“Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

Durante a minha primeira infância
surgiram na minha casa dois animais. Um lindo gato e um cão.

Devem estar a perguntar-se, porquê um lindo gato e
um simples cão. O facto é que do cão não tenho qualquer recordação, deveria ser
um belo animal mas, não me recordo da sua aparência nem o que lhe aconteceu.

Do gato não sei o nome que lhe puseram, só sei que
passou a ser “Charoco” pois era o que eu lhe chamava. Filho de gata mansa,
comum europeu como se diz hoje, e de um gato bravo que vivia nos campos
circundantes, grande como só ele, cabeça achatada, listado de preto e cinzento
era o meu grande amigo. Eu diria mais o meu grande protetor.

Como todos os gatos de aldeia, vivia connosco mas
tinha total liberdade de entrada e saída de casa. Dormir, dormia na rua que era
o local…

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“Poesia Colorida” – Nas asas de um pássaro.

Nas asas de um pássaro.

Nas asas de um pássaro viajo,

Corto os ares como um duende.

Vivo na magia de um sonho de criança.

Subo às alturas e desço vertiginosamente.

Tento abraçar as nuvens que se desfazem ao toque.

Pinto de branco as nuvens negras.

Agarro nos raios solares e neles me aqueço.

Nuvens viajantes correm comigo

Anunciando sonhos sem fim.

Transformam-se nos meus desejos,

Escrevem futuros para mim.

Abrigo-me sob uma pena solta,

Guarda-chuva improvisado.

Gotas de chuva deslizam,

Caem, em cristais de gelo, transformadas.

Brilham intensas como olhos de fada.

Cansada do voo peço para descer.

Em frondosa árvore pouso devagar.

Numa carícia agradeço à ave.

Que em trinado melódico me retribui.

De folhas verdes faço minha cama.

Ninho improvisado onde termino meu sonho.

Sonho que se eleva nas asas de um pássaro.

Fortunata Fialho

“Abraços De Palavras”. Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia…

Escreve-me de todas as formas.

Escreve-me com beijos e rima-me com carícias.

Transforma os meus gemidos em poemas,

Envolve meus seios em quadras,

Transforma o meu ventre em sonetos.

Destrói os meus medos em sátiras,

Chove-me em gotas de rimas.

Transforma as minhas lágrimas em poemas de amor,

Os nossos orgasmos em vulcões de odes ao divino.

Os momentos mortos em poemas de paixão,

Os dias em epopeias versejadas,

Os segundos em viagens de poemas.

A vida em enciclopédias poéticas,

A dor em poema triste,

A felicidade em declarações poéticas.

Ama-me em ondas de poesia,

Segredo-me aos ouvidos poemas divinos.

Beija-me com palavras de amor.

Envolve-me em ti, minha poesia.

Torna-te o meu eterno poema apaixonado,

O meu poema eroticamente sonhado…

Deixa-me ser para sempre a tua poesia…

Fortunata Fialho

“A Soma Dos Nossos Dias”

(…)

Quem anda, todos os dias, na estrada está sujeito a muitas situações perigosas. Há alguns anos numa curva perigosa, um veículo derrapou em algo e começou a capotar na minha frente. Parecia um carrinho de brincar atirado para o chão. Quase que me atingiu. Quando se imobilizou, na barreira, corri a ver se precisava de ajuda, pensei que o pior lhe tinha acontecido. Surpresa! Um jovem saiu ileso e agradeceu a minha preocupação. O veículo é que estava uma lástima. Foi caso para dizer que os nossos anjos da guarda deviam ser mesmo bons.

Caminho infernal, o sol de frente ao nível do asfalto cegava-me quase totalmente. Os carros surgiam do nada e os limites da estrada dificilmente se percebiam.

Numa curva sofri uma impressionante descarga de adrenalina, aparecido do nada um veículo surgiu a meu lado e a sensação de perigo foi avassaladora. Parecia que me iria abalroar e eu não poderia fazer nada. Foi verdadeiramente assustador.

