Caminho.

escreversonhar

Caminho pelas ruas sem destino marcado.

Caminho para libertar os pensamentos aprisionados.

A cada passo que dou voa um pedaço de sonho,

Um pensamento oculto toma forma e vive.

Vive nas asas da brisa e viaja para longe.

Atrás dele muitos mais se lhe juntam,

Formam ideias, derrubam fronteiras…

Caminho na calada da noite sem hora para voltar.

Nos lábios transporto um sorriso sonhador.

Na garganta palavras de amor e paz.

Fujo do medo, persigo a coragem.

Todos acreditam que ambiciono utopias,

Que será melhor voltar para trás.

Já tentei, virei-me… não vi de onde vinha.

Caminho sempre em frente tentando voltar.

Todos sabem o mundo é redondo…

Um dia hei-de chegar.

Caminho porque não
consigo ficar quieta.

Caminho porque persigo sonhos.

Caminho porque se parar morro.

Caminho porque a vida é um caminhar…

… sem paragens nem retorno.

Caminho soltando ideias como borboletas,

Desejos como rajadas de vento,

Fé…

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Medo… tanto medo…

escreversonhar

Medo… tanto medo…

Hoje, ao acender a televisão, novamente as notícias eram os atentados terroristas. Novamente dezenas de pessoas, mortas ou feridas, vítimas da estupidez e fanatismo de minorias que não conseguem distinguir ideais de barbaridades.

Em nome de uma causa, tirada não sei de que mente perversa, destroem, matam e aterrorizam todos aqueles que não concordam com as suas ideologias. Ideologias fruto de ódios irracionais e de manipulação de inocentes que, através de uma deseducação, são instruídos na mais reles e desprezível forma de ódio deste planeta.

Que é feito da tolerância e aceitação?

Cada vez mais, penso que a educação é a melhor arma para tentar colmatar esta tragédia. Se conseguirmos levar uma educação livre de ideologias, tanto religiosas como politicas, a todas as crianças do mundo, não será possível formarmos adultos capazes de refletir e tentarem manter-se longe de qualquer fanatismo e intolerância?

Não deveria interessar a…

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Num mundo distante…

Num mundo distante…

Num mundo distante, onde o sol nunca se põe e a noite não entra, reside uma família diferente. A mãe não ralha, o pai não grita e as crianças não choram. O medo não existe e o calor não queima… acaricia. Os jardins são naturais e as flores as mais belas. Flores de mil cores enfeitam as ruas desenhando arco-íris. Rosas, cravos, malmequeres, lírios do campo… flores singelas todas com o seu encanto. Pássaros esvoaçam de ramo em ramo, insetos que não picam polinizam os campos.

Nessa família todos são iguais, todos são diferentes. São pessoas, animais ou plantas. Vestem-se de mil cores, enfeitam-se de riachos correntes, vestem a brisa e aconchegam-se nos prados. Não têm género, não têm raça, vivem em conjunto e não se desentendem. Lutas não há, discussões muito menos. Os abraços são muitos e beijam incessantemente. O carinho impera e o amor é uma constante. Não reconhecem a noite, mesmo quando aparece, o dia sempre brilha seja com o sol ou o reflexo da lua. A escuridão não existe, foi erradicada de cada canto. O negro é cor linda que aconchega e adormece nos seus braços acariciando-nos, transporta o sono e em seu seio todos adormecem. Não é noite, o sol não se pôs, somente adormece, e a luz permanece nos sonhos felizes, luminosos e recuperadores.

A família acorda e os campos sorriem. Os rebentos crescem em eterna correrias, brincam felizes até serem grandes. Ama-se sem tabus e reproduzem-se sem sofrimento. Ninguém morre… só se transforma. A saudade não habita no coração destas gentes. O mundo vive e avança em perfeita sintonia, sem extinções e sem excessos, num equilíbrio eterno ao longo dos tempos num mundo distante… num sonho urgente.

Fortunata Fialho

Eu sou um pouco assim, leio um livro com outros já em fila de espera. Desconheço o autor da imagem mas adorei-a.

Sabes?

Sabes?

                Neste fim do mundo onde me encontro depois de tantos anos a tentar esquecer o passado tenho coragem de, com todo o amor, te dizer que afinal quem errou foste tu.

            Debaixo destas rugas que invadiram o meu rosto sem que o pudesse evitar, envelhecendo-me precocemente, remoendo num abandono que não cometi estou tentando fazer as pazes com o passado.

 Amei muito, amei até quando o coração se tinha partido e o cérebro deixou de poder tomar decisões conscientes. Amei tanto até o amor se ter tornado medo… desespero. Ansiava pela tua presença e temia a tua chegada. Confundi violência com carinho e proteção, um carinho que me deixava marcas negras, uma proteção que me algemava e amordaçava… uma gaiola dourada era o nosso lar.

