🎊 Feliz 2022 🎆 🎇

Aproxima-se de mansinho

O novo ano aproxima-se de mansinho e com ele vem a esperança.

Dona Esperança resolveu que estava na hora de se mostrar,

Cansou-se de ver tanta dor e tristeza.

Aproveitou a chegada do ano novo e pediu boleia.

Encheu um grande malão de saúde e coragem

Energia e conhecimento… e vem para a luta.

Ano Novo e Esperança resolveram enterrar o Ano Velho.

Este não deixa grandes saudades

Nenhuma lágrima por ele será chorada.

Ano Novo vem depressa, traz a Esperança e força no acelerador.

Estamos ansiosos, parecemos crianças inocentes

Acreditamos… ou melhor, temos esperança…

Não a Esperança trazes tu.

 Nós queremos acreditar que tens poderes mágicos

Que consegues fazer milagres e que nos devolverás a normalidade.

Como criança vou distribuir beijos e abraços,

Sorrisos e gargalhadas, como uma louca.

Vem depressa Ano Novo e não percas a Esperança.

Perdoa estes desejos de uma pobre desesperada,

Sei que não fazes milagres mas deixa-me sonhar.

Quero acreditar que durante a tua vida tudo vai melhorar.

Quero que venhas correndo, não de mansinho.

Vem depressa Ano Novo, estou cansada de te esperar.

Fortunata Fialho

Muitos parabéns pai.

Faz hoje anos que nasceu um ser muito especial, o meu pai.

Ao fim de todo este tempo a vida pregou-lhe diversas partidas mas, também muitas dádivas.

Demasiado cedo perdeu entes queridos, pelo menos um nunca deveria ter ido antes dele, no entanto e apesar de tudo sempre conseguiu manter uma boa e contagiante disposição.

Apesar de um coração colocado à prova de tantas formas, amor nunca lhe faltou para distribuir.

Brincou com filhos, netos e agora bisneta sempre de coração cheio e muito carinho, por vezes uma criança pior que os pequeninos. Brincou também com muitos filhos de outros ganhando para sempre um lugar no seu coração.

Mais que um pai foi para mim um companheiro. Com ele conheci muitos lugares, dei bastantes gargalhadas… e também verti algumas lágrimas. Sim um pai presente e compreensivo e que muitos desejariam ter um igual.

Por tudo isto e muito mais, quero desejar-lhe um feliz aniversário com saúde e boa disposição, dar-lhe um grande abraço envolto em muitos beijos e atado com muito amor.

Muitos parabéns Senhor Crispim, meu querido pai. 😚😚😚

Sim é Natal

Sim é Natal

Por todo o lado são colocadas luzes natalícias,

As montras brilham apelando ao consumo,

Nas casas enfeitam-se árvores com fitas coloridas,

Pendentes de mil cores ostensivas.

Meias exageradamente grandes pendem das lareiras.

As crianças espreitam pelos cantos

Procuram embrulhos escondidos,

Ocultos ao seu olhar, longe das suas mãos.

Algures, no mundo, uma criança anseia por paz,

O Natal é um conto de fadas perdido no tempo,

As luzes são o tracejar de munições cruzando o céu.

No seu mundo os sonhos estão perdidos,

Presos na miséria e na dor, envoltos em sangue e lágrimas.

No meio dos escombros, busca um pedacinho de céu,

Num naco de pão para mitigar a fome.

Não deseja prendas, mas sim um abraço,

Embrulhado em fé e esperança, enfeitado num raio de sol.

Pobre menino sem infância, pobre menino sem sonhos.

Este Natal só desejo paz, amor, ternura e …

Que todas as crianças possam ser o sol,

Que pelo mundo ecoem gargalhadas de felicidade,

Que em todos os olhos brilhe todo o esplendor do sol

Todo o brilho das estrelas…

Que a maior prenda seja paz embrulhada em carinho e amor.

Fortunata Fialho

Uma carta…

Uma carta…

Na quietude da penumbra do quarto uma criança escreve,

Uma carta ingénua, mas de grande sabedoria.

Na ponta periclitante de um lápis, um pedido:

– Pai Natal traz-me neve.

Preciso que gelem os fogos, que pare a agonia,

Que se quebrem as armas num só instante,

Que todos se recolham às lareiras,

Para que todos os avós possam contar histórias,

E que todas as crianças possam brincar nas eiras.

O bico quebra… prontamente o afia.

No papel muito apagado novo pedido desesperado.

Querido Menino Jesus devolve os meus pais,

Apaga do mundo todos os ais,

Deixa crescer as flores, voar as borboletas…

Envia-nos amor… distribui-o por todo o lado.

Descansa… rasura e apaga… continua.

Caro Diabo porque não vais de férias?

Talvez o sol te queime a maldade,

 Deixa que a água a lave. Descansa sob a lua.

