Simples sorte ou um bom anjo da guarda?

            Podia ser uma história inventada mas, muitas vezes a realidade supera a imaginação mais fértil. Como a maioria dos professores, para trabalhar, tenho que viajar para outra localidade longe da minha residência.

            Viajar dia após dia, semana após semana, mês após mês, durante vários anos reserva-nos muitas surpresas. Chuva, nevoeiro, ventos violentos, condutores irresponsáveis e algumas distrações reflexo do cansaço acumulado, são muito frequentes. Não nego que lindas paisagens e nascer e pôr-do-sol encantadores, são benefícios que quem se levanta mais tarde e chega cedo a casa não usufrui.

            Numa manhã como tantas outras em que me dirigi para o trabalho, numa curva perigosa, atualmente suprimida por uma nova estrada, um veículo comercial surgiu. Não sei o que se terá passado mas, finalizada a curva o veículo começou a capotar.

 Não me pareceu vir com velocidade excessiva, não vinha nenhum veículo em sentido contrário além do meu o qual lhe não afetava em nada o trajeto.

Como um carrinho de brincar lançado pela mão de uma criança, saltava e ressaltava pela estrada fora.

Nunca conseguirei esquecer aquela mancha verde que se aproximava do meu carro sem me deixar fuga possível. Quando já considerava inevitável que o próximo ressalto seria para cima do meu veículo e comecei a ver a minha vida a andar para trás, o impossível aconteceu. Como que empurrado, no último ressalto foi projetado para o lado e finalmente travado pela barreira. Eu, atónita e incrédula, encostei o carro e corri em auxílio do condutor, acreditava que o iria encontrar gravemente ferido. Para meu espanto este saiu do veículo sem qualquer beliscadura visível, já de telemóvel na mão para pedir auxílio e aparentemente muito mais calmo que eu. De notar que eu tremia tanto, que até custava a manter o equilíbrio, devido ao enorme susto provocado por este acidente tão insólito.

Com a maior tranquilidade agradeceu a minha ajuda ao mesmo tempo que dizia não ser necessária e me disse para seguir tranquilamente o meu caminho que ele já estava a chamar ajuda.

Nunca acreditei muito em anjos da guarda mas, nesse dia acreditei que se eles existiam os nossos tinham sido os melhores, os mais eficientes e os mais atentos de todos.

Fortunata Fialho

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