            Um dia, depois de mais uma cena lamentável de injúrias e violência gratuita só porque sim, e em que uma visita ao hospital mais próximo se impôs, perdi o nosso filho.

De volta a casa, fraca e cansada, acusaste-me de ser uma assassina.

Apanhei… fui eu que matei!

            Como desejei ter partido com ele!

            No dia seguinte saí… queria desaparecer… morrer. Desapareci por esses caminhos mas alguém me encontrou e não deixou que regressa-se. Chorei, gritei, e até tentei fugir. Ainda bem que não consegui. Mudei o meu nome e fui viver longe. Um dia alguém me disse que me procuravas, que dizias que eu iria pagar caro a fuga, talvez com a própria vida. Chorei e vacilei, e se tu me encontrasses?

             Durante vários dias não consegui sair de casa… estava aterrorizada.

            Os dias passaram e a eles seguiram-se anos, consegui uma vida nova.

Tinha fechado as portas a uma nova relação mas, o amor lutou para me conquistar. Vivi com carinho e compreensão, fui presenteada com filhos, com dias calmos, carinho imenso e respeito absoluto. No meu corpo os negros desapareceram e no seu lugar restaram algumas cicatrizes quase invisíveis, só nas noites de pesadelos elas se evidenciavam. Sim tive muitos pesadelos.

            Agora, olho para os netos que brincam com um avô, que daria a vida por eles, como um grupo de crianças das mesmas idades e escrevo na tentativa de apagar para sempre um passado que está longe mas ainda me assombra. Não sei se te enviarei esta carta, talvez ainda sinta medo desse amor que dizias ter por mim. Amor? Não, não era amor, era posse e maldade. Se não tiver coragem espero que quem a encontre te a faça chegar.

            Despeço-me dizendo que te amei muito, muito mesmo, teria dado a vida por ti. Tu mentiste quando prometes-te proteger-me e em troca retiraste-me tudo… o nosso filho… e até a minha vida tu tentaste tirar.

            Amor em troca de ódio, como pudeste?

            Não te posso perdoar… não te quero perdoar… nunca te perdoarei.

Desta que muito te amou e aprendeu a temer

Uma Maria como tantas outras Marias.

Fortunata Fialho

Calor abrasador

Um calor abrasador queima tudo à sua volta.

Sair à rua não é hipótese que se ponha.

Na penumbra da sala tento fugir ao calor abrasador.

Na mesa uma caneta e um caderno repousam.

Subitamente parecem querer contar histórias,

Caneta velhinha de tinta permanente junto a um tinteiro.

Sebenta de papel reciclado que lembra os tempos de escola.

Encho a caneta e começo a desenhar letras…

Elegantes como só estas canetas sabem desenhar.

Na sebenta uma história de amor e saudade toma forma.

Fala de um amor proibido… sofrido… ardente.

Um amor que luta contra um mundo de preconceito,

Um mundo intolerante… pequeno… tacanho.

Um amor imenso que nunca se acobardou,

Um amor poderoso que enfrenta barreiras,

Transpõe classes… raças… preconceitos…

Um amor que sobreviveu contra tudo e todos.

O calor continua, inclemente e a tinta seca no papel.

As letras continuam a ser história…

De amantes felizes e crianças fruto amor.

De uma família feliz por ter enfrentado as gentes.

Primeira de muitas que moldaram o futuro.

Pioneira de igualdade… respeito… tolerância…

Que sem medo gritou bem alto

Todos somos iguais, todos somos gente.

Fortunata Fialho

Mãe.

Mãe

O corpo pede e a paixão dá.

O amor floresce e a semente germina,

O ventre arredonda e o peito cresce,

O rosto ilumina-se e todos sabem

Vai ser mãe em breve.

O tempo passa e o corpo incha,

As pernas pesam e não dobram,

O calor castiga e o corpo dói.

A hora chega e o sofrimento aumenta,

Um corpo castigado num leito de dor.

A esperança no futuro auxilia na tormenta.

Um choro aflito de quem luta,

De quem se sente perdido num mundo diferente.

No rosto sofrido um sorriso de felicidade.

As dores já são passado.

Um mundo que começa num corpo pequenino.

Ansiosa verifica todos os pormenores.

Apalpa para acreditar.

Um ser perfeito, uma miniatura de gente.

Um coração cheio num abraço ternurento,

Um amor imenso que nasceu do corpo ainda dormente.

Um ser pequenino que nos preenche.

