Natal da minha infância.

escreversonhar

Natal da minha infância

Filha de pessoas sem posses mas ricas em amor cresci numa aldeia pequena muito acolhedora. Como em todas as aldeias alentejanas todos são como família. Ainda hoje os trato como a Ti’ Maria, Ti’ Zefa…. Ti’ Manel, Ti’ Jaquim… Se são todos do meu sangue, claro que não mas serão sempre os tios e tias de todos.

Entre todos os meus tios, primos e avós e os tios de todos nós a ligação era real. Quando alguém necessitava de ajuda todos acudiram. Também quando se tratava da vida alheia também todos tinham algo para dizer, coscuvilhice não faltava.

Não cresci no meio da abundância de bens mas sim numa indescritível abundância de afetos.

Os dias festivos eram muito importantes e nunca deixavam de ser festejados. No Carnaval eram as “filhotes” e os “bêbedos”, na Páscoa as “padinhas” de ervas doces e os “folhados”. No Natal era…

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Saudade.

Saudades

Um sorriso no rosto esconde uma dor na alma.

Uma dor que se agiganta em cada perda que se soma.

Um sorriso no rosto e uma lágrima que se esconde.

Uma gargalhada que sufoca um soluço que se solta,

Um choro que se dissimula numa palavra de alegria.

Um coração que sangra e se renova no amor.

Uma lágrima que se veste com um manto de felicidade.

Saudades de tudo o que nos faz falta

De tudo o que nos foi roubado deixando o vazio.

Uma mágoa que se agiganta no tempo que passa,

Uma ferida que nunca se cura e aumenta lentamente.

Uma lágrima que desliza ao som de uma melodia triste.

Um rio que nasce numa fonte permanente,

Que desliza num leito soltando suspiros e lamentos,

Gritos desesperados em busca do mar infinito.

Um aperto no peito, uma alegria fingida,

Uma busca de cura em novos amores.

Lamento!… Sim lamento.

O coração aumenta, o amor instala-se…

Mas a saudade não se cura…

Só aumenta de cada novo amor que se perde.

Saudades… tantas saudades…

Fortunata Fialho

😭Perder um amigo.😭

Perder um amigo.

Um amigo é um tesouro inestimável.

Uma amizade incondicional onde tudo se dá e nada se espera em troca.

Uma dedicação de um ser que não conhece o interesse,

Onde a simples felicidade é dar amor e carinho.

Alguém que nos espera todos os dias com um sorriso no olhar,

Um abanar de cauda e uma lambidela de carinhosa.

Um ser que se viu crescer rodeada de carinho e…

Que retribuiu com amor incondicional.

Não importa que não fale, só importa que nos ouça,

Que nos console com o seu carinho.

Um amigo que adivinha as lágrimas que não se veem,

Que sabe o que nos vai na alma mesmo quando o escondemos.

Que nos olha em silêncio suplicando um mimo

Que espera pacientemente por um afago ou uma palavra carinhosa.

Um amigo deve ser eterno e… tu serás eterna.

Para sempre habitarás no nosso coração.

Só queria esquecer… não a ti mas sim aquele olhar triste,

A dor que eles refletiam parecendo adivinhar

Que seria este o último que trocaríamos.

Para sempre ficará a dor de não ter podido tornar

Os teus últimos momentos mais humanos,

De não te ter podido dar um último afago.

De te dizer que tudo ficaria bem e o sofrimento iria terminar.

Descansa em paz querida amiga, talvez…

Quem sabe, um dia nos possamos encontrar algures,

Talvez a eternidade nos possa premiar com o reencontro.

Repousa sem dores e feliz para sempre,

Brilha todas as noites num sorriso para nós,

Torna o céu mais rico de amor e ternura.

Fortunata Fialho

📖Brevemente novas surpresas 📑

Quero ser…

Quero ser fogo e incendiar ao mínimo toque teu.

Quero ser chama que ilumina a noite escura e, se reflete no teu olhar.

Quero ser o reflexo de dois amantes abraçados.

Quero ser o brilho de um sorriso teu,

O desejo refletido no teu olhar,

A sucessão dos teus dias, lentos… tranquilos….

Caminhando em busca do infinito inalcançável.

Quero ser amor que cresce de forma exponencial,

Amor crescente… profundo… delicado…

Amor ardente.

Quero ser o mundo e acolher toda a gente.

