Esse ventre esquelético que me pensou…

Um lindo poema de um poeta que muito admiro.

O poeta e os outros poemas

Esse ventre esquelético que me pensou…

nascem as nuvens rasas a oeste
nessa poeira continental que me invade
sou a cor do tempo que me fez
eu que fugi do homem e povoei o inóspito
eu que me fingi crente que inventei deuses
– que rasguei cânons pela promessa de lucro
quantas vezes idolatrei esse ventre esquelético que me pensou?
arte ilusória de brincar com o pensamento enganando as palavras…

de que me valem os pactos com o inimigo, se negoceio com deus
a paz com o diabo…

pudesse eu aniquilar-me no desejo de deixar de existir,
dar corpo à antimatéria que me corroí as entranhas.
pudesse eu imobilizar-me no desejo apenas de estar quieto,
até que o coração abrandando o ritmo, parasse nas batidas sincronizadas.

pusesse eu tornar-me folha em branco
onde coubessem todas as ideias do mundo,
para que o pensamento se desligasse

depois de tudo isto nasceria…

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