Raio de luz.

Raio de luz

Pelo meio de mil nuvens, negras e sombrias,

Um tímido raio de luz espreita.

Ao longe, a uma criança de olhar triste,

O raio de luz acaricia o rostinho.

Os olhinhos iluminam-se e o raio cresce.

As brincadeiras sucedem-se.

Feliz, o raio viaja e pelos campos rodopia… dança.

No seu rodopiar aquece os solos, fá-los brotar.

Lindas flores cobrem o seu palco, perfumando os seus passos.

As nuvens comovem-se e choram grossas lágrimas

Regam os campos e engrossam os riachos.

Brancos lenços de nuvens algodão secam-lhes as lágrimas.

Lentamente, afastam-se e surgem mais raios de luz.

Das casas, bandos de petizes correm para na rua brincar.

E os raios de luz juntam-se… engrossam… alargam-se.

A timidez acaba-se e as nuvens libertam o caminho,

Agora o sol brilha e nos olhos de cada criança

Reflete-se em diamantes de felicidade.

O raio da luz, agora, é um gigante luminoso

Portador do calor do sol… entregando alegria…

Aquecendo a terra… abraçando os nossos corpos…

Raio amante… ternurento… fonte de vida…

Fortunata Fialho

👯 O dia em que tudo ficou azul.👳

escreversonhar

O dia em que tudo ficou azul.

Podem não acreditar mas foi verdade, verdadinha.

Ontem choveu todo o dia e eu e a minha mana não pudemos brincar na rua.

Como nos apetecia ir brincar de esconde-esconde!

Quando a mamã nos mandou para a cama e nos deu um beijo de boas noites disse: sonhos azuis. Eu sorri e sonhei que brincava em castelos encantados sobre nuvens azuis.

Acordei cedo e quis ver se chovia, espreitei pela janela e o céu estava todo azulinho. Boa podemos brincar na rua!

Corri para o quarto da minha mana e acordei-a.

– Vamos brincar lá para fora.

Comemos à pressa e abrimos a porta.

Um pássaro azul pousou na nossa árvore. Estranho a árvore também era azul e estava cheiinha de laranjas azuis, iahc não deviam saber lá muito bem. Abelhas azuis pousavam nas flores azuis, engraçado ontem eram de muitas cores. Uma…

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Marmitar

escreversonhar

Hora do almoço, por todo o lado surgem marmitas. Só um micro-ondas complica tudo, mesmo assim tem de ser tratado com carinho… se ele avaria estamos tramados.

Forma-se fila de espera para aquecer o almoço.

Já aqueces-te? Posso?

Eu já estava à espera, por isso aguenta um pouco.

Marmitar está na moda. Um desfile de marmitas último modelo, sucede-se. Outras, como a minha (sim porque eu também marmito), parecem vindas de outros tempos.

Que tens hoje para o almoço?

Que bem cheira a tua comidinha! Tens de me dar a receita.

Entre modelitos de conjuntos de refeição e conversas da treta o almoço vai decorrendo. Entenda-se que a conversa da treta não é depreciativa, a conversa até é interessante, os temas é que não são de grande interesse. Não poderia ser de outra forma… conversas sérias podem causar indigestão. Temas leves é o que interessa, para chatear já basta o…

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😊💋 Mais uma de: “Simplesmente… Histórias”💋😊

escreversonhar

Passaram vinte anos. Um dia numa curva do caminho o destino surpreendeu ambos com um inesperado reencontro. Nada tinham feito para que tal acontecesse, nunca o poderiam ter tentado.

Os seus olhares cruzaram-se e os corações bateram intensamente, será que era verdade? Ambos pensavam que o outro já não existia. As batalhas de uma guerra, tão injusta, tinham-nos separado, julgavam que a morte lhes tinha levado aquele que tanto amavam.

As lágrimas rolaram e a voz sufocou. Tanto por dizer, tanto tempo para recuperar.

