Cobardia.

Cobardia…

Cobardia, tanta cobardia.

Um cobarde mata, viola, persegue, ofende…

Um cobarde culpa os outros dos seus próprios erros.

Um cobarde esconde-se da própria cobardia.

Cobardemente usa os outros como bem entende.

Apelida de cobarde todos os que o enfrentam.

Um cobarde usa e fomenta a guerra,

Esconde-se na retaguarda e envia outros para a morte.

Idolatra a violência e o fanatismo.

Incita à violência e manipula sem nunca dar a cara.

Cobardia é descarregar em alguém as nossas próprias frustrações.

Cobardia é não assumir os erros, não dialogar e, muito menos, ouvir.

Cobardia é não olhar em frente e, apesar do medo, avançar.

Cobardia é viver sem tentar… sem arriscar…

Fugir do mundo… isolar-se…

Cobardia é fingir-se surdo, cego e mudo para não ter de reagir.

Cobardia é não tentar mudar o mundo.

Fim à cobardia… viva a coragem!

Usem o medo com fonte de poder e… vençam.

Timidamente protejam, ajudem, incentivem…

Terminem com as guerras…

Deixem que o amor e a paz permaneçam.

Timidamente transformem-se em coragem.

Com medo, sejamos corajosos… vençamos a cobardia…

Transformem o mundo… dialoguem… interajam…

Fortunata Fialho

Nascer…

Parem! Não quero! Estou bem aqui. Deixem-me em paz.

Não sei o que se passa! Não fiz nada de errado! Então porque estou a ser expulso?

Que medo! Estou a ser apertado, quero espaço… Isto não se faz.

Que é isto? Estou encandeado! Será esta a luz de que a mamã me falava?

Mamã, mamã onde estás? Estou a ouvir a tua voz, mas, afinal qual és? Há… és tu! Abraça-me, estou assustado… canta-me aquela canção com que me embalavas.

E o meu papá? Não era, também, ele que me acariciava e me contava histórias?

Não, não me largues… Espera, conheço estas mãos e esta voz. És o meu papá.

Tenho medo, tudo à minha volta é imenso! Que lugar é este?

Tenho saudades da segurança que me envolvia, ali ninguém me perturbava.

Sei que não posso voltar. Fechaste a porta e perdeste as chaves. Era o meu lar…

E agora, como vai ser? Também tenho uma casa? Vão-me continuar a amar?

Espera… que estou a sentir? Fome? Então já não me alimentas? Tenho fome!

Choro… não vez que choro? Quero comer… como me alimento?

Queres que chupe ai? Não costumo comer assim… Está bem, vou experimentar.

Que macio! Que é esta coisa branca? Hum… sabe tão bem.

Mamã, papá não deixem que nada de mau me aconteça… Afinal o que é mau?

Não distingo o bem do mal. Para mim só existem coisas boas, só conheci o vosso amor.

Tenho medo… tudo é desconhecido, tudo me assusta. Que é o mal? Ensinam-me?

Está bem, vou confiar em vocês, por favor protejam-me… sempre. Tenho medo…

Fortunata Fialho

Bolas de sabão.

Bolas de sabão

No ar ecoam risos de crianças, gargalhadas puras e cristalinas.

Entre pulos de alegria a correria não para.

Pelo ar sobem bolas de sabão, balões frágeis de mil cores.

Mundos coloridos que se elevam transportando sonhos e inocência.

Mãozinhas ansiosas perseguem-nas, querem-lhes tocar.

Frágeis elas rebentam nos seus corpinhos meio desnudos.

Molhados e felizes correm e riem…

Capturaram o sol, a lua e … talvez as estrelas.

Joias brilhantes enfeitam os seus corpinhos,

Tesouros imaginários… bolas de sabão.

E no ar as estrelas brilham, e caiem sobre elas…

Cascatas de mil cores, húmidas e leves.

Fontes de felicidade espalham alegria.

Bolas de sabão… balões mágicos e frágeis.

Bolas de sonho aprisionadas nas suas mãos…

Fortunata Fialho

Amor… “Poesia Colorida”

escreversonhar

Amor…

Amor é vida, luz, sombra, entrega, êxtase…

Amor é compreensão, ternura… aceitação.

Amor é entrega, respeito e carinho.

Amor é paixão, fogo… ternura.

Eu amo, amo sem restrições, amo sem limites.

