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Simplesmente… Histórias

Façam com as palavras aquilo que quiserem, desfaçam-nas:

Separem-nas letra a letra e joguem, brinquem, façam-nas dançar.

Criem novas palavras, palavras de amor e alegria, palavras sãs.

Jamais escrevam a dor e o sofrimento, o ódio e a intolerância.

Escrevam palavras lindas, brilhantes como o sol.

Que brotem como as mais lindas flores num prado de melodia.

Que soem, cristalinas, como o riso feliz das crianças.

Façam com as palavras o que quiserem, esgrimem-nas como adagas.

Deem golpes de frases, decepem a ignorância, disparem conhecimento.

Com um arsenal de letras disparem palavras em rajadas de linhas,

Deixem correr rios de ideias, mares de entendimento.

Derrotem mundos de ignorância, criem países de sábios,

Façam surgir impérios de puros e bons sentimentos.

Não deixem morrer as palavras, curem-nas e estimem-nas.

A sua beleza é imensa e o seu poder incalculável.

Lancem-nas no leito das páginas e misturem-nas.

Elas vão revelar poderes imensos, magias incríveis.

Surgirão histórias, livros, estantes, bibliotecas…

Conhecimentos novos, puros, imparciais e assim…

Poderemos voltar a refletir sem limites, sem tabus, sem censura.

Fortunata Fialho

Gaveta Fechada

Gaveta fechada.

Num poeirento sótão uma velha escrivaninha foi abandonada.

Uma das suas gavetas estava cuidadosamente fechada.

Bem no fundo de uma outra, escondida num cantinho, uma chave.

A chave servia e… curiosa a gaveta resolveu abrir.

Delicadamente envoltas em cetim e um laçarote de fita colorida,

Umas cartas, amarelecidas pelo tempo, repousavam.

Delicadamente o laço desfez e o cetim retirou.

Com mil cuidados as cartas foram-se abrindo.

Falavam dos tempos que já lá vão, de amores antigos,

De desejos contidos pelos preconceitos antigos.

Transportavam beijos enviados às escondidas,

Carícias prometidas em tempos de guerra.

Confessavam medos da morte, de mutilações atrozes,

De matar quem nunca lhe causou dano…

Prometiam prazer e amor eterno no fim da guerra.

Subitamente, um telegrama. Morto em combate.

Enrugado por mil lágrimas, amachucado pelo desespero.

Mais cartas lhe sucediam mas… nunca enviadas.

De si emanavam saudade, dor, desespero… mágoa.

Em cada uma moravam pétalas de saudades roxas

Secas pelo tempo e banhadas em lágrimas

Manchavam o papel de roxo saudade.

Quem as escreveu? Quem as leu?

Um homem e uma mulher como tantos outros

Vítimas da guerra e ambição dos homens.

Fortunata Fialho

Mais em “Abraços de Palavras”

Entre Rosas e Jasmins.

Entre rosas e jasmins um recanto de merendas,

Envolto em deliciosos aromas aguarda.

Um casal apaixonado nele se vem sentar.

Promessas de amor envoltas em delicadas pétalas,

Polvilhada de delicadas flores de jasmim.

Beijos tórridos… carícias suaves…

Corpos que se juntam pela primeira vez.

O jasmim cresce ao seu redor,

As rosas curvam-se ocultando-os dos olhares.

O perfume embriaga e o amor acontece.

Os gemidos são abafados pelo agitar das folhas,

Palavras loucas presas no emaranhado,

Loucos contagiados, os jasmins as rosas vão beijar.

Os ramos entrelaçam-se para os amantes ocultar.

Os corpos vibram e… acalmam-se…

Os ramos soltam-se, as rosas coram, os jasmins empalidecem.

Lentamente deixam os raios do sol entrar.

E o recanto de merendas, outros amantes parece aguardar.

Mais em “A Soma Dos Nossos Dias”

(…)

Primeiro dia de aulas. As escolas ganham vida. O som das crianças invade os corredores. Correrias e gritos voltaram. Enfim… crianças.

Na noite anterior, a maior parte de nós não dorme ou dorme muito mal. Porque será que, nós professores, nunca perdemos este irritante nervosismo sempre que se vai iniciar um novo ano letivo? O passar do tempo devia curar-nos e não o faz. Será que é alguma doença profissional incurável? Mas, enfrentada a primeira aula, o cansaço e o nervosismo parecem desaparecer, é necessário ter energia. Perante a imensa energia dos miúdos é impossível não se ser contagiado.

Caras novas, caras antigas, a cada aula um desfile de crianças enérgicas e com muito pouca vontade de se fecharem dentro de uma sala. Ansiosas por contarem as novidades das férias, mantê-los calados é uma tarefa bastante difícil, vamos ter que impor regras, caso contrário, não seremos capazes de lecionar convenientemente. Impor regras a estas crianças é uma tarefa bastante árdua, mas nós tentamos sempre, recusamo-nos a desistir mesmo sofrendo algumas derrotas pelo caminho. Acreditamos que iremos vencer esta guerra. Quando? Logo se verá.

