“Simplesmente… Histórias”

Sentei-me ao computador com uma enorme vontade de escrever. Surpresa! Perdi a inspiração.

E agora? Que faço com esta vontade?

Olho em volta e nada me inspira.

 Que monotonia está tudo na mesma.

Olho pela janela e o sol brilha. Há tanto tempo que andava desaparecido. Percorro o espaço exterior com os olhos.

Vejo lindas flores nos meus canteiros, todos os dias aparecem mais algumas.

O meu quintal resplandece de cor e de alegria. Os pássaros chilreiam nas árvores. Não consigo descobrir nenhum ninho, talvez ainda seja cedo.

Vistosas joaninhas passeiam-se sobre as flores comendo o piolho das plantas. Uma borboleta esvoaça em redor da minha janela. Deve de estar a exibir o seu belo colorido, e que colorido! Recuso-me a pensar que anda a depositar os seus ovos nas minhas plantas. As lagartas vão banquetear-se e eu vou ficar muito aborrecida.

No canil as cadelinhas estão estendidas a apanhar todo o sol que podem, nem me ligam. Eu bem me esforço mas elas ignoram-me.

Tantas abelhas no meu quintal! Será que não me vão picar? Talvez deva ter cuidado e deixá-las andar à vontade.

Levanto o olhar e surge um céu tão azul que encandeia. Nenhuma nuvem o mancha.

De vez em quando, passam alguns pássaros voando e chilreando.

Contínuo sem inspiração. Não sei por onde começar. Talvez seja melhor desistir, fechar o computador e esperar por melhor ocasião.

Vou esperar pela minha inspiração. Talvez ela se digne voltar.

Se voltar posso escrever mais uma história daquelas que tanto gosto tenho em contar.

Fortunata Fialho

Noite…

Onde está o azul do céu?

As nuvens iradas vedaram-lhe os raios.

Cortinas de nuvens, mantos negros, escuros véus.

Olho pela janela e o mundo parece ruir.

A tristeza e a saudade invade todo o meu ser.

Uma mensagem. Chego hoje.

Na mesa o meu melhor vinho rodeado de velinhas perfumadas.

De luzes apagadas as chamas tremem placidamente.

Uma chave na porta, uns passos que se aproximam.

Corro e caio nos seus braços e devoro a sua boca.

As palavras… são inúteis e não as articulamos.

Roupas esquecidas pelo chão, caídas como pétalas de rosas.

Corpos quentes e vibrantes… indistinguíveis.

Mãos que acariciam sem pudor,

Que reclamam cada poro dos nossos corpos,

Cada pedacinho de pele nos cantos mais íntimos.

O pudor ficou lá fora, as velas apagaram-se,

O vinho continua nos copos.

E os corpos?

Os corpos explodem num orgasmo intenso

Exaustos e plenos, repousam abraçados.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

“Quero um poema…”

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

O mundo é feito de amor e é isso que pretendo retratar…

Filho. 💕 Feliz dia dos filhos.

Quando os corpos se entregam o milagre acontece.

Quando o amor é imenso e não cabe em dois corações,

É necessário produzir mais alguns.

Entre beijos e abraços, outro amor em formação

No calor de dois corpos que se enlaçam… unos…

Quando os corpos se multiplicam o amor aumenta.

Um ser pequenino e frágil cresce dentro de nós.

Invisível, só os podemos sentir e acariciar.

O melhor pedaço de nós, um fruto do nosso amor.

Uma relação para toda a vida acontece.

Um primeiro olhar, um primeiro cheiro…um primeiro sorriso,

Uma primeira carícia… um primeiro som…

Um filho é o maior tesouro, o mais rico… o mais belo.

Um pequeno diamante em bruto que se desenvolve e se molda,

Uma joia rara que lapidamos diariamente.

Envolto em lágrimas, suor e muito amor cresce.

Nunca um amor foi tão puro e tão verdadeiro

Nunca um coração foi tão nosso, nunca um amor foi tão imenso.

Um filho é… o maior milagre do mundo.

Fortunata Fialho

O tempo passa e os seus sorrisos sempre me apaixonam.

Terra, pobre planeta.

Mundo louco, insano e desesperante, virado do avesso e desprotegido.

Onde o amor se transforma em ódio e o conhecimento em ignorância.