Amo adormecer e acordar a teu lado,

Amo o brilho dos teus olhos, cada curva do teu corpo,

Cada imperfeição da tua pele, cada ruga do teu rosto.

Amo o sorriso dos nossos filhos,

Vê-los crescer plenos e íntegros.

Amor… é estar contigo, sentir o teu calor, ouvir a tua voz.

Amor é o brilho de felicidade nos olhos de uma criança,

A felicidade dos nossos filhos quando nos acompanham.

Amor é lutar por um futuro melhor.

Amor é rever-nos no brilho do seu olhar.

Amor é amar para libertar.

Amar é derrubar barreiras só para estarmos juntos.

Amor é dormir nos teus braços e acordar ao teu lado.

Amor é ir dormir amuados e acordarmos abraçados.

Amor…

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Frio

Frio

Frio ingrato que não me deixas, com esse teu encanto branco e brilho de diamantes, deixa de acariciar o meu pobre corpo. Venha um raio de sol para me aquecer.

Sempre que ao acordar espreito pela janela lá estás tu, branco e frio, cobrindo tudo à minha volta. Nada é mais desagradável do que iniciar o dia tiritando de frio, confesso que até os dentes estão sofrendo com tanta agitação.

Frio amigo incansável que não sabes ver quando és inconveniente, que me entras em casa sem ser convidado, que te infiltras pelo dia fora, e que no final sempre te acolho com um sorriso. Sim, quando me vens salvar do calor intenso do verão.

O verão já vai distante e tu resolves-te montar arraiais junto a mim. Por favor, tira umas férias e volta lá para março ou abril quando o calor me vier visitar. Sei que juntos serão a minha melhor companhia e, acredita, vou adorar a tua companhia.

Sei que me adoraras mas por favor chega de abraços. Estou a congelar pouco a pouco, a cada carinho teu a minha temperatura baixa. A continuares, em breve serei um simples boneco de neve plantado no meio do meu quintal.

Querido frio confesso que a nossa relação está por um pequeno fio de gelo que ameaça quebrar ao mais pequeno toque. Todas as estalactites com que me tens presenteado ameaçam ruir sobre a minha cabeça.

Não me causes mais danos por favor.

Frio meu, prometo que no verão te voltarei a acolher de braços abertos.

Fortunata Fialho

Inverno.

escreversonhar

Inverno

O vento assobia lá fora… bate em todas as janelas.

Placa todas as portas na vã tentativa de entrar.

Desesperado percorre todas as ruas.

Ninguém sabe se foge ou procura algo.

Eterno caminhante anuncia o inverno.

Persegue as folhas das árvores que se lhe adiantam,

Empurra grossas gotas de água projetando-as sobre as calçadas.

Nas suas rajadas voam prenúncios de frios.

Frios intensos que gelam os ossos.

Pessoas caminham apressadas,

Quentes casacos colam-se aos corpos.

Quentes cachecóis ondulam ao vento.

Exausto o vento adormece,

Agora é brisa que enternece.

A geada, sorrateira, cobre os campos.

Um manto branco brilha sob as estrelas,

Lençol de diamantes cobrindo todos os cantos.

Um cheiro acre sente-se no ar,

Ténues neblinas contornam as casas.

Mil lareiras os lares aquecem.

Entre lágrimas de fogo e sombras incandescentes

Histórias de encantar ecoam nas salas,

Risos de crianças de olhos sonhadores

Enriquecem as noites, fruto de…

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Sopro

Sopro.

Num sopro, suave e quase inaudível, o vento conta segredos.

Numa carícia fala de amores clandestinos,

Transporta gemidos de prazer… gemidos de felicidade.

Sofregamente beija-nos o corpo e envolve-nos num terno abraço.

Num sopro aquece a alma e faz-nos sonhar.

Eleva-nos aos céus, transporta-nos ao Olimpo.

Num sopro confesso o quanto te amo.

Num sopro convido-te para a minha cama.

Partilhamos os corpos e, num sopro do tempo, enchemo-nos de beijos.

Soprando carícias, perdemos a noção do tempo.

Num sopro violento os nossos corpos explodem de prazer.

Num pequeno sopro, nossos corpos se separam,

Nossos lábios se colam, nossos olhos se fecham…

Nas asas do sono descansamos… abraçados.

Ao sopro das nossas respirações acordamos.

Num sopro de tempo nascemos… vivemos… morremos…

Fortunata Fialho

Confinada.

Confinada

A senhora está confinada, até ao dia … não poderá sair de casa.

