Vida estupida…

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Vida estupida… ou o estúpido sou eu? Como pude ser tão crédulo, tão ingénuo? Traído, sozinho, humilhado, derrotado… idiota… procurando conforto no conteúdo de um copo. No que foi que me tornei? Estou só, irremediavelmente só, um eterno não amado. Não confio nem quero voltar a confiar. Bolas… ninguém merece.

– Desculpe, pode encher novamente o copo?

Quero deixar de sentir, quero deixar de pensar.

– Ei, tu aí bola de pelo insignificante, quem te deixou subir? Que queres do meu colo?

Sai, pulguento duma figa!

– Não me olhes assim.

Não sais. Que olhar triste! Também te abandonaram?

– Ui, que cheiro! Há quanto tempo não tomas banho?

Lambes a minha mão com tanto carinho, aninhas-te no meu colo em busca de conforto e quem se sente reconfortado sou eu. Percebeste a minha tristeza pois parece ser igual à tua. Pobre abandonado, também tu és um não amado em…

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Suicídio.

Suicídio.

Pelo beiral da minha casa uma gota de chuva suicida-se.

Considera-se menos importante que o aguaceiro.

Perdeu o ritmo das suas irmãs, atrasou-se… coitada!

Convenceu-se de que nada valia e perdeu o ritmo.

No seu desânimo perdeu o interesse na vida.

Convenceu-se de que nunca chegaria ao mar…

Ao rio… à ribeira… nem sequer ao pequeno regato do quintal.

Pobre gota de chuva… tinha toda uma vida pela frente,

Bastava um pequeno esforço e teria sido regato,

Crescido e ser uma ribeira, umas léguas à frente rio.

Sem se aperceber teria sido mar, percorreria os oceanos.

Que pena… o desânimo tomou conta de si…

Não conseguiu lutar… evaporou-se… suicidou-se.

Bastava ter-se deixado cair, as suas irmãs esperavam

E ela não chegou. As outras choraram e partiram.

O mundo não terminou, o regato continuou a correr

Tornou-se ribeira, engrossou e foi rio,

Continuou a crescer e foi mar… oceano.

Pobre gotinha triste… não conseguiu pedir ajuda,

Isolou-se… chorou em silêncio… adoeceu,

E num lamentável suicídio evaporou-se…

E todas as suas irmãs choraram, gritaram, lamentaram,

E numa última e sincera súplica em uníssono desejaram:

Que mais nenhuma gota se suicide, que a tristeza nunca mais vença,

Que toda a gota chegue sempre ao riacho mais próximo

A partir daí todas chegarão ao mar.

Que voltem todas as que se evaporam,

Que gotas voltem a ser e, que do planeta todas venham cuidar.

E a gota teve nova oportunidade, nova vida, dizem alguns.

E hoje brilha no cimo de cada onda, no leito do mar.

Fortunata Fialho

http://www.bubok.pt/livros/7987/Sentidos-ao-vento

O meu primeiro artigo neste blog

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Quando tentei entrar no mundo da escrita, depois de me terem convencido de que tenho algumas capacidades, este foi o meu primeiro projeto. Com muita emoção e sentimento, investi e, com muita ingenuidade, esta professora de Matemática, escreveu e publicou com o nome Fortunata Fialho . Espero que quem resolva perder um pouco do seu tempo a ler me comunique a sua opinião. Este livro também se encontra publicado na Amazon.com mas com o titulo Momentos. A inexperiência no campo da publicação levou a uma obra com dois títulos diferentes.

Obrigada.

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Indiferença…

Indiferença…

Indiferença magoa. Dói tanto que faz o coração chorar.

Indiferença fere como a mais afiada das espadas.

Indiferente a chuva inunda a estrada.

E eu corro apressada… para te encontrar.

Preciso do teu olhar, do teu céu, da tua luz.

Indiferente… ris e … o meu mundo desaba.

Sorris e… o meu coração bate forte.

Indiferente ao frio que se sente nesta rua, ruborizo.

Indiferente ao perigo… caio nos teus braços.

Indiferente ao meu amor o tempo passa.

Indiferente o tempo avança e o amor enlaça.

Enlaçados os nossos corpos vibram… sobem ao paraíso.

 Só teus lábios quero beijar. Só o teu corpo me apetece.

O nosso mundo é o amor e… o resto não interessa.