Enlevo da mãe, orgulho do pai…

Flor que desponta envolta em amor e ternura.

E para o mundo grita em silêncio

Sou feliz, estou completa… SOU MÃE.

Fortunata Fialho

Mentira

MENTIRA

Ele chegou com um brilho no olhar, um sorriso travesso e prometeu amor eterno. O namoro foi um interminável desfilar de promessas de um futuro de felicidade.

Ela apaixonou-se e amou sem medos. Sentia-se a mais sortuda das mulheres. Todas as horas eram passadas juntos num qualquer cantinho isolado.

Os encontros com os amigos tornaram-se escaços, pelo menos para ela.

Quando os amigos lhe falavam, os olhos dele adquiriam um brilho estranho e, ela não percebia. Com uma desculpa qualquer forçava-a a retirar-se. Por vezes surgia uma cena de ciúmes injustificados.

Ela, iludida num amor incondicional, ouvia as desculpas e desculpava. Afinal quem ama tem ciúmes.

Infelizmente há diferentes tipos de ciúme.

De casamento marcado os preparativos sucederam-se e uma exigência surgiu. O vestido de noiva não deveria ser muito decotado, ele não gostava. Não estranhou o facto de não poder escolher livremente todas as características do seu vestido de sonho.

No altar prometeram amar, respeitar e protegerem-se até que a morte os separasse. Todos pensaram que iriam viver longos e felizes anos. Afinal todas as pessoas que se amam pensam assim e tudo fazem para que seja verdade.

A lua-de-mel foi fantástica, o local escolhido era idilicamente isolado e paradisíaco.

De volta a casa as rotinas foram-se instalando. Quando o marido chegava era obrigatório estar em casa e de refeições confecionadas, se falhava ele ficava rabugento e de mau humor. Não fazia mal afinal era homem e os homens são mesmo assim. Quando pensava sair com amigos(as) ele inventava sempre um pretexto para adiar.

Lentamente ficou isolada e até a própria família se tornou distante.

As refeições começaram a estar mal confecionadas, a casa com pó, as roupas mal tratadas e as receções pouco calorosas. Na sua ingenuidade não estranhou, não reparou que algo de errado se passava e não era só com ela.

O que vinha sendo anunciado aconteceu, um dia em que o jantar estava ligeiramente atrasado, uma valente bofetada surgiu. De cara marcada e lágrimas nos olhos não queria acreditar. Ele desdobrou-se em desculpas incriminatórias e prometeu que nunca mais aconteceria. Ela apaixonada acreditou e desculpou, afinal a culpa tinha sido sua deveria ter feito a comida mais cedo.

Os dias sucederam-se e a qualquer suposto erro as recriminações sucediam-se fazendo-a acreditar ser culpa sua.

Um dia em que chegou mal disposto, não interessa porquê, as Agrações sucederam-se. De corpo marcado e a necessitar de cuidados médicos, foi ao hospital, tinha caído das escadas. Novamente, ele se desdobrou em desculpas e falsas promessas de um amor imenso, ela crédula ou amedrontada não fez queixa e voltou com ele. Nos dias seguintes foram flores e beijos envolvendo-a, assim na sua teia.

O trabalho corria-lhe mal e ao chegar a casa, vendo um pouco de pó na entrada, começou agredindo com palavras e, quando ela se tentou defender… uma sova.

Envergonhada e humilhada deu entrada no hospital. A polícia chegou, era óbvio que tinha sido brutalmente espancada, e ela olhando para a figura do marido que a olhava do corredor, declarou ter tido um acidente (pouco convincente) no trajeto para casa. O medo tinha tomado posse de si e a necessária força para se libertar suprimida.

De volta a casa os dias eram vividos no terror de falhar alguma coisa e no medo das más disposições dele. As agressões continuaram e ela foi ficando um farrapo incapaz de se defender.

Engravidou e acreditou que a vinda desse filho seria a sua salvação. Com a vinda de um filho ele iria mudar e tornar-se uma pessoa melhor.

Falsa esperança, já na gravidez foi agredida e uma grande contusão tomou conta da sua barriga. A criança nasceu e, como todas as crianças, chorava de noite com fome. Um dia, perante o seu horror a criança foi agredida para se calar.

Pegou no bebé e fugiu, pediu ajuda na polícia e o esposo ficou impedido de se aproximar deles… mas em liberdade.

A criança tinha-lhe dado forças para se libertar mas a justiça pouco ajudou.

Um dia, perante o olhar incrédulo da família, dois corpos jaziam nos mosaicos da sala. Um bebé ainda de meses e, a sua mãe jaziam num mar de sangue.

