💨 Brisa.💨

escreversonhar

Brisa.

Uma leve brisa beijou o meu rosto, suave e delicadamente.

Segredou ao meu ouvido todos os segredos do mundo.

Confessou que no ar paira o amor e a paixão,

Que também transporta o ódio e a intolerância.

Agita-os para que se misturem… espera que o bem apague o
mal.

Com gotas de orvalho chora o seu insucesso.

O ódio não se dissipa e a intolerância teima em crescer.

O amor e a paixão aliaram-se á compreensão e ternura,

Armaram-se de beijos e abraços e montam a brisa.

Como Cavaleiros de armadura reluzente bramem suas armas.

A brisa, como um cavalo alado, corre em seu auxílio.

Cansada, a brisa descansa… repousa em meu redor.

Sofreu tantas derrotas e tantas vitórias…

A luta é eterna… o descanso efémero…

A brisa acaricia o meu rosto e… segreda:

A luta continua e… eu nunca desisto.

Numa rajada de vento eleva-se… gotas de orvalho…

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Natal da minha infância.

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Natal da minha infância

            Filha de pessoas sem posses mas ricas em amor cresci numa aldeia pequena muito acolhedora. Como em todas as aldeias alentejanas todos são como família. Ainda hoje os trato como a Ti’ Maria, Ti’ Zefa…. Ti’ Manel, Ti’ Jaquim… Se são todos do meu sangue, claro que não mas serão sempre os tios e tias de todos.

            Entre todos os meus tios, primos e avós e os tios de todos nós a ligação era real. Quando alguém necessitava de ajuda todos acudiram. Também quando se tratava da vida alheia também todos tinham algo para dizer, coscuvilhice não faltava.

            Não cresci no meio da abundância de bens mas sim numa indescritível abundância de afetos.

            Os dias festivos eram muito importantes e nunca deixavam de ser festejados. No Carnaval eram as “filhozes”e os “bêbedos”, na Páscoa as “padinhas” de ervas doces e os “folhados”…

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😃Quem sou eu?😉”Simplesmente… Histórias” 😁

escreversonhar

Quem sou eu?

Quem consegue responder, com rigor, a uma pergunta destas?

Não sei.

Um dia sou uma pessoa alegre, crédula, romântica, otimista e feliz. No outro triste, taciturna, desconfiada e um pouco infeliz.

Atenção não sou bipolar nem sofro de qualquer distúrbio ou perturbação mental.

Poderão dizer que sou complicada, mas quem não é?

Não somos, no fundo, o espelho daquilo que nos rodeia?

Sofro quando alguém querido sofre, riu quando se riem. A tristeza torna-me infeliz e a alegria feliz.

Não é assim para todos nós?

Só um tolo consegue ser feliz a tempo inteiro. Não sou tola, simplesmente, sou humana.

Procuro obter alegria dos pequenos e bons momentos e aproveitar as coisas boas da vida. Amar incondicionalmente quem me ama e, por vezes, aqueles que dizem não me amar. Sim porque é difícil amar quem nos odeia.

Cuidado, sou orgulhosa e não esqueço facilmente a traição e…

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Desse “eu” tão completamente abstracto

O poeta e os outros eu's

Desse “eu” tão completamente abstracto

nascido que houvera o dia
por entre serras cansadas e mosto
catam o lume das lareiras e pão
esse cansaço tão dormente e tão só
a loucura por companhia e um cajado
um lápis rombudo e papel sujo…
curva-se o horizonte sobe o rio,
serpenteando os vales e as letras foscas que tecem a vida…

é na loucura que me encontro, amado o real
abstracto sou, prisioneiro do teu querer
ciclo vicioso da existência da vida, faço-me em nós
para que na morte exista

onde florir as macieiras e apodrecer as pêras
as abelhas irão dançar sob as flores dos morangueiros
ira chover e nascerão os cogumelos, esse fogo que arde
na cura do fumeiro que nos mata…
e tudo é tão abstractamente real…
tudo é tão duramente sofrido a cada sorriso…
e tu?
Desse “eu” tão completamente abstracto
Fazes da loucura a doce viagem…

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Uma viagem.

Finalmente, depois de muitas tentativas para o retirar de casa, fizemos as malas e partimos rumo ao desconhecido.

Sem programa definido pois a caravana tinha tudo o que necessitávamos, partimos.

Adoramos passear sem rumo, partir á descoberta, ir onde a estrada nos levar, comer onde nos chegar a vontade e, sobretudo, absorver tudo o que nos rodeia. Parar na berma para trocar um beijo e uma carícia ou para conversar sobre o que nos der na real gana.

A estrada estava pouco movimentada o que nos proporcionou tempo e descontração para observar as paisagens. Foi um prazer desfrutar de vistas de cortar a respiração, respirar ar puro e sobretudo estarmos sós sem condicionantes.

Ao almoço desgostámos umas migas de cogumelos, simplesmente deliciosas, e ao jantar um cabrito assado no forno que fazia crescer água na boca. Cansados decidimos escolher um recanto paradisíaco, longe de olhares e ouvidos curiosos e indesejáveis, para pernoitarmos.

Depois de um banho de rio, onde os fatos de banho foram desnecessários e entre brincadeiras deliciosas de amantes, o tempo parecia ter parado para nós o podermos aproveitar. De corpos limpos e refrescados fomos para a cama. Dormir era o que menos nos interessava, depois de tantos dias a tentar que os filhos não nos escutassem, pudemos amar-nos sem limites e a entrega foi total, que comprovem os animaizinhos que nos proporcionaram a música de fundo.  

Com os corpos cansados e saciados só nos restaram forças para um abraço apertado e um beijo doce e suave. Abraçados adormecemos como uns anjinhos. Bom, anjinhos talvez não…

Já o sol ia alto quando acordámos. Envoltos em todo aquele paraíso tomámos o pequeno-almoço e voltámos a partir á descoberta.

Este foi o primeiro dia de uns quantos que lhe sucederam, cada um melhor e mais intenso que o anterior. 

Fortunata Fialho