Silêncio… as palavras teimavam em não sair. Caíram num abraço forte, num abraço pleno e, através do calor dos seus corpos e de um intenso mar de lágrimas disseram, sem palavras, tudo quanto havia para dizer. Com seus soluços mataram saudades, confessaram sofrimento e partilharam a infinita alegria daquele reencontro. O calor dos seus corpos transmitiu amor, um amor intenso, verdadeiro e… entregaram-se, um ao outro…

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Agora é assim.

Agora é assim.

            Duas pessoas de telemóvel na mão vão passear os seus cães. Esquecem-se de lhes tirar as trelas para que possam brincar. Ignoram tudo o que os rodeia, nem sequer sabem o que por lá está.

Os animais cumprimentam-se, eles nem se olham. Como eles queriam brincar, correr, cheirar e latir de alegria e felicidade. Não podem, estão presos à indiferença e alheamento dos seus donos. Soam latidos de tristeza, são os seus choros tristes.

Ao longe a vida continua, passos apressados calcorreiam os caminhos, rostos sem expressão, olhares sem brilho, sorrisos de ocasião… O silêncio impera e só é quebrado pelo som dos aparelhos eletrónicos.

Passeiam os animais e não aproveitam o momento, arejam o corpo e continuam de mente fechada. Povo deprimido envolto em invisível neblina. O sol brilha, mas não lhe aproveitam o seu esplendor.

Vive-se de costas voltas na tentativa de não ser incomodado e passar despercebido sem que tenha de entrar em conversas. Talvez já nem saibam como se mantem um diálogo.

O seu mundo fechou-se num teclado e num pequeno retângulo luminoso. Mundo solitário este que lentamente escolheram! Foi sua opção mesmo que inconscientemente, ninguém os empurrou para esta prisão.

Urge saber dosear o tempo distribuindo-o pelo que interessa. Reduzir o tempo dedicado aos teclados e viver a vida tal como ela se apresenta no mundo real. Ser feliz, dar carinho e amor, receber carinho e atenção.

É urgente reaprender a sorrir e conversar, a rir e partilhar, a gargalhar e amar…

Fortunata Fialho

Primeiro dia de aulas.

Querida Mamã.

Mamã desculpa de ter chorado tanto quando me deixas-te. Eu estava com tanto medo e tentei tanto que tu me levasses para casa novamente. Sabes? Tu não irias ficar para me proteger e era tudo tão grande e novo, eram só caras que eu nunca tinha visto e a escola era muito mais grande que a nossa casa.

               Quando tu te foste embora, uma senhora simpática pegou-me pelos ombros e sorriu. O seu sorriso era tão bonito! Ao meu ouvido disse para eu não ter medo que ela ia cuidar bem de mim e deu-me um abraço muito apertado. Sabes mãe, ela foi muito boazinha para mim e é a minha professora.

               Muitos outros meninos e meninas estavam tão assustados como eu e ela consolou-os a todos. Eu também ajudei um pouco com o meu sorriso. Foi isso que a professora me disse.

               Sabes a minha mochila é igual á de outro menino, vamos ter de ter muito cuidado para não as trocarmos. Fizemos desenhos numas folhas grandes que a professora deu. O meu estava muito bonito e a professora viu logo que eras tu e o papá que me estavam a segurar a mão. Ela perguntou porque é que a tua barriga estava tão grande e eu respondi que a minha maninha ainda morava na tua barriga e precisava de todo esse espaço. Estava a crescer para poder sair e vir brincar comigo.

               Quando fui ao recreio não me senti sozinho pois tinha muitos amigos novos para brincar. Brincámos até ficarmos mesmo muito cansados.

               A professora diz que vou aprender a ler e escrever. Eu queria começar já mas tenho que ter paciência porque vai levar algum tempo. Sabes, eu quero escrever que gosto muito de vocês e que tenho os melhores papás do mundo.

               Beijinhos.