Mar temperamental e apaixonado,

Riacho tranquilo e lutador, que se agiganta…

Cresce e corre em busca do mar que ama.

Quero ser uma simples gota de água que sobe aos céus

E cai alegremente sobre um campo verdejante.

Quer ser flor singela e bela crescendo

Num campo verde brilhante… húmido…

Enfeitado por um colar de diamantes de orvalho.

Quero ser gargalhada na boca de uma criança.

Pura, cristalina, inocente e plena de esperança.

Quero ser ingénua, sonhadora, pura e transparente.

Sonhar o impossível, lutar pelo futuro…

Agarrar a vida… afastar a morte.

Quero viver eternamente…

Nem que seja na lembrança das gentes.

Quero ser uma estrela brilhante…

Mesmo que perca o brilho em cada amanhecer.

Quero ser palavra que se transmite

No imaginário de algum livro em cada estante.

Fortunata Fialho

😉Para aguçar um pouquinho a vossa curiosidade… brevemente haverá novidades. 😉

(…)

Acordei com uma vontade louca de trabalhar. Até parece que é verdade! O certo é que preciso mesmo de preparar algumas aulas, o tempo não perdoa e a verdade é que não estou de férias e, todo o tempo que roubei ao trabalho vai-me sair bem caro. Apesar de já ter vários anos de experiência, não consigo lecionar sem previamente preparar as aulas. Tenho de ter estratégias delineadas pois, cada turma é um caso e cada aula uma situação diferente, nunca sabemos qual vai ser a reação dos alunos. Por vezes o que temos programado sofre uma viragem de cento e oitenta graus. A monotonia é algo que não nos atinge, cada dia é uma surpresa e temos de estar preparados para tudo.

Recordo um aluno que, alguns anos antes, surgiu transferido de uma zona problemática da grande Lisboa. Vinha com alguns problemas de comportamento e a família pensou que um meio mais pequeno lhe podia ser benéfico. Na primeira aula e, vindo do nada, disse com a maior descontração:

“Tenho aqui uma ponta e mola (faca bastante usada por delinquentes)”

A minha reação foi a de não mostrar qualquer estranheza ou receio e respondi:

“Ai sim. Então mostra lá, eu guardo-a até ao final da aula.”

A faca nunca apareceu e o aluno disse que tinha sido só uma brincadeira. Mais tarde vim a saber que a dita cuja existia mesmo. A intenção tinha sido a de me intimidar e a minha reação surpreendeu-o de tal forma que o deixou sem palavras. Resultou, mas poderia ter corrido muito mal. Dias mais tarde, quando saía da escola, comecei a ouvir gritos e pensei que deveria estar tudo louco. Qual foi a minha surpresa quando, esse mesmo aluno me colocou uma cobra bem perto do rosto. Claro que me assustei, mas consegui disfarçar sem que ele se apercebesse. Com a maior, falsa, descontração disse: “Que gira, posso fazer-lhe uma festa?”. O aluno deixou de rir e perguntou se não havia nada que me assustasse. Nem fez a mínima ideia de que o meu pobre coração parecia querer sair do peito, lógico que a cobra não era venenosa e eu sabia, mas quem não se assustaria com a insólita visão?

Penso nos tempos passados e não consigo perceber quando comecei a ser menos exigente, o processo foi gradual, mas real. Os resultados são maus, então temos de os melhorar, mas os alunos continuam a não querer estudar e o insucesso escolar tem de diminuir. Está-se mesmo a ver no que esta situação se tem tornado…

(…)

Fortunata Fialho

Fogo de Artifício. “Poesia Colorida”

escreversonhar

Fogo-de-artifício.

Meia-noite… não… hora zero do novo ano.

O fogo-de-artifício ecoa e ilumina os céus.

Por todo o lado se formulam desejos ao ritmo das badaladas.

Ao mesmo tempo, exorcizam-se os demónios com ruídos ensurdecedores.

Os céus cobrem-se de lágrimas luminosas,

Choram o ano que termina e iluminam o que nasce.

Gritos e gargalhadas ecoam pelas ruas.

Sob o efeito de champanhe ou espumantes baratos,

A ilusão de que nada pode correr mal sobe.

Ao menos hoje somos todos felizes.

Rompendo o escuro, luzes brilhantes, explodem incansavelmente.

Fogo maravilhosamente efémero explode em mil tons.

Olhos, iluminados brilham e as mentes sonham.