Fortunata Fialho

“Poesia Colorida”

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Prefácio

Antes de mais é uma honra e um privilegio ter sido convidado a ler esta obra em primeira mão, esta obra, em que mais do que pintar a poesia (Poesia Colorida) a autora Fortunata Fialho, professora de sua profissão, nos mostra como pintar a vida, a que vemos e que sentimos. Ler esta obra poética, mais que olhar o mundo pelo olhar do autor, é despir-se de emoções e ideias preconcebidas, é estar aberto a novos olhares, a novas cores, é estar disposto a contemplar a alvura da noite, pelo olhar de um cego. Ler poesia é saber pintar na alma com novos pinceis, outras paisagens.

Pensei varias vezes em seguir um padrão habitual, cronológico, mas como um livro de poesia não deve ser lido, mas ir-se lendo, permiti-me deambular pelas paisagens habilmente pintadas pela autora, e deixar-me surpreender pela beleza, pela analogia, pelas metáforas, e eis que me…

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Entre rosas e jasmins

Entre Rosas e Jasmins.

Entre rosas e jasmins um recanto de merendas,

Envolto em deliciosos aromas aguarda.

Um casal apaixonado nele se vem sentar.

Promessas de amor envoltas em delicadas pétalas,

Polvilhada de delicadas flores de jasmim.

Beijos tórridos… carícias suaves…

Corpos que se juntam pela primeira vez.

O jasmim cresce ao seu redor,

As rosas curvam-se ocultando-os dos olhares.

O perfume embriaga e o amor acontece.

Os gemidos são abafados pelo agitar das folhas,

Palavras loucas presas no emaranhado,

Loucos contagiados, os jasmins as rosas vão beijar.

Os ramos entrelaçam-se para os amantes ocultar.

Os corpos vibram e… acalmam-se…

Os ramos soltam-se, as rosas coram, os jasmins empalidecem.

Lentamente deixam os raios do sol entrar.

E o recanto de merendas, outros amantes parece aguardar.

Fortunata Fialho

Frio.

Frio.

Frio ingrato que não me deixas, com esse teu encanto branco e brilho de diamantes, deixa de acariciar o meu pobre corpo. Venha um raio de sol para me aquecer.

Sempre que ao acordar espreito pela janela lá estás tu, branco e frio, cobrindo tudo à minha volta. Nada é mais desagradável do que iniciar o dia tiritando de frio, confesso que até os dentes estão sofrendo com tanta agitação.

Frio amigo incansável que não sabes ver quando és inconveniente, que me entras em casa sem ser convidado, que te infiltras pelo dia fora, e que no final sempre te acolho com um sorriso. Sim, quando me vens salvar do calor intenso do verão.

O verão já vai distante e tu resolves-te montar arraiais junto a mim. Por favor, tira umas férias e volta lá para março ou abril quando o calor me vier visitar. Sei que juntos serão a minha melhor companhia e, acredita, vou adorar a tua companhia.

Sei que me adoraras mas por favor chega de abraços. Estou a congelar pouco a pouco, a cada carinho teu a minha temperatura baixa. A continuares, em breve serei um simples boneco de neve plantado no meio do meu quintal.

Querido frio confesso que a nossa relação está por um pequeno fio de gelo que ameaça quebrar ao mais pequeno toque. Todas as estalactites com que me tens presenteado ameaçam ruir sobre a minha cabeça.

Não me causes mais danos por favor.

Frio meu, prometo que no verão te voltarei a acolher de braços abertos.

Fortunata Fialho

Medo/Esperança

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Ninguém pensou algum dia passar por isto.

Um inimigo tão pequenininho que ninguém vê.

Traiçoeiro, ardiloso, implacável e cruel,

Passeia pelo mundo sem respeitar fronteiras,

Navega oceanos e voa pelos ares.

Entra em nossas casas sem bater à porta.

Infecta… tortura…mata… O povo treme e finge não temer.

O medo e a esperança coabitam em cada ser.

Fecham-se as portas… lavam-se as mãos,

Evitam-se os beijos, recusam-se os abraços.

Distanciam-se os amigos… isolam-se em seus lares.

O tempo não passa, a casa sufoca-nos. A rua assusta-nos.

Pobres indivíduos que presos pelo medo clamam esperança.

“Todos vamos ficar bem.”

Mais gente doente, mais uma morte…

E as gentes envolvem-se em esperança,

Cobrem-se de preces… choram de dor…

Pobres idosos condenados à solidão…

Dos entes queridos só escutam as vozes.

Terrível proteção que a todos dói tanto!

O medo corrói e a esperança luta em cada coração.

Que a esperança nunca pereça…

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