O sol teimou em cegar-me durante toda a viagem. Abençoadas árvores que, por alguns troços de estrada, me deram um pouco de proteção. É nestes momentos que dou valor aos dias nublados.

Apesar de ser difícil viajar com o sol nestas condições, também tenho o privilégio de assistir aos maravilhosos nascer do sol que nos presenteia com lindas paisagens maravilhosamente coloridas. (…)

Escrevo. " Quero um poema…"

escreversonhar

Escrevo

Escrevo e as palavras parecem teimar em tardar.

Dedilho as teclas e tento encontrar um rumo.

Pelo meu rosto rola uma lágrima de tristeza e dor.

Os pensamentos vagueiam num tempo que já não volta.

Perdida na falta dos afetos que me foram roubados,

Dos colos que me reconfortaram, das mãos que me limpavam as lágrimas.

Como desejo que aqueles que amei e me amaram fossem eternos.

Preciso deles e não os posso abraçar, chamo-os e não podem vir.

Escrevo como quem procura consolo, consolo nas palavras que confortam.

Imprimo e nas linhas que surgem na folha, que absorve as lágrimas, lê-se dor.

Tenho tanta saudade… dói tanto… tanto…

Na folha corre um minúsculo regato, uma lágrima que desliza,

A luz do candeeiro fá-la brilhar com uma estrela.

Que brilho intenso, cintilante!

Em meus lábios surge um sorriso e nos olhos um laivo de alegria.

Como por milagre, a…

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Uma carta

Sabes?

                Neste fim do mundo onde me encontro depois de tantos anos a tentar esquecer o passado tenho coragem de, com todo o amor, te dizer que afinal quem errou foste tu.

            Debaixo destas rugas que invadiram o meu rosto sem que o pudesse evitar, envelhecendo-me precocemente, remoendo num abandono que não cometi estou tentando fazer as pazes com o passado.

 Amei muito, amei até quando o coração se tinha partido e o cérebro deixou de poder tomar decisões conscientes. Amei tanto até o amor se ter tornado medo… desespero. Ansiava pela tua presença e temia a tua chegada. Confundi violência com carinho e proteção, um carinho que me deixava marcas negras, uma proteção que me algemava e amordaçava… uma gaiola dourada era o nosso lar.

            Um dia, depois de mais uma cena lamentável de injúrias e violência gratuita só porque sim, e em que uma visita ao hospital mais próximo se impôs, perdi o nosso filho.

De volta a casa, fraca e cansada, acusaste-me de ser uma assassina.

Apanhei… fui eu que matei!

            Como desejei ter partido com ele!

            No dia seguinte saí… queria desaparecer… morrer. Desapareci por esses caminhos mas alguém me encontrou e não deixou que regressa-se. Chorei, gritei, e até tentei fugir. Ainda bem que não consegui. Mudei o meu nome e fui viver longe. Um dia alguém me disse que me procuravas, que dizias que eu iria pagar caro a fuga, talvez com a própria vida. Chorei e vacilei, e se tu me encontrasses?

             Durante vários dias não consegui sair de casa… estava aterrorizada.

            Os dias passaram e a eles seguiram-se anos, consegui uma vida nova.

Tinha fechado as portas a uma nova relação mas, o amor lutou para me conquistar. Vivi com carinho e compreensão, fui presenteada com filhos, com dias calmos, carinho imenso e respeito absoluto. No meu corpo os negros desapareceram e no seu lugar restaram algumas cicatrizes quase invisíveis, só nas noites de pesadelos elas se evidenciavam. Sim tive muitos pesadelos.

            Agora, olho para os netos que brincam com um avô, que daria a vida por eles, como um grupo de crianças das mesmas idades e escrevo na tentativa de apagar para sempre um passado que está longe mas ainda me assombra. Não sei se te enviarei esta carta, talvez ainda sinta medo desse amor que dizias ter por mim. Amor? Não, não era amor, era posse e maldade. Se não tiver coragem espero que quem a encontre te a faça chegar.