Ele era seu dono e eles não podiam viver sem ser a seu lado. Tinha o direito de fazer o que quisesse e, se não eram dele, não seriam de mais ninguém.

Numa mentira infame prometeu-lhe amor e, em vez disso deu-lhe terror e morte.

(Este texto é ficção mas quantas mulheres, crianças e homens vivem vidas de terror e violência das quais não têm força para fugir e, quando o tentam perdem a própria vida?)

Fortunata Fialho

Porque hoje é dia do amigo: Amigo. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Amigo.

Que existam amizades em todas as criaturas.

Que um amigo seja precioso e insubstituível.

Que em cada coração caiba mais um amigo.

Que a amizade seja uma contante inevitável.

Um amigo ajuda, acarinha, ama de forma altruísta,

Apoia e orienta quando as dificuldades surgem,

Mostra-nos o bom caminho quando nos perdemos,

Oferece o seu ombro para servir de consolo.

Que se encontre a amizade no latir de um cão,

No miado de um gato, no piar de um pássaro…

Que nunca se magoe um amigo.

Que sejamos sempre os seus melhores amigos.

A amizade de um ser que não hesita em amar,

Que é capaz de dar a vida em troca da nossa,

É um tesouro que devemos guardar junto ao coração.

Podem não falar mas acariciam com o olhar,

Podem não falar mas amam com as suas carícias,

Não condenam, não acusam… amam sem censuras.

Quero amigos… sejam…

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No tempo em que…

No tempo em que…

            No tempo em que os animais falavam o planeta era um lugar onde a harmonia imperava.

            No tempo em que as plantas falavam o campo era um lugar bem mais seguro.

No tempo em que tudo e todos falavam a solidão não existia.

            Pelos campos ecoavam melodias de esperança e felicidade. As crianças adormeciam embaladas por belas melodias e sonhavam com um mundo de magia. Os pais viviam despreocupados pois as amas tinham as mais diversas formas, árvores que lhes forneciam sombra, animais que os acompanhavam, flores que os entretinham… As ervas dos campos acolhiam-nos no seu regaço e embalavam-nos ao sabor do vento. O vento segredava-lhes ao ouvido histórias de mundos encantados, fadas e elfos, ogres e bruxas, de lutas entre o bem e o mal nas quais era o bem que sempre saía vitorioso.

            No tempo em que tudo e todos falavam não existiam machados, armas… maldade. O sol aquecia, o vento acariciava, os rios refrescavam e, puros como nunca, matavam a sede até do mais sequioso. As árvores forneciam sombras frondosas, frutas deliciosas maduras e suculentas. As plantas, deliciosas, ofereciam-se para matar a fome e os homens agradeciam ajudando a que se multiplicassem. O lixo, ninguém sabia o que era, tudo se aproveitava e renovava num ciclo interminável de fartura e beleza. A poluição era uma palavra de tempos ainda não vindos. O ar um bem precioso onde odores se misturavam criando o mais inebriante perfume nascido da natureza.

            No tempo em que tudo e todos falavam pobreza e riqueza eram palavras ainda não inventadas. Nas mesas não faltava alimento e ao seu redor, os mais velhos contavam histórias reais, propagadoras de conhecimento. Todo o idoso era um professor e toda a criança um aprendiz atento. A sabedoria crescia sem parar nas vozes de quem contava aumentando nos ouvidos atentos de quem escutava. Doença… essa ninguém tinha, saúde era uma dádiva divina.

            No tempo em que tudo e todos falavam os deuses não existiam, só a natureza era sagrada. A dor era desconhecida, a morte um adormecer da forma atual para um acordar em tudo o que nos rodeava. Os entes queridos continuavam vivos nas lembranças, nos animais, nas plantas… nunca desapareciam… nunca nos abandonavam. Seres protetores e sábios habitavam a luz e as sombras. O mal tinha o seu reino, isolado, estanque de onde não lhe era permitido sair. Eram maus entre eles e assim também eram felizes.

            O tempo em que tudo e todos falavam perdeu-se. Perdeu-se no gume de um machado, a ponta de uma flexa, na lâmina de uma faca, nas bocas dos intriguistas… O mal derrubou as suas fronteiras e, sub-repticiamente, foi-se infiltrando em todos os lugares. Na infinita sucessão dos dias o bem continua a sua luta e eu acredito, algum dia irá vencer. Ainda um dia vou poder dialogar com as árvores, com o vento, com um riu, com os animais, e em conjunto reaprender. Ainda um dia as crianças brincarão com fadas e duendes, todas serão príncipes e princesas num reino de felicidade e alegria.

            Ainda um dia voltará o tempo em que tudo e todos falavam…

Fortunata Fialho