Todos vêm bem-dispostos depois das férias.

 Até tu podes ter esquecido a maldade,

Colocar um sorriso e observa a lua,

Pura, branquinha, sorridente… com ela aprende.

Com medo que todos os pedidos falhem:

Senhor Presidente destrói todas as armas,

Abre todas as fronteiras, não sejas indiferente.

Rega todos os campos, dá pão a toda a gente.

De mão cansada e dormente o menino termina contente.

Com tanto pedido e a tanta gente talvez…

Talvez alguém não seja indiferente,

Talvez o mundo se torne diferente.

E nunca mais um choro aflito se ouça entre as gentes.

Fortunata Fialho

Voam papeis.

escreversonhar

No relógio de parede ecoam vinte e quatro
badaladas.

Na cozinha, junto à lareira uma árvore de Natal.

No silêncio da noite um barulho mágico Ho Ho Ho…

Numa correria desenfreada as crianças voam ao seu
encontro.

Do Pai Natal nem uma sombra, mas… surpresa!

Uma infinidade de lindos embrulhos rodeiam a
árvore,

O brilho das luzes projeta estrelas nos papéis de
embrulho.

Olhos
brilhantes e sorrisos de espanto iluminam os rostinhos.

Imóveis observam encantados… nada quebra o encanto.

Pegam nos embrulhos e alguém lê os nomes.

É meu. É meu. É meu…

Avidamente rasgam os embrulhos e projetam-nos pelo
ar,

Abrem as caixas e não têm tempo de brincar,

Os presentes sucedem-se a um ritmo alucinante,

As suas mãozinhas estão cansadas de tanto rasgar.

Por fim silêncio… já não existem embrulhos…

Ninguém volta a chamar pelos seus nomes…

Não faz mal, agora é hora de brincar… Por qual começar?

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“Abraços de Palavras”

Prefácio

Antes de mais honra-me mormente o convite e o privilégio de prefaciar o livro “Abraço de palavras” da poetisa Fortunata Fialho, tanto mais que conheço bem as suas duas anteriores obras, onde a poeta homenageia o colorido da poética!

 “A poesia devia encorajar o pensamento e apelar para a reflexão: nada melhor que o prazer do crítico quando, depois de um minuto de dissecação da composição, percebe, primeiro, que é poesia e não prosa, segundo, após um grande esforço, após um profundo exame, que é rimado e não branco. Tais belezas poéticas, serão, no entanto, visíveis só ao crítico experimentado, porque o homem de gosto poético comum é muitas vezes, quando chamado a criticar um poema, colocado numa situação indesejável.”

Ensaio sobre Poética – Professor Trochee (heterónimo de Fernando Pessoa)

Percorrer estes “Abraços de Palavras” é ser abraçado pela singeleza de uma carta que nos fala, que nos convida constantemente á reflexão interior de quem somos, a poética não é somente o deslumbramento assoberbado da beleza utópica, mas uma viagem interior às memorias mais simples, aos cheiros de infância, às memórias da adolescência, às dores e sofrimento de mulher e mãe.

Há neste livro que irão folhear um instinto de sobrevivência, um medo que nos faz avançar, há duvidas e certezas, há perguntas sem resposta, há dor e sorrisos, neste livro há poesia, essa beleza no conjugar as palavras simples com as cores do querer, há na poesia da Fortunata Fialho, um acto de fé, um acreditar sem restrições.

Não irei dissertar longamente sobre as motivações poéticas da autora, mas numa leitura mais atenta a cada um dos abraços que inspiram a autora, vamos percebendo que o mundo que a rodeia é poesia no seu estado mais puro, uma simples janela que quebra o silêncio do dia, o nascimento do sol rasgando a noite, as grades do corpo que a aprisionam, o sofrimento contido no acto de ser mulher, mais que abraço, este livro de poesia é também um grito de desassossego, uma revolta sem medo, sem contemplações pela busca da afectividade, por esse desejo carnal que nos corrói…

Ser abraçado pelos poemas é contemplar também a vida, mesmo no sofrimento da perda, ou na esperança da chegada. Prefaciar esta obra não é um exercício de opinião, tão pouco uma critica ou analise, é um olhar brando e terno pela emoção livre e sem preconceito sobre a construção poética do sentir. A poética abraça-nos saibamos nós leitores abrir a página certa no momento certo em que ela nos deseja falar.

Parabéns Amiga e poetisa Fortunata Fialho por este fiel abraço poético de palavras, um maravilhoso livro que tantas emoções me proporcionou.

Alberto Cuddel

“A soma dos nossos dias”

Prefácio

Escrever um prefacio antes de mais é ter o privilégio de estudar uma obra que irá conhecer a luz do dia, que irá ser lida e estudada por todos quantos o desejarem, ler este registo da autora Fortunata Fialho é redescobrir a mulher a profissional da educação além da sensibilidade poética que já conhecia.

