Em “Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

Era o medo o que nos vinha acariciar
naquele banco de jardim

As tuas palavras, cortantes como
punhais, dilaceravam mortalmente:

‘’Recebi ordens, tenho de partir,
embarco já amanhã.’’

As lágrimas queimavam-nos o rosto… as
vozes silenciaram-se.

Olhámo-nos intensa e demoradamente…
quem sabe se pela última vez.

Tantos voltavam envoltos em
mortalhas, frios e inertes… corpos sem vida.

Que medo devastador… abraçámo-nos e,
em silêncio caminhámos.

Era a nossa última noite, uma noite
que teria de ser eterna, perfeita… inesquecível.

Nessa noite o mundo parou, as roupas
caíram e os corpos fundiram-se.

Nunca os nossos sentidos foram tão
intensos… nunca fomos tão plenos.

Cada segundo valia uma vida, cada
carícia penetrava mais fundo.

Céus, como os nossos corpos
encaixavam envoltos na mais sublime das paixões.

A tua pele era a minha pele, o teu
suor o meu suor, a tua carne a minha carne.

A manhã chegou e encontrou-nos
envoltos, um…

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