Todo o planeta se debate a fugir da morte sem que ouçam o seu angustiante grito.

Mentes surdas e petulantes, pseudoiluminadas na sua ignorância,

Poluem os seus oceanos, rasgam o seu solo e destroem o seu manto verde.

Como filhos que acham que os pais nunca morrem,

Esgotam os seus recursos perante uma população inerte.

Condenam os povos a uma vida de terror e morte.

As águas agigantam-se, as florestas perecem e o calor avança.

O frio gela, o calor derrete e o planeta adoece.

Os animais morrem, as plantas desaparecem, o deserto avança.

E o povo chora castigado pelo clima,

Afoga-se nas águas, incinera-se nos incêndios,

Debilita com fome, sede… desidrata com o calor…

Pobre planeta! Pobres de nós que com ele sofremos!

Protejam-no, curem as suas feridas, purifique as suas águas,

Remendem os seus mantos verdes, juntem os retalhos e criem florestas.

Purifiquem o ar… deixem-nos respirar… devolvam o oxigénio.

Parem gentes inconscientes! Vive meu planeta amado.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

Sonho acordada…🌌 “Quero um poema…”

Triste e melancólica olho o horizonte e, acordada, sonho.

Sonho que ao ligar o rádio as notícias são de esperança.

Que a televisão fomenta a cultura e o respeito.

No meu sonho os livros enfeitam as estantes de todas as casas,

Ao alcance de todas as mãos, independentemente da sua idade.

As crianças crescem a ouvir histórias de encantar.

Que ao adormecerem sonham com fadas, príncipes e princesas,

Com mundos de encantar onde só a felicidade entra.

Que não lhes escondem, ou manipulam, as histórias antigas.

Eles têm de saber que, mesmo nas suas histórias, o mal existe.

Que as princesas podem conviver com demónios, ogres, duendes…

O bem e o mal sempre caminharam lado a lado,

A luz e a sombra são inseparáveis,

O medo é saudável, fomenta a coragem que tudo pode superar.

(…)

Fortunata Fialho

Porque hoje é dia do autismo _ Autista.

Um rosto sem sorriso, ouvidos que se recusam a ouvir.

Silêncios que ninguém compreende.

Gestos que se repetem de forma desesperante.

Um coração preso num peito que não se abre.

Cérebro prodigioso que teima em se esconder.

Medo do toque e do mundo que o rodeia.

Incompreensão das relações humanas.

Anseia por carinho mas não o sabe pedir… nem dar.

Olhos que fogem de outros olhos.

Corpo que foge de outros corpos.

Não suporta o toque e… esconde-se…

Num mundo escondido entre muros invisíveis.

Génio incompreendido que domina a arte, os números, a ciência ou,

Quem sabe, descobertas surpreendentes capazes de mudar o mundo.

Mente prisioneira de um tema só seu.

Não deixa que perturbem o seu mundo.

Ergue muros que lhe dão segurança.

Coração que precisa desesperadamente de amor,

Amor esse que não consegue demonstrar.

Autista, criança sensível num mundo só seu.

Criança ternura abre uma porta e deixa-me entrar,

Mostra que também sabes amar.

Fortunata Fialho

Alberto Cuddel _ Como fazer amor

Uma obra de uma sensibilidade incrível em que se misturam a ingenuidade de um ser que ama e a luxúria de um ser amante.

A beleza de:

É ai que o amor se sente

No olhar distante de uma criança

Sentada ao colo de uma madrasta

Que a leva à escola, por uma mãe que a deixou!”

E de:

“Num espaço vazio entre os corpos

Cabem todos os medos e segredos

Não memória desse abraço desejado

Cabe toda a solidão e saudade

Cabe a vida, o amor e a simplicidade.”

E no que deixa para o leitor pensar e sonhar:

“Não jures amor

Ama apenas

Em ti, em mim

Esquece tudo

Abandona todo o pudor…”

Uma obra a não perder que nos proporciona capacidade de sentir e ser sentido. Que nos faz pensar o que será afinal o amor se carnal, platónico, simples e sereno ou tórrido e imperativo.

Obrigada amigo poeta por partilhar esta obra que me envolveu de forma a não poder deixar a leitura a meio.

Fortunata Fialho