Deambulando

Deambulando

Deambulando percorro as pedras das calçadas.

Perdida em pensamentos não me apercebo das pessoas que passam,

Vultos que parecem fantasmas de um tempo que não é meu,

Lembranças de hoje num tempo distante perdido nos tempos.

Deambulo sem direção como se os caminhos não interessassem

Revivo tempos de felicidade onde morava toda a ilusão.

Dias tão recentes que parecem tão distantes.

Procuro os pedaços quebrados da minha felicidade

Tento colá-los com as minhas sangrentas lágrimas.

Pelo rosto desliza uma torrente de dor

Vinda de uma fonte que nasce bem fundo no coração.

Deambulo fora do meu corpo perdida da razão.

Grito ao vento o teu nome e o vento não responde.

Peço que me leves contigo nessa viagem sem regresso.

Nada mais me prende nesta vida sem sentido.

Partiste nessa viagem de onde ninguém regressa e não me levaste.

Deambulo na tentativa de me perder e não consigo.

De alma ferida e coração quebrado, fujo do mundo

Mergulhando entre a multidão sou invisível, não me encontro.

Cada dia que nasce é um passo rumo ao precipício

De onde não consigo encontrar coragem para saltar.

Nesta soma dos dias procuro a noite para contigo sonhar,

Procuro o sol para iluminar o desespero em que me encontro.

Talvez, num deles, encontre a morte e te volte a encontrar.

Fortunata Fialho

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