Hoje, à entrada da escola, duas alunas penduraram-se no meu pescoço e, ternurentamente deram-me um beijo de boas vindas. Parece que afinal ainda há quem fique contente por me ver.

(…)

A Soma dos Nossos Dias

Sou orgulhosamente professora…

Entre histórias vividas por mim e por muitos dos meus colegas, ao longo da sua carreira, e sem pôr em causa ninguém, descrevo situações que são reais e das quais muita gente tem medo de falar. Mudando nomes e muitas vezes sexos, pretendo proporcionar uma pequena amostra do que é ser professor nas escolas públicas nos dias que correm.

                Muitas vezes mal vistos por todos, e mal-amados por pais e alunos, os professores dão o melhor de si para dignificar a profissão, quantas vezes em detrimento da família e do bem-estar.

                Acusados, por muitos de termos muitas férias e poucas horas de trabalho. As pessoas parecem querer ignorar todos os fins-de-semana e os serões passados a trabalhar para a escola, mesmo quando lhes é explicado o processo de trabalho de um professor. As oito horas de trabalho diário são uma miragem na grande maioria dos dias.

As aulas são uma pequena parcela do nosso trabalho. Para que as mesmas aconteçam é necessária uma preparação cuidada e, depois de acontecerem, uma reflexão ainda mais cuidada de forma a avaliar corretamente os alunos e tentar fazer com que evoluam. Quanto a férias, temos tantas como qualquer funcionário ainda com a condicionante de terem que ser sempre em agosto ou, com alguma sorte, nos últimos dias de julho.

                De notar ainda que as situações descritas não se referem ao ano corrente nem a alunos ou professores específicos, mas sim a tantos alunos e professores pelo país fora.

Abraços de Palavras.

Quero um abraço.

Quero um abraço quente e apertado.

Um abraço consolo, um abraço amizade,

Um abraço paixão, um abraço amor.

Quero todo o sentimento num abraço de paz,

Num abraço de respeito… aceitação.

Quero um abraço sem cor, um abraço sem credo,

Um abraço partilha de puro amor.

Quero um abraço que cure, um abraço que dure.

Quero a eternidade num abraço,

No teu abraço… no meu abraço…

Que em todos os lugares se ofereçam abraços,

Se partilhem e passem de corpo em corpo,

Que essa partilha só termine no fim dos tempos.

Um abraço é um bem inestimável,

Saber abraçar é uma arte.

Quem abraça é o maior artista…

Que planta bondade em todos os corações,

Carinho em todos os olhares,

Amor em todo o ser vivo.

Quero o meu abraço especial… precioso,

Aceita o meu abraço… guarda-o no teu coração.

Fortunata Fialho

E uma incursão na prosa “A Soma dos Nossos Dias”. (O dia a dia dos professores…)

Prefácio

Escrever um prefacio antes de mais é ter o privilégio de estudar uma obra que irá conhecer a luz do dia, que irá ser lida e estudada por todos quantos o desejarem, ler este registo da autora Fortunata Fialho é redescobrir a mulher a profissional da educação além da sensibilidade poética que já conhecia.

“A soma dos nossos dias” ou Diário de um ano lectivo como eu gosto de lhe chamar, mais que um relato de vida, é um livro de questões, uma obra de exorcismo da alma da autora, uma necessidade de partilha. Mais do que meros relatos do seu dia a dia a autora Fortunata Fialho convida-nos e chega mesmo a incitar-nos a uma profunda reflexão sobre que educação damos às nossas crianças, que mundo estamos colectivamente a criar.

Uma das coisas mais interessantes que a autora nos revela neste seu relato é o paralelismo entre as aulas e as viagens de carro, quase numa correspondência ainda que inadvertida entre o comportamento dos jovens na escola e a agressividade dos adultos na estrada. Mostra-nos também o desgaste físico e mental da vida de um profissional da educação, as suas dúvidas, as suas incertezas, as suas carências, às vezes mesmo o desespero da impotência de não se poder fazer melhor.

Ao longo deste livro as preocupações da professora mudam, muda o estado do tempo, muda o estado emocional dos alunos, a Primavera é anunciada não pelos pássaros ou pelo mudança de temperatura mas pelo namorico dos alunos, a violência abranda, o interesse dos alunos começa a subir um pouco, as aulas deixam de ser tão penosas, o trabalho de avaliação aumenta muito o tempo que se rouba à família.

Este livro é também ponteado por algumas situações de bom humor, uma delas mesmo quase no final, e numa situação séria e de enorme responsabilidade fez-me dar uma enorme gargalhada.