Paciência, o tempo passará e tudo ficará bem.

Passam-se os dias e o teletrabalho aperta.

E-mail para aqui, e-mail para ali, videoconferências…

Sempre em casa… vale-me o quintal e o sol que desperta.

O aquecimento mata o frio, o trabalho o tédio.

Falar com os vizinhos… sem me aproximar dos muros.

Desculpe mas não o posso receber em casa.

Até parece que sou uma criminosa.

Pobre de mim, condenada por algo que não fiz.

Os dias passam e o anunciado aproxima-se.

O e-mail desejado chega: Pode voltar.

Finalmente posso sair, finalmente sou livre.

Preparo tudo para segunda ir trabalhar.

O telefone toca e a caixa de correio eletrónico enche.

A senhora está novamente confinada

Até ao dia … não pode sair de casa.

Bolas! Que mal fiz eu? Querem lá ver!

Será que estão a brincar comigo ou de um complô se trata?

Fortunata Fialho.

Ontem… Hoje… Amanhã…

Ontem estava triste, o mundo era padrasto ruim.

Ontem deambulei pelas ruas e… chorei.

Ontem estava perdida mas me encontrei.

Ontem cai nos teus braços e… sorri.

Ontem o teu corpo uniu-se ao meu e… sonhei.

Ontem amaste-me e eu… revivi.

Ontem dei-me sem limites, entreguei meu corpo e… ganhei.

Ontem os orgasmos eram fogo-de-artifício.

Ontem o mundo foi o nosso quarto e o céu os teus olhos.

Ontem a tristeza esfumou-se e o sol brilhou intensamente.

Ontem morri e contigo ressuscitei.

Ontem esqueci a tristeza e relembrei a felicidade.

Ontem ouvi doces melodias envolta em perfumes intensos.

Ontem… que fantástico ontem!

Hoje estou feliz e o meu coração bate intensamente.

Hoje penso que o mundo é meu e que o meu mundo é lindo.

Hoje revejo-me em meus filhos e fico contente.

Hoje gosto da vida, do sol, do vento e do vosso riso.

Hoje amo o passado e estou apaixonada pelo futuro.

Hoje dispo-me de tristeza e cubro-te com beijos.

Hoje vibro de desejo e tremo com carícias.

Hoje sou mulher, luz, chuva e porto de abrigo.

Hoje colori a escuridão com as cores do arco-íris.

Hoje sou passado, futuro, colo e amor.

Hoje sou felicidade, leveza e brilho.

Hoje sou eu, tu, eles e… nós.

Hoje… sou… aquilo que quiser…

Hoje… vou viver.

Para sempre, para mim, será sempre hoje.

Amanhã o sol vai brilhar e eu vou sorrir.

Amanhã abraço o mundo e embalo-o nos meus braços.

Amanhã tu e eu seremos só nós.

Amanhã vou ser amante louca e cair, rendida, no teu regaço.

Amanhã, louca e desinibida, serei o teu céu e, tu o meu mar.

Mergulharei no teu corpo e explodirei em ondas de prazer,

Acariciarei o teu corpo e perder-me-ei no teu sal.

Beberei todas as tuas gotas e navegarei teu corpo.

Amanhã terei só orgasmos, serei só sentidos e,

Naufragarei nos teus braços.

Amanhã será só prazer… sentir… amar.

Amanhã serei… simplesmente… eu… nós…

Fortunata Fialho

Brisa.

escreversonhar

B

Uma leve brisa
beijou o meu rosto, suave e delicadamente.

Segredou ao meu
ouvido todos os segredos do mundo.

Confessou que no
ar paira o amor e a paixão,

Que também
transporta o ódio e a intolerância.

Agita-os para que
se misturem… espera que o bem apague o mal.

Com gotas de
orvalho chora o seu insucesso.

O ódio não se
dissipa e a intolerância teima em crescer.

O amor e a paixão
aliaram-se á compreensão e ternura,

Armaram-se de
beijos e abraços e montam a brisa.

Como Cavaleiros de
armadura reluzente bramem suas armas.

A brisa, como um
cavalo alado, corre em seu auxílio.

Cansada, a brisa
descansa… repousa em meu redor.

Sofreu tantas
derrotas e tantas vitórias…

A luta é eterna… o
descanso efémero…

A brisa acaricia o
meu rosto e… segreda:

A luta continua e…
eu nunca desisto.

Numa rajada de
vento eleva-se… gotas de orvalho…

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