Tropeço.

Tropeço.

No regaço um monte de livros,

Amigos incondicionais num abraço.

Pelo corredor caminhei,

Assim às escadas cheguei.

Os pés esses não conseguia ver,

Os degraus, delicadamente tateei.

Um dos degraus falhei,

O corpo tombou, os livros voaram…

Pobres amigos, alguns se desfolharam.

Ingratos… não me ajudaram,

Na queda o corpo magoei.

Em cima deles aterrei,

Nas suas folhas soltas escorreguei,

Nas suas lombadas travei.

Não pensem que fiquei zangada,

Prontamente as lágrimas sequei,

 As roupas alinhei e, pacientemente…

Os livros abracei.

Pobres amigos, tortos desfolhados,

Tal como eu lesionados.

Nos braços os coloquei,

De fita-cola me armei e,

Delicadamente os curei.

Nos meus joelhos uns pensos,

Nos cotovelos umas ligaduras,

No corpo um balsamo.

No regaço um livro aberto.

Nesse mesmo momento comecei a ler…

Assim a dor pude esquecer.

Fortunata Fialho

Sempre… ” Poesia Colorida”

escreversonhar

Sempre…

Sempre que pelo meu rosto rola uma lágrima,

Olho para o horizonte e sonho.

Sonho que sou uma borboleta esvoaçando ao sol.

Uma flor que cresceu livre e vistosa no meio do campo.

Um pássaro livre de gaiolas, esvoaçando e trinando.

O vento que acaricia o teu rosto.

O sol que parece incendiar o teu olhar.

Uma nuvem que brinca com o vento,

Transmutando-se sem hesitar.

Um rio que corre para abraçar o mar…

Sempre que a solidão te machucar… vem.

Um abraço bem forte e um amo-te,

Acariciarão os teus sentidos.

Sempre que por mim chames estarei presente.

Sempre que me quiseres irei.

Sempre que me amares corresponderei.

Sempre que a tristeza te toque serei a tua alegria.

Sempre que as palavras te faltem serei o teu silêncio.

Sempre que o teu corpo gele serei teu agasalho,

Sempre que te desnudes serei a tua pele.

Sempre que precisares…

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Amor Eterno.

Amor Eterno

Era um sonho que ela tinha: amor eterno como nas histórias.

Ao abrigo da noite o sonho vinha, sonhava com o príncipe encantado.

Guerreiro feroz… amante doce e terno…

Cabelo moreno, olhos negros e lábios doces como o mel.

O tempo passou e ela cresceu. O príncipe encantado mudou…

O cavalo descansou e um carro o destronou.

De guerreiro passou a Bom Vivam, Playboy…

A adolescência não perdoa e as paixões são intensas.

Desgostos de amor, choros e lamentos…

E a menina tornou-se mulher… os príncipes rarearam.

Com o tempo desapareceram… tornaram-se vulgares…

Um dia, sem que o procura-se, algo aconteceu.

Um grande amigo começou a parecer diferente,

A sua companhia era o maior prazer do mundo.

Os sonhos voltaram mas ela não dormia.

Sem que se apercebesse o amor tinha acontecido.

E… entre beijos e abraços promessas foram feitas,

Vidas foram unidas e multiplicadas.

Em surdina uma promessa: Amar para sempre…

Amor eterno a dois partilhado!

Fortunata Fialho

Aula. “Sentidos ao Vento (Momentos)”

escreversonhar

Aula

Espaço de aprendizagem.

Assim me ensinaram quando fui aluna.

Em casa educa-se, na escola aprende-se.

Hoje:

Escola é um espaço de convívio,

A forma de socializar,

Estar com os amigos e conversar.

Então quando e onde se aprende?

Como saber Matemática, Português, Inglês,…

Comodescobrir
vocações?

Como vir a ser um bom profissional?

Sem conhecimentos?

Como teremos confiança em quem nos trata,

Nos ensina, nos constrói as infraestruturas?

