos tristes.

Sentada numa esplanada, olhando o infinito, pensamento distante…

Um olhar intenso de quem o desespero se tornou constante.

Olhos lindos sem brilho e com uma tristeza imensa.

Procura algo ou talvez alguém, uma sombra ou uma miragem,

Um amor perdido ou uma recordação dolorosa,

Talvez espere que o tempo mude e o vento lhe devolva a felicidade.

De copo na mão perscruta a estrada na esperança de um reencontro,

Na esperança de um recuo do tempo que perdido se encontra.

Está só, irremediavelmente só… o tempo não volta.

Pelo rosto corre uma lágrima… teimosa e insolente lágrima.

Aqueles olhos não podem chorar mais… perderam o brilho… secaram.

Que olhar tão triste e perdido! Talvez um beijo os ilumine!

Mas que boca eles desejam? Quem tem coragem de tentar?

Subitamente a tristeza se acalma e as estrelas neles parecem brilhar.

Pela rua descem crianças, riem e correm, parecem voar.

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Estrela cadente. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Estrela
cadente.

Noite estrelada e uma suave e fresca brisa noturna.

Um reconfortante momento de calma contemplação.

O brilho das estrelas parece saído de um sonho.

Contemplo cada uma delas como se fosse a única.

De rosto iluminado pelo seu reflexo, estou feliz.

O reboliço do dia de trabalho parece tão distante.

Subitamente, vinda do nada, surge uma estrela cadente,

Brilhante e apressada, rasga o negro da noite,

Inadvertidamente, ofusca a estrela mais brilhante.

Transporta tantos desejos formulados,

Precisa de os tornar reais.

Como? Ninguém sabe.

Os pedidos acumulam-se a cada segundo que passa.

Não hesito e formulo o meu antes que se esconda.

Desejo paz e felicidade para todo o ser vivo,

O fim da fome e o secar das lágrimas.

Peço que a gargalhada infantil nunca se apague,

Que se mantenha pela vida fora até ao fim do seus dias,

Que quando eles terminarem partam em paz e…

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Sonho lindo.

Sonho lindo.

Tive um sonho lindo!

Tinha asas e voava sem parar.

Percorria o planeta procurando armas.

Nos quartéis penduravam-se flores,

Os campos de batalha eram prados coloridos.

Soldados marchavam ao som de sinfonias.

Disparavam-se pétalas que perfumavam os corpos.

O chão cobria-se de corpos…

Que, de olhar sonhador, observavam as nuvens.

De punho erguido prometiam-se sonhos.

Vozes fortes falavam de amor.

Ameaças de carinho ecoavam os ares.

Todas as religiões partilhavam o mesmo templo,

Em vez de ódio pregavam amor.

E os animais?

Ai, aos animais disparavam carícias.

O riso das crianças ecoavam no ar,

Levando sorrisos a todos os rostos.

Não encontrei armas… procurei lágrimas…

Em todos os rostos brilhava a felicidade.

Finalmente encontrei lágrimas…

Envoltas em sorrisos… enfeitadas de gargalhadas,

Brilhavam como estrelas num céu de verão.

Cansada pousei e… adormeci.

Que sonho tão lindo esta noite vivi!

Fortunata Fialho