Mais em “Poesia Colorida”

Dia de inverno

Lá fora a chuva cai fustigada pelo vento norte.

Inclemente bate nas vidraças da minha janela.

Um mar de guarda-chuvas coloridos toma forma.

A rua, triste e sombria, resplandece de cor.

Flores de varetas movem-se como ondas de um mar calmo.

Nenúfares coloridos deslizam no rio que é a minha rua.

Cá dentro o vento não entra e a chuva não molha.

Um terno calor percorre o meu corpo.

Um sorriso travesso brilha no meu rosto.

Pego no meu guarda-chuva e saio.

Sem rumo passeio caminhando neste chão molhado.

Como uma criança não fujo das poças de água,

Confesso que as procuro e… riu de felicidade.

A chuva molha o meu corpo,

O vento fustiga o meu corpo.

Não interessa é inverno e eu estou feliz.

É inverno mas em mim o sol brilha.

É inverno, está escuro e sombrio,

A chuva e o vento aliaram-se…

Molham e gelam e eu pareço não sentir.

É inverno… sorriu e passeio com o meu guarda-chuva.

Estou molhada mas empunho a minha flor de varetas.

Estou molhada e tenho frio.

Não faz mal… é inverno e estou feliz.

Fortunata Fialho

Anúncios

😓 Hoje não me deito. 😐

Hoje fiquei a saber que amanhã, quando acordar, serei mais velha.

Só podem estar a brincar comigo e roubar o meu sono.

Será que o tempo ensandeceu?

Querem lá ver que o meu sono de beleza endoideceu!

Quando o sol nascer terei mais um ano.

Impossível um ano são 365 dias, não umas simples horitas.

Por tudo isto tomei uma decisão, hoje não me deito.

Fico de vigia ao passar do tempo não vá ele cumprir a ameaça.

Montarei guarda apertada, bem sentada, na cadeira de baloiço.

De olhos nos ponteiros do relógio não vou permitir que avance,

Nem se atreva a acelerar um segundo que seja.

Se não se comportar retiro-lhe as pilhas, prendo-lhe os ponteiros,

Atraso-o… evito que avance… troco-lhe as voltas.

Hoje, definitivamente, não me deito.

Se o tempo teimar em por aqui passar, tranco a porta,

Fecho-a a sete chaves e o maior tronco lhe vai servir de tranca.

Reforço as janelas, nem um buraquinho dos estores ficará aberto.

Acordar com mais um ano não vai acontecer,

Só irei dormir, daqui a 24 horas, depois do tempo desistir.

Um ano mais velha! Nem pensem.

Acreditem, hoje não adormeço… nem sequer me deito.

Fortunata Fialho

Sofismando _ WordPress.com

No dia em que tudo ficou azul.

O dia em que tudo ficou azul.

Podem não acreditar mas foi verdade, verdadinha.

Ontem choveu todo o dia e eu e a minha mana não pudemos brincar na rua.

Como nos apetecia ir brincar de esconde-esconde!

Quando a mamã nos mandou para a cama e nos deu um beijo de boas noites disse: sonhos azuis. Eu sorri e sonhei que brincava em castelos encantados sobre nuvens azuis.

Acordei cedo e quis ver se chovia, espreitei pela janela e o céu estava todo azulinho. Boa podemos brincar na rua!

Corri para o quarto da minha mana e acordei-a.

– Vamos brincar lá para fora.

Comemos à pressa e abrimos a porta.

Um pássaro azul pousou na nossa árvore. Estranho a árvore também era azul e estava cheiinha de laranjas azuis, iahc não deviam saber lá muito bem. Abelhas azuis pousavam nas flores azuis, engraçado ontem eram de muitas cores. Uma borboleta azul pousou no cabelo da mana.

A minha mana era morena mas agora o seu cabelo estava azul-marinho e o meu azul celeste. As nossas roupas… juro que quando estávamos a comer eram muito coloridas, agora eram todas azulinhas, confesso que estavam muito giras.

Espreitei pela janela e lá dentro tudo estava normal… estranho aqui até o orvalho era feito de gotinhas azuis muito brilhantes.

Durante todo o dia tudo esteve azul e nós brincámos que nem uns tontinhos fizemos bolos de lama azul, almocinhos azuis e sumos ainda mais azuis, até os meus carrinhos e as bonecas dela eram azul-turquesa.

Nessa noite dormimos muito bem e até os nossos sonhos foram azuis.

Quando acordámos corremos para a rua e estava tudo normal. Estranho, teria sonhado? Não o calendário da parede mostrava que era mesmo amanhã.

Será que quando contar na escola tenho de começar por era uma vez?

Fortunata Fialho

Mal me quer… 😢”Poesia Colorida”

Mal me quer…

Nas mãos de uma criança uma flor perde as pétalas.

Mal me quer, bem me quer, mal me quer, bem me quer…

Ao olhar para um coleguinha de escola sonha com a resposta.

… bem me quer. Um sorriso ilumina o seu rosto.

Uma paixão imensa num coração pequenino.

A flor diz e ela acredita, ele a quer bem.

De longe olha-o embevecida.

A coragem falta e, o silêncio vence.

Amanhã vou brincar com ele e serei feliz.

O amanhã chegou e ela não brincou.

Timidamente, de longe o observou.

Um grande amor, uma timidez profunda.

Um desejo escondido no brilho dos olhos.

Os olhos chamam mas o som não sai.