Como será a nossa sociedade futura?

Quero que os meus alunos aprendam,

Sejam os melhores profissionais possível,

Sejam os génios de amanhã.

Pais ajudem-nos!

Estes são os vossos Filhos,

Os Homens de amanhã.

Fortunata Fialho

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Lágrimas invisíveis.

Lágrimas invisíveis.

Há lágrimas que não se veem… vivem presas nos olhos.

Dolorosamente esperam um momento a sós,

Um momento em que ninguém as veja.

Então deslizam pelo rosto, irromperam em cascata.

Em segredo levam tristezas, tentam lavar a alma…

Ao menor som secam e escondem-se…

Temem a curiosidade alheia, recusam mostrar a sua dor.

Há lágrimas que correm em rios invisíveis

Sofrem, ocultas, escondidas de quem as causa.

A sua fonte é a insensibilidade… o desamor… o egoísmo…

E elas rolam sem parar, tropeçam e continuam.

Lágrimas secas mas abundantes, lágrimas fruto de dor.

Lágrimas teimosas, tímidas… sentidas…

Não querem mostrar o sofrimento que contêm.

Não podem revelar tanto sofrimento… a quem o causou.

Há lágrimas que escolhem a noite para sair,

No escuro dão vazão ao sofrimento, aqui ninguém as detém.

Há lágrimas que ninguém vê… lágrimas que não deixamos ver,

Lágrimas só nossas, tesouros brilhantes indesejados.

Rosto seco… olhos lacrimejantes… espelhos de dor.

Lágrimas secas, dolorosas que arranham como garras,

Que rasgam a alma e quebram o coração…

E estas são as lágrimas que menos se deixam ver.

Fortunata Fialho

🌠Estrela decadente. 🌠

Estrela decadente.

Há muito, muito tempo uma estrela brilhava intensamente.

O seu brilho ofuscada muitas das que a rodeavam.

Sempre que o manto negro cobria o céu ela e as suas amigas brilhavam.

A certa altura, ninguém se lembra quando, a vaidade chegou.

Subitamente a estrela mudou e a partir desse momento

Apregoava aos céus que ninguém brilhava como ela,

Que o seu esplendor não era igualado por nenhuma outra.

Ao seu redor o brilho continuava intenso.

Na procura da supremacia absoluta maltratava todas as outras.

Magoadas, ultrajada e humilhadas uma a uma as outras afastaram-se.

O firmamento ficou cada vez mais pobre,

Sobre ele um manto negro foi-se instalando.

O brilho perdeu-se e a estrela ficou só.

Vaidosa como nunca brilhou num palco só seu,

Mas o público não aplaudia, cada vez menos se olhava o céu.

Uma única estrela a brilhar era insuficiente.

Um céu escuro não atrai atenções… escurece os corações.

Na procura de consolo procurou as suas irmãs.

Tarde de mais… nenhuma se lhe juntou.

Finalmente a solidão venceu e o brilho esmoreceu

No negro uma estrela cadente surgiu…

A estrela brilhante… essa nunca mais ninguém viu.

Fortunata Fialho

Desespero… Coragem…

escreversonhar

Desespero…Coragem…

Esta noite sonhei que o meu mundo terminava.

Que tudo em meu redor desaparecia.

Procurava-te e não te encontrava.

No meu corpo sentia um frio glaciar.

Tudo á minha volta se esfumava e esvanecia.

Acordei… o desespero provocou um rio de lágrimas,

Uma torrente interminável… serviu para acalmar a minha dor.

Acordada senti-me perdida e só.

A meu lado uma cama vazia, ainda com o teu calor.

Respirei fundo e procurei-te… apareces-te.

Sem perguntares abraçaste-me…

Todo o meu desespero acalmou e… sorri.

O pesadelo terminou e o meu mundo voltou.

Não quero voltar a adormecer,

Não quero sair do teu abraço.

Em ti… todo o meu desespero… terminou.