Fogo-de-artifício, fonte de euforia, absorve os nossos sentidos.

Olho o espetáculo luminoso ao longe e desejo…

… desejo um mundo perfeito de paz, amor e carinho.

Desejo que as balas se transformem em foguetes,

Que iluminem o rosto das nossas crianças,

Que façam brilhar eternamente os seus olhos,

Que…

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E se…

E se…

E se o mundo fosse um sonho sonhado por uma criança?

Todos os dias mudava conforme o seu desejo.

Num dia teria Dragões e Ogres em luta eterna,

Noutro, princesas e príncipes em cavalos alados.

Por vezes campos floridos repletos de fadas,

Outras, palco de guerras intergalácticas

Onde a humanidade sempre acaba vencendo.

E se nesta vida não existissem guerras?

Ninguém lucraria com armas nem intrigas,

Não haveria raças, todos seriam iguais.

Não existiriam credos nem deuses, todos acreditariam na bondade.

Todos dariam as mãos numa partilha constante.

E se não existisse poluição?

Os rios e os mares só transportaram vida,

As águas permaneceriam cristalinas e puras,

Os campos seriam para sempre verdejantes e coloridos de mil cores.

Os animais não adoeceram nem se extinguiram,

Os insetos não picariam, as borboletas seriam ainda mais belas,

Os pássaros treinaram em sinfonia, cobertos de penas coloridas.

E se… todos quisessem… o mundo seria um lugar bem melhor.

Fortunata Fialho

Crónica de um mexerico.

Crónica de um mexerico.

Sim, não tomei conhecimento por terceiros, eu estava lá quando tudo começou.

Era um final de dia em que o calor teimava em não amainar, subitamente a porta abriu-se e eles entraram. Estavam cobertos de suor mas pareciam pessoas honestas. Eram desconhecidos no bairro e procuravam alguém de quem não consegui ouvir o nome. O empregado pelos vistos também não conhecia essa pessoa pois a resposta foi curta e simples “Nunca conheci esse senhor, não deve ser desta zona”. O assunto parecia ter terminado ali, as pessoas agradeceram, olharam em redor e saíram.

No dia seguinte passei por um grupo de vizinhos que me olharam de forma estranha. Sem me importar segui caminho quando, subitamente, me tocaram no braço e perguntaram “É verdade que ontem uns sujeitos, de aspeto duvidoso, ameaçaram as pessoas no bar por não lhe terem dito onde morava a pessoa por quem perguntavam?”.

A minha surpresa foi total, de onde tinha vindo toda esta conversa?

Amavelmente desfiz o equívoco e expliquei o que realmente tinha presenciado e segui caminho, pensava eu que tudo tinha ficado esclarecido. No dia seguinte a campainha da porta tocou, um agente da autoridade identificou-se e pediu para eu lhe contar o que se tinha passado pois tinha recebido uma queixa de que uns indivíduos suspeitos andavam rondando o bairro e os moradores andavam assustados. Supostamente eram os mesmos que eu tinha visto no bar.

Era uma realidade, as pessoas tinham-se transformado em bandidos perseguidores altamente perigosos. Pobres criaturas que nunca mais tinham aparecido no bairro nem nas imediações.

Perante toda esta confusão provocada pelos mexericos de quem não tem mais nada a fazer, se me perguntarem se a língua do povo é perigosa para o coitado que for seu alvo, eu diria, sem hesitação, que sim.

Fortunata Fialho

Nunca mais é sábado

Durante toda a semana pensei:

-Nunca mais é sábado.

Chegou o sábado e o que aconteceu? Passei o dia a limpar a casa, tratar de roupa, cozinhar,…

Descanso que era bom, nem vê-lo. Durante a semana o tempo não dá para tudo e a desarrumação acumula-se.

A empregada só trabalha com a patroa em casa, e esta está lá tão pouco tempo que não consegue fazer a criatura trabalhar.

De notar que a funcionária sou eu depois de colocar o avental e pousar a pasta do trabalho.

Enfim amanhã é domingo…

O domingo chega, elaboro materiais para a escola, durante a semana o tempo não foi suficiente para fazer tudo quanto era necessário. É altura de testes e os prazos não perdoam.

Apanho roupa, estendo roupa, cozinho, passo a ferro,…

Bolas, estou tão cansada!

O fim-de-semana foi-se e de descanso nada.

Neste momento só penso:

-Nunca mais é segunda-feira.

Fortunata Fialho