E uma incursão na prosa “A Soma dos Nossos Dias”. (O dia a dia dos professores…)

Prefácio

Escrever um prefacio antes de mais é ter o privilégio de estudar uma obra que irá conhecer a luz do dia, que irá ser lida e estudada por todos quantos o desejarem, ler este registo da autora Fortunata Fialho é redescobrir a mulher a profissional da educação além da sensibilidade poética que já conhecia.

“A soma dos nossos dias” ou Diário de um ano lectivo como eu gosto de lhe chamar, mais que um relato de vida, é um livro de questões, uma obra de exorcismo da alma da autora, uma necessidade de partilha. Mais do que meros relatos do seu dia a dia a autora Fortunata Fialho convida-nos e chega mesmo a incitar-nos a uma profunda reflexão sobre que educação damos às nossas crianças, que mundo estamos colectivamente a criar.

Uma das coisas mais interessantes que a autora nos revela neste seu relato é o paralelismo entre as aulas e as viagens de carro, quase numa correspondência ainda que inadvertida entre o comportamento dos jovens na escola e a agressividade dos adultos na estrada. Mostra-nos também o desgaste físico e mental da vida de um profissional da educação, as suas dúvidas, as suas incertezas, as suas carências, às vezes mesmo o desespero da impotência de não se poder fazer melhor.

Ao longo deste livro as preocupações da professora mudam, muda o estado do tempo, muda o estado emocional dos alunos, a Primavera é anunciada não pelos pássaros ou pelo mudança de temperatura mas pelo namorico dos alunos, a violência abranda, o interesse dos alunos começa a subir um pouco, as aulas deixam de ser tão penosas, o trabalho de avaliação aumenta muito o tempo que se rouba à família.

Este livro é também ponteado por algumas situações de bom humor, uma delas mesmo quase no final, e numa situação séria e de enorme responsabilidade fez-me dar uma enorme gargalhada.

“Resumindo, nós devemos de ser seres excepcionais com os quais ninguém se mete, os super-heróis da correcção dos exames. Connosco a segurança é máxima, não precisamos de ajuda. E viva nós os correctores, só espero que ninguém se lembre de nos obrigar a vestir umas cuecas em cima de uns colãs como o super-homem. Se isso acontecer os ginásios vão ser invadidos por professores.”

Em resumo este livro “A soma dos nossos dias” é uma enorme pergunta, uma reflexão a ser feita por todos os educadores desta sociedade, o que e quem queremos ter amanhã? Que podem mais fazer estes enormes heróis que são os professores como formadores de homens e mulheres? Como os devemos apoiar?

Mais do que nos dar respostas a autora Fortunata Fialho deixa-nos muitíssimo bem e cheios de perguntas.

Um livro a ser lido e entendido na realidade de hoje, um livro a ser lido para edificar o amanhã.

Parabéns Fortunata fialho e um enorme obrigado pela honra que me destes ao ler este teu trabalho.

Alberto Cuddel

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