Fortunata Fialho

😔😡”Simplesmente… Histórias”😐😊

escreversonhar

Era o medo o que nos vinha acariciar naquele banco de jardim

As tuas palavras, cortantes como punhais, dilaceravam mortalmente:

‘’Recebi ordens, tenho de partir, embarco já amanhã.’’

As lágrimas queimavam-nos o rosto… as vozes silenciaram-se.

Olhámo-nos intensa e demoradamente… quem sabe se pela última vez.

Tantos voltavam envoltos em mortalhas, frios e inertes… corpos sem vida.

Que medo devastador… abraçámo-nos e, em silêncio caminhámos.

Era a nossa última noite, uma noite que teria de ser eterna, perfeita… inesquecível.

Nessa noite o mundo parou, as roupas caíram e os corpos fundiram-se.

Nunca os nossos sentidos foram tão intensos… nunca fomos tão plenos.

Cada segundo valia uma vida, cada carícia penetrava mais fundo.

Céus, como os nossos corpos encaixavam envoltos na mais sublime das paixões.

A tua pele era a minha pele, o teu suor o meu suor, a tua carne a minha carne.

A manhã chegou e encontrou-nos envoltos, um…

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Tempos modernos.

Tempos modernos.

Lamentável a falta de contacto pessoal!

Ignoramos as pessoas com que nos cruzamos,

As paisagens que nos são oferecidas são ignoradas.

Quantos sorrisos ficam por mostrar.

Que mundo este em que os animais convivem mais que nós.

Eles sim parecem ser os humanos,

Em comunicação permanente recusam ignorar-se.

O outro importa e necessita de atenção.

Aos donos isso não importa.

Tristes tempos em que nos tornámos reféns dos écrans.

Observar o que nos rodeia… só através de uma imagem.

Sentir o aroma de uma flor… será que ainda o possuem?

Falar com os outros… sim, através de mensagens.

Soltem as trelas, deixem os animais brincar.

Ouçam os latidos, os miados… talvez recordem o som das palavras.

Brinquem com eles e lembrar-se-ão de que brincar é maravilhoso.

Corram, riam, gargalhem como se o amanhã não existisse.

Vivam a vida, falem com os outros, olhem-nos nos olhos,

Sorriam transmitindo felicidade e simpatia.

Ofereçam flores e cheirem-nas com delicadeza.

Sintam o vento no rosto e rodopiem num riso contagiante.

Olhem-se nos olhos e digam que os amam,

Que o mundo é muito melhor com amor.

A vida é bem melhor feita de abraços e caricias,

De choro, de consolo, de tristeza e alegria…

De dança a pares, em grupo ou simplesmente a sós.

Copiem a inocência de uma criança que ri sem tabus.

Reparem como as vossas mascotes se divertem

Não conhecem raças ou cores, só companheiros de tropelias.

Sejam felizes superando as distâncias.

Copiem-lhes a espontaneidade, aprendam e sejam felizes.

Fortunata Fialho

Tropeço.

Tropeço.

No regaço um monte de livros,

Amigos incondicionais num abraço.

Pelo corredor caminhei,

Assim às escadas cheguei.

Os pés esses não conseguia ver,

Os degraus, delicadamente tateei.

Um dos degraus falhei,

O corpo tombou, os livros voaram…

Pobres amigos, alguns se desfolharam.

Ingratos… não me ajudaram,

Na queda o corpo magoei.

Em cima deles aterrei,

Nas suas folhas soltas escorreguei,

Nas suas lombadas travei.

Não pensem que fiquei zangada,

Prontamente as lágrimas sequei,

 As roupas alinhei e, pacientemente…

Os livros abracei.

Pobres amigos, tortos desfolhados,

Tal como eu lesionados.

Nos braços os coloquei,

De fita-cola me armei e,

Delicadamente os curei.

Nos meus joelhos uns pensos,

Nos cotovelos umas ligaduras,

No corpo um balsamo.

No regaço um livro aberto.

Nesse mesmo momento comecei a ler…

Assim a dor pude esquecer.

Fortunata Fialho