Tempo. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Tempo

O tempo não tem idade… não sabe onde nasceu.

O tempo é órfão e não sabe.

O tempo é Deus… é saudade…

É Fénix renascendo sempre que se fina.

É imortal… intemporal… eterno.

O tempo tarda… o tempo foge…

Espirito indomável… amante ciumento,

Possessivo, intenso… doce e terno.

Tempo dos amantes… terno e apaixonado,

Tempo dos inocentes… ingénuo e sonhador.

O tempo é criança traquina e apressado.

O tempo é velho… sábio e sensato.

O tempo é meu e não me pertence.

Traidor inclemente passa e não se detém.

Teimoso insensível, nunca volta atrás.

Lento e indolente, teima a tardar,

Rápido foge e não se deixa apanhar.

O tempo não tem tempo… que estranho!

Por vezes corre, outras é tão lento… que raiva!

Quero o meu tempo para te dar tempo,

Para isso preciso do tempo que o tempo não dá.

Tempo (in)justo, (in)clemente, padrasto… pai…

Acalma-te não te…

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Puzzle de palavras.

Peguei numa caneta caixinha de surpresas,

Agitei-a e do seu bico soltaram-se incontáveis peças.

Admirada e um pouco assustada parei.

Como elementos de um puzzle de milhares de peças,

Pareciam convidar-me e dispu-las pela mesa.

Peça a peça construi imensas palavras soltas,

A mesa ficou cheia e as peças esgotaram-se.

E agora? O entusiasmo era tanto que não consegui parar.

Juntei as palavras e construi frases,

Frases sem nexo e um pouco loucas, soltas e livres.

As palavras esgotaram-se e a mesa continuou cheia.

Ainda me aparecia brincar, não conseguia desistir.

Juntei frases que pareciam querer colar-se,

A algumas troquei as voltas e mudei-as de lugar.

Por vezes uma fugia, não se queria encaixar.

Confortei-a, acariciei-a e levei-a a passear.

Passeámos de mãos dadas e por fim encontrou o seu par.

Acabaram-se as frases. E agora?

De braços cansados e sem querer acabar li as frases.

Li o mais lindo texto que poderia imaginar.

Falava de amor e paz, de ternura e gratidão,

De vida, musica, poesia, dança…

De águas puras e cristalinas, de ar livre de poluição,

De um mundo feliz, puro e perfeito,

De todos os sonhos feitos de esperança.

Cansada, adormeci e sonhei que o texto era a realidade,

Que a magia tinha acontecido e desejei nunca mais acordar.

Fortunata Fialho

História de uma noite.

                Um homem abre a carteira e subitamente uma embalagem de preservativos, não usada, cai. No seu rosto desenha-se um sorriso, na noite anterior não tinha sido necessária.

            Finalmente tinha saído com aquela criatura louca e exuberante que lhe despertava todas as sensações e o deixava louco de desejo. O grupo de amigos tinha-se dispersado e eles tinham ficado sós. Caminhando pela rua as suas mãos tinham-se unido e os seus corpos tocavam-se como que atraídos por um desejo não confessado.

            Um aguaceiro desabou sobre si e, encharcados, tinham-se refugiado no apartamento dela. Rindo ela indicou-lhe a casa de banho para que pudesse secar um pouco e tentou encaminhar-se para o quarto para mudar de roupa. Sem que pudessem evitar e porque os seus corpos não lhes obedeciam, permaneceram imóveis com os seus olhares fixos nos rostos que quase se tocavam. Os seus cabelos negros cobriam-lhe a testa e, afastando-os acariciou o seu rosto. Beijou, suave mas intensamente, aquela boca que tremia de desejo. As roupas deslizaram para o chão e os corpos uniram-se num só. Louco de desejo, sentou-a na mesa e tentou penetrá-la. Ela retraiu-se… que diabos!

             “É a minha primeira vez.”

            Não podia ser verdade!

            Uma ternura imensa invadiu-o e, pegando-lhe ao colo, levou-a para o quarto. Suavemente percorreu cada recanto da sua pele, com a sua boca, excitando todo o seu corpo. Suavemente acariciou o seu sexo e ela não se retraiu. Excitada e recetiva, ela deixou que a estimulasse e, quando a sentiu pronta, penetrou-a suavemente. Com movimentos lentos e carícias suaves fez todo o seu corpo vibrar de prazer. Finalmente o ritmo dos seus corpos aumentou explodindo num orgasmo imenso. Carícias lentas nos corpos cansados prolongaram aquele momento.

            Temendo acordar daquele sonho, envolveu-a num abraço e… adormeceram.

            Aquele preservativo continuou intacto.

Fortunata Fialho

Um simples toque. III

escreversonhar

(…) Ondulando ao sabor do prazer, primeiro como em águas calmas, depois num mar tempestuoso, os corpos perdiam-se de si próprios. As carícias sucediam-se de uma forma louca, animal e instintiva. Só o prazer importava, só eles existiam. O suor percorria os seus corpos. Um odor animal pleno de aromas emanados da paixão e do desejo fazia inveja ao perfume das mais aromáticas flores que os rodeavam.

O ritmo aumentava e sons de prazer ecoavam pelo ar. Puros e sem maldade, simplesmente impulsionados por um amor verdadeiro e uma paixão incontrolável, donos do seu sentir deixavam-se levar, ou melhor, elevar ao infinito.

Finalmente explodiram num orgasmo intenso, um orgasmo a dois. Incapazes de controlar os seus corpos sentiram todo aquele prazer imenso, prazer que nunca pensaram poder sentir.

