Um copo.

Um copo.

Um copo meio cheio repousa na mesa do café.

Uma mão trémula hesita em lhe pegar.

No rosto um sorriso doce e idiota aflora.

Os raios do sol incidem no líquido e iluminam o seu rosto.

O sol, aprisionado no copo, é seu e brilha como nunca.

Ninguém sabe mas ele é a pessoa mais feliz do mundo.

Possui o maior tesouro do mundo… vai ser pai.

A esposa telefonou e a novidade chegou… são gémeos!

Devia estar assustado… dois de uma só vez… felicidade a dobrar…

Pelo rosto rola uma lágrima e cai no líquido que estremece.

Desiste… está feliz demais para beber.

Deposita o dinheiro na mesa e sai.

Precisa de ar, rir como um idiota, dançar e talvez gritar.

Gritar ao mundo que é feliz, que o mundo lhe pertence.

Vai ser pai… vai ser pai…

E o copo? O copo continua meio cheio numa mesa de café.

Fortunata Fialho

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