“A soma dos nossos dias” ou Diário de um ano lectivo como eu gosto de lhe chamar, mais que um relato de vida, é um livro de questões, uma obra de exorcismo da alma da autora, uma necessidade de partilha. Mais do que meros relatos do seu dia a dia a autora Fortunata Fialho convida-nos e chega mesmo a incitar-nos a uma profunda reflexão sobre que educação damos às nossas crianças, que mundo estamos colectivamente a criar.

Uma das coisas mais interessantes que a autora nos revela neste seu relato é o paralelismo entre as aulas e as viagens de carro, quase numa correspondência ainda que inadvertida entre o comportamento dos jovens na escola e a agressividade dos adultos na estrada. Mostra-nos também o desgaste físico e mental da vida de um profissional da educação, as suas dúvidas, as suas incertezas, as suas carências, às vezes mesmo o desespero da impotência de não se poder fazer melhor.

Ao longo deste livro as preocupações da professora mudam, muda o estado do tempo, muda o estado emocional dos alunos, a Primavera é anunciada não pelos pássaros ou pelo mudança de temperatura mas pelo namorico dos alunos, a violência abranda, o interesse dos alunos começa a subir um pouco, as aulas deixam de ser tão penosas, o trabalho de avaliação aumenta muito o tempo que se rouba à família.

Este livro é também ponteado por algumas situações de bom humor, uma delas mesmo quase no final, e numa situação séria e de enorme responsabilidade fez-me dar uma enorme gargalhada.

“Resumindo, nós devemos de ser seres excepcionais com os quais ninguém se mete, os super-heróis da correcção dos exames. Connosco a segurança é máxima, não precisamos de ajuda. E viva nós os correctores, só espero que ninguém se lembre de nos obrigar a vestir umas cuecas em cima de uns colãs como o super-homem. Se isso acontecer os ginásios vão ser invadidos por professores.”

Em resumo este livro “A soma dos nossos dias” é uma enorme pergunta, uma reflexão a ser feita por todos os educadores desta sociedade, o que e quem queremos ter amanhã? Que podem mais fazer estes enormes heróis que são os professores como formadores de homens e mulheres? Como os devemos apoiar?

Mais do que nos dar respostas a autora Fortunata Fialho deixa-nos muitíssimo bem e cheios de perguntas.

Um livro a ser lido e entendido na realidade de hoje, um livro a ser lido para edificar o amanhã.

Parabéns Fortunata fialho e um enorme obrigado pela honra que me destes ao ler este teu trabalho.

Alberto Cuddel

Terra, pobre planeta.

Terra, pobre planeta.

Mundo louco, insano e desesperante, virado do avesso e desprotegido.

Onde o amor se transforma em ódio e o conhecimento em ignorância.

Todo o planeta se debate a fugir da morte sem que ouçam o seu angustiante grito.

Mentes surdas e petulantes, pseudoiluminadas na sua ignorância,

Poluem os seus oceanos, rasgam o seu solo e destroem o seu manto verde.

Como filhos que acham que os pais nunca morrem,

Esgotam os seus recursos perante uma população inerte.

Condenam os povos a uma vida de terror e morte.

As águas agigantam-se, as florestas perecem e o calor avança.

O frio gela, o calor derrete e o planeta adoece.

Os animais morrem, as plantas desaparecem, o deserto avança.

E o povo chora castigado pelo clima,

Afoga-se nas águas, incinera-se nos incêndios,

Debilita com fome, sede… desidrata com o calor…

Pobre planeta! Pobres de nós que com ele sofremos!

Protejam-no, curem as suas feridas, purifique as suas águas,

Remendem os seus mantos verdes, juntem os retalhos e criem florestas.

Purifiquem o ar… deixem-nos respirar… devolvam o oxigénio.

Parem gentes inconscientes! Vive meu planeta amado.

Fortunata Fialho

História do R. “Simplesmente… Histórias”

escreversonhar

Realmente… quem se lembraria de uma coisas destas, e logo a mim que gosto de frases curtas.

Revolvo o meu vocabulário e procuro. Rio e começo a escrever. Realmente não estava à espera de um desafio deste género.

Relembro o meu tempo de infância e os trocadilhos de palavras que fazíamos. Realmente desistir não é opção.

Resolvi contar uma história, a história do R.

Redonda cabeça, pernas esguias o R avança altivo e confiante. Recorda as suas andanças e segue, placidamente, o seu caminho. Raramente falha um compromisso e ama incondicionalmente todas as letras do alfabeto.

Reza para não se encontrar com o Z pois este rezingão estraga-lhe sempre o dia. Revisita o A que tanto ama, afinal foi a primeira letra que conheceu intimamente, nenhuma outra lhe voltou a despertar tanta paixão. Realmente as mães são sempre o nosso primeiro grande amor.

Revive o seu tórrido romance com o…

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