Em ti toda a minha coragem regressou.

Sim amor porque para mim coragem é

Acordar todas as manhãs e enfrentar o mundo.

Enfrentar o dia e dizer… eu sou capaz, vou vencer.

Coragem é não cruzar os braços e lutar…

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“Quero um poema…”

Desde que somos concebidos a nossa vida é feita de sonhos. Os pais sonham futuros promissores para os filhos, eu ainda o faço com os meus.

Os filhos vão crescendo e vão sonhando sonhos próprios de cada etapa do seu crescimento. Passam pelos sonhos fantásticos, pelos incoerentes e inalcançáveis da adolescência e, finalmente, pelos mais realistas.

Todos crescemos, e muitas vezes, os sonhos perdem-se nas responsabilidades da vida adulta. Eu, como tantas como eu não perdi os meus sonhos, simplesmente os deixei em espera. Primeiro foram os filhos e sonhei o seu futuro. Lutei para que nada lhes faltasse e isso fez-me feliz. Os filhos cresceram e os sonhos voltaram.

Sempre fui uma pessoa que lia tudo aquilo a que tinha acesso, ler sempre me deu um prazer imenso. Da leitura à escrita foi uma evolução natural.

 Comecei a escrever porque escrever é um prazer imenso que me proporciona momentos muito reconfortantes. Escrevo o que sinto, o que sonho, o que desejo… escrevo por… tudo e por nada.

Na poesia encontrei uma forma de verbalizar sentimentos e assim surgiram diversos poemas dos quais partilho alguns com a esperança de que também façam felizes alguns sonhadores como eu.

Aqui vos revelo um pouco da minha alma, um pouco dos meus sonhos… um pouco de mim…

Fortunata Fialho

Quem sou eu? “Simplesmente… Histórias”

Quem sou eu?

 Quem consegue responder, com rigor, a uma pergunta destas?

Não sei.

Um dia sou uma pessoa alegre, crédula, romântica, otimista e feliz. No outro triste, taciturna, desconfiada e um pouco infeliz.

Atenção não sou bipolar nem sofro de qualquer distúrbio ou perturbação mental.

Poderão dizer que sou complicada, mas quem não é?

Não somos, no fundo, o espelho daquilo que nos rodeia?

Sofro quando alguém querido sofre, riu quando se riem. A tristeza torna-me infeliz e a alegria feliz.

Não é assim para todos nós?

Só um tolo consegue ser feliz a tempo inteiro. Não sou tola, simplesmente, sou humana.

Procuro obter alegria dos pequenos e bons momentos e aproveitar as coisas boas da vida. Amar incondicionalmente quem me ama e, por vezes, aqueles que dizem não me amar. Sim porque é difícil amar quem nos odeia.

Cuidado, sou orgulhosa e não esqueço facilmente a traição e o mal que me fazem. Não me pisem os calos pois eu reajo, não com violência e discussões mas sim com o desprezo.

Solitária e incondicionalmente romântica. Sonhadora e trabalhadora.

Por vezes tenho grandes momentos de silêncio em que não me apetece falar. Não estou, forçosamente, chateada com alguém ou alguma coisa, mas sim porque estou envolta nos mais diversos pensamentos.

Adoro conhecer aquilo que me rodeia. Atenção, não me interessa a vida alheia, a minha já me dá muito em que pensar.

Leitora assumida, como diz meu esposo, devoradora de livros. Ler proporciona-me felicidade, sonhos e viagens imaginárias. Quando leio sinto-me transportada a mundos diferentes, parece que esses mundos podem ser meus, mesmo que seja nos meus sonhos. A leitura envolve-me em magia. Lendo sou criança novamente, viajo no mundo da fantasia, vivo nos contos de fadas e, sobretudo, sonho acordada.

Um bom livro preenche a alma e acalma o coração.

Esta sou eu, com todos os defeitos e as qualidades de uma pessoa comum, no entanto eu sou… eu, única e real.

Fortunata Fialho