Puzzle de palavras.

Peguei numa caneta caixinha de surpresas,

Agitei-a e do seu bico soltaram-se incontáveis peças.

Admirada e um pouco assustada parei.

Como elementos de um puzzle de milhares de peças,

Pareciam convidar-me e dispu-las pela mesa.

Peça a peça construi imensas palavras soltas,

A mesa ficou cheia e as peças esgotaram-se.

E agora? O entusiasmo era tanto que não consegui parar.

Juntei as palavras e construi frases,

Frases sem nexo e um pouco loucas, soltas e livres.

As palavras esgotaram-se e a mesa continuou cheia.

Ainda me aparecia brincar, não conseguia desistir.

Juntei frases que pareciam querer colar-se,

A algumas troquei as voltas e mudei-as de lugar.

Por vezes uma fugia, não se queria encaixar.

Confortei-a, acariciei-a e levei-a a passear.

Passeámos de mãos dadas e por fim encontrou o seu par.

Acabaram-se as frases. E agora?

De braços cansados e sem querer acabar li as frases.

Li o mais lindo texto que poderia imaginar.

Falava de amor e paz, de ternura e gratidão,

De vida, musica, poesia, dança…

De águas puras e cristalinas, de ar livre de poluição,

De um mundo feliz, puro e perfeito,

De todos os sonhos feitos de esperança.

Cansada, adormeci e sonhei que o texto era a realidade,

Que a magia tinha acontecido e desejei nunca mais acordar.

Fortunata Fialho

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