Na mão outra flor. Bem me quer… mal me quer.

Não, a flor tem de estar errada!

Colhe outra e começa a desfolhar…

 Bem me quer, mal me quer… bem me quer.

Os olhos voltam a brilhar e,

Junto ao banco do recreio continua a sonhar.

Sonha que um dia conseguirá andar e…

Com o seu amor poderá brincar.

Fortunata Fialho

Porque hoje é dia do amigo: Amigo. “Poesia Colorida”

Amigo.

Que existam amizades em todas as criaturas.

Que um amigo seja precioso e insubstituível.

Que em cada coração caiba mais um amigo.

Que a amizade seja uma contante inevitável.

Um amigo ajuda, acarinha, ama de forma altruísta,

Apoia e orienta quando as dificuldades surgem,

Mostra-nos o bom caminho quando nos perdemos,

Oferece o seu ombro para servir de consolo.

Que se encontre a amizade no latir de um cão,

No miado de um gato, no piar de um pássaro…

Que nunca se magoe um amigo.

Que sejamos sempre os seus melhores amigos.

A amizade de um ser que não hesita em amar,

Que é capaz de dar a vida em troca da nossa,

É um tesouro que devemos guardar junto ao coração.

Podem não falar mas acariciam com o olhar,

Podem não falar mas amam com as suas carícias,

Não condenam, não acusam… amam sem censuras.

Quero amigos… sejam de que espécie forem.

Quero dar e receber ternura… conforto… atenção…

Quero um amigo que não me engane,

Quero um amigo que seja meu.

Eu não me importo de o partilhar…

Só quero muitas amizades para retribuir e… amar.

Fortunata Fialho

💕Amor incondicional.💕

escreversonhar

Nem todos os choros são de tristeza,

Nem todas as lágrimas são de dor.

Quando um recém-nascido chora pela primeira vez

O coração de uma mãe chora de alegria.

Ser mãe é uma dádiva da natureza,

Uma dádiva de um imenso amor.

Há muitos amores na vida.

Uns vêm e invadem o nosso coração,

Outros, lamentavelmente, acabam por partir.

Existe um amor incondicional… verdadeiro.

Um amor que por mais que seja posto á prova vence.

Por um filho uma mãe até dará a própria vida.

Por um filho uma mãe irradia felicidade…

Ou chora de dor quando ele sofre.

Um filho é uma parte de nós que por mais que tente…

Nunca se poderá separar.

Existe uma ligação invisível mas mais forte que tudo que os une.

Este sim é um amor incondicional que…

Nem a distância nem o tempo podem apagar.

Fortunata Fialho

DSCF3374 O tempo passa e os seus…

View original post mais 4 palavras

E porque hoje é dia dos avós aqui vos deixo uma lembrança do dia em que também o fui.

Neta:

Olhos abertos, desperta para o mundo, segue movimentos e tenta decifrar o mundo.

Poucos minutos de vida e toda uma vida pela frente.

Odores desconhecidos, envoltos em olhares com laços de amor atados em carinho.

A voz da mãe sobressai, então era esta voz que eu ouvia através da pele? Era ela que me acariciava quando agitada a pontapeava?

Que sensações estranhas! Frio, calor… Tudo é imenso!

O meu mundo alongou-se e eu tão pequenina e indefesa.

Quero o teu colinho minha mãe, sentir o rítmico bater do teu coração. Aquele som que me embalava e me transmitia tanta segurança e tanta paz.

O meu universo era tão pequeno, à distância da minha mão, tudo explorava e conseguia tudo o que desejava, ou melhor, que necessitava.

O teu toque era o meu consolo, atua voz a minha felicidade.

Onde estás, preciso de ti. Aconchega-me nos teus braços e repete que sou o teu mundo, a tua vida.

Dizes que sou linda mas tu és muito mais. Adoro o teu sorriso, o som da tua respiração e a melodia das tuas palavras.

É este o meu pai? Sim é, reconheço a sua voz e o seu toque. É tão boa a forma como me acaricia e tão doce o seu olhar.

Mãos estranhas tocam-me. Doces sons brotam das suas bocas. Quem são? O que querem?

Dizem que me amam, sinto que é verdade. Aconchegam-me e acariciam-me. Sorriem para mim e sinto o seu cheiro… cheiram de forma estranha, diferente. Ao seu colo sinto-me segura e amada.

Tenho fome. Quero minha mãe. Nunca tinha tido fome! Que coisa estranha entra pela minha boca! Que gosto estranho mas tão bom. Engraçado… chucho e engulo, será isto aquilo a que chamam comer?

Reconheço estas vozes e, finalmente vejo quem são. Parecem todos iguais! Esperem, afinal são todos diferentes! Estranho…

Estou cansada, quero dormir. Fecho os olhos e… que se passa? Estou molhada. Que coisa estranha e desconfortável… vou chorar… choro…

Alguém trocou esta pele molhada e eu sinto-me tão bem. Desconhecia, estas peles substituíveis, que estranho… será que se vão substituir mais vezes?

Fome, outra vez com fome. Então vai ser sempre assim? Minha mãe diz que me vai dar mama. O que é mama? Tenho de me alimentar, dizem… e eu chupo, parece que é assim que se mama. Deixo de ter fome, que bom!

Quero voltar para a barriga da mãe, estou cansada e quero dormir.

Não posso? Não há como voltar?

Tenho medo, vou chorar…

Fortunata Fialho