            Despeço-me dizendo que te amei muito, muito mesmo, teria dado a vida por ti. Tu mentiste quando prometes-te proteger-me e em troca retiraste-me tudo… o nosso filho… e até a minha vida tu tentaste tirar.

            Amor em troca de ódio, como pudeste?

            Não te posso perdoar… não te quero perdoar… nunca te perdoarei.

Desta que muito te amou e aprendeu a temer

Uma Maria como tantas outras Marias.

Fortunata Fialho

Insignificantes?

escreversonhar

Insignificantes?

Somos um pequeno ponto no meio de um universo infinito.

Um lampejo de luz no escuro do vácuo sideral.

Somos seres insignificantes num processo de construção.

Somos o ponto que descreve o próprio universo,

Que se empenha na descoberta do infinito,

Mesmo sabendo que nunca o pode alcançar.

Somos o insignificante ponto que ao cair quebra a linha,

Que ao faltar desmorona a construção mais elaborada.

Somos insignificantemente importantes.

Conquistámos a lua, espreitámos de perto outros planetas,

Na nossa insignificância descobrimos curas.

No entanto destruídos civilizações mas, contruímos outras.

Lutamos diariamente contra inimigos invisíveis e… vencemos.

Fizemos avançar a medicina, salvamos vidas…

Ignoramos o medo, ou melhor, assumimos o medo

Mas lutamos com toda a coragem contra inimigos letais.

Amamos… criamos… mas também matamos.

Somos insignificantes mas fazemos toda a diferença.

Que ninguém nos ignore pela nossa insignificância

Não há limites para o que podemos fazer.

E ainda há…

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Uma lágrima

Uma lágrima

Uma pequena gota de água salgada nascida do sentir,

Uma fuga de emoções impossíveis de conter,

Uma limpeza da alma, um renascer contínuo.

Quando a alegria não cabe no coração transborda em lágrimas,

Quando a tristeza nos mata por dentro

 Corre como um rio salgado que desliza pelo rosto.

Uma lagrima é um bem precioso que brota dos olhos.

Transporta histórias de carinho, e amor,

Descreve memórias perdidas no tempo,

Encantos e desencantos de uma vida… de muitas vidas.

Uma pequena gota com brilho de diamantes,

Pequeno tesouro em fuga de um peito dorido

Ou de um coração transbordante de felicidade.

Com lágrimas de dor e felicidade se traz ao mundo um filho,

Com lágrimas de dor se perde um ente querido.

Lágrimas são companheiras de vida.

Com elas enfrentamos o futuro e recordamos o passado.

Uma vida sem lágrimas não é vida

É um simples passar de dias sem sentimento.

Quem sente adora as suas lágrimas, não sabe viver sem elas.

Vive e chora, ama e chora, ri e chora,

Contempla e chora… vive chorando e sentindo.

Amo as minhas lágrimas. Algumas são de tristeza mas, a maioria são de felicidade.

Fortunata Fialho

Nas asas de um pássaro. “Poesia Colorida”

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Nas asas de um pássaro.

Nas asas de um pássaro viajo,

Corto os ares como um duende.

Vivo na magia de um sonho de criança.

Subo às alturas e desço vertiginosamente.

Tento abraçar as nuvens que se desfazem ao toque.

Pinto de branco as nuvens negras.

Agarro nos raios solares e neles me aqueço.

Nuvens viajantes correm comigo

Anunciando sonhos sem fim.

Transformam-se nos meus desejos,

Escrevem futuros para mim.

Abrigo-me sob uma pena solta,

Guarda-chuva improvisado.

Gotas de chuva deslizam,

Caem, em cristais de gelo, transformadas.

Brilham intensas como olhos de fada.

Cansada do voo peço para descer.

Em frondosa árvore pouso devagar.

Numa carícia agradeço à ave.

Que em trinado melódico me retribui.

De folhas verdes faço minha cama.

Ninho improvisado onde termino meu sonho.

Sonho que se eleva nas asas de um pássaro.

Fortunata Fialho

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