“Resumindo, nós devemos de ser seres excepcionais com os quais ninguém se mete, os super-heróis da correcção dos exames. Connosco a segurança é máxima, não precisamos de ajuda. E viva nós os correctores, só espero que ninguém se lembre de nos obrigar a vestir umas cuecas em cima de uns colãs como o super-homem. Se isso acontecer os ginásios vão ser invadidos por professores.”

Em resumo este livro “A soma dos nossos dias” é uma enorme pergunta, uma reflexão a ser feita por todos os educadores desta sociedade, o que e quem queremos ter amanhã? Que podem mais fazer estes enormes heróis que são os professores como formadores de homens e mulheres? Como os devemos apoiar?

Mais do que nos dar respostas a autora Fortunata Fialho deixa-nos muitíssimo bem e cheios de perguntas.

Um livro a ser lido e entendido na realidade de hoje, um livro a ser lido para edificar o amanhã.

Parabéns Fortunata fialho e um enorme obrigado pela honra que me destes ao ler este teu trabalho.

Alberto Cuddel

“Abraços de Palavras” Um dos meus mais recentes livros. Obrigada amigo Alberto Cuddel.

Prefácio

Antes de mais honra-me mormente o convite e o privilégio de prefaciar o livro “Abraço de palavras” da poetisa Fortunata Fialho, tanto mais que conheço bem as suas duas anteriores obras, onde a poeta homenageia o colorido da poética!

 “A poesia devia encorajar o pensamento e apelar para a reflexão: nada melhor que o prazer do crítico quando, depois de um minuto de dissecação da composição, percebe, primeiro, que é poesia e não prosa, segundo, após um grande esforço, após um profundo exame, que é rimado e não branco. Tais belezas poéticas, serão, no entanto, visíveis só ao crítico experimentado, porque o homem de gosto poético comum é muitas vezes, quando chamado a criticar um poema, colocado numa situação indesejável.”

Ensaio sobre Poética – Professor Trochee (heterónimo de Fernando Pessoa)

Percorrer estes “Abraços de Palavras” é ser abraçado pela singeleza de uma carta que nos fala, que nos convida constantemente á reflexão interior de quem somos, a poética não é somente o deslumbramento assoberbado da beleza utópica, mas uma viagem interior às memorias mais simples, aos cheiros de infância, às memórias da adolescência, às dores e sofrimento de mulher e mãe.

Há neste livro que irão folhear um instinto de sobrevivência, um medo que nos faz avançar, há duvidas e certezas, há perguntas sem resposta, há dor e sorrisos, neste livro há poesia, essa beleza no conjugar as palavras simples com as cores do querer, há na poesia da Fortunata Fialho, um acto de fé, um acreditar sem restrições.

Não irei dissertar longamente sobre as motivações poéticas da autora, mas numa leitura mais atenta a cada um dos abraços que inspiram a autora, vamos percebendo que o mundo que a rodeia é poesia no seu estado mais puro, uma simples janela que quebra o silêncio do dia, o nascimento do sol rasgando a noite, as grades do corpo que a aprisionam, o sofrimento contido no acto de ser mulher, mais que abraço, este livro de poesia é também um grito de desassossego, uma revolta sem medo, sem contemplações pela busca da afectividade, por esse desejo carnal que nos corrói…

Ser abraçado pelos poemas é contemplar também a vida, mesmo no sofrimento da perda, ou na esperança da chegada. Prefaciar esta obra não é um exercício de opinião, tão pouco uma critica ou analise, é um olhar brando e terno pela emoção livre e sem preconceito sobre a construção poética do sentir. A poética abraça-nos saibamos nós leitores abrir a página certa no momento certo em que ela nos deseja falar.

Parabéns Amiga e poetisa Fortunata Fialho por este fiel abraço poético de palavras, um maravilhoso livro que tantas emoções me proporcionou.

Alberto Cuddel

Vamos ficar bem

escreversonhar

Vamos ficar bem.

Quando uma lágrima corre pelo nosso rosto e o mundo parece ruir,

Pensa que o tempo tudo cura e que tudo vai ficar bem.

Quando os dias forem cinzentos e tristes acredita,

Amanhã o sol vai brilhar intensamente e tudo vai ficar bem.

Se a chuva cai sem sessar e os riachos se tornam rios,

Pensa nos benefícios das cheias e tudo vai ficar bem.

Haverá menos fome, menos sede e os campos ficarão mais verdes.

Se o sol é inclemente e seca o teu jardim,

Humedece a terra, as plantas agradecem e tudo vai ficar bem.

Se o mundo, subitamente, roda ao contrário, não te preocupes

Vais acordar e… era um pesadelo. Afinal está tudo bem.

O mundo não gira ao contrário mas parece ruir.

Pelos países passeia-se um vulto negro e arrepiante.

Por onde passa destila desgraça e morte.

Quando a sua escuridão demora a…

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