Esgotados e realizados continuaram abraçados trocando carícias, agora sem desejo mas sim com uma ternura imensa. Recusavam-se a voltar à realidade, queriam…

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Um simples toque II.

escreversonhar

(…)

Queria pedir mais mas não conseguiu, uns lábios macios e quentes calaram o seu som, absorveram as suas súplicas. Respiração com respiração, língua com língua, nada mais existia, compreendiam-se sem necessitar falar.

Protegida dos olhares indiscretos no seu jardim particular, perdeu a noção da realidade.

Lentamente as suas roupas deslizaram para o chão misturando-se com as dele.

Quatro mãos num corpo só, tateavam cada poro desses corpos unos e nus. E aquele toque! Como era divinal e como a fazia vibrar de prazer.

As carícias percorriam o seu corpo sem deixarem um pedacinho de pele por acariciar. Como que impulsionada por magia as suas mãos percorriam aquele corpo que a enlouquecida. No seu baixo-ventre uma onda de desejo pedia mais… o toque daquele membro viril enlouquecia-a.

Sofregamente abraçou-o e beijou-o como que suplicando por mais… muito mais. Delicadamente, ele elevou-a e sentou-a no seu colo. Inevitavelmente os seus corpos…

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Um simples toque.

escreversonhar

Sentada num banco de jardim apreciava a paisagem. A calma e dourada planície era como um bálsamo, o dia tinha sido demasiado stressante e estava cansada.

Não o ouviu chegar… o silêncio era tão bom! Subitamente um toque, os seus dedos no seu pescoço rolavam suave e delicadamente. Uma suave caricia percorria o seu corpo. Fechou os olhos e uma onda de prazer avançou em si como as ondas, de um mar calmo, se espraiam pela areia. Todos os seus sentidos se concentraram naquele toque. O seu corpo tornou-se areia e aquele toque o seu mar, calmo e dócil, mas fresco e reconfortante.

Encostou a cabeça naquele peito quente e o bater daquele coração soou como acordes celestiais. Cerrou os olhos, queria sentir sem pensar. Como era boa aquela sensação! Como desejou que aquelas mãos descessem pelo seu corpo e a abraçassem terna e firmemente, que aqueles lábios percorressem o…

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Silêncio da noite. “Quero um poema…”

escreversonhar

Silêncio
da noite.

Acordo e o silêncio da
noite mostra toda a sua intensidade.

Silenciosamente saio da
cama e espreito pela janela do meu quarto.

As estrelas brilham e
iluminam, graciosamente, o firmamento.

Uma chuva de estrelas
cadentes presenteia-me com todo o seu esplendor.

Por momentos penso pedir um
desejo por cada uma.

Missão impossível. São
tantas e passam tão rápido que não as consigo contar.

Um sorriso ilumina o meu
rosto e os meus olhos brilham intensamente.

Não tenho sono mas não faz
mal, se adormecesse perderia toda esta beleza.

Ao longe o silêncio da
noite, com especial fervor, faz-se escutar

Na sinfonia dos grilos
violinistas, das cigarras flautistas,

Das rãs a marcarem o
compasso e do vento num coro fantástico.

Tanta beleza no silêncio da
noite transmite felicidade.

As horas passam e o cansaço
não chega.

Não tenho sono e não estou
cansada, estou maravilhada.

No silêncio da…

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Quero um Poema…

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

Poesia Colorida.

A cor da minha poesia.

Azul… sem dúvida a minha poesia é azul.

Azul como o céu, azul como o sonho, azul como o mar.

Azul… como o sentimento… como o amor.

Azul como o carinho do teu olhar.

Por vezes vermelha de dor, vermelha… como um vulcão.

De um vermelho tão intenso que cega e… onde me perco.

Vermelha… quando ardemos de paixão.

Hoje… amarela, brilhante, como o sol e os seus raios.

Laranja como esta fruta que me delicia.

Verde como os campos na primavera.

Verde como as frondosas copas das árvores.

Verde como a relva onde nos deitamos lado a lado.

Cor de mel como os teus olhos, profundos… intensos…

Dourada… prateada… como o brilho das estrelas.

Cintilante… esplendor dos nossos céus noturnos.

Cinzenta e negra como a dor de perder alguém.

Cinzenta como a tristeza… como a saudade.

Negra como um coração maldoso… insensível.

Eu quero uma poesia colorida… alegre… intensa.

Quero uma poesia arco-íris…

Decompor a luz branca e… escrever colorido.

Quero uma poesia plena de cor… plena de amor.

Afinal a minha poesia é… de todas as cores.

Fortunata Fialho

Muitos parabéns meu filho.

De bicicleta

De bicicleta pela estrada fora os problemas são varridos pelo vento.

O ar puro invade os sentidos fazendo o tempo correr lentamente.

Pedalando, abraçado pelos raios solares, vence as estradas.

Luta com o vento tentando igualar-lhe a velocidade.

Com a chuva pela frente, o calor não incomoda.

A lama envolve o corpo num tratamento de beleza.

Quer pedalar na sua bicicleta e voar pela estrada fora,

Voar mais veloz que o vento em direção ao desconhecido.

Ver o sol nascer e deleitar-se com o seu esplendor,

Captar toda a beleza que o cerca para recordar eternamente.

As rodas rolam sem parar e os quilómetros sucedem-se,

A alegria instala-se e os problemas ficam para trás.

Numa fuga à realidade pode voltar a ser criança.

Perseguir o nascer do sol e aprisionar o seu colorido,

Voar como uma folha na rajada de outono,

É leve como uma semente que procura onde germinar.

De bicicleta o mundo é mais belo,

De bicicleta o tempo não passa… e pela estrada voa.

Fortunata Fialho