Deixa para lá

Deixa para lá

Se a vida te prega uma partida deixa para lá.

Tenta pagar-lhe da mesma moeda,

Troca-lhe as voltas, levanta-te e sorri.

Não lhe mostres as lágrimas, por vezes ela é má.

Nos bons dias proporciona-te boas surpresas,

Premeia o teu esforço de formas que nem imaginas.

Presenteia-te com o mais lindo raio de luz,

Com as estrelas mais brilhantes,

Com os perfumes mais inebriantes,

Com a felicidade de um sorriso que seduz.

Se a noite é tenebrosa e negra deixa para lá.

Procura a lua e pede-lhe as estrelas.

Projeta a luz das tuas lanternas,

Rasga-a com belos raios de luz.

Pinta-a de lindas estrelas brilhantes,

Salpica-a de pingos de intensa luz.

Terás o céu mais brilhante e…

No teu rosto brilhará a felicidade.

Se a tristeza te bater à porta deixa para lá.

Busca a felicidade, procura o amor,

Veste as roupas mais bonitas e sai.

Baila com todo o teu furor…

Percorre os campos floridos,

Lê o livro que reclama na estante,

Viaja nas suas páginas e adormece feliz.

Fortunata Fialho

O tempo será só meu.

escreversonhar

Juntos, tivemos partilha, vida, sonhos, vitórias… bons tempos.

Recordo a tua pele na minha pele, o teu sexo no meu sexo …

Parece que ainda sinto a intensidade dos nossos orgasmos e o êxtase dos nossos sentidos.

Sem limites dediquei-te toda a minha vida, toda a minha essência.

Vivi para os nossos encontros, para a intensidade dos nossos sentidos.

Nos teus braços, esqueci-me de mim … eu não era nada sem ti.

No meio de muitas desculpas, disseste que o nosso tempo se gastou.

Não entendo como se pode gastar o tempo, o meu não se gasta.

Partiste … eu fiquei. Contigo levas-te o nosso tempo e, pensava eu, a minha vida.

Chorei a perda, chorei o abandono, chorei o desamor … chorei o nosso tempo.

Chorei até se me acabarem as lágrimas, e mesmo assim continuei chorando.

Continuo a amar-te mas, finalmente, revivi. Gastou-se o nosso tempo, não a…

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Encontro

Encontro

Naquele final de tarde o calor convidava a uma saída.

No jardim perto do mar os bancos de pedra convidavam ao descanso.

A brisa refrescava-me numa terna carícia.

Tentei perder-me nas páginas do meu livro.

Não consegui.

Uma sensação estranha percorria o meu corpo,

Parecia que algo ou alguém me observava.

Passos, lentos e firmes, soavam cada vez mais perto.

“Posso fazer-lhe companhia?”

Emudeci, nunca um sorriso me tinha parecido tão belo.

Devo ter dito que sim, não me lembro.

O livro deixou de ser interessante e o calor voltou.

Tentava não olhar, mas os olhos não obedeciam.

Finalmente, não sei como, a conversa fluiu.

Não podia acreditar, parecia que sempre nos conhecêramos,

Gostávamos dos mesmos livros, dos mesmos filmes,

De passear no campo….

Devia estar a sonhar… as nossas mãos uniram-se,

Os corpos aproximaram-se… os lábios colaram-se.

O fim de tarde tornou-se noite.

As estrelas brilharam, mas o tempo parecia ter parado.

O nascer do sol foi o mais encantador.

Quando voltei a casa o sol já estava alto,

No livro um número de telefone e uma simples frase.

“Logo à mesma hora, no mesmo lugar”.

Tinha tido um encontro com o futuro… o meu futuro.

E as noites tornaram-se mais luminosas

Os dias mais solarengos…

E o banco de pedra o símbolo do amor.

Fortunata Fialho

Quero um poema…

escreversonhar

Desde que somos concebidos a nossa vida é feita de sonhos. Os pais sonham
futuros promissores para os filhos, eu ainda o faço com os meus.

Os filhos vão crescendo e vão sonhando sonhos próprios de cada etapa do
seu crescimento. Passam pelos sonhos fantásticos, pelos incoerentes e
inalcançáveis da adolescência e, finalmente, pelos mais realistas.

Todos crescemos, e muitas vezes, os sonhos perdem-se nas
responsabilidades da vida adulta. Eu, como tantas como eu não perdi os meus
sonhos, simplesmente os deixei em espera. Primeiro foram os filhos e sonhei o seu
futuro. Lutei para que nada lhes faltasse e isso fez-me feliz. Os filhos
cresceram e os sonhos voltaram.

Sempre fui uma pessoa que lia tudo aquilo a que tinha acesso, ler sempre
me deu um prazer imenso. Da leitura à escrita foi uma evolução natural.

Comecei a escrever porque escrever
é um prazer imenso que me proporciona momentos…

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Primavera.

Primavera.

Por todo o lado surgem mantos de cores,

Viajando na brisa, aromas inebriantes percorrem o ar,

Insetos de mil formas pousam de pétala em pétala,

Riachos cristalinos irrigam os campos.

Pela janela do meu carro olho a paisagem.

Mantos amarelos e roxos cobrem o caminho.

Lençóis de alva brancura cobrem o solo.

Nas copas das árvores ecoa o trinado dos pássaros,

Por todo o lado uma sinfonia de sons e cores invade os sentidos.

Ébria de beleza deixo a minha alma sonhar.

Sonho com campos intocados e recantos nunca alcançados,

Mundos só meus longe de mãos cruéis que os profanem.

Mundo onde colher e matar é proibido,

Onde me deito para cheirar cada flor,

Onde cerro os olhos para sentir o toque da brisa,

Escutar o trinado dos pássaros e o esvoaçar silencioso dos insetos.

No meu mundo os insetos não picam,

A terra não suja e as flores nunca murcham.

As fontes nunca secam e a poluição é sonho ruim.

Deixo o sonho e deixo-me envolver pela realidade.

Doce e encantadora realidade que ecoa, bem alto,

Chegou a PRIMAVERA.

Fortunata Fialho

Pai

Pai.

Na Vila de Alcáçovas, nasceu um dia um menino.

Cresceu traquinas numa família pobre mas com muito amor.

O tempo passava a correr e cedo tentou aprender um oficio,

Sapateiro como seu pai, deveria ser o seu futuro.

Cedo se apercebeu não ser esse o seu gosto.

Na construção civil aprendiz se tornou.

O trabalho rareava e fora o ganha pão procurou.

Percorreu terras em busca de trabalho e minha mãe encontrou.

Apaixonado… uma nova família iniciou,

Estudou e a sua vida melhorou.

Longe do frio, da chuva e da constante incerteza

A sua vida evoluiu, mas a sua terra nunca esqueceu.

Como esquecer os ninos e as ninas, o pirralho e o atabefe?

Como esquecer seus pais e irmãos de quem as raízes nunca se separaram?

Sempre que pode aí volta e, consigo nos leva.

Filho da terra, irmão destas gentes, amigo dos amigos

Com o seu amor nos contagiou,

Orgulhosos descendentes desta Vila, às duas nos tornou.

Meu pai… Feleciano, filho de Vitaliano e de Helena,

A Vila de Alcáçovas… orgulhosamente, sua terra natal.

Fortunata Fialho