Minha querida caneta.

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Minha querida caneta.

Não sei que me deu quando resolvi abrir a gaveta.

No fundo, um pouco esquecida repousava uma das minhas canetas.

Coitada, com o tempo foi substituída por várias esferográficas.

Linda, elegante e muito artística, parecia sorrir pedindo para ser usada.

Tinha sede e ao tinteiro a levei a beber.

Agradecida acariciou a minha mão e segredou ao meu ouvido:

Vamos passear no teu esquecido caderno.

Convite aceite. Há tanto tempo que nele não escrevia.

Na folha em branco letras lindas surgiram.

Lindas letras artisticamente desenhadas.

As palavras sucederam-se num ritmo em crescendo,

As linhas ganharam vida e sorriram enquanto o aparo bailava.

E a caneta escrevia sobre o sol que nascia,

Sobre as folhas que esvoaçavam, sobre o riacho que corria.

Descrevia as gargalhadas das crianças, o trinar dos pássaros,

O zumbido das abelhas e o murmurar das searas.

Escreveu sobre os amantes que se beijavam,

Sobre…

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Muitos parabéns princesa Mariana.

Mariana

             Num futuro nada distante, uma princesa estava quase, quase a festejar mais um aniversário. Ansiosa, contava os dias que faltavam e desesperava com a lentidão dos que teimavam em não passar.

            Finalmente só já faltava um dia.

            Nessa manhã, a caminho do seu colégio, a nave onde seguia teve uma falha de energia. Felizmente os seus avós moravam perto e assim poderiam carregar a bateria e seguir viagem.

            Vaidosa e impaciente deu um beijo a cada um dos avós e disse: “- Amanhã faço anos.”

            A avó respondeu: “- Quem te disse isso?” Ao que prontamente respondeu: “- Foi o meu pai.” Claro que palavra de pai valia mais que tudo.

            Entusiasmada afirmou que iria receber muitas prendas e notinhas. Acrescentou ainda que também adoraria roupas. Claro, vaidosinha como era, roupas novas eram sempre muito bem-vindas.

            Como o avô era muito brincalhão provocou-a dizendo que já lhe tinha enviado a prenda para o pai, uma grande caixa da melhor cerveja biológica e muito alcoólica. O seu rostinho mudou de expressão e, admirada, respondeu: “- Avô, mas eu não gosto de cerveja, cerveja é só para crescidos e eu só vou fazer cinco anos!”. Rindo, o avô aconselhou-a a pedir ao pai que lhas trocasse por umas notinhas.

            Nessa noite o sono não chegava e a ideia de ir receber cervejas em vez de brinquedos não a deixava nada satisfeita. Que raios estaria o avô a pensar? E a avó, porque é que se tinha rido e não tinha feito nada?

            Finalmente adormeceu e sonhou com muitos embrulhos, os quais abria e de onde saiam bonecas, joias brilhantes, estojos de maquilhagem, livros de histórias, jogos divertidos e algumas roupas bem giras e divertidas. Bem no final, uma grande caixa com um lançarote impressionante. Sofregamente, rasgou o papel e… surpresa… as malditas cervejas. Que raios, afinal sempre era verdade!

            Na manhã seguinte, o sol já ia alto quando acordou e, o robô mordomo já estava enfeitando toda a casa e a cozinheira, último modelo, fazia bolinhos, doces, refrescos e muitas outras coisas deliciosas.

            Finalmente a campainha tocou. Eram os convidados que começavam a chegar.

            A princesinha correu para abrir, não sem que primeiro perguntar cautelosamente quem era. Surpresa eram os avós que nas mãos traziam um grande saco com papeis coloridos lá dentro. Eram as suas prendas. O saco era leve de mais e as cervejas costumavam ser pesadas.

            Cautelosamente abriu os embrulhos e, lá de dentro, saiu um lindo conjunto de noite que deixaria todas as outras princesas com inveja e, um estojo que faria muito jeito para a ajudar a ficar ainda mais bonita.

            Com um sorriso de orelha a orelha, olhou para o avô, abraçou-o dizendo-lhe ao ouvido: “- Seu brincalhão, estavas a brincar comigo.”

Moral da história, afinal os avós gostam de pregar partidas às suas princesas.

Fortunata Fialho.

Janela

O poeta e os outros poemas

Janela

Da janela da tua alma,
Escancarada à calma maresia,
Perco-me no movimento,
Ondular do teu sentir!
Brisa leve que me acolhe,
Por inteiro no teu ser,
Asas que me elevam,
Que me fazem voar em ti,
No teu querer,
No teu saber,
No teu desejo,
Doce sabor do beijo,
Alma minha que me junta,
No disperso pensar,
No abrangente sentir,
Que faz luz na escura noite!

Janela, visão do teu olhar o mundo,
Imagens de mim a cada segundo,
Que me congrega como um espelho,
Que me prende na visão,
De ser e ver através dela!

Alberto Cuddel
06/07/2015

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Escrevo. “Quero um poema…”

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Escrevo

Escrevo quando estou
triste, escrevo se estou feliz.

Escrevo o que me vem
no coração,

Escrevo aquilo que
gostaria de ser.

Escrevo amores e
desamores.

Escrevo realidades e
ilusões.

Escrevo no calor da
noite quando os sonhos me visitam.

Escrevo sob o calor do
sol e sob o azul do céu.

Escrevo porque detesto
que as folhas continuem em branco.

Escrevo porque adoro o
rodopiar das letras,

E o seu bailado
pincelando palavras na alvura de um palco.

Escrevo porque assim
me sinto mais viva.

Escrevo para viver mil
diferentes vidas.

Escrevo para não
deixar morrer o sonho.

Nas páginas deixo a
minha alma,

Crio mundos diversos,
belos, justos, inocentes.

Vivo amores doces e
ternos, plenos de ternura;

Quentes e eróticos,
plenos de desejo e luxúria.

Escrevo porque assim
sou mais eu, livre de fronteiras,

Dona do mundo e dos
meus sonhos.

Escrevo amores
sonhados onde o limite é…

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Cidade museu.

Cidade museu

Percorrendo as ruas tenho a sensação que caminho entre o tempo.

Entre palácios e igrejas sinto que recuei no tempo.

Espero pela passagem de carruagens ricamente engalanadas,

Escuto o galopar dos cavalos de Cavaleiros que se acercam. 

Algures parece ecoar um pregão transmitindo as boas novas.

Dos palácios espero a saída de damas antigas e orgulhosos nobres.

Junto ao Palácio da Inquisição, gritos antigos de socorro soam,

Almas torturadas por um clero preconceituoso e manipulador,

Vitimas que ardem nas fogueiras da ignorância e perfídia.

Tempos de glória e beleza manchados por crimes inconfessáveis,

Vidas passadas que se misturam com o presente,

Um presente que é nosso nesta cidade que é do mundo.

Cidade tranquila que nos premeia com beleza e história.

Cidade tranquila que nos envolve num abraço apertado,

Nos aquece a alma e, nos banha em cultura e tranquilidade.

Évora, minha amada cidade, que partilho com toda a humanidade.

Tesouro incalculável guardado entre muralhas,

Cuidado com o carinho dos seus moradores.

Em cada canto o moderno é engalanado pelo passado,

Num equilíbrio encantador envolto em magia.

Évora onde os tempos parecem cruzar-se

Na doce magia da soma dos dias.

Fortunata Fialho

Vista da Sé Catedral de Évora.

😐Dúvidas!

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Alguém me disse que a minha escrita não era assim tão boa. Ouvir isto doeu, doeu muito.
Não tenho a pretensão de que sou uma grande escritora mas, bem cá no fundo, acho que não sou assim tão má. Quando escrevo não tenciono ser como ninguém, só preciso de ser eu própria e é isso que coloco naquilo que escrevo.

Quando escrevo deixo as palavras fluírem sem pensar muito, deixo que o sentimento mande e permito-me sonhar. Gosto de sonhar, se deixar de o fazer será um pouco como envelhecer e deixar que a morte me encontre mais depressa. Sonhando tenho a idade que quero e que sinto.

Os anos podem passar, e já passaram muitos, mas isso não vai impedir-me de voar quando me apetecer, nadar mesmo nadando pouco, correr mesmo quando o corpo se cansa, viver em mundos mágicos mesmo sendo irreais…

Talvez a minha escrita não seja…

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Vamos ficar bem.

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Vamos ficar bem.

Quando uma lágrima corre pelo nosso rosto e o mundo parece ruir,

Pensa que o tempo tudo cura e que tudo vai ficar bem.

Quando os dias forem cinzentos e tristes acredita,

Amanhã o sol vai brilhar intensamente e tudo vai ficar bem.

Se a chuva cai sem sessar e os riachos se tornam rios,

Pensa nos benefícios das cheias e tudo vai ficar bem.

Haverá menos fome, menos sede e os campos ficarão mais verdes.

Se o sol é inclemente e seca o teu jardim,

Humedece a terra, as plantas agradecem e tudo vai ficar bem.

Se o mundo, subitamente, roda ao contrário, não te preocupes

Vais acordar e… era um pesadelo. Afinal está tudo bem.

O mundo não gira ao contrário mas parece ruir.

Pelos países passeia-se um vulto negro e arrepiante.

Por onde passa destila desgraça e morte.

Quando a sua escuridão demora a…

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💆Melancolia.💆

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Melancolia.

Olho pela janela e, de repente, uma rajada de vento agita as árvores.

Algumas gotas de chuva caem, tímidas e quentes, levantando poeira.

Ao longe as árvores cobrem-se de mil tons amarelados,

O verde viçoso e brilhante esconde-se envergonhado.

As folhas entristecem e, numa tentativa vã de desespero, escurecem.

Onde outrora o verde era rei agora o amarelo outonal lidera.

O verde não se deixou derrotar e renasce em cada tronco de árvore,

Em cada pedrinha sombria e até no solo húmido.

Um viçoso musgo cobre de tons esverdeados os mais recônditos lugares.

A chuva cai cada vez com mais intensidade mas isso não importa.

O seu molhar ainda é ligeiramente quente e retemperador.

Afinal quem não gosta de caminhar à chuva,

Sentar-se num tronco de árvore e admirar as paisagens?

Sentir na pele o doce contacto da água, fresco e reconfortante?

Sentir o suave toque do musgo que…

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“Sentidos ao Vento (Momentos)”

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Horizonte

Paro o carro e olho
o horizonte.

Estou cansada e
recosto-me no banco.

Fixo os olhos em
tudo o que me cerca.

Os campos estão
verdes, tudo parece renascer.

Parece que um
pintor andou a brincar com Cores.

Cansado de tanto
verde,

Pincelou-o aqui de
amarelo,

Ali de lilás, acolá
de vermelho,

Branco, roxo…

Brincou com os tons
do próprio verde,

Acrescentou
castanhos, cinzas,…

Criou a paisagem
mais bela de que me lembro.

Olho para cima e só
vejo azul.

Entretanto, como o
pintor,

Começo a brincar
com os azuis.

Acrescento algumas
pinceladas brancas.

O céu torna-se
mágico.

Nele posso ver tudo
o que quiser.

Continuo a olhar e
tento reter tudo.

Quando estiver
triste

Vou recordar a
paisagem,

Vou sorrir de felicidade